sábado, 21 de março de 2020

Coronavírus: Ritmo de contágio no Brasil está acelerando, apontam universidades

Ritmo de contágio do coronavírus no Brasil está igual ao registrado na Itália e acelerando, apontam universidades
imagem:reprodução
A disseminação do novo coronavírus (Sars-CoV-2) hoje no Brasil vem num ritmo igual ao da Itália de semanas atrás -- e ganhando velocidade. Segundo um estudo conduzido por sete universidades, o número de casos deve passar de 3 mil já na terça-feira (24).
O balanço desta quinta-feira (19) do Ministério da Saúde apontava 621 casos em todo o país -- sete pessoas já morreram.

“Nossos cálculos corroboram a ideia que o início da curva epidêmica brasileira é igual às da Itália e da Espanha — quando estes países estavam no início”, afirmou ao G1 o professor Roberto Kraenkel, do Instituto de Física Teórica da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp).
O gráfico acima mostra as projeções da Unesp para os próximos dias. Para sábado (21), a estimativa é de 1.091 casos; para domingo (22), 1.478; segunda (23), 2.003; e terça, 2.714 (24). Há um intervalo para cada dia, com mínimas e máximas, que prevê até 3,4 mil casos na terça.
Um levantamento da universidade norte-americana Johns Hopkins nesta sexta afirmou que há ao menos 10.031 mortos por complicações da Covid-19 em todo o mundo. Eram 245 mil infectados.
Nesta quinta, a Itália ultrapassou a China no número de mortos por Covid-19.
Projeção de casos
Kraenkel participa do Observatório Covid-19 BR, que estuda os números da pandemia no país. O grupo reúne professores da Unesp, Unicamp, USP, UnB e UFABC, além das universidades de Berkley e (EUA) Oldenburg (Alemanha).
Um dos cálculos feitos é o do tempo de duplicação de infectados.
“Uma forma de acompanhar a epidemia é seguir o tempo de duplicação dia a dia. Se as ações de contenção surtirem efeito, vamos observar o tempo de duplicação aumentar. Esta é uma forma de saber se estamos conseguindo ‘domar’ o coronavírus”, detalhou Kraenkel.
Esse tempo, com os dados do Ministério da Saúde de quinta, está em 2,28 dias — e caindo. Isso quer dizer que, no Brasil, a cada 54 horas e 43 minutos, o número de contaminados dobra.
Quanto mais baixo for esse tempo, mais rápida corre a pandemia no país. O primeiro caso de coronavírus no Brasil foi confirmado no dia 26 de fevereiro.
“Se tenho, digamos, 10 casos, quanto tempo leva para ter 20, depois 40 e 80?”, explicou o professor.
Um fator que interfere nesse cálculo é o número de testes feitos. Na Itália, por exemplo, até o dia 9, 60 mil pacientes foram testados -- ou mil kits a cada milhão de habitantes. Na Coreia do Sul, foram quatro vezes mais.
Ao G1, o Ministério da Saúde informou que, na rede pública, foram feitos 13 mil testes -- ou 62 para cada milhão de brasileiros. Não há estatísticas para a rede particular.
De olho no crescimento
O tempo de duplicação se reflete na “curva” de casos, que as autoridades tanto querem “achatar”.
O gráfico acima mostra duas possibilidades de avanço de uma doença — uma tem um crescimento abrupto, acima da capacidade de absorção do sistema de saúde, e outra mais suave, distribuída por mais dias.
Autoridades de Saúde de todo o Brasil intensificaram nas últimas semanas os pedidos para que a população fique em casa. O isolamento social é defendido como o meio mais eficaz para “achatar a curva” da epidemia.
Outros países
O gráfico abaixo mostra a evolução do tempo de duplicação em outros países. Quanto mais baixa a linha, mais rápido o coronavírus está agindo.
“Bem no início da epidemia na Itália, o tempo estava perto de 1,8 dia. Hoje está ao redor de 4 dias”, disse Kraenkel.
O Brasil aparece somente no dia 14, quando havia 121 casos, número a partir do qual é possível fazer os cálculos.
Previsões para Rio e SP
O Fantástico do último domingo (15) mostrou um estudo preliminar da Universidade de Brasília que prevê, apenas na Grande São Paulo, 1,3 mil casos nos próximos 30 dias e 30 mil em 60 dias.
Já a Secretaria Estadual de Saúde do RJ traçou duas possibilidades de curva em um mês para o estado: 4 mil casos se as medidas de isolamento forem eficazes ou 24 mil se a população não evitar aglomerações.
Fonte: G1

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