terça-feira, 24 de março de 2026

Goiás: Caiado gasta R$250 mi em reforma de autódromo, mas cratera estraga MotoGP no Brasil


Buraco enorme apareceu na reta principal da pista, botando em risco a segurança dos pilotos (Foto: Reprodução)



O que era para ser um fim de semana histórico do retorno da MotoGP ao Brasil terminou marcado por constrangimento e críticas à gestão do governador Ronaldo Caiado (PSD). Mesmo após um investimento de R$ 250 milhões na reforma do Autódromo Internacional de Goiânia Ayrton Senna, um buraco na reta principal e desgaste no asfalto roubaram a cena, comprometeram a programação e levantaram questionamentos sobre a qualidade da obra entregue.

Dentro da pista, o espetáculo foi digno da principal categoria do motociclismo mundial. A disputa entre Ducati e Aprilia animou os treinos desde cedo, enquanto a pole-position surpreendente de Fabio Di Giannantonio e as quedas na classificação garantiram emoção. A corrida sprint também entregou bons momentos. Ainda assim, tudo acabou ofuscado por um problema básico de infraestrutura que não deveria acontecer em um evento deste porte.

O caos começou quando o treino da Moto4 Latin Cup foi cancelado sem explicações claras, gerando estranhamento. Pouco depois, o atraso na Moto3 revelou a gravidade da situação: um buraco havia surgido na reta principal, afetando diretamente o cronograma e a segurança dos pilotos.

A sequência de falhas seguiu em efeito dominó. A classificação da Moto2 precisou ser adiada para o domingo, enquanto a Moto3 foi deslocada para o fim do dia, perdendo protagonismo. Até mesmo a MotoGP, principal atração do evento, teve sua programação impactada, um cenário que expôs desorganização e falta de planejamento.

Embora as chuvas dos dias anteriores tenham contribuído para as condições precárias da pista, com alagamentos, lama e poças persistentes, o surgimento de um buraco em pleno trecho principal evidencia um problema mais grave. Trata-se de uma falha estrutural em um autódromo recém-reformado, que coloca em risco a integridade dos mais de 80 pilotos presentes.

Investimento cinco vezes maior

O contraste entre o investimento anunciado e o resultado entregue intensificou as críticas. Em 2024, quando o projeto foi apresentado, Ronaldo Caiado afirmou que seriam necessários cerca de R$ 50 milhões para adequar o autódromo. No entanto, o valor final divulgado pelo próprio Governo de Goiás saltou para R$ 250 milhões — cinco vezes mais — sem que isso garantisse uma pista livre de problemas básicos.

Em fevereiro deste ano, o secretário de Esporte e Lazer, Nilton Moreira, vistoriou a obra e garantiu que Goiás teria uma estrutura no padrão europeu. “Não é uma reforma, mas uma reconstrução”, definiu. O que claramente não foi entregue pela gestão.

Alta degradação da pista após uso na MotoGP, não condizente com a reforma de R$ 250 milhões (Foto: Guilherme Longo)

Repercussão negativa

Como se não bastasse o problema do sábado, o domingo trouxe uma nova polêmica que agravou ainda mais a situação. A corrida principal do GP do Brasil precisou ser reduzida de 31 para 23 voltas devido às condições da pista e para segurança dos pilotos. Inicialmente, a direção de prova apontou apenas questões gerais do asfalto, mas, após o término da prova, ficou claro que havia uma degradação severa entre as curvas 11 e 12, no último setor do circuito, além de muitos detritos ao longo pista.

A repercussão negativa foi imediata entre os pilotos. O líder do campeonato, Pedro Acosta afirmou em coletiva nunca ter visto algo semelhante na MotoGP. Diogo Moreira relatou a existência de outros buracos e criticou o aumento das ondulações ao longo do dia. Já Marc Márquez, um dos maiores pilotos da história da categoria, demonstrou irritação com os constantes atrasos, destacando o impacto na preparação dos competidores.

Pedras e lesões

Diversos pilotos, incluindo Enea Bastianini, Álex Rins e Álex Márquez, mostraram preocupação com a quantidade de pedra na pista, os últimos dois até exibiram lesões nas mãos e nos braços provocadas pelos impactos. O problema se agravava porque os detritos se acumulavam justamente no traçado ideal, tornando praticamente impossível evitá-los em alta velocidade.

“Foi bem estranha, sabe, com menos voltas, condições difíceis. Entre as curvas 10 e 11, o asfalto estava todo amassado, cheio de pedras. Então, honestamente, foi bem inesperado o que aconteceu hoje.”, disse Álex Márquez.

Enea Bastianini foi bem crítico quanto a qualidade do asfalto: ““Fui atingido por um monte de pedras. Quebraram minha viseira e eu estava tentando desviar delas. Uma pegou no meu pescoço.”, disse.

A deterioração chamou ainda mais atenção pelo curto tempo de uso da pista. Antes da MotoGP, o autódromo havia recebido apenas o Desafio dos Campeões, em escala reduzida, o que mostra a real qualidade da reforma entregue. O que poderia ser uma celebração do motociclismo no Brasil, acabou transformado em um símbolo de má gestão e desperdício de recursos públicos.

Resposta do Governo de Goiás

O Governo de Goiás foi procurado via e-mail pelo ICL Notícias para dar seu parecer sobre a situação, mas até o momento não obtivemos resposta. O espaço segue aberto para manifestação.


Fonte: ICL NOTÍCIAS - 24/03/2026

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