foto:KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES @kebecfotografo
Nessa sexta-feira (9/1), o bloco europeu enfim ratificou o tratado que estabelece a redução de tarifas e barreiras comerciais entre as regiões, após mais de 25 anos de negociação. Autoridades europeias e sul-americanas devem se reunir, na próxima semana, para assinar o acordo.
Lula defendia que a medida fosse finalizada até dezembro do ano passado, durante a presidência brasileira no Mercosul. Em meio a um impasse entre europeus, porém, a decisão acabou adiada. Mesmo nesse cenário, a avaliação é de que o petista conseguirá colher frutos, já que foi um grande fiador do avanço dessa proposta.
Depois da ratificação, o chefe do Executivo classificou a medida como uma “vitória do multilateralismo”, citando o aumento do “protecionismo e unilateralismo” no comércio mundial, em referência às ações do governo dos Estados Unidos, de Donald Trump.
“Em um cenário internacional de crescente protecionismo e unilateralismo, o acordo é uma sinalização em favor do comércio internacional como fator para o crescimento econômico, com benefícios para os dois blocos”, escreveu o presidente em nota.
Trunfos eleitorais
- Desde o início do mandato, o presidente apostou na recuperação do protagonismo brasileiro no cenário internacional.
- A estratégia deve ser reforçada durante a campanha eleitoral. O governo contabiliza vitórias e vê vantagem sobre narrativas da oposição em torno da política externa de Lula.
- Entre os trunfos citados, estão a reversão do tarifaço, o acordo comercial entre União Europeia e Mercosul, a proteção ao meio ambiente e a “diplomacia de paz” em meio a conflitos.
Tarifaço
Outro fator visto como positivo para a campanha de reeleição de Lula é a resposta às tarifas impostas pelo governo norte-americano a exportações brasileiras. Na avaliação de auxiliares do petista, a postura em defesa da soberania e da democracia brasileira foi bem recebida pelo eleitorado. Além disso, a direita se desgastou ao entrar em uma campanha pela aplicação das taxas e sanções contra autoridades brasileiras.
O professor de relações internacionais do Ibmec José Niemeyer também lembra que uma das estratégias do governo federal para driblar o tarifaço foi a busca de novos mercados, o que impulsionou as relações comerciais com outros países.
“Houve dois eventos positivos [a partir da imposição do tarifaço]: a volta da estabilidade nas relações de comércio exterior com os Estados Unidos e novas oportunidades que surgiram de vendas de produtos brasileiros”, avalia o especialista.
Crise na Venezuela
No campo regional, o governo Lula minimiza a tentativa da oposição de associar o petista ao regime ditatorial de Nicolás Maduro. Como mostrou o Metrópoles, lideranças da direita apostam na narrativa de aproximação entre Lula e Maduro para desgastar a imagem do titular do Executivo para 2026. A tática, na avaliação do Planalto, não vai funcionar.
Isso porque a relação entre os líderes estava rompida desde as eleições na Venezuela, em 2024, quando o governo brasileiro não reconheceu o resultado do pleito. A gestão Lula também foi contra o ingresso do país vizinho no Brics, o que irritou o regime Maduro.
Para auxiliares do presidente, a própria decisão de Trump de rejeitar a líder da oposição María Corina Machado e reconhecer a vice de Maduro, Delcy Rodríguez, como chefe do governo venezuelano enfraquece a narrativa da oposição.
Peso da política externa nas eleições
O professor José Niemeyer analisa que, a partir da globalização, as questões internacionais têm ganhado um peso relevante nos assuntos internos e devem virar tema nas eleições de outubro.
Segundo ele, o posicionamento de Lula em temas internacionais, como a guerra na Ucrânia, o tarifaço e a crise na Venezuela, influencia na percepção da população sobre o governo e ajuda a construir uma agenda positiva para a reeleição.
“As questões domésticas e locais estão ligadas à situação internacional. Uma cidade média, hoje, no Brasil, sofre uma interferência internacional com informação, com cultura que é projetada dos outros países, junto aos jovens, via internet e também os produtos que lá chegam. Isso também impacta no dia a dia, na rotina de consumo das pessoas”, explica o professor.
“Cada vez mais o mundo está menor. Então, as questões internacionais têm um peso cada vez maior nas questões locais. Sendo assim, a política externa brasileira será tema também das eleições”, observa.
Fonte: Daniela SantosAlice Groth/Metrópoles - 11/01/2026





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