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Registros administrativos do Banco Central obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI) mostram que o banqueiro Daniel Vorcaro esteve 24 vezes na sede da instituição durante a gestão de Roberto Campos Neto.
Os dados abrangem o período entre fevereiro de 2019, quando Campos Neto assumiu a presidência do Banco Central, e dezembro de 2024, quando terminou seu mandato à frente da autoridade monetária.
As informações constam em planilhas de controle de acesso ao prédio do Banco Central, que registram horários de entrada e saída de visitantes. Os registros permitem identificar tanto a frequência das visitas quanto o tempo de permanência do banqueiro dentro da instituição.
O levantamento ocorre em meio às investigações envolvendo o Banco Master e seu controlador. O banco e executivos ligados ao grupo são alvo da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal, que apura suspeitas de irregularidades financeiras, lavagem de dinheiro e a atuação de uma estrutura paralela de monitoramento e pressão institucional.
O Banco Master tem origem no antigo Banco Máxima. Em 2019, o controle da instituição foi adquirido por Daniel Vorcaro, operação que marcou a transformação do banco e sua posterior reestruturação sob a marca Banco Master.
O mesmo ano em que ocorreu a aquisição do Banco Máxima coincide com o período em que Vorcaro passou a frequentar com maior intensidade o prédio do Banco Central.
De acordo com os registros obtidos via LAI, Vorcaro realizou 24 entradas no prédio da autoridade monetária durante a gestão Campos Neto.
Quantidade de visitas por ano
- 2019: 11 visitas
- 2020: 2 visitas
- 2021: 0 visitas
- 2022: 2 visitas
- 2023: 4 visitas
- 2024: 5 visitas
A maior concentração ocorreu justamente em 2019, quando Vorcaro esteve 11 vezes no prédio do Banco Central — ano em que ocorreu a aquisição do Banco Máxima e o início da reestruturação que deu origem ao Banco Master.
Somando os horários de entrada e saída registrados no sistema de controle de acesso, as visitas totalizam 21 horas, 45 minutos e 1 segundo de permanência dentro da instituição ao longo de todo o período analisado.
Reunião mais longa ocorreu em meio a rumores de mercado
Entre todos os registros, a visita de maior duração ocorreu em 30 de outubro de 2024. Na ocasião, Vorcaro entrou no prédio do Banco Central às 09h54 e saiu às 12h38, permanecendo 2 horas e 44 minutos dentro da instituição.
A reunião ocorreu em um momento de forte turbulência envolvendo o Banco Master. Naquele período, circulavam no mercado financeiro informações de que o BTG Pactual teria suspendido a captação de recursos para títulos do Banco Master.
A informação foi posteriormente desmentida em nota pelo próprio BTG Pactual.
Em seu site, o Banco Master reiterou o esclarecimento divulgado pelo BTG e afirmou que “a disseminação e a propagação de informações falsas configura crime contra o sistema financeiro nacional”. O banco também anunciou que tomaria medidas judiciais contra responsáveis pela divulgação das informações consideradas falsas.
Na ocasião, Vorcaro participou da reunião acompanhado de Augusto Lima. O Banco Central esteve representado pelo diretor de Fiscalização da autarquia, Ailton de Aquino.
Os registros obtidos via LAI indicam apenas os horários de acesso ao prédio do Banco Central e não detalham formalmente o conteúdo das agendas ou as discussões realizadas durante os encontros.
O caso Master ganhou repercussão após o avanço das investigações conduzidas pela Polícia Federal e o envio de documentos e dados à CPMI do INSS, que também passou a examinar conexões entre operadores financeiros, estruturas digitais e suspeitas de movimentações financeiras irregulares associadas ao grupo.
Documentos obtidos nas investigações indicam que o grupo ligado ao banco também é suspeito de operar estruturas de monitoramento clandestino e de influência digital utilizadas para pressionar jornalistas, autoridades e instituições.
As visitas registradas no Banco Central ocorreram ao longo de diferentes fases da trajetória do Banco Master no sistema financeiro, incluindo períodos em que a instituição buscava ampliar operações, consolidar sua posição no mercado e responder a questionamentos regulatórios e rumores que circularam no mercado financeiro.
Fonte: ICL NOTICIAS - 10/03/2026

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