sexta-feira, 17 de abril de 2026

Mundo: Petróleo cai a menor valor em um mês após reabertura do Estreito de Ormuz


                                                  FOTO:REPRODUÇÃO

O mercado global de petróleo reagiu com força nesta sexta-feira (17) após o Irã indicar que pretende reabrir o estratégico Estreito de Ormuz. A notícia provocou uma queda acentuada nos preços da commodity, com o barril do tipo Brent voltando à faixa dos US$ 86, nível que não era visto há mais de um mês.

Apesar da reação imediata dos mercados, especialistas alertam que a retomada do tráfego marítimo na região deve ocorrer de forma lenta e cercada de incertezas.

De acordo com informações divulgadas pela agência Reuters, um alto funcionário iraniano afirmou que embarcações comerciais — inclusive dos Estados Unidos — poderão voltar a circular pelo estreito. No entanto, as operações dependeriam de coordenação com a Guarda Revolucionária Islâmica do país.

Para analistas, essa condição limita o alcance da medida. Como destacou James Reilly, da Capital Economics: “A abertura do estreito de Ormuz é um importante passo para normalizar o trânsito pela via navegável. Mas a reabertura é limitada em escopo”.

Na mesma linha, Carsten Brzeski, do ING, ressaltou que ainda há dúvidas sobre a disposição das empresas em retomar as rotas: “A questão é se, mesmo que o Irã afirme abrir o estreito, as embarcações realmente ousarão passar.”

Empresas ainda seguem cautelosas

Gigantes do transporte marítimo seguem avaliando os riscos antes de retomar operações. A Hapag-Lloyd, uma das maiores do setor, afirmou que ainda evita utilizar a rota e que qualquer decisão dependerá da evolução do cenário.

Entre os principais entraves estão prêmios elevados de seguro de guerra, risco de minas na região
incertezas sobre regras e fiscalização.

Especialistas reforçam que o anúncio iraniano não significa, necessariamente, uma liberação plena da navegação. Como alertou o pesquisador Martin Navias, isso não equivale à liberdade total de circulação.

Dados do setor mostram que o impacto do conflito foi severo. Desde o fim de fevereiro, cerca de 200 navios cruzaram o estreito — número muito inferior à média anterior à guerra, de aproximadamente 140 embarcações por dia.

Além disso, centenas de navios chegaram a ficar retidos no Golfo Pérsico durante o período mais crítico da tensão.

Petróleo despenca e afeta ações

A sinalização de reabertura derrubou rapidamente os preços do petróleo ao longo do dia. O Brent, que chegou a operar próximo de US$ 99 nas primeiras horas da manhã, passou a cair com intensidade após novas declarações políticas e atingiu mínimas próximas de US$ 86.

O petróleo WTI, referência nos Estados Unidos, seguiu o mesmo movimento, recuando para cerca de US$ 80.

No Brasil, a queda da commodity impactou diretamente as ações do setor:

  • Petrobras recuou mais de 5%
  • Prio teve perdas próximas de 7%
  • PetroRecôncavo e Brava também registraram queda

Além do anúncio iraniano, investidores acompanham possíveis negociações entre Estados Unidos e Irã, previstas para o fim de semana. Há uma percepção crescente de que um acordo pode avançar nas próximas semanas, ainda que o cenário permaneça instável.

O ex-presidente Donald Trump chegou a comentar a decisão iraniana de forma positiva, aumentando o otimismo do mercado.

Apesar do alívio momentâneo, o ambiente segue marcado por incertezas geopolíticas. Tensões recentes envolvendo Israel e Líbano, além de episódios militares na região, mostram que o equilíbrio ainda é frágil.

O Estreito de Ormuz segue sendo um ponto crítico para a economia global — por ele passa cerca de 20% de todo o petróleo e gás do mundo. Qualquer instabilidade na região tem potencial de gerar impactos relevantes nos preços, no comércio internacional e até em cadeias produtivas, como fertilizantes e combustíveis.

Enquanto as bolsas europeias fecharam em alta, impulsionadas pelo alívio nos preços da energia, os mercados asiáticos registraram quedas. Nos Estados Unidos, os principais índices operavam em alta, refletindo o otimismo com uma possível redução das tensões.

Ainda assim, analistas destacam que o comportamento dos mercados dependerá de novos desdobramentos — especialmente da evolução do conflito e da confirmação de um cessar-fogo mais duradouro.


fonte: ICL NOTÍCIAS - 17/04/2026

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