O BRB assumiu uma batelada de papéis do Master após constatar que as carteiras de crédito vendidas por R$ 12 bilhões pelo banco de Daniel Vorcaro eram podres. A substituição, que ocorreu às pressas, foi interrompida pela liquidação extrajudicial do Master, decretada um dia após Vorcaro e outros executivos do banco terem sido presos no âmbito da Operação Compliance Zero.
Na lista de ativos aceitos pelo BRB na tentativa de compensar as perdas com os títulos fraudulentos, há de tudo um pouco. Propriedades, fundos, ações, contas no exterior e a empresa Cemitérios São Paulo S.A., cujo nome fantasia é Grupo Maya.
Além de vender diversos tipos de serviços funerários, de coroas de flores a traslado de caixões, o Grupo Maya administra cinco cemitérios paulistanos: Campo Grande (foto em destaque), Lageado, Lapa, Parelheiros e Saudade.
Líder de reclamações nos canais da prefeitura de São Paulo, o Grupo Maya é investigado pelo Executivo local devido a uma possível fusão informal com outro grupo responsável pela administração de cemitérios na capital paulista, a Cortel.
Ao apurar as denúncias, a prefeitura descobriu que o Grupo Maya fez uma série de empréstimos com o Banco Master. A informação é importante porque o empresário Fabiano Campos Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, aparece no quadro societário da Cortel. Zettel foi alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero.
Vende-se
O Grupo Maya faz parte dos ativos que o BRB espera vender o quanto antes para recuperar o caixa. Na última quarta-feira (4/2), o presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, foi até a Faria Lima em busca de compradores.
Na lista de itens à venda, também consta um terreno próximo à região da Cidade Jardim, em São Paulo, localização nobre e de alto valor de mercado, além de restaurantes e outros bens. O pacote é avaliado pelo BRB em R$ 21,9 bilhões.
A venda de ativos comprados do Master é, inclusive, uma das opções para recomposição do capital apresentadas pelo BRB ao Banco Central (BC) na última sexta-feira (6/2).
O BC determinou ao banco o provisionamento de R$ 2,6 bilhões, em janeiro deste ano. O BRB, então, estruturou o plano com as seguintes opções:
- empréstimo de consórcio de bancos;
- empréstimo do Fundo Garantidor de Crédito (FGC);
- estruturação de um Fundo de Investimento Imobiliário (FII) com ativos imobiliários do Governo do Distrito Federal;
- solução de mercado com venda de ativos comprados do Master.
Por meio de nota, o Grupo Maya informou que “não procede a informação de que o BRB é acionista da concessionária.
Os acionistas permanecem os mesmos desde o início da concessão”. “Reitera que possui empréstimos com diversas instituições financeiras para pagamento da outorga e cumpre com os pagamentos em dia.”
“A concessionaria ressalta ainda que não há integração entre o Grupo Maya e qualquer empresa concorrente. A operação de sua base logística está em fase de testes para terceirização especializada, seguindo o modelo de prestação de serviços já adotado em áreas como segurança, limpeza e jardinagem. A medida visa garantir a eficiência operacional e está devidamente amparada por previsões contratuais”, conclui o texto.
Fonte:Economia&Negócios/ Metrópoles - 09/02/2026
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