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As ações da Alpargatas, controladora da marca Havaianas, registraram forte alta nesta terça-feira (23), revertendo parte das perdas da véspera, quando os papéis foram pressionados por uma polêmica envolvendo a mais recente campanha publicitária da empresa. Por volta das 15h, os ativos avançavam 3,5%, cotados a R$ 11,85, após terem recuado 2,4% no pregão anterior.
A queda de segunda-feira foi atribuída ao receio de que um boicote, impulsionado por políticos e influenciadores de direita nas redes sociais, pudesse afetar o faturamento da marca. O movimento ocorreu em um período de menor liquidez no mercado, o que tende a ampliar oscilações. Ainda assim, analistas avaliam que a reação negativa teve caráter pontual e pouco impacto sobre os fundamentos da companhia.
No acumulado de 2025, as ações da Alpargatas sobem 113%, segundo a consultoria Elos Ayta. O desempenho reflete uma mudança de percepção do mercado após a reestruturação conduzida desde a chegada de Liel Miranda ao cargo de CEO, no ano passado. A nova gestão revisou a estratégia de investimentos, priorizando alocação de capital, redução do endividamento e geração de caixa.
Efeito da reorganização nos resultados
Os efeitos da reorganização aparecem nos resultados financeiros. No terceiro trimestre de 2025, o lucro líquido cresceu 199% em relação ao mesmo período do ano anterior, alcançando R$ 171,3 milhões. O Ebitda avançou 86,8%, para R$ 255,7 milhões, no melhor resultado da história da companhia, segundo a própria Alpargatas.
A melhora operacional incluiu a redução do portfólio pela metade e o reforço da presença em supermercados, elevando o market share de chinelos para 77%. Com a operação doméstica mais ajustada, o foco estratégico se volta agora ao mercado internacional.
Um acordo de distribuição com a Eastman, anunciado em junho, deve permitir que a empresa atinja a lucratividade nos Estados Unidos a partir de 2026, revertendo o prejuízo de R$ 80 milhões registrado em 2024.
Relatórios de bancos como UBS BB e XP destacam avanços nas margens, recuperação de volumes na Europa e expectativas positivas para o novo modelo operacional nos EUA.
A valorização recente também marca uma inflexão após anos difíceis para o papel. Entre 2022 e 2024, a ação acumulou quedas expressivas, chegando à mínima de R$ 5,37. Para analistas, o desempenho de 2025 sinaliza uma retomada que não era vista desde 2019.
Fernanda Torres
Nesse contexto, o recuo provocado pela controvérsia publicitária foi interpretado como ruído de curto prazo.
A campanha questionada, estrelada pela atriz Fernanda Torres, foi criticada por apoiadores da direita que associaram uma frase do comercial a uma suposta mensagem política ligada às eleições de 2026. A reação incluiu manifestações de parlamentares e ações simbólicas no varejo, como a liquidação promovida por uma loja em Santa Catarina.
Apesar da repercussão, o mercado financeiro deu sinais de que segue mais atento aos resultados e à estratégia da empresa do que às disputas nas redes sociais.
Fonte:ICL NOTÍCIAS - 23/12/2025
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