• Praça do Feijão, Irecê - BA

segunda-feira, 4 de março de 2024

Economia: Vice- presidente Alckmin afirma que Toyota investirá R$ 11 bilhões no Brasil


A Anfavea estimou que o setor, junto com fabricantes de autopeças, deve investir cerca de R$ 100 bilhões no Brasil até 2029
Divulgação
A Anfavea estimou que o setor, junto com fabricantes de autopeças, deve investir cerca de R$ 100 bilhões no Brasil até 2029


O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin , anunciou no último domingo (03) que a  Toyota investirá R$ 11 bilhões no Brasil nos próximos anos, com o lançamento previsto de novos modelos de automóveis. O anúncio está programado para terça-feira (5), na planta da Toyota em Sorocaba , interior de São Paulo.


Em sua postagem, Alckmin aborda o programa Mover (Mobilidade e Logística Sustentável de Baixo Carbono), que visa incentivar veículos sustentáveis e promover pesquisas voltadas para as indústrias de mobilidade.

A fabricante japonesa já havia mencionado planos de investimento no país. No início de 2023, confirmou um aporte de R$ 61,8 milhões para reestilizar o Corolla Cross no Brasil  -  o novo modelo já é vendido na Tailândia - e destinou R$ 1,63 bilhão para as fábricas de Sorocaba e Porto Feliz (SP) para produzir o próximo lançamento da marca, o Yaris Cross .

Toyota EPU mostra primeiro esboço de picape urbana dos japoneses Divulgação/Toyota
Caçamba apresenta sistema inovador de abertura Divulgação/Toyota
Interior é futurista, mas Toyota já utiliza esses sistema Divulgação/Toyota
Toyota EPU evidencia preocupação da Toyota em criar picapes menores Divulgação/Toyota
Toyota EPU mostra primeiro esboço de picape urbana dos japoneses
 Divulgação/Toyota

Além dos modelos já mencionados, o Sindicato dos Metalúrgicos de Sorocaba afirmou que a Toyota planeja fabricar uma picape de porte pequeno , híbrida plug-in , por volta de 2027 , após o lançamento do Yaris Cross , previsto para o final de 2024 ou início de 2025. A picape viria para enfrentar a Chevrolet Montana Fiat Toro , além de Volkswagen Taro k e Renault Niagara , que devem ser lançados no futuro próximo.

Marcelo Silva, dirigente sindical e integrante do CSE Toyota , destacou que a intenção é fabricar a nova picape híbrida em Sorocaba, uma vez que a unidade é capaz de produzir todos os modelos da marca, incluindo a Hilux , se necessário.

"A fábrica de Sorocaba é fundamental para o futuro da Toyota no Brasil", comenta o dirigente. 

Fonte:PORTAL IG- 04/03/2024

Proposta de Lula para motorista de app prevê INSS, auxílio-maternidade e remuneração mínima


                                             Foto:reprodução


O governo Lula apresentou nesta segunda-feira (4), no Palácio do Planalto, as linhas gerais de um projeto de lei que regulamenta o trabalho de motoristas de aplicativos.

 

A proposta prevê contribuição ao INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), auxílio-maternidade e pagamento mínimo por hora de trabalho no valor de R$ 32,09 (que corresponde a um salário mínimo, hoje em R$ 1.412).
 

A proposta de regulamentação da atividade de motorista de aplicativo, antecipada pela Folha de S.Paulo, precisa de aval do Congresso Nacional para começar a valer.
 

A ideia do governo, inicialmente, era também criar uma regulamentação para quem trabalha com aplicativos de entrega de produtos. No entanto, o Executivo não conseguiu chegar a um acordo com as empresas do segmento.
 

O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, disse que o modelo de negócios das empresas de entrega de mercadorias é "altamente explorador" e, por isso, uma regulamentação da atividade não caberia nos seus modelos de negócio.
 

"iFood e demais empresas diziam que o padrão dessa negociação não cabia no modelo de negócios delas", disse. Não cabe, acrescentou Marinho, "porque é modelo altamente explorador".
 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também aproveitou para criticar indiretamente as empresas de entrega de mercadorias, afirmando que é preciso fazê-las sentar à mesa de negociação.
 

"É preciso lembrar, [senador] Jaques Wagner, que o dono do iFood é da Bahia e, portanto, como todo bom baiano, a gente tem que convencê-lo a entender que é prudente ele sentar na mesa de negociação para a gente fazer um bom e grande acordo", afirmou o presidente.
 

"Vamos encher tanto o saco que o iFood vai ter que negociar", disse. Procurado, o iFood não respondeu até a publicação deste texto.
 

Marinho espera que o avanço do projeto para os motoristas de aplicativo faça com que trabalhadores e empresas de entrega de mercadorias voltem a negociar.
 

"Ainda restam aplicativos das entregas, dos motoboys, motociclistas, que ainda não chegamos lá e talvez seja categoria ainda mais sofrida", disse.
 

A proposta reconhece os motoristas de aplicativos como autônomos e cria a categoria de trabalhador autônomo por plataforma.
 

Em relação à contribuição ao INSS, as empresas irão contribuir com 20% sobre a remuneração mínima do profissional, que irá corresponder a 25% da renda bruta. O trabalhador terá desconto de 7,5% sobre a renda bruta como contribuição à Previdência.
 

A contribuição dará direito a benefícios previdenciários como auxílio-maternidade, previsto no projeto e aposentadoria, entre outros.
 

O governo calcula que a regulamentação poderá ter um impacto de R$ 280 milhões na arrecadação.
 

Além de fixar um mínimo, a proposta também estabelece uma remuneração da hora de trabalho no valor de R$ 32,09. Esse valor corresponde ao período da chamada "hora em rota" ou hora trabalhada, que começa a contar a partir do momento em que o profissional aceita o pedido de corrida até deixar o passageiro.
 

Saiu derrotada, portanto, a possibilidade de pagamento pela "hora logada", que começa quando o trabalhador dá entrada no aplicativo.
 

O texto do projeto de lei também prevê que a jornada de trabalho em uma mesma plataforma não poderá ultrapassar 12 horas diárias. Os trabalhadores devem realizar pelo menos 8 horas diárias para ter acesso ao piso nacional da categoria.
 

Caso aprovada pelo Congresso Nacional, os trabalhadores também receberão um valor de R$ 24,07 para cada hora efetivamente trabalhada. Esse montante será destinado para cobrir os custos com a atividade profissional, como celular, combustível, manutenção do veículo, seguro, impostos, entre outros.
 

Esse valor, no entanto, será pago em caráter indenizatório e não compõe a remuneração do trabalhador.
 

O texto elaborado pelo governo também prevê o pagamento de um auxílio-maternidade. As mulheres que trabalham com aplicativo, portanto, terão acesso aos direitos previdenciários previstos para os trabalhadores segurados do INSS.
 

A proposta de legislação do Brasil vai ao encontro das regulamentações que estão sendo feitas em alguns países do mundo, em busca da proteção desses trabalhadores e da arrecadação de impostos.
 

Chile, Espanha e Uruguai, por exemplo, fizeram reformas para incluir os motoristas de aplicativos na legislação trabalhista.
 

Marinho criticou a visão de que o governo recuou ao desistir de enquadrar os trabalhadores de aplicativos na CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas). Afirmou que o presidente Lula havia feito um compromisso durante a campanha eleitoral de 2022 de regulamentar essas atividades, mas que "em nenhum momento dissemos que vai ser pela CLT ou não".
 

"Ocorre que é preciso construir um momento, observando o que está acontecendo na economia e nas relações de trabalho e observar que era preciso também um processo para essa regulamentação, um diálogo com as empresas, trabalhadores e empresários", afirmou o ministro;
 

Marinho ainda acrescentou que o projeto de lei cria uma "categoria diferenciada, autônomos com direito".
 

"[O que havia] era uma liberdade falsa, porque os trabalhadores estavam sendo escravizados por longas jornadas e baixos salários", afirmou
 

O Brasil tinha em 2022 cerca de 780 mil pessoas que têm como trabalho principal o transporte por meio de aplicativos, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
 

Lula, por sua vez, respondeu aos gritos dos militantes, que pediram durante o evento uma linha de crédito para a compra e manutenção dos automóveis.
 

"Eu acho que daqui a pouco a gente vai ter que pensar como a gente vai fazer, [se é] discutir com os bancos, como é que a gente vai fazer para [... ] ter uma linha de financiamento para vocês trocarem o carro, porque o passageiro também não gosta de carro velho", afirmou o presidente, sem dar detalhes.
 

TRABALHO AOS DOMINGOS
 

Lula também comentou a polêmica envolvendo o trabalho aos domingos para as atividades de comércio. Disse que o seu governo não é contra a possibilidade, mas defendeu um "tratamento diferenciado" para que esses trabalhadores não precisem passar todos os sábados e domingos longe de seus familiares.
 

O presidente também afirmou que já comprou "várias brigas" para que os comerciários "não fossem transformados em escravos outra vez.
 

"Não sou contra o trabalhador do comércio trabalhar de domingo, até porque sei que muita gente, muito deputado que está aqui, muito senador da República, muita gente só pode ir fazer compra no fim de semana, ou depois das 19h, 20h. Tem gente que não pode ir de dia", afirmou.
 

Lula então citou o caso de um de seus filhos, que ele contou que ficava ocupado com games a maior parte do dia e saia para fazer suas compras à noite.



Fonte: FOLHAPRESS - 04/03/2024

RS: Após educadora solicitar retirada do livro de Jeferson Tenório, ministro da Secom rebate bolsonaristas; Vídeo

Foto colorida do livro O Avesso da Pele, do autor Jeferson Tenório - Metrópoles

foto:reprodução

O ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social, Paulo Pimenta, refutou apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e informou que o livro “O Avesso da Pele“, do autor Jeferson Tenório, foi incluído no acervo do Ministério da Educação (MEC) durante a gestão passada.

“Nós estamos assistindo, nos últimos dias, um ataque vergonhoso, uma fake news mentirosa promovida, multiplicada por parlamentares, lideranças bolsonaristas no que diz respeito ao livro do consagrado escritor Jeferson Tenório, ‘O Avesso da Pele’”, afirmou o ministro. “Todo uma polêmica que envolve a utilização dessa obra no catálogo das obras disponibilizadas pelo MEC para as escolas de ensino médio de todo o Brasil”, disse ele, nesta segunda-feira (4/3), em vídeo.

Veja:

Uma diretora de uma escola de Santa Cruz, no Rio Grande do Sul, publicou um vídeo, na última sexta-feira (1º/3), em que pede a retirada dos exemplares do livro da instituição e que professores não utilizem ele em sala de aula.l o governo federal através do MEC adquirir esta obra literária e enviar para as escolas com vocabulários de tão baixo nível para serem trabalhados com estudantes do Ensino Médio”, disse Janaina Venzon, diretora da Escola Estadual de Ensino Médio Ernesto Alves de Oliveira.

Apoiadores argumentam que a obra supostamente distribuída pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) utiliza linguagem inapropriada para os estudantes do Ensino Médio. Nas redes sociais, centenas de usuários condenam o livro de Jeferson Tenório.

Paulo Pimenta, por sua vez, recomenda a leitura do romance e esclarece que ele foi incluído no catálogo do MEC durante a gestão de Jair Bolsonaro e não na atual administração, como muitas publicações sugerem.

“Na minha opinião, trata-se de uma demonstração de ignorância, de preconceito, mas também de covardia por parte destas pessoas. Ignorância porque em primeiro lugar nunca leram o livro, aliás, nunca leram nenhum livro, se tivessem lido Jorge Amado, ‘Gabriela Cravo e Canela’, Rubem Fonseca, Aluísio Azevedo, ‘O Cortiço’, João Ubaldo”, destacou o ministro.

“Livros que todos nós tivemos a oportunidade de ler no Ensino Médio. Não fariam essa manifestação histérica e ridícula. Por outro lado, após as denúncias se tornarem públicas, até mesmo como uma tentativa de censura contra Jeferson Tenório e a sua obra, os bolsonaristas descobriram que quem aprovou a inclusão do livro no catálogo das obras foi o governo Bolsonaro”, enfatizou o político.

Avesso da pele

O romance é do autor Jeferson Tenório e trata sobre temas como relações raciais, violência e racismo estrutural. O autor é natural do Rio de Janeiro e vencedor do Prêmio Jabuti, um dos mais tradicionais da área literária.

A Secretaria de Educação do Rio Grande do Sul determinou que o livro “O Avesso da Pele” seja mantido em escolas de Santa Cruz do Sul.

Fonte:Metrópoels - 04/03/2024

Bahia: Jovem casal morre eletrocutado em Araci

                                                      foto:reprodução

Mais uma tragédia aconteceu cidade de Araci envolvendo eletricidade. Na tarde deste domingo( 3) o casal Renovaldo Jesus de Souza, 31 anos, e Betânia Santana de Souza, 26, realizava um trabalho doméstico, o homem estava com um prego e martelo para fixar um varal na parede, quando o prego acertou em cheio uma fiação ele trica de uma casa vizinha, essa era a única informação que se tinha até a noite quando o Calila Notícias apurou o fato.

O caso aconteceu na sede do município, Rua Otávio Barreto de Andrade, bairro Coqueiro, porém o casal é oriundo da zona rural, ele do Povodo Sem Freio e ela da Comunidade conhecida como Guerra, mas residiam e trabalhavam na sede do município.

 Renovaldo trabalhava junto com um irmão em uma oficina de moto. O casal deixa uma filha menor.

Segundo a Polícia Militar. o irmão do homem relatou que, ao chegar ao local, viu as duas vítimas segurando um arame que estava preso na parede por um prego ainda passando corrente elétrica.

 Ele usou um alicate para cortar o fio, para tentar salvar as vítimas, mas já estavam sem vida.

Ainda segundo a testemunha, os dois foram eletrocutados quando tentaram fincar um prego na parede para fazer um varal. O prego atingiu um fio que estava dentro do conduíte corrugado amarelo, que fazia parte da fiação da casa do vizinho, vindo a eletrocutá-los.

Foi mantido contato com a central da Coelba, para que eles disponibilizassem um preposto para cortar a energia do local, já que estava ligada direto no poste de energia. A guarnição esperou no local até a chegada da Coelba e do DPT.

A tragédia que vitimou o casal acontece 10 dias depois da morte de um homem que também foi eletrocutado quando realizava uma trabalho contratado pela Prefeitura

A vítima era proprietário de uma loja de comunicação visual de Retirolândia e morreu em cima da sede da Prefeitura.

Fonte: Calila Notícias c/adaptações

Documento da ONU revela como Israel tenta inviabilizar ajuda em Gaza

8.jan.2024 - No Hospital Shuhada al-Aqsa, em Gaza, médicos movem corpo de homem morto durante bombardeio de Israel

Confira a reportagem completa do jornalista Jamil Chade do site UOL de hoje (4):


https://noticias.uol.com.br/colunas/jamil-chade/2024/03/04/documento-da-onu-revela-como-israel-tenta-inviabilizar-ajuda-em-gaza.htm 

RJ: Com fluxo diário de 150 mil veículos, Ponte Rio-Niterói faz 50 anos

 Quatrocentas mil pessoas em 150 mil veículos. Esse é o fluxo diário que atravessa os 13 quilômetros da Ponte-Rio Niterói, que completa 50 anos de inauguração nesta segunda-feira (4). Já considerada a maior ponte do Hemisfério Sul e da América Latina, ela é um trecho da BR-101 e uma ligação viária vital para o estado do Rio de Janeiro, encurtando o caminho que antes exigia contornar a Baía de Guanabara ou usar balsas.

O conceito de uma ponte suspensa entre os dois municípios data de 1875, mas somente em 1963 foi criado um grupo de trabalho para estudar um projeto para a sua construção. Em 23 de agosto de 1968, o general Arthur Costa e Silva, então presidente da ditadura militar, assinou decreto autorizando o projeto de sua construção. Apesar de sucessivas tentativas de mudança, até hoje é o ditador que dá o nome oficial da Ponte Rio-Niterói, a Ponte Presidente Costa e Silva. 

Marco da engenharia nacional, a ponte tem o maior vão em viga reta contínua do mundo, o Vão Central, com 300 metros de comprimento e 72 metros de altura. Outro número que impressiona é o total de 1.152 vigas ao longo de sua estrutura.

O presidente do Clube de Engenharia, Marcio Girão, lembra que, antes de sua construção, para fazer a travessia entre Rio de Janeiro e Niterói, levava-se mais de duas horas de espera, e o transporte de veículos era feito em balsas. Ele destaca que a maior parte da ponte foi desenvolvida com engenharia nacional.

“Na época, a Noronha Engenharia, sediada no Rio, é que preparou o projeto. Depois, várias empresas nacionais, em consórcio, construíram a ponte. Somente o vão central, que tinha a estrutura metálica, teve o projeto contratado a uma empresa norte-americana. A gente não tinha muita experiência nessa área. Mas todo o resto da ponte, em concreto armado, foi todo feito pela engenharia brasileira.”

Ponte Rio-Niterói (Tomaz Silva/Agência Brasil)
Ponte Rio-Niterói tem 1.152 vigas ao longo de sua estrutura - Tomaz Silva/Agência Brasil

A firma Howard, Needles, Tammen and Bergendorf, dos Estados Unidos, projetou o trecho dos vãos principais em estrutura de aço, incluindo as fundações e os pilares. Os engenheiros responsáveis pelo projeto da ponte de concreto foram Antônio Alves de Noronha Filho e Benjamin Ernani Diaz, enquanto o engenheiro responsável pela ponte de aço foi o americano James Graham.

Para Márcio Girão, a Ponte Rio-Niterói é uma realização importante da engenharia brasileira, que já foi uma das mais capazes do mundo. O presidente do Clube de Engenharia lamentou que a engenharia nacional tenha caído muito de 1980 para cá. “Houve uma destruição da engenharia nacional, principalmente a engenharia consultiva, ou de projetos, por falta de políticas públicas. A engenharia brasileira precisa ser realavancada. A engenharia precisa voltar”, defende.

Trabalhadores mortos

A grandiosidade celebrada pela engenharia também envolveu desfechos trágicos para muitos trabalhadores responsáveis por ela. O professor aposentado do Programa de Engenharia de Transportes do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ), Ronaldo Balassiano, tem memórias da fase final da construção.

Ainda jovem, Ronaldo Balassiano era calouro na universidade e tinha um professor que dava consultoria para a gigantesca obra.

“Ele contava para nós as coisas absurdas que aconteciam durante a construção. Era uma obra grande, pioneira para nós, aqui no Brasil, em que muita gente morreu. Alguns trabalhadores morreram, inclusive concretados dentro desses pilares. É um fato sabido. Este foi um ponto negativo da construção”, avalia Balassiano.

O presidente do Clube de Engenharia, Marcio Girão, também aponta o lado trágico da construção que teve oficialmente 33 mortes registradas. Mas as estimativas da época, não oficiais, alcançavam 400 óbitos, incluindo operários e engenheiros, conta ele. “A gente sabe que o registro oficial sempre está aquém do real.”

AI-5

Para a professora do Departamento de História da Universidade Federal Fluminense (UFF) Samantha Viz Quadrat, um ponto importante na construção da ponte é que ela começa com o Ato Institucional Número Cinco (AI-5) e termina com o início da transição no Brasil, em 1974. “Ela é construída ao longo do período com maior índice de violência da ditadura brasileira. A maior concentração de mortos e desaparecidos foi no decorrer de toda a construção da ponte”, aponta.

Nesse período de maior violência, a historiadora conta que uma das formas de a ditadura angariar aprovação popular foi por meio da construção de grandes obras, como a Ponte Rio-Niterói, a Usina Hidrelétrica de Itaipu e a Rodovia Transamazônica, que já eram uma pauta brasileira discutida desde o século 19.

“Elas são também obras de propaganda, dentro do contexto de um país que vai para a frente. O próprio Médici [ex-presidente da ditadura militar, de 1969 a 1974] fala que é a ponte do futuro, que o Brasil já está dando certo. A ponte entra dentro desse contexto.”

O AI-5 foi elaborado em 13 de dezembro de 1968, pelo então ministro da Justiça, Luís Antônio da Gama e Silva, e entrou em vigor durante o governo do presidente Costa e Silva, em resposta a fatos anteriores, como uma passeata de mais de 100 mil pessoas no Rio de Janeiro em protesto contra o assassinato do estudante Edson Luís de Lima Souto por um integrante da Polícia Militar. Esse foi o quinto de 17 grandes decretos emitidos pela ditadura militar nos anos que se seguiram ao golpe de Estado de 1964, e é considerado uma vitória dos militares mais radicais, que exigiam do governo poderes para eliminar opositores por meio de medidas como prisões, punição de dissidentes, suspensão de direitos políticos e cassação de mandatos.

Samantha lembra que esse foi um período de grande repressão, de censura prévia aos órgãos de comunicação e perseguição aos movimentos operários e de trabalhadores.

“A obra é construída dentro desse quadro de violência, em que não se tinha como fazer denúncias sobre questões trabalhistas. As populações diretamente atingidas pela ponte não têm a quem recorrer É uma obra que, de fato, vem de cima para baixo”, diz a professora.

Mudança de nome

Se a história vinculada ao período autoritário não pode ser mudada, o nome Presidente Costa e Silva foi alvo de diferentes iniciativas nos últimos anos. Em 2012, atendendo a pedido de movimentos de direitos humanos, o deputado federal Chico Alencar (PSOL-RJ) apresentou projeto propondo a mudança do nome da ponte para o do sociólogo Herbert de Souza, o Betinho.

Em entrevista à Agência Brasil, Chico Alencar disse que a mudança do nome para o do sociólogo se justificava por “ser uma pessoa cuja vida foi dedicada a construir pontes entre os que têm fome e os saciados, entre os sensíveis e os insensíveis, entre os que têm consciência dos sentimentos do mundo e os que não têm, para dar uma dimensão nova à política, com esse respaldo social”.

Rio de Janeiro (RJ), 27/02/2024 – Ponte Presidente Costa e Silva (Rio-Niterói) completa 50 anos. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Ponte Rio-Niterói completa 50 anos nesta segunda-feira - Tomaz Silva/Agência Brasil

Apesar disso, o parlamentar admite que há muitos obstáculos. O projeto já tem um parecer na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), da deputada Talíria Petrone (PSOL-RJ). “Mas eu sei que, para passar, se já era difícil na época, ainda é mais difícil agora, que a Câmara mudou, e o Congresso ficou mais conservador ainda.”

Outra tentativa de mudança foi por via judicial, mas, em janeiro de 2015, a Justiça Federal no Rio de Janeiro negou pedido formulado pelo Ministério Público Federal (MPF). Segundo a decisão, a medida deveria ser decidida pela sociedade, de forma coletiva, por meio de seus representantes no Legislativo.

Em maio de 2021, foi protocolado na Câmara Federal projeto de lei do deputado federal Chico D’Angelo (PDT-RJ), pedindo que a ponte passasse a se chamar Ponte Ator Paulo Gustavo, para homenagear o ator que nasceu em Niterói e morreu de covid-19 naquele mês, em um hospital do Rio.

A historiadora Samantha Viz Quadrat considera lamentável que ainda haja homenagens públicas, em espaços públicos, a ditadores. “A ditadura não merece homenagem de nenhum tipo em local público, seja universidade, escola, rua, ainda mais uma construção como a da Ponte Rio-Niterói, que é uma obra representativa do que a ditadura foi em termos de violência, de repressão, de perseguição aos trabalhadores, de más condições de trabalho, de censura.”

Melhorias

Com o objetivo de proporcionar maior segurança ao usuário, muitas melhorias foram efetuadas ao longo destes 50 anos. No ano 2000, por exemplo, o asfalto no vão central foi substituído por um piso de concreto de elevada resistência, enquanto a superestrutura metálica foi reforçada internamente.

Em 2004, o Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe/UFRJ) desenvolveu para a rodovia os atenuadores dinâmicos sincronizados (ADS). Esse é um conjunto de massa e mola de 32 peças e pesos de grandes proporções que funciona como um amortecedor para a estrutura do vão central. Em eventos com fortes ventos, a ponte teve uma redução de 90% de sua oscilação.

Rio de Janeiro (RJ), 27/02/2024 – Ponte Presidente Costa e Silva (Rio-Niterói) completa 50 anos. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Ponte Rio-Niterói é considerada a maior do Hemisfério Sul e da América Latina  - Tomaz Silva/Agência Brasil

No ano de 2009, depois de efetuados estudos de segurança viária, a ponte ganhou um reordenamento de faixas, que aumentaram de três para quatro, o que contribuiu para ampliar sua capacidade operacional. Em 2016, já sob administração da Ecoponte, a praça de pedágio foi aumentada, a via ganhou iluminação de LED e lamelas antiofuscantes, sistema que utiliza defensas metálicas para eliminar o ofuscamento durante a noite causado pela iluminação dos faróis.

No dia 1º de junho de 1995, foi feita a primeira concorrência para concessão da administração da Ponte Rio-Niterói à iniciativa privada, vencida pelo consórcio Ponte S/A, empresa do Grupo CCR. Essa foi a primeira grande estrutura rodoviária concedida para o setor privado no país. Desde 2015, porém, a ponte está concedida à Ecoponte.

Movimento pendular

Além de fazer parte da história do Brasil e ser um marco de sua engenharia, a Ponte Rio-Niterói também é parte da rotina de milhares de moradores da região metropolitana do Rio de Janeiro. A fotógrafa Iane Filgueiras, de 34 anos, construiu sua carreira profissional indo e voltando na ponte diariamente, desde que era estagiária, em 2009. Moradora de São Gonçalo, cidade da região metropolitana, ela trabalha na zona norte do Rio.

“Minha relação com a ponte é de amor e ódio como todo mundo que atravessa a ponte diariamente. Acho uma construção incrível com uma extensão inacreditável sobre a baía. Vi muitas vezes o sol nascer e se pôr. Também já peguei muito temporal em que a ponte balança. Mas é uma dificuldade ter trânsito todo dia, com 40 minutos para atravessar a ponte”, conta Iane.

A circulação intensa é fiscalizada diariamente pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), que usa sistemas de videomonitoramento, recursos tecnológicos como drones e câmeras de alta resolução para o acompanhamento de todo o trecho sob sua competência.

“Fisicamente há uma delegacia e uma unidade operacional ao longo de toda a ponte, são atendidos cidadãos durante todo o dia, veículos são fiscalizados, há o combate ao crime, com um trabalho incessante de inteligência é possível hoje ter diversas tentativas criminosas frustradas sem grande impacto na fluidez do trânsito e risco à sociedade que trafega pela via”, destaca nota da PRF.

As ocorrências que envolvem a ponte são as mais variadas que se pode imaginar. Uma das mais inusitadas ocorreu em 14 de novembro de 2022, quando o navio graneleiro São Luiz, ancorado desde 2016 na Baía de Guanabara, colidiu com a estrutura, levando ao fechamento da via nos dois sentidos até que sua integridade fosse avaliada. O congestionamento provocado pelo acidente superou 19 quilômetros na primeira hora do fechamento. A via sentido Niterói foi liberada três horas depois, mas a movimentação no sentido Rio de Janeiro ficou restrita a duas pistas até o dia seguinte, para reparos no guarda-corpo.

Edição: Juliana Andrade - Ag. Brasil/reprodução - 04/03/2024

Governo Bolsonaro concedeu registros de CAC a traficantes, assassinos e até pessoas mortas, diz relatório do TCU

 Bolsonaro em 2019 na assinatura do decreto que flexibilizou política de concessão de registros de armas..Créditos: Marcos Corrêa/PR

Bolsonaro em 2019 na assinatuAAa do fo

t

tfdecre             to que flexibilizou política de concessão de registros de armas..Créditos: Marcos Corrêa/PR


A farra dos armamentos sob o governo Jair Bolsonaro (PL) criou uma milícia nacional, com o Exército concedendo registros de Colecionador, Atirador e Caçador, os chamados CACs, a condenados por tráfico, homicídio e até mesmo a brasileiros já mortos.

Os dados constam do relatório de uma autoria sigilosa do Tribunal de Contas da União (TCU), divulgados nesta segunda-feira (4) pelo jornal O Estado de S.Paulo.

Segundo o TCU, o Exército concedeu registros de CACs a 5.235 pessoas condenadas por tráfico de drogas, homicídio e lesão corporal. Desses, 1,5 mil pessoas tinham processos de execução penal, mas não foram barrados pelos militares, que ainda liberou o registro de armas para 2,6 mil foragidos da Justiça.

“A gravidade das condutas, por si só, já reforça indicadores de criminalidade e abala a sensação de segurança, sobretudo daqueles impactados de algum modo pelos delitos. Contudo, quando se leva em consideração que parcela significativa desses indivíduos ainda possui CRs ativos e acesso a armas, entende-se haver disponibilidade de meios para: a reincidência de práticas criminosas; a progressão da gravidade das condutas – por exemplo, a ameaça evoluir para um homicídio ou a lesão corporal contra a mulher evoluir para um caso de feminicídio; e a obstrução das investigações ou dos processos criminais – afinal, a arma pode ser utilizada para fuga, intimidação ou assassinato de testemunhas, entre outros”, diz o TCU.

Mais de 21 mil armas estão com o registro atualizado para pessoas que já morreram. Outros 94 mortos compraram  16.669 munições.

A auditoria aponta ainda que 22.493 CACs estão no CadÚnico, que registra pessoas de baixa renda, e são suspeitos de terem sido usados como laranjas para compra das armas para o crime organizado.

O TCU ainda revela que durante o governo Bolsonaro, os recursos para o Exército fiscalizar os CACs e as armas de fogo caiu 37%, passando de R$ 30,8 milhões em 2018 para R$ 19,4 milhões em 2022.

No mesmo período, o aumento de certificado de CACs saltou de 191,4 mil para 898,3 mil, uma alta de 469%. 

Nota-se, pois, um manifesto descompasso entre a evolução da concessão de registros para CACs e dos recursos aplicados ao SisFPC [Sistema de Fiscalização de Produtos Controlados] para suportar suas atividades finalísticas”, afirma o relatório do TCU.

Ao Estadão, o Exército - agora sob o comando do general Tomás Ribeiro Paiva, afirmou que a Força "vem adotando todas as medidas cabíveis para aperfeiçoar os processos de autorização e fiscalização dos CAC”.

Fonte:Revista Fórum - 04/03/2024

domingo, 3 de março de 2024

Bahia: PF investiga se família presa por tráfico sabia da investigação

                                                  Larissa e Paulo foram presos durante a operação da PF - Imagem: Reprodução/Instagram/@dra.larissaulima

Confira a reportagem do site UOL de hoje (3) no link abaixo:

https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2024/03/03/familia-trafico-bahia.htm