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segunda-feira, 14 de agosto de 2023

“Magnata do café”: Como golpista tomou dinheiro de juízes e promotores e advogados

                                        foto:reprodução
                


São Paulo — Assessoria no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), festa em mansão no Lago Sul, em Brasília, com advogada do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), uso de carrão em nome de empresário bolsonarista e longas estadias em um hotel vizinho do Palácio do Alvorada.

A vida de luxo foi também cenário para o personagem criado por Rodrigo Bonametti de Miranda, o homem que se passou por “magnata do café”, para enganar juízes, promotores e desembargadores, com o objetivo de lhes arrancar dinheiro. Ele foi preso no dia 27 de julho, na capital paulista.

Documentos obtidos com exclusividade pelo Metrópoles mostram como magistrados e membros do Ministério Público paulista (MPSP) confiaram na promessa de até 100% de lucro, em negócios que não existiam nem mesmo no papel.

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Advogado, Bonametti era, até poucos anos atrás, assessor de desembargador do TJSP, onde fez algumas amizades. Uma delas foi com o juiz Rodrigo Capez, irmão do ex-deputado Fernando Capez e assessor do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) por quase uma década.

Amigos desde 2015, Bonametti convenceu Capez a comprar cotas de produção de café em Piraju, no interior de São Paulo, onde, segundo ele, nunca havia geada e nada se perdia em nenhuma estação do ano. Com algum atraso, o investimento de R$ 44 mil do magistrado transubstanciou-se em R$ 77 mil. Um lucro de R$ 33 mil.

À polícia, o juiz relatou que nunca teve problemas em receber de Bonametti. Fez até um segundo aporte e apresentou um irmão a ele, o promotor de Justiça Flávio Capez. Mas o irmão já não teve a mesma sorte.

Flávio deu R$ 50 mil ao advogado, na expectativa de receber R$ 101 mil. O comprovante apresentado por Bonametti dizia que se tratava de um “contrato verbal de empreitada de cunho eminentemente familiar”. Flávio não obteve, porém, nenhum centavo de volta e resolveu denunciá-lo. Ele disse à polícia ter ouvido de Bonametti a desculpa de que estava em um tratamento de câncer e que não poderia usar “recursos pessoais” para pagá-lo.

Os irmãos Capez acabaram descobrindo que o “magnata do café” tinha pelo menos 15 credores e R$ 1 milhão em cobranças na Justiça. Esse foi o primeiro indício de que o tal investimento em café poderia ser um esquema de pirâmide financeira — que até remunera parte dos investidores, mas deixa inúmeros outros a ver navios.

É o caso do promotor Washington Gonçalves Vilela Junior, que também denunciou Bonametti à polícia, depois de ver R$ 125 mil sumirem, e o do desembargador Edison Aparecido Brandão, que move uma ação de cobrança de R$ 80 mil contra o acusado.

Se, em São Paulo, o vínculo com a Justiça lhe deu aparência de credibilidade, a ostentação em Brasília reforçou a imagem de que o “magnata do café” proporcionaria lucros milionários às suas vítimas.

A juíza de Goiás Claudia Silva de Andrade, que trabalhou no gabinete do ministro João Otávio de Noronha, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), e buscou uma vaga no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), afirmou à polícia ter conhecido Bonametti em uma festa na casa da advogada bolsonarista Karina Kufa, que defendia o clã presidencial.

A juíza Claudia era namorada de Juscelino Sarkis, homem que vendeu a mansão de R$ 6 milhões ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em Brasília. Ela disse que, na festa, Bonametti se apresentou como amigo e advogado pessoal do juiz Rodrigo Capez. Conversa vai, conversa vem, a juíza Claudia deu R$ 60 mil ao advogado — e também ficou sem nada.

A magistrada fez uma pequena investigação sobre os luxos de Bonametti e afirmou à polícia que o Mercedes Benz que ele pilotava em Brasília havia sido transferid0 para o nome do empresário bolsonarista Otávio Fakhoury, que teve de se explicar sobre o carro.

Fakhoury disse aos investigadores que comprou o carro de Bonametti por R$ 400 mil, mas que o deixava usar temporariamente por “gentileza”, já que ele atuava como seu advogado e se encontrava em estado “fragilizado de saúde”. Foi no hotel Golden Tulip, que fica ao lado da entrada do Palácio do Alvorada, que a Polícia Civil apreendeu o veículo e o celular de Bonametti.

Tudo era fumaça. Testemunhos de familiares de Bonametti complicaram ainda mais a situação do advogado. O seu irmão, Bruno, que também era assessor da Justiça, afirmou à polícia ter sido dispensado do TJSP em março deste ano, ao ser comunicado da investigação sobre o irmão. Eles não se falam mais.

Bruno disse ter brigado com Bonametti porque ele pedia dinheiro emprestado à mãe e queria que a senhora fizesse um empréstimo bancário em seu benefício. O irmão afirmou aos investigadores que a família até herdou alguma terra em Piraju, no interior de São Paulo, mas que nunca houve qualquer produção de café por lá.

Servidora da Justiça do Trabalho, Mariana Previdelli afirmou à polícia ter tido um relacionamento amoroso com Bonametti por 16 anos. Ela disse ter feito com ele viagens ao exterior e que ambos rachavam as contas desses passeios. Como o namorado morava com a mãe, ele ficava a maior parte do tempo na casa de Mariana.

Mesmo sem teto próprio, Bonametti sempre gostou de uma vida “confortável”, com “roupas de marca”, afirmou a servidora. Ela própria e o seu pai chegaram a acreditar no empreendimento do café e investiram, juntos, R$ 100 mil, com expectativa de receberem o dobro como retorno. Ela contou à polícia que Bonametti dizia estar apertado para ajudá-la a pagar as contas domésticas, mas, ao mesmo tempo, tinha gastos exorbitantes, acumulando dívidas de R$ 400 mil em seu cartão de crédito.

Mariana relatou que Bonametti não tinha sequer estrutura própria para trabalhar como advogado e que ficava no escritório do advogado de Otávio Fakhoury, o dono da Mercedes Benz. Segundo a servidora, Bonametti afirmou a ela que o carro repassado ao empresário bolsonarista era produto de um contrato de honorários. Mariana afirmou ainda ter emprestado dinheiro ao ex-namorado, para que ele abrisse um pequeno comércio. Terminado o namoro, ela contabilizou um tombo de R$ 658 mil do “magnata do café”.

Nesse sábado (12/8), Bonametti foi solto por decisão do desembargador Marcelo Semer, do TJSP. “Deve se ter em conta que o paciente é primário, acusado da prática de crime de natureza não violenta, considerando-se, ainda, seu estado de saúde”, escreveu Semer. O desembargador impôs a Bonametti o comparecimento mensal ao juízo, apreensão do passaporte, recolhimento domiciliar noturno e proibição de aproximação com vítimas e familiares.

O advogado Antonio Belarmino Junior, que defende Bonametti, afirmou que ele foi “denunciado por três crimes de estelionato, sendo que elementos de cunho afetivo e familiar não possuem respaldo processual e nem elementos de cunho probatório e jamais deveriam ser utilizados em contexto acusatório”.

“Referente ao mérito das três representações, a defesa se manifestará no prazo legal (e) ressalta ainda que Rodrigo Bonametti de Miranda sempre colaborou com o bom andamento das investigações, inclusive fornecendo as senhas de seus aparelhos celulares nas duas oportunidades em que foram apreendidos, (e que) em momento algum se recusou a prestar esclarecimentos, (mas) devido a uma internação comprovada nos autos documentalmente não pode comparecer”, disse o advogado ao Metrópoles.

Fonte:Metrópoles/reprodução - 14/08/2023

domingo, 13 de agosto de 2023

Joias de Bolsonaro: Advogado Wassef nega envolvimento em venda ilegal

                                           O advogado, é o mesmo que na sua casa/escritório em Atibaia estava escondido Fabrício Queiroz. (foto: Sergio Lima/AFP)

O advogado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Frederick Wassef, negou envolvimento no esquema de venda ilegal de presentes do acervo da União, revelado pela Polícia Federal (PF) nessa sexta-feira (11/8). Ele classificou as acusações como uma “total armação” e “pura mentira”.

Wassef foi alvo da Operação “Lucas 12:2” junto com o general da reserva do Exército Mauro Lourena Cid, o tenente-coronel Mauro Cid e o tenente Osmar Crivelatti. Os dois últimos faziam parte da ajudância de ordens de Bolsonaro. 

O grupo teria vendido um “kit ouro Branco” entregue a Bolsonaro em outubro de 2019, composto de um anel, abotoaduras, rosário islâmico e um relógio Rolex, produzido em outro branco e diamantes. Porém, o grupo precisou recomprar os itens após serem informados sobre a possibilidade do TCU pedir o retorno do material.


A PF apura se o grupo utilizou estrutura do governo para desviar joias entregues por autoridades estrangeiras em missões oficiais do ex-presidente. As investigações apontaram que o valor conseguido pelos suspeitos foi convertido em dinheiro vivo e ingressou no patrimônio pessoal do grupo.


Leia a nota de Frederick Wassef


Como advogado de Jair Messias Bolsonaro, venho informar que, mais uma vez, estou sofrendo uma campanha de fake news e mentiras de todos os tipos, além de informações contraditórias e fora de contexto. Fui acusado falsamente de ter um papel central em um suposto esquema de vendas de joias. Isso é calúnia que venho sofrendo e pura mentira. Total armação.

A primeira vez que tomei conhecimento da existência das joias foi no início deste ano de 2023 pela imprensa. Quando liguei para Jair Bolsonaro, ele me autorizou, como seu advogado, a dar entrevistas e fazer uma nota à imprensa. Antes disso, jamais soube da existência de joias ou quaisquer outros presentes recebidos. Nunca vendi nenhuma joia, ofereci ou tive posse. Nunca participei de nenhuma tratativa, nem auxiliei nenhuma venda, nem de forma direta nem indireta. Jamais participei ou ajudei de qualquer forma qualquer pessoa a realizar nenhuma negociação ou venda.

A Polícia Federal efetuou busca em minha residência no Morumbi, em São Paulo, e não encontrou nada de irregular ou ilegal, não tendo apreendido nenhum objeto, joias ou dinheiro. Fui exposto em toda televisão com graves mentiras e calúnias. 

Fonte: O Estado de Minas  c/adaptações - 13/08/2023

Eleições 2022: FGTS levou calote de R$ 2 bi em programa da Caixa criado sob Bolsonaro


                                       Bolsonaro e o então presidente da CEF Pedro Gumarães - foto:reprodução

O FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) levou um calote de mais de R$ 2 bilhões após fornecer recursos para um programa de microcrédito da Caixa Econômica Federal criado pelo então presidente Jair Bolsonaro (PL) em meio à corrida eleitoral.

O programa de empréstimos que usou dinheiro dos trabalhadores tem uma inadimplência superior a 80% e gerou prejuízos também para a Caixa. O banco emprestou R$ 3 bilhões e o valor não pago corresponde a R$ 2,3 bilhões (um quinto desse número é prejuízo da Caixa, o que representa R$ 460 milhões).

A instituição oferecia, por meio do aplicativo Caixa Tem, empréstimos de até R$ 1.000 para pessoas físicas, inclusive a quem estava com o nome sujo, e até R$ 3.000 para microempreendedores individuais.

Procurado, o banco afirmou que "em junho deste ano, as operações [do SIM Digital, programa de microcrédito] foram suspensas, evitando novos prejuízos aos trabalhadores (FGTS)".

"Em relação aos contratos inadimplentes, a Caixa informa que continua atuando na recuperação destes recursos, com o propósito de minimizar os prejuízos ao FGTS. Além disso, a presidência da Caixa determinou a abertura de auditoria interna para apurar os fatos relacionados à operação de microcrédito com garantia do FGTS", informou.

O FGTS colocou R$ 3 bilhões no FGM (Fundo Garantidor de Microfinanças) no primeiro trimestre de 2022 e conseguiu recuperar cerca de R$ 1 bilhão em julho deste ano. O restante foi perdido.

A decisão para o aporte no fundo garantidor veio em uma MP (medida provisória) e não passou pelo Conselho Curador do FGTS, formado por representantes do governo, dos trabalhadores e de instituições patronais.

O FGM foi capitalizado pelo FGTS para oferecer garantias aos bancos que aderissem ao Programa de Simplificação do Microcrédito Digital para Empreendedores, conhecido como SIM Digital.

O problema é que ninguém garantia os recursos aportados pelo FGTS, já que a lei que criou o programa dizia que "o FGM não disporá de qualquer tipo de garantia ou aval por parte da União".

O SIM Digital foi criado e implementado pelo governo de Bolsonaro meses antes do início da campanha eleitoral. O programa era aberto para qualquer banco e a garantia do FGM, financiado pelo FGTS, servia como segurança para que eles aderissem, mas só a Caixa se interessou.

Na época, o banco público era comandado por Pedro Guimarães, auxiliar próximo de Bolsonaro. Para desenvolver o programa que oferecia empréstimos, Guimarães fez diversas viagens com o objetivo de conhecer a experiência de microcrédito. Ele viajou para países como Bangladesh, Colômbia, Quênia, México e Peru.

Três meses depois de a Caixa anunciar oficialmente a adesão ao programa, Guimarães deixou a presidência do banco por denúncias de assédio sexual.

Naquele momento, o FGM já tinha garantido R$ 1,7 bilhão em operações de microcrédito, de acordo com dados do fundo garantidor.

Para o seu lugar foi escolhida Daniella Marques, que até então estava no Ministério da Economia como secretária especial do ex-ministro Paulo Guedes.

Sob sua batuta, a Caixa continuou com os empréstimos, mas em um ritmo menos acelerado. No fim de outubro, mês das eleições, o FGM tinha garantido R$ 2,4 bilhões.

Diante do problema, o FGTS decidiu, em reunião do seu Conselho Curador realizada em 20 de junho deste ano, resgatar as cotas ainda restantes no FGM e solicitar uma auditoria das operações pelo TCU (Tribunal de Contas da União).

O programa é investigado por auditoria interna da Caixa, assim como o consignado do Auxílio Brasil.

A atual presidente da instituição financeira, Rita Serrano, disse em maio deste ano no Twitter que os dois programas são "contestáveis" e foram implementados "às vésperas das eleições de 2022 e com um apelo excessivo ao endividamento da população vulnerável".

Ao assumir a presidência, deparei-me com os desafios decorrentes das iniciativas adotadas pela gestão anterior, especialmente os programas Consignado do Auxílio Brasil e de Microfinanças, implementados durante o governo Bolsonaro", continuou.

Ela fez uma diferenciação na inadimplência dos dois programas. No caso do consignado do Auxílio Brasil, "a inadimplência ainda se mantém sob controle, visto que os pagamentos são descontados na fonte", afirmou.


Fonte: Bocão News -  13/08/2023

Mais um advogado deixa defesa de Mauro Cid, ex-ajudante de ordem de Bolsonaro

                                            foto:reprodução


O advogado Bernardo Fenelon deixou a defesa do tenente-coronel Mauro Cid, o ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL), suspeito de participar de um esquema de desvio e venda de joias recebidas de presente pela Presidência durante viagens internacionais.

A desistência de Fenelon teria acontecido antes da operação da Polícia Federal (PF) na última sexta-feira (11/8), quando quatro mandados de busca foram cumpridos. Entre os alvos estavam Cid e seu pai, o general Lourena Cid.

É a segunda vez que um advogado deixa a defesa de Mauro Cid. Antes de Fenelon, Rodrigo Roca deixou o caso, logo após Mauro Cid ter sido preso, em maio deste ano.

Além dos Cids, a operação de sexta teve como alvos o ex-ajudante de ordens de Bolsonaro tenente Osmar Crivelatti, e o advogado Frederick Wassef.

Fonte: Metrópoles - 13/08/2023