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segunda-feira, 1 de março de 2010

São Paulo: Leia artigo do ex-governador Claudio Lembro sobre a visita do Presidente Lula a Cuba

El que nace tatú, muere cavando*

Cláudio Lembo De São Paulo (SP)

As pessoas quando atingem a idade adulta - chama-se aqui idade adulta os anos da etapa final da vida - começam a retornar ao passado. Recordações de experiências vividas. Momentos exuberantes revividos.

Um analista poderia dar explicações completas sobre este fato. Ao observador comum do cotidiano cabe apenas registrar e permitir aos demais a análise dos elementos recolhidos.
A última semana foi rica em retornos ao passado. As figuras centrais da política brasileira deixaram o presente, suas exigências, e retornaram ao passado longínquo.

Todos com mais de sessenta anos conviveram com os eventos da Revolução Cubana. Momentos repletos de heroísmo. Tudo se inicia no porto mexicano de Tuxpan.

Um iate - o Granma - solta amarra a caminho de Cuba. Encontrava-se sobrecarregado. Armas, munições e oitenta e dois rebeldes a bordo. Partiam para a derrubada do regime do ditador Fulgêncio Batista.

A bela ilha de Cuba se transformara, segundo o escritor Norman Mailler, no bordel da América. Valores morais se degradaram. A humilhação constante. A revolta uma necessidade irreversível.
Cuba se encontrava ultrajada. Aqueles oitenta e dois rebeldes, comandados por Fidel Castro, Raul Castro e Che Guevara, em seu ato corajoso, buscavam resgatar a história de dignidade da Ilha.

Lutaram bravamente como guerrilheiros, a partir das selvas de Serra Maestra, e, após longas jornadas, chegaram a La Habana, onde abateram um dos mais perversos e ignóbeis regimes impostos pelo imperialismo.

Foi uma etapa respeitável da história do povo cubano. Os aproveitadores do velho regime se refugiaram por toda a parte e particularmente em Miami.

Vieram depois os conflitos oratórios com os Estados Unidos e uma ingênua união com a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. A ilha passou a ser satélite de um distante país socialista.

Enquanto perdurou o socialismo, os cubanos obtiveram o mínimo para a sobrevivência digna. Com a queda do regime soviético, um período de plena estagnação começou e, com ele, uma férrea ditadura.

As ditaduras - de esquerda ou de direita - assemelham-se em suas essências. Ferrenho bloqueio dos direitos humanos em toda a imensa galeria dos hoje catalogados.

Nada de liberdade. Horror ao pensamento exposto. Aniquilamento de qualquer contendor. Expurgo dos dissidentes. Fim da dignidade dos oponentes. Morte aos adversários.

Tudo se assemelha, quando os ditadores são observados sem preconceitos. Pouco difere Hitler a Stalin. Um latino-americano age da mesma maneira que um totalitário balcânico.

Ora, se assim é, só pode se atribuir à busca de um retorno à juventude à ida do presidente da República brasileira a Cuba. Visita de turista. Nada de positivo. Nenhuma palavra de incentivo ao retorno à democracia.

Os dois irmãos - Raul e Fidel - assemelham-se, nas fotografias oficiais, a dois avôs já sem horizontes e esperanças, recebendo visitas extravagantes. Nada de palavras e observações. Não querem ouvir.

Os visitantes, com aparência desconfortável, não quiseram agredir aquelas figuras históricas e tristemente decadentes. Ficaram bloqueados perante a indigência de novas idéias.

Faltou o grande e solene documento, aquele que apontaria para o futuro e demonstraria que Cuba deseja ingressar na grande comunidade dos povos democráticos.

Os que viveram, pelos meios de comunicação, os feitos dos anos cinqüenta, esperavam, no presente, a grande apoteose da liberdade. Nada, porém, aconteceu. Apenas, convivência com antigas paisagens.

É compreensível, mas não é estimulante. O Brasil poderia solicitar aos caudilhos cubanos um aceno à democracia. Viagens para matar saudades não se realizam no cenário oficial. São próprias da vida privada.

E, no mesmo espaço da volta ao passado, o antecessor do atual presidente da República, subiu aos morros cariocas em pregação complexa e repleta de arestas.

Deseja a descriminação das drogas. Será este o caminho pretendido pela a sociedade? Parece que não. A sociedade é mais conservadora e deseja preservar os seus valores. Fugas da realidade não são bem recebidas.

*ditado popular boliviano.
Fonte: Cláudio Lembo é advogado e professor universitário. Foi vice-governador do Estado de São Paulo de 2003 a março de 2006, quando assumiu como governador.
publicado no site Terramagazine.com.br

Brasil: Receita libera programa da declaração do IR 2010



A Receita Federal liberou nesta segunda-feira o programa para declaração anual de ajuste do imposto de renda pessoa física 2010. O prazo para entrega também foi aberto nesta segunda e vai até 30 de abril.
Para prestar contas com a Receita, o contribuinte precisa baixar o programa para preenchimento da declaração. Se quiser enviar a declaração pela internet, precisa também fazer o download do programa de envio, o Receitanet.
A declaração pode ser entregue também nas agências do Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal em disquete, ou nas agências do Correio, em formulário, que custa R$ 5,00 para ser enviado.
A principal novidade deste ano é que ter participado do quadro societário de empresa como titular, sócio ou acionista, ou de cooperativa deixou de ser item que obriga o contribuinte a fazer a declaração anual de ajuste - desde que não se enquadre em outra hipótese de obrigatoriedade.
Em 2010, precisam fazer a declaração anual os contribuintes que receberam mais que R$ 17.215,08 em rendimentos tributáveis em 2009. Produtores rurais que tiveram rendimentos acima de R$ 86.075,40 também precisam prestar contas à Receita.
Quem teve a posse ou a propriedade de bens ou direitos, inclusive terra nua, de valor total superior a R$ 300 mil em 31 de dezembro também é obrigado a prestar contas à Receita. Ano passado, esse valor era de R$ 80 mil.
O valor máximo que pode ser deduzido na declaração simplificada subiu este ano para R$ 12.743,63 (no ano passado, este limite era de R$ 12.194,87).
O limite de dedução por dependente será de R$ 1.730,40 este ano e o de gastos com educação, R$ 2.708,24. Estas deduções só podem ser feitas quando a declaração é apresentada pelo modelo completo.
Este ano haverá multa para contribuintes que errarem na declaração das deduções. Segundo a Receita, a multa será de 75% para deduções erradas sem intenção de dolo e o dobro, 150%, para aquelas deduções erradas que a Receita considerar que tenham sido adicionadas por má-fé.
Fonte:Redação Terra
Imagem:Google

Judiciário Baiano: Mais problemas para a Presidência do TJ


De acordo com matéria publicada no jornal A Tarde, as irregularidades no Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), expostas após a partir da divulgação de sua folha de pagamento de pessoal, vão além dos supersalários que embolsam vários de seus funcionários. De acordo com a publicação, há também problemas com relação à distribuição de cargos de confiança entre efetivos e profissionais que não são do quadro do Judiciário. A divulgação da folha de pagamento do TJ-BA na internet foi determinada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Vale lembrar que a desembargadora Silvia Zarif deixou a presidência do órgão recentemente para que presidente eleita Telma Britto(foto) assumisse.A Resolução 88 do CNJ indica que pelo menos 50% dos cargos de confiança sejam ocupados por servidores da casa, mas ISS não acontece. É que dos 617 postos de confiança, apenas 129 são ocupados por servidores efetivos (20,9%). Outros 488 (79,1%) são ocupados por profissionais sem vínculo efetivo com o TJ-BA. Diretores, chefes, supervisores e assessores que exercem cargos de confiança no TJ-BA recebem irregularmente o benefício conhecido como “adicional de função”. Com isso, elevam seus rendimentos em até 150% da remuneração original. O “adicional” é um benefício concedido “sem critério objetivo”, de acordo com ofício enviado da Secretaria de Controle Interno do CNJ ao TJ-BA em 9 de fevereiro. O benefício é apontado como principal causa dos supersalários no Judiciário.
Fonte:Texto de Rafael Alburquerque/BN
Foto:Bn

Luto: Morre empresário e bibliófilo José Mindlin aos 95 anos


José Mindlin morreu na manhã de ontem, aos 95 anos, por falência múltipla de órgãos. Ele estava internado há cerca de um mês no hospital Albert Einstein.
O bibliófilo ocupava desde 2006 a cadeira número 29 na ABL.
Colecionador de livros desde os 13 anos, Mindlin era dono de uma das mais importantes bibliotecas privadas do país, que em 2006 foi doada para a USP (Universidade de São Paulo), criando assim a Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin. O nome é uma homenagem ao bibliófilo e sua mulher, Guita Mindlin, que morreu no mesmo ano da doação.
Entre as raridades que foram doadas estão desde o primeiro livro em que o Brasil foi mencionado numa coletânea de viagens de Fracanzano da Montalbodo, de 1507, que noticia a viagem de Cabral, obras de história, periódicos, trabalhos científicos e didáticos, álbuns ilustrados, gravuras e edições valiosas de grandes obras da literatura nacional, muitas primeiras impressões e volumes autografados pelos próprios autores.
Ao todo, foram doados cerca de 17 mil títulos, ou 40 mil volumes.
História
José Ephim Mindlin nasceu em São Paulo em 8 de setembro de 1914. Formou-se em Direito em 1936, pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo.
Advogou até 1950, quando foi um dos fundadores e presidente da empresa Metal Leve S/A, empresa pioneira em pesquisa e desenvolvimento tecnológico próprio no seu campo de atuação. Em sua atividade empresarial desenvolveu grande esforço em prol do avanço tecnológico brasileiro e no processo de exportação de produtos manufaturados brasileiros.
Fonte:Folhaonline
Foto:Eder Medeiros/folhaimagem

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Rio de Janeiro: Morre o sambista Walter Alfaiate


O sambista carioca Walter Alfaiate, morreu aos 79 anos, no sábado (27), por volta das 17h, no Rio de Janeiro. O músico estava internado em estado grave há cerca de dois meses no Hospital da Lagoa, na Zona Sul da cidade. Alfaiate, que teve falência múltipla dos órgãos, sofria de enfisema pulmonar, ineficiência cardíaca, arritmia, insuficiência renal, gastrite e esofagite. Ele havia sido transferido para a unidade de saúde em dezembro. Mas já tinha sido internado no Centro de Tratamento Intensivo (CTI) do Instituto estadual de Cardiologia Aloysio de Castro, no Humaitá, também na Zona Sul, por quase um mês. Com mais de 50 anos de carreira, Walter Alfaiate compôs mais de 200 sambas. Na juventude, o sambista começou criando músicas para blocos de carnaval cariocas e participando de rodas de samba de destaque na época. Mas só foi descoberto pelo grande público nos anos 1970, quando teve três de suas canções gravadas por Paulinho da Viola -- "Coração oprimido", "A.M.O.R. Amor" e "Cuidado, teu orgulho te mata". Desde a década de 1980, Alfaiate integrava a ala de compositores da Portela. O corpo do músico deve ser velado na sede do clube Botafogo, em Botafogo, na Zona Sul. O cantor e compositor deixa sete filhos.


Fonte Foto:Bahianotícias

Bahia: Presidente de Câmera de Antas é preso pela PF


O presidente da Câmara Municipal de Antas, no nordeste baiano, foi preso neste sábado (27) pela Polícia Federal por crime ambiental na cidade vizinha de Jeremoabo. Euvaldo Nunes de Carvalho (PP) foi o vereador mais prestigiado nas últimas eleições municipais, com 1.131 votos, e foi autuado em flagrante com duas espingardas calibre 12 e abundante munição na estrada que dá acesso à Reserva do Raso da Catarina. Ele é acusado de promover caça na área florestal e segue na carceragem da delegacia de Jeremoabo. O prefeito antense, Agnaldo Félix, seu correligionário, tentou intervir em favor do parlamentar, mas não obteve êxito. Com informações do site de Ozildo Alves.

Fonte: ReproduçãoBahianotícias

Imagem:Google

Terremoto no Chile: Mortos passam de 700, diz a presidente

O número de mortos pelo terremoto que atingiu o Chile no sábado (27) subiu para mais de 700, disse a presidente chilena, Michelle Bachelet, durante entrevista coletiva neste domingo (28). Segundo ela, o número de vítimas ainda deve aumentar.
"Estamos diante de uma emergência", disse Bachelet no palácio presidencial. A presidente ordenou a retomada nas próximas horas dos voos nacionais e internacionais no país que foram suspensos por causa do terremoto.
"A catástrofe é enorme. A última cifra que temos até agora é de 708 mortos (...) e há um número que eu diria crescente de pessoas desaparecidas", acrescentou.
A maior parte das mortes ocorreu na região do Maule, com 541, seguido pela localidade de Bio-Bio, com 64. Os 103 restantes morreram em outras seis regiões do país.
O Chile calcula os estragos provocados por um dos maiores terremotos da história, que deixou 2 milhões de desabrigados, além de vários alarmes para tsunamis, inclusive no Japão, do outro lado do oceano Pacífico. Cerca de 1,5 milhão de casas foram afetadas pelos tremores, que também foram sentidos no Brasil. As autoridades declararam parte do país como zona de catástrofe.
Mais de 60 réplicas do sismo de magnitude 8,8 que atingiu o centro e o sul do país sul-americano no sábado deixaram milhões de chilenos atentos durante toda a noite. Centenas de pessoas dormiram em colchões e cadeiras de plástico nas ruas do centro de Santiago com medo de outro terremoto, como o que demoliu edifícios e hospitais, quebrou pontes e virou automóveis como se fossem de brinquedo.
Uma forte réplica do terremoto estremeceu edifícios na capital chilena na manhã deste domingo, disseram testemunhas. Não há informações sobre novas vítimas ou danos a prédios ou casas.
Os danos foram mais graves em Concepción, a segunda maior cidade do país a 500 quilômetros de Santiago, onde o terremoto derrubou casas e pontes, e apenas chamas dos incêndios iluminavam a madrugada deste domingo. Um edifício desabou no sábado na cidade e 100 pessoas teriam ficado presas sob os escombros, disse neste domingo a prefeita da cidade, Jacqueline van Rysselberghe.
"As horas e o tempo são o fator crítico para salvar as pessoas que estão aqui dentro", disse a prefeita, entrevistada pelo canal estatal de televisão no local da tragédia. Van Rysselberghe criticou o governo chileno pela demora no envio de equipes de socorro. "É uma vergonha que não tenham conseguido chegar ontem", afirmou.
Algumas pessoas percorriam Concepción empurrando seus pertences em carrinhos de supermercado. Outras acampavam no centro da cidade, onde os únicos carros que circulavam eram os da polícia.
"Me disseram que meus móveis foram perdidos, minha televisão, minha geladeira. Não me importo. O bom é que minha família está bem. O material pode ser resgatado", disse Francisco Luna, de 42 anos, em uma rua de Concepción.
Os tsunamis provocados pelo terremoto no Chile atravessaram o Pacífico e obrigaram a retirada da população em regiões costeiras do Japão.
No Chile, as autoridades disseram que na próxima semana será possível ter uma ideia clara da magnitude dos estragos provocados pelo terremoto. O terremoto teve seu epicentro a 35 quilômetros de profundidade, na região de Bio Bio, a cerca de 320 quilômetros ao sul da capital chilena e a 91 quilômetros ao norte de Concepción.
Danos enormes
Mas está claro que o custo seria alto para o Chile, uma das economias que mais crescem na América Latina.
"Há uma enorme quantidade de danos que não sabemos exatamente sua exata dimensão, que está sendo avaliada", disse a presidente Michelle Bachelet, que a menos de duas semanas de deixar o poder enfrenta a maior prova de seu mandato.
A mineração, uma das principais fontes de receita do país, sobreviveu ao terremoto e, segundo o governo, não terá problemas para cumprir com seus compromissos de exportação, embora algumas minas estavam fechadas por falta de energia elétrica.
A maior mina de cobre do mundo, chamada Escondida, da BHP Billiton, funcionava normalmente, segundo o líder sindical Zeiso Mercado.
A estatal Codelco, maior produtora de cobre do planeta, suspendeu os trabalhos nas minhas de El Teniente e Andina por falta de eletricidade, mas os depósitos não sofreram danos graves e devem retomar a produção em alguns dias.
As filas de veículos aumentaram nos postos de combustível abertos em Santiago, apesar de a ENAP ter descartado problemas de abastecimento.
Em Talcahuano, um dos principais portos do país, perto de Concepción, o tsunami destruiu vários barcos e os deixou no cais.
E em Santiago, o aeroporto internacional permanecia fechado devido aos estragos provocados na torre de controle, e as comunicações telefônicas ainda eram precárias nesta madrugada.
Custo humano
Mas o custo humano do terremoto, o quinto mais forte desde 1900, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos, foi muito menor do que o sismo que devastou o Haiti em janeiro.
Especialistas disseram que o Chile, localizado em uma das zonas mais sísmicas do planeta, estava melhor preparado.
Ainda assim, dezenas de pessoas continuavam desaparecidas em Juan Fernández, uma ilha a 600 quilômetros da costa chilena, onde um povoado foi arrasado pelas ondas que invadiram até 300 metros.
O terremoto derrubou ao menos três hospitais na capital e causou pânico no balneário de Viña del Mar, onde milhares de chilenos desfrutavam do último fim de semana das férias de verão.
O presidente norte-americano, Barack Obama, disse que os Estados Unidos estavam prontos para ajudar o Chile. Brasil, Argentina, Bolívia, Peru e Venezuela também ofereceram apoio.
Bachelet declarou zonas de catástrofe as regiões de Maule, Bío-Bío, O'Higgins, Araucanía, Valparaíso e Metropolitana, que concentram 80 por cento da população do país.
O Chile, localizado na intersecção de duas placas geológicas, foi arrasado no passado por outros terremotos. Muitos lembram o tremor de magnitude 9,6 que devastou a cidade de Valdivia em 1960, o maior já registrado.
Países vizinhos são atingidos
No Brasil, o Corpo de Bombeiros de São Paulo recebeu mais de cem ligações de pessoas que sentiram pequenos tremores de terra. O terremoto também foi sentido no interior paulista, em São José dos Campos. Não há informações sobre mortes de brasileiros no Chile.
Todos os voos previstos para Santiago foram cancelados após o fechamento do aeroporto na capital chilena. A reabertura está prevista somente para terça-feira (2). Brasileiros em busca de ajuda para deixar a região procuraram a embaixada, mas terão que esperar a remarcação dos voos.
O Itamaraty informou que está trabalhando para dar apoio aos brasileiros que se encontram no Chile. O governo organizou o Núcleo de Assistência a Brasileiros, que irá fornecer informações referentes a cidadãos brasileiros no país.
As informações podem ser obtidas pelos telefones: (61) 3411-8804 e (61) 3411-8805, entre 10h e 18h e (61) 8197-2284, entre 18h e 10h.

Fonte: Uol notícias
c/ agências internacionais
foto:Uol notícias

Educação: Reitor da Universidade de Lisboa defende um novo olhar para o ofício do professor


No difícil e urgente tema da formação de professores, poucos autores são tão citados como o português António Nóvoa. Reitor da Universidade de Lisboa, Nóvoa ressente-se de ter reduzido o tempo para escrever e pesquisar. Mesmo assim, vem propondo novas perspectivas para a compreensão do problema, que tem dimensões planetárias.
Agora, por exemplo, dedica-se ao que chama de "construir lógicas de comparação" entre os sistemas educativos em diferentes países do mundo, inclusive aqueles que não adotaram as métricas de avaliação mais difundidas, como o Pisa (sigla em inglês que designa o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes).
Ao mesmo tempo, Nóvoa vem produzindo artigos e ensaios que originaram o livro Os professores - Imagens do futuro e do presente, recém-lançado em Portugal, e que espera publicar em breve também no Brasil. E já sonha com o próximo. "Nos tempos que correm, de tanto ruído e agitação, gostaria muito de escrever um livro sobre a pedagogia do silêncio", conta na entrevista concedida, via e-mail, ao repórter Paulo de Camargo.

No Brasil, vivemos um momento de grande discussão sobre a formação do professor, o que inclui a formação inicial, nas universidades, até a valorização dos profissionais mais experientes. Hoje, esta é uma questão mundial?
É uma questão de âmbito mundial. Num texto recente, apresentei cinco teses sobre a formação de professores, que respondem à sua pergunta. É impossível desenvolvê-las, mas posso enunciá-las. A formação de professores deve: a) assumir uma forte componente prática, centrada na aprendizagem dos alunos e no estudo de casos concretos;b) passar para "dentro" da profissão, isto é, basear-se na aquisição de uma cultura profissional, concedendo aos professores mais experientes um papel central na formação dos mais jovens; c) dedicar uma atenção especial às dimensões pessoais, trabalhando a capacidade de relação e de comunicação que define o tato pedagógico; d) valorizar o trabalho em equipe e o exercício coletivo da profissão; e) estar marcada por um princípio de responsabilidade social, favorecendo a comunicação pública e a participação dos professores no espaço público da educação.

Onde está o coração do problema da formação dos professores?
É a reestruturação dos cursos de pedagogia? Ou são as políticas de apoio ao professor nos primeiros anos de atuação, ou ainda as estratégias de formação em serviço?
Todos esses aspectos devem ser considerados. Chegou o tempo de fazermos uma verdadeira revolução na formação de professores. O que existe é frágil. A interligação entre as questões do ensino, da investigação e das práticas escolares e a participação efetiva dos profissionais na formação dos futuros professores são fundamentais para que se crie um novo modelo de formação de professores. Não nascemos professores. Tornamo-nos professores por meio de um processo de formação e de aprendizagem na profissão. É neste sentido que falo de passar a formação de professores para "dentro" da profissão. Quem forma os médicos são outros médicos. O mesmo devia acontecer na profissão docente.

Pelo que conhece do Brasil, quais são as principais distorções no sistema atual de formação de professores?
Ouço muitas críticas. Pelo meu lado, tenho procurado chamar a atenção para dois momentos fundamentais que têm sido ignorados ao longo das últimas décadas, não só no Brasil, mas em muitos países, o que revela bem a confusão que hoje existe nas políticas e nos programas de formação de professores. O primeiro momento corresponde à entrada num curso que habilita para a docência. O atual processo, burocrático e administrativo, não faz qualquer sentido. É urgente introduzir um recrutamento mais individualizado, que permita perceber as inclinações e as disposições de cada um para se tornar professor. E é preciso criar as condições para que os melhores alunos do ensino médio escolham a profissão docente. Ser professor não pode ser uma segunda escolha. O outro momento é a transição de aluno (como se dizia no passado, de aluno-mestre, isto é, de aluno que aprende para ser mestre) para professor principiante. Os primeiros anos de exercício docente são absolutamente fundamentais. E ninguém cuida destes anos, nos quais se define grande parte do percurso profissional de cada um. É urgente criar formas de acolhimento, de enquadramento e de supervisão dos professores durante os primeiros anos da sua atividade profissional.

Uma política de piso salarial, como a que está sendo implementada no Brasil, por si só é garantia de aprimoramento no sistema?
Ou é uma condição necessária, mas não suficiente?
É uma condição necessária, mas não suficiente. A sociedade pede aos professores que resolvam todos os problemas das crianças e dos jovens, e acredita que é na escola que se define um futuro melhor. A sociedade pede quase tudo aos professores e dá-lhes quase nada. É um contrassenso, para não dizer uma hipocrisia. A profissão de professor necessita de ser revalorizada do ponto de vista salarial, mas também no que diz respeito ao seu estatuto social e profissional.

No Brasil, frequentemente é apontado o corporativismo da classe profissional dos professores, que recusa, por exemplo, políticas de remuneração por mérito ou desempenho, bem como práticas de avaliação de sua atuação profissional. Como o senhor vê esses temas?
Tenho chamado a atenção para uma nova profissionalidade docente, que passa por quatro aspectos: formação, cultura profissional, avaliação e intervenção pública. Em todos eles, advogo um maior poder dos professores sobre a sua própria profissão, invertendo tendências das últimas décadas. Já falei da formação. Falarei agora da avaliação. É uma dimensão central de qualquer profissão. A crise da educação só será superada através de uma exigente prestação de contas. A confiança e a credibilidade são essenciais para o trabalho dos professores. E conquistam-se em grande parte por meio da avaliação e da comunicação pública com a sociedade. Mas os dispositivos de avaliação devem servir para reforçar a autonomia dos professores e não para um maior controle do Estado ou para impor critérios economicistas na regulação da profissão.

Certa vez, o senhor apontou a contradição das políticas de iniciação profissional dos professores brasileiros, ou seja, os mais inexperientes acabam nas periferias, nas escolas ditas 'difíceis'. Como, a seu ver, deveriam ser os primeiros anos de trabalho do professor?
Os jovens professores deveriam ser protegidos nos primeiros anos de exercício. Como os médicos. Ninguém começa sozinho a fazer operações complexas para, à medida que se torna um médico mais experiente e competente, se dedicar apenas a curar constipações. Devia ser assim também com os professores. As situações escolares mais difíceis deviam estar a cargo dos melhores professores. Infelizmente, é para estas situações que os jovens professores são muitas vezes lançados sem qualquer apoio. É um erro de graves consequências.

O senhor acredita nos modelos de tutoria (ou coaching) dos professores mais novos por profissionais da educação mais experientes?
Sim. É muito importante a socialização profissional que é feita pelos mais experientes junto dos mais jovens. A transição de uma cultura de isolamento para uma cultura colaborativa é um aspecto decisivo para os professores. Trabalho em equipe. Colaboração. Partilha. Sem isso, é impossível enfrentar os problemas educativos atuais. Nem todos os professores são iguais. É preciso que haja referências dentro da profissão - aqueles professores que reconhecemos como profissionais de grande competência e dedicação e que devem ter um papel no enquadramento dos mais jovens.

Há uma corrida no mundo pelos indicadores de qualidade - basicamente, o desempenho dos jovens no campo da leitura e dos números, em projetos de avaliação como o Pisa. O foco exclusivo nesses índices não acaba por induzir a uma visão limitada do que seja o papel da educação?
Hoje em dia, esse tipo de estudos de avaliação cumpre uma função essencial nas políticas educativas no plano internacional. São indicadores que traduzem uma visão empobrecida da educação, mas que não podem ser ignorados. É preciso fazer a sua leitura crítica, a sua interpretação e construir modelos alternativos de comparação. Uma parte do meu trabalho nos últimos anos tem sido, justamente, a tentativa de construir lógicas de comparação entre países que não estejam prisioneiros dessas "hierarquias" e que nos permitam um olhar crítico sobre os sistemas educativos.
Com o advento das novas tecnologias e com a crise dos modelos educacionais, muitos pesquisadores começaram a prever o surgimento de uma nova escola. O senhor está entre aqueles que acreditam em mudanças profundas no modelo tradicional da escola? Ou estamos a aprimorar uma concepção bancária de educação, como diria Paulo Freire?
De fato, não tem havido a produção de um novo modelo de escola. As tecnologias são muito importantes e têm contribuído para algumas mudanças no ensino e na aprendizagem. Mas elas, por si só, não alterarão o nosso modelo de escola. Se perdermos o sentido humano da educação, perdemos tudo. Só um ser humano consegue educar outro ser humano. Por isso tenho insistido na importância das dimensões pessoais no exercício da profissão docente. Precisamos de professores interessantes e interessados. Precisamos de inspiradores, e não de repetidores. Pessoas que tenham vida, coisas para dizer, exemplos para dar. Educar é contar uma história, e inscrever cada criança, cada jovem, nessa história. É fazer uma viagem pela cultura, pelo conhecimento, pela criação. Uma viagem, para recorrer a Proust, na qual mais importante do que encontrar novas terras é alcançar novos olhares. É nesse sentido que apreendo, hoje, o contributo tão significativo de Paulo Freire para pensar a educação numa perspectiva crítica e progressista.

Para finalizarmos, o senhor poderia sintetizar qual deve ser a função do professor na educação contemporânea?
A que requisitos deve atender, como deve ser sua formação?Sabemos todos que é impossível definir o "bom professor", a não ser através dessas listas intermináveis de "competências", cuja simples enumeração se torna insuportável. Mas é possível, talvez, esboçar alguns apontamentos simples, sobre o trabalho docente nas sociedades contemporâneas.
O conhecimento. Aligeiro as palavras do filósofo francês Alain: Dizem-me que, para instruir, é necessário conhecer aqueles que se instruem. Talvez. Mas bem mais importante é, sem dúvida, conhecer bem aquilo que se ensina. Alain tinha razão. O trabalho do professor consiste na construção de práticas docentes que conduzam os alunos à aprendizagem.
A cultura profissional. Ser professor é compreender os sentidos da instituição escolar, integrar-se numa profissão, aprender com os colegas mais experientes. É na escola e no diálogo com os outros professores que se aprende a profissão.
O tato pedagógico.
Quantos livros se gastaram para tentar apreender esse conceito tão difícil de definir?
Nele cabe essa capacidade de relação e de comunicação sem a qual não se cumpre o ato de educar. E também essa serenidade de quem é capaz de se dar ao respeito, conquistando os alunos para o trabalho escolar. No ensino, as dimensões profissionais cruzam-se sempre, inevitavelmente, com as dimensões pessoais.
O trabalho em equipe. Os novos modos de profissionalidade docente implicam um reforço das dimensões coletivas e colaborativas, do trabalho em equipe, da intervenção conjunta nos projetos educativos de escola.
O compromisso social. Podemos chamar-lhe diferentes nomes, mas todos convergem no sentido dos princípios, dos valores, da inclusão social, da diversidade cultural. Educar é conseguir que a criança ultrapasse as fronteiras que, tantas vezes, lhe foram traçadas como destino pelo nascimento, pela família ou pela sociedade. Hoje, a rea­lidade da escola obriga-nos a ir além da escola. Comunicar com o público, intervir na sociedade, faz parte do ethos profissional docente.




Fonte:Revista Educação ed. 154
Paulo Camargo -site uol.
Imagem Antonio Novóa:Google