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quinta-feira, 18 de julho de 2024

CONFIRA OS CONFRONTOS NAS OITAVAS DA COPA DO BRASIL; BAHIA PEGA O BOTAFOGO


                                           Estevão vira preocupação no Palmeiras - foto:reprodução

 A CBF sorteou nesta quinta-feira (18) os confrontos da Oitava-de-final da Copa do Brasil de 2024: Confira abaixo: Os confrontos serão entre 31/07 e 07/08/2024

Veja os confrontos:


  • Flamengo x Palmeiras*

  • Atlético-GO x Vasco*

  • Athletico-PR x Bragantino*

  • São Paulo x Goiás*

  • CRB x Atlético-MG*

  • Botafogo x Bahia*

  • Corinthians x Grêmio*

  • Juventude x Fluminense*

  • * Times que fazem o segundo jogo em casa

PF aponta esquema de Cartões de vacina em Duque de Caxias e pede nova apuração


                                                       foto:reprodução

A Polícia Federal (PF) apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF) nova parte das investigações sobre o suposto esquema de fraude em cartões de vacinas que teria beneficiado o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Nas conclusões, a PF apontou ter indícios de uma “grande estrutura na Prefeitura de Duque de Caxias (RJ) para prática de crimes” de inserção de dados falsos de vacinação no sistema do Ministério da Saúde.

Assim, a PF pediu ao ministro Alexandre de Moraes que seja aberto novo procedimento de investigação para apurar esses fatos, de uma maneira isolada daqueles já em andamento. A complementação da análise de dados armazenados em tefones celulares apreendidos “evidenciou novos elementos de prova que revelaram a constituição de uma grande estrutura na Prefeitura de Duques de Caxias/RJ para a prática de crimes de inserção de dados falsos de vacinação em benefícios de diversas pessoas, diverso do grupo criminoso investigado nos autos da Pet. 10.405/DF (Inq. 4874/DF)”, argumentam os investigadores da PF no pedido.

Até o momento, as apurações corriam no âmbito da PET 10.045. Nesse caso, é investigado se Bolsonaro e outros 15 foram beneficiados no esquema. O mesmo caso está conectado ainda com o inquérito das milícias digitais. Mas a PF quer uma investigação somente para a existência dessa estrutura em Duque de Caxias, que teria beneficiado outras pessoas que queriam dados falsos de vacinação.

Elementos

Os elementos de prova colhidos pela Polícia Federal demonstraram que o grupo investigado usou a estrutura da Secretaria de Saúde de Duque de Caxias (RJ) para viabilizar a inserção de dados falsos de vacinação contra a Covid-19 nos sistemas do Ministério da Saúde. “Para isso contaram com a aderência consciente e voluntária do então Secretário Municipal João Carlos de Sousa Brechadas servidoras da Prefeitura de Duque de Caxias, Camila Paulino e Cláudia Helena”, diz documento da PF.

Início do suposto esquema

O suposto esquema teve início em novembro de 2021, quando Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, teria pedido ao sargento do Exército Luis Marcos dos Reis para conseguir um cartão de vacinação falsificado para sua esposa, Gabriela Santiago Cid.

Fonte: Metrópoles c/adaptações 18/07/2024

Por ataques a jornalista Juliana Dal Piva, PGR defende ao STF investigação sobre Allan dos Santos


                                       Foto:reprodução


Em manifestação ao Supremo Tribunal Federal (STF), a Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu a abertura de investigação contra o youtuber bolsonarista Allan dos Santos. A iniciativa se deve a uma publicação em que ele forjou prints de uma falsa conversa que atribui a jornalista Juliana Dal Piva, do ICL Notícias

A solicitação feito nesta quarta-feira (17) pelo procurador-geral, Paulo Gonet, acolhe  um pedido de investigação feito por advogados da jornalista ao Supremo.

A PGR quer que a Polícia Federal (PF) investigue “se há uma atuação coordenada com o fim de, deliberadamente, difundir informações falsas com o intuito de interferir no curso de investigação criminal em trâmite no Supremo Tribunal Federal”.

Paulo Gonet também defendeu o bloqueio de duas contas de Allan dos Santos nas redes sociais.

O caso tramita no Supremo sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes.

Juliana denunciou farsa de Allan

Foragido nos Estados Unidos desde 2021, quando o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decretou sua prisão por conta do inquérito das milícias digitais, ele publicou na plataforma prints de mensagens falsificadas que Juliana teria enviado a ele, com supostas ameaças. Ele também ataca o Instituto Conhecimento Liberta (ICL).

A jornalista gravou vídeo para esclarecer o público que acompanha seu trabalho e seguidores das redes sociais.

“Infelizmente estou aqui pra desmentir uma fraude que foi feita contra mim essa madrugada. O Allan dos Santos passou a espalhar uma série de prints forjados de uma conversa que nunca existiu, mas ele manipulou essa imagem pra dar a entender que seria uma conversa comigo no chat do Instagram”, disse ela na gravação. “Eu estou aqui para dizer a vocês o óbvio: que tudo isso é uma grande mentira com a intenção de me atacar e atacar meu trabalho”.

Juliana exibe um print de sua conta no Instagram para provar que nunca trocou mensagens com o militante bolsonarista.

“Eu tenho um recado tanto para o Allan quanto para as pessoas que estão orquestrando esse ataque, que é o seguinte: eu não vou deixar de trabalhar, eu não vou deixar de fazer o meu trabalho como jornalista. Eu já fazia antes de tudo isso e eu vou continuar fazendo. Então, não adianta ficar criando campanha para me atacar porque isso não vai me fazer parar de trabalhar”, disse a jornalista, que também é diretora da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji).

Ela disse que precisava dar essa explicação como esclarecimento às pessoas que acompanham seu trabalho. “Essa troca de mensagem é totalmente fraudulenta, então eu peço que vocês espalhem a verdade, e não as mentiras dele. Não compartilhem o vídeo em que ele forja essa conversa comigo porque isso não é verdade”, explicou.

Coletivo de mulheres jornalistas presta solidariedade

O coletivo Mulheres Jornalistas pela Democracia divulgou manifesto em solidariedade à repórter do ICL, Juliana Dal Piva, que vem sendo atacada pelo bolsonarista Allan do Santos e seus seguidores.

Criminoso e foragido da Justiça brasileira, Allan do Santos afirmou nas suas redes sociais que a jornalista forjou imagens com ofensas de cunho misógino, com o intuito de difamá-la como profissional.

O trabalho investigativo de Juliana Dal Piva revelou os esquemas de enriquecimento de Jair e de toda família Bolsonaro.

Leia a seguir a íntegra do manifesto:

“Nós, do Coletivo Mulheres Jornalistas pela Democracia, manifestamos total solidariedade à jornalista Juliana Dal Piva, do ICL Notícias, que vem sendo alvo de uma onda de ataques e ameaças em redes digitais da extrema direita.

Juliana faz um notável trabalho jornalístico ao investigar e mostrar como a família Bolsonaro enriqueceu depois de entrar na política. Seu excelente livro, “O negócio do Jair”, foi finalista do Prêmio Jabuti, em 2023.

A onda de ataques começou com o extremista Alan dos Santos, foragido da justiça brasileira nos Estados Unidos. Cobramos das autoridades que os perpetradores dessas agressões sejam punidos e que sejam tomadas as devidas providências para que cessem as ameaças à Juliana Dal Piva.

O assédio contra ela é também um ataque ao ICL Notícias e visa intimidar o trabalho da imprensa brasileira comprometida com a democracia e com o jornalismo de qualidade. Não podemos aceitar tal nível de agressão contra jornalistas, especialmente mulheres, alvo preferencial da direita extremista e violenta representada, no Brasil, pelo bolsonarismo.”

Coletivo Mulheres Jornalistas pela Democracia

Andrea Penna
Cláudia Noronha
Conceição Lemes
Cristina Serra
Denise Assis
Eliara Santana
Fátima Belchior
Graça Caldas
Inês Castilho
Kátia Brasil
Letícia Nunes
Lívia Ferrari
Lourdes Nassif
Lucila Soares
Marcelle Chagas
Nina Valente
Simone Romero
Teresa Garcia
Vera Durão
Vera Perfeito


Fonte:ICL - NOTÍCIAS - 18/07/2024

Governo dos EUA produziu ao menos 819 documentos ao monitorar Lula por décadas

                                           FOTO:Marcelo Camargo/agência Brasil

Diferentes órgãos do Governo dos Estados Unidos monitoraram o presidente Lula (PT) com a produção de ao menos 819 documentos, que somam 3.300 páginas de registros.

 

As informações foram fornecidas pelo governo americano ao jornalista e escritor Fernando Morais, biógrafo do presidente. Os dados se referem ao período de 1966 a 2019, ano em que os pedidos foram protocolados.
 

A maior parte foi produzida pela CIA, a agência de inteligência dos americanos. A CIA mantém 613 documentos sobre Lula, em um total de 2.000 páginas.
 

Os registros dão conta da relação de Lula com a ex-presidente Dilma Rousseff (PT), com autoridades do Oriente Médio e da China, além de planos militares brasileiros e a produção da Petrobras. Os requerimentos do escritor compreendem cinco décadas, desde a época da ditadura militar, quando o petista ascendeu no movimento sindical, até pouco após sua prisão, ocorrida em 2018.
 

O escritor ainda não teve acesso à íntegra dos documentos. Não há nesse acervo informações que teriam sido colhidas no atual mandato do presidente, iniciado em 2023.
 

Morais contou com a ajuda do escritório de advocacia Pogust Goodhead para requerer as informações a todas as agências dos EUA, por meio da Lei de Acesso à Informação americana (Freedom of Interaction Act). Os primeiros dados chegaram agora, por meio do Departamento de Defesa.
 

"O presidente ainda estava preso quando consegui procurações para recolher em nome dele todos os registros existentes nas agências. Tem agência que, obviamente, não tinha nada, tipo a que cuida de entrada ilegal de alimento. Mas pedi de todas", disse Morais.
 

O jornalista e escritor lançou em 2021 o primeiro volume da biografia de Lula. Trabalha agora no segundo volume da obra.
 

Morais e seus advogados solicitaram relatórios, levantamentos, emails, cartas, minutas de reuniões, registros telefônicos e demais documentos produzidos pelos órgãos de inteligência americanos.
 

"É preciso jogar luz na relação entre os dois maiores países do continente americano. Esse é um direito do nosso cliente Fernando Morais e de todos os brasileiros. Estamos confiantes de que as autoridades norte-americanas atenderão nosso pedido", disse Tom Goodhead, sócio-administrador global do Pogust Goodhead.
 

A filial norte-americana auxilia Morais com os pedidos de informações. O escritório, que atua pro bono para o jornalista no caso, é o mesmo que representa os atingidos pelo rompimento da barragem em Mariana na Inglaterra e na Holanda.
 

Apesar de as solicitações compreenderem o período a partir de 1966, ainda não há informação de quando seria o primeiro registro relacionado a Lula em órgãos dos EUA.
 

Até o momento, foram encontrados 613 documentos da CIA, 111 do Departamento de Estado, 49 da Agência de Inteligência da Defesa, 27 do Departamento de Defesa, 8 do Exército Sul dos Estados Unidos, unidade de apoio da força armada americana, e 1 do Comando Cibernético do Exército, braço militar de operações e informação digital.
 

O grupo ainda aguarda retorno do FBI (a polícia federal dos EUA), do NSA (Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos) e da Rede de Combate a Crimes Financeiros (Financial Crimes Enforcement Network – FinCEN). O prazo é de 20 dias úteis, prorrogáveis por mais 20, para informar se vão ou não fornecer os dados.
 

Morais, que já trabalhou com dados americanos para o livro "Olga", que foi lançado em 1985 contando a história da judia e comunista Olga Benário Prestes, disse que o governo americano veta trechos que considera trazer riscos à segurança de Estado.
 

"Sabemos que o governo norte-americano analisou de perto o cenário político brasileiro nas últimas décadas, e o Lula é um dos personagens mais marcantes e importantes da história da América Latina", disse o escritor.
 

Quando o material estiver pronto, ele terá de buscar nos Estados Unidos a íntegra em formato físico.
 

Procurado, o Palácio do Planalto não quis se manifestar sobre o tema.
 

Em 2013, o programa Fantástico, da TV Globo, noticiou que a então presidente Dilma foi alvo de espionagem da NSA. Documentos secretos que baseiam as denúncias foram obtidos pelo jornalista Gleen Greenwald com o ex-técnico da agência Edward Snowden.
 

Dois anos depois, o portal do WikiLeaks divulgou informações confidenciais da NSA, revelando nova espionagem contra Dilma, assessores e ministros.
 

Ao todo, 29 telefones de membros e ex-integrantes do governo foram grampeados –no início do primeiro mandato de Dilma– pela agência americana, como o do ex-chefe da Casa Civil Antonio Palocci o então secretário-executivo da Fazenda, Nelson Barbosa, o ex-chanceler Luiz Alberto Figueiredo Machado, e o ex-chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), general José Elito Carvalho Siqueira.
 

Os relatórios apontavam, à época, que até uma secretária e uma assistente de Dilma também tiveram telefones grampeados.
 

A expectativa de Morais com os pedidos aos Estados Unidos é de que possa usar as informações na segunda parte da biografia de Lula, ainda sem data de lançamento.
 

"Enrolaram muito, e como pedi uma quantidade grande, se sentiram no direito de atrasar. Tanto que minha ideia é que o material entrasse no volume 1 do livro, mas não mandaram. Entrará no volume 2, então", completou.
 

O primeiro volume, intitulado "Lula", já foi traduzido para o chinês, o inglês e o espanhol.
 

O recorte estabelecido para pedido de informações teve início em 1966 porque é quando Lula ingressa como torneiro mecânico em uma fábrica, no ABC Paulista, e tem início seu envolvimento com o sindicalismo, fato que marca seu ingresso na vida política brasileira.
 

Lula viria a se tornar presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema em 1975, posição em que liderou greves três anos depois. Neste período, Lula também ajudou a fundar o PT e tornou-se o primeiro presidente da sigla.


Fonte: FOLHAPRESS - 18/07/2024

MG: Médico Rodrigo Conti e mais 3 homens morrem em acidente na BR- 251, próximo a Unaí



O Médico Rodrigo Conti, diretor do ICTDF foi uma das vítimas - (crédito: Renan Lisboa/CLDF)

Um sentimento de vazio, tristeza e famílias devastadas. O grave acidente de trânsito na BR-251, na divisa entre Minas Gerais e Goiás, provocou uma comoção em Brasília, com a morte de quatro pessoas. As vítimas são o médico e chefe do Instituto de Cardiologia e Transplantes do Distrito Federal (ICTDF), Rodrigo Conti, 42 anos; o enfermeiro que o acompanhava, João Lucas, 28; Guilherme Feitosa, 31, empresário; e Jeferson Henrique Almeida, 29. 

Rodrigo Conti, médico renomado e conhecido na capital, saiu de Brasília com João Lucas, que era colaborador da empresa Hudle (prestadora de serviços terceirizados). Os dois estavam em uma Fiorino e seguiam para o Hospital Santa Helena, em Unaí (MG), na intenção de fazer um procedimento cirúrgico em um paciente. 

O falecimento de Conti foi um choque para a área de saúde do DF. Prestigiado pelo serviço desempenhado há mais de 20 anos, o profissional deixou um bom legado aos colegas de profissão e aos pacientes já atendidos por ele. Nomeado em dezembro de 2023 para assumir a chefia do ICTDF, Conti também atendia no Hospital Daher há pelo menos 20 anos e em outros hospitais privados. 

O governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB), e a vice-governadora, Celina Leão (PP), prestaram homenagens em suas redes sociais ao médico. A notícia do falecimento do ex-diretor do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde (Iges-DF) foi recebida "com profundo pesar" pelo chefe do Executivo local. Em sua conta no X, antigo Twitter, Ibaneis deixou seus "sentimentos à família e aos amigos, para que todos possamos enfrentar este momento difícil juntos."

O Hospital Santa Helena, de Unaí, onde Conti faria uma cirurgia em um paciente, decretou luto de três dias em razão do óbito. "Dr. Rodrigo deixa uma família amorosa, amigos queridos e um legado exemplar na saúde, sua paixão. Em homenagem à sua família e memória, o Hospital Santa Helena também anunciou luto de três dias. Deixamos aqui também nossos sentimentos às famílias das demais vítimas envolvidas no acidente", informou nas redes sociais.

Fonte: Correio Braziliense - 18/07/2024

Dia de Mandela: conheça a história do principal líder político da África do Sul

 Mandela se tornou um líder contra o Apartheid e um símbolo mundial de justiça

Reprodução - Mandela se tornou um líder contra o Apartheid e um símbolo mundial de justiça

Nesta quinta-feira, dia 18 de julho, é comemorado o dia internacional de Nelson Mandela. A  Organização das Nações Unidas (ONU) escolheu o data do aniversário do principal líder político da história da África do Sul para reconhecer a sua contribuição na luta pelos direitos humanos, pela igualdade racial, pela justiça e pela paz. Hoje, Mandela faria 106 anos.

O nome de nascimento do ativista era Rolihlahla Mandela. Ele nasceu em 18 de julho de 1918 na aldeia de Mvezo, na então União Sul-Africana, que era uma colônia inglesa na época.

Ele pertencia a uma família da nobreza thembu, povo da etnia xhosa. Seu pai era herdeiro do trono e era casado com quatro mulheres - Mandela era filho da terceira esposa.

O pai de Mandela morreu quando ele tinha apenas 9 anos. Como ele era muito jovem para assumir uma posição de liderança no contexto familiar, sua mãe o entregou para o sucessor do trono thembu, Jongintaba Dalindyebo, que cuidou do menino ao lado da esposa e foi um grande incentivador de seus estudos.

O nome “Nelson” surgiu ainda na infância, quando ele ingressou na escola primária em 1925. Os britânicos costumavam atribuir nomes ingleses para os habitantes da colônia para identificá-los com mais facilidade, uma vez que não conseguiam pronunciar e escrever os nomes locais.

Mesmo muito jovem, Mandela já era capaz de perceber os impactos da desigualdade social e racial no lugar onde vivia. Essa visão se expandiu após ele ingressar na escola preparatória Clarkebury Boarding Institute, onde estudou a cultura ocidental.

Ingresso na militância política

Em 1939, Mandela ingressou no curso de Direito da Universidade de Fort Hare, a primeira Universidade da África do Sul a ministrar cursos para negros. Ele foi expulso após participar de alguns protestos estudantis.

Mandela, então, se mudou para Joanesburgo, uma das maiores cidades do país, onde ingressou no curso de Direito da Universidade de Witwatersrand. Apesar de já conhecer a realidade da vida de muitos negros sul-africanos nos povoados menores, a mudança para a cidade grande o deixou ainda mais consciente das dificuldades que eles enfrentavam para viver. Com isso, não demorou muito para que ele se envolvesse com os movimentos da militância política local.

Na década de 1940, Mandela fundou a Liga Jovem do Congresso Nacional Africano, ao lado de alguns amigos da faculdade. O grupo era a ala jovem do Congresso Nacional Africano (CNA), um movimento político que estava em vigor há mais de 30 anos na África do Sul, que lutava por melhores condições de vida para a população negra do país e pelo fim da desigualdade racial.

Mandela logo assumiu como coordenador de campanhas de desobediência civil contra as autoridades brancas, o que lhe rendeu uma posição de destaque dentro do CNA. Com isso, ele foi eleito presidente da sigla em Transvaal, uma província sul-africana. Tal posto o tornou o segundo homem mais importante do movimento político.

Apartheid e prisão

O regime segregacionista conhecido como Apartheid chegou ao poder na África do Sul em 1948, com a eleição do Partido Nacional, sigla de extrema-direita liderada por Daniel François Mala.

Não demorou muito para que Mandela se tornasse um inimigo declarado do governo, especialmente por suas campanhas de desobediência civil. Como a estratégia do ativista se baseava na “não-violência”, era cada vez mais difícil combater a polícia sul-africana, que era excessivamente violenta contra a população negra.

Nesse meio tempo, o CNA lançou a Campanha de Desafio Contra Leis Injustas em 1951, um movimento que incentivava os civis negros a desobedecerem às regras impostas pelas autoridades brancas.O ativista era o principal porta-voz da campanha.

O movimento resultou em uma série de prisões temporárias, incluindo a de Mandela. A situação se intensificou em 1960, com o evento que ficou conhecido como massacre de Sharpeville, quando 67 negros foram mortos pelas forças sul-africanas. A tragédia levou o líder a aderir à violência armada, o que inflamou ainda mais o conflito com as autoridades.

Naquele mesmo ano, o CNA foi proibido e Mandela ficou detido até o ano seguinte, quando fugiu do país. O líder viajou para países como Inglaterra, Nigéria, Botsuana, Egito, Marrocos e Etiópia para procurar apoio contra o Apartheid e receber treinamento militar.

Em 1962, o ativista foi preso sob a acusação de organizar uma greve e sair do país sem autorização. O julgamento final começou em outubro de 1963 e só terminou no ano seguinte, em junho de 1964, quando Nelson Mandela foi condenado à prisão perpétua.

“Durante a minha vida, dediquei-me a essa luta do povo africano. Lutei contra a dominação branca, lutei contra a dominação negra. Acalentei o ideal de uma sociedade livre e democrática na qual as pessoas vivam juntas em harmonia e com oportunidades iguais. É um ideal para o qual espero viver e realizar. Mas, se for preciso, é um ideal pelo qual estou disposto a morrer“, concluiu o ativista em seu discurso de três horas diante do júri.

Mandela passou 27 anos na cadeia. Nesse período, teve o acesso negado a direitos básicos, inclusive ao de comparecer ao funeral da própria mãe. O governo tentou negociar com o ativista a sua liberdade em troca do abandono da resistência ao Apartheid, mas ele se negou a concordar com essas condições.

Mesmo preso, Mandela continuou a ter contato com a militância negra. Ele transmitia mensagens por meio da família.

“Não posso e não vou dar o meu braço a torcer enquanto vocês, o povo, não forem livres. Sua liberdade e a minha não podem ser separadas. Eu voltarei”, disse em uma mensagem transmitida pela filha Zinzi em uma reunião no subúrbio de Zoweto, em 1985.

Liberdade e reconstrução da democracia sul-africana

A década de 1980 foi de extrema importância para a história da África do Sul. Após quase 40 anos, o regime do Apartheid começava a caminhar para o seu fim, devido a uma série de fatores internos e externos.

A comunidade internacional impôs uma série de sanções políticas e econômicas, que deixavam o país totalmente isolado. Só em 1980, mais de 20 países implantaram embargos econômicos e encerraram suas negociações com o governo sul-africano.

No campo interno, a alta no número de manifestações da população negra, o aumento da violência e uma guerra civil iminente também contribuíram para o fim do regime.

Entretanto, foi só em 1989, com a eleição de Frederik de Klerk, que o Apartheid terminou na África do Sul. Pressionado interna e externamente, o presidente instaurou uma série de medidas para encerrar o regime - entre elas, a liberdade de Nelson Mandela em 11 de fevereiro de 1990.

"Os cliques das câmeras fotográficas começaram a ressoar como se fossem uma manada de animais metálicos. Levantei o punho direito e escutei um alarido. Não tinha conseguido fazer isso em 27 anos e aquilo me encheu de força e alegria”, escreveu o líder em sua autobiografia “Um longo caminho para a liberdade”, de 1994.

Nobel da Paz e presidência

Mandela atuou ao lado do então presidente para estabelecer, além do fim das regras segregacionistas, um regime de democracia no país. Nesse meio tempo, foi eleito presidente da CNA em 1991 e, em 1993, recebeu um Nobel da Paz por sua luta incansável contra o Apartheid, ao lado de Frederik de Klerk.

Em 1994, Mandela concorreu à presidência da África do Sul e foi eleito o primeiro presidente negro da história do país.

"Nunca, nunca, nunca esta bela terra voltará a experimentar a opressão de um sobre o outro. Que o sol nunca se ponha diante de tão gloriosa conquista humana. Vamos deixar a liberdade reinar. Que Deus abençoe a África”, disse em seu discurso de posse.

A gestão de Mandela tinha dois objetivos principais: a reconciliação nacional e a melhoria nas condições de vida da população, especialmente a negra, por meio da Comissão da Verdade e Reconciliação e de programas de desenvolvimento econômico. O ativista também trabalhou para restabelecer a diplomacia do país, tão prejudicada com o regime segregacionista.

Controvérsias

Apesar de ser reconhecido internacionalmente como uma das pessoas mais importantes do século XX, Mandela por vezes rejeitava a imagem messiânica que tanto os sul-africanos quanto os adeptos do seu ativismo pregavam.

“Uma questão que me preocupava profundamente na prisão era a minha imagem falsa projetada ao mundo exterior, sendo considerado um santo que nunca foi", escreveu o ativista em sua segunda autobiografia “Conversas que tive comigo mesmo”, de 2010.

Um dos principais motivos para isso foi o fato de ter sido um pai ausente e se casado três vezes, com rumores de traições em dois relacionamentos. “Parece que o destino dos que lutam pela liberdade é ter a vida pessoal instável. Ser o pai de uma nação é uma grande honra, mas ser o pai de uma família é uma grande alegria. Um trabalho que exerci muito pouco”, escreveu em sua primeira autobiografia.

Fim da vida política e morte

Mandela se retirou da vida política logo no final de seu mandato. Em meados de 2004, deixou de fazer aparições públicas, devido à idade avançada. Ele faleceu em 5 de dezembro de 2013 na cidade de Joanesburgo, por problemas respiratórios.

O jovem Nelson Mandela aos 19 anos Reprodução
1/7 O jovem Nelson Mandela aos 19 anos Reprodução
Nelson Mandela se mudou para Joanesburgo em 1939 e lá entrou em contato com a militância política Reprodução
2/7 Nelson Mandela se mudou para Joanesburgo em 1939 e lá entrou em contato com a militância política Reprodução
Nelson Mandela na prisão Reprodução
3/7 Nelson Mandela na prisão Reprodução
Manifestação pedindo a liberdade de Mandela Reprodução
4/7 Manifestação pedindo a liberdade de Mandela Reprodução
Nelson Mandela morreu em 2013 devido a problemas respiratórios Reprodução
5/7 Nelson Mandela morreu em 2013 devido a problemas respiratórios Reprodução
Nelson Mandela e Frederik de Klerk recebem o Nobel da Paz pela luta contra o Apartheid na África do Sul em 1993 Reprodução
6/7 Nelson Mandela e Frederik de Klerk recebem o Nobel da Paz pela luta contra o Apartheid na África do Sul em 1993 Reprodução
Mandela discursa na ONU em 1994, pouco após ser eleito o primeiro presidente negro da África do Sul Reprodução
7/7 Mandela discursa na ONU em 1994, pouco após ser eleito o primeiro presidente negro da África do Sul Reprodução
Fonte:Marina Semensato/Portal IG /reprodução - 18/07/2024 10h:25