sábado, 29 de agosto de 2026

No Jornal Nacional: Flávio Bolsonaro não explicou por que pediu e recebeu R$ 61 milhões de Vorcaro

 

                                     imagem:Divulgação
                                        

247 – O senador Flávio Bolsonaro não explicou de maneira objetiva por que procurou o empresário Daniel Vorcaro para obter R$ 61 milhões destinados ao financiamento de “Dark Horse”, filme sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Questionado sobre o episódio, Flávio sustentou que o aporte foi realizado de “boa-fé” e argumentou que se tratava de uma relação estritamente privada.

O senador afirmou que não houve utilização de recursos públicos e procurou enquadrar o repasse como mais um dos investimentos privados realizados por Vorcaro. A resposta, porém, não esclareceu as circunstâncias que levaram Flávio a procurar o empresário, os critérios que justificaram um aporte de R$ 61 milhões nem as condições estabelecidas para a operação.

Flávio também evitou apresentar os detalhes do contrato relacionado ao projeto. Embora anteriormente tivesse indicado que poderia tornar públicas informações sobre o acordo, afirmou que os dados relevantes já haviam sido divulgados pela imprensa.

Flávio diz que negócio foi de “boa-fé”

Ao defender a operação, Flávio comparou o financiamento de “Dark Horse” a outros investimentos realizados por Vorcaro em iniciativas de comunicação, programas de televisão e palestras internacionais.

Segundo o senador, o empresário realizou o aporte de “boa-fé” e não haveria irregularidade pelo fato de se tratar de recursos privados.

Flávio afirmou ainda que sua única relação com Vorcaro esteve ligada à produção do filme e negou a existência de outros investimentos ou interesses comuns.

A questão central levantada pelo episódio, no entanto, não se limita à origem pública ou privada dos recursos. Flávio é senador da República e candidato à Presidência, enquanto a dimensão do aporte — R$ 61 milhões — desperta questionamentos sobre as razões econômicas do investimento, as contrapartidas previstas e as circunstâncias da aproximação entre o político e o empresário.

Contrato não foi apresentado em detalhes

Flávio também não esclareceu integralmente as condições contratuais do negócio.

O senador havia prometido divulgar informações sobre o acordo, mas, ao voltar a ser questionado, sustentou que os dados já haviam sido publicados pela imprensa e reiterou que nenhum dinheiro público estava envolvido.

Assim, permaneceram sem uma explicação detalhada pontos como a estrutura financeira do investimento, as expectativas de retorno e as condições negociadas entre as partes.

A defesa de que se tratava de uma relação privada também não respondeu à questão sobre por que Flávio Bolsonaro buscou justamente Vorcaro para financiar uma produção cinematográfica sobre Jair Bolsonaro.

Senador admite erro de Eduardo Bolsonaro sobre Trump

Na mesma ocasião, Flávio Bolsonaro comentou a atuação de seu irmão, Eduardo Bolsonaro, na relação com o governo dos Estados Unidos.

Flávio reconheceu que Eduardo errou ao agradecer ao presidente norte-americano, Donald Trump, pelas tarifas impostas ao Brasil.

Apesar da crítica, tentou afastar do irmão qualquer responsabilidade pela decisão de Washington.

“O Trump faz o que está na cabeça dele”, afirmou.

Segundo Flávio, “a decisão, quem tomou, foi o governo americano, não foi o Eduardo Bolsonaro”.

Com isso, o senador procurou separar a atuação política de Eduardo das medidas adotadas pela Casa Branca contra o Brasil.

Flávio diz que aceitará resultado das urnas

O senador também afirmou que respeitará o resultado das eleições brasileiras.

Apesar de reiterar críticas ao sistema eleitoral e às urnas eletrônicas, Flávio disse que cumprirá as regras vigentes e reconhecerá o resultado definido pelos eleitores.

A declaração ganha relevância diante do histórico recente do bolsonarismo de questionamentos ao sistema eleitoral brasileiro.

Ao mesmo tempo em que buscou transmitir compromisso com as regras eleitorais, Flávio manteve suas críticas às urnas eletrônicas.

No caso dos R$ 61 milhões destinados a “Dark Horse”, entretanto, a principal questão permaneceu sem resposta objetiva: por que Flávio Bolsonaro solicitou a Daniel Vorcaro um aporte dessa magnitude para financiar um filme sobre seu próprio pai e quais foram exatamente as condições acertadas para que o empresário decidisse realizar o investimento.

Fonte:BRASIL 247 - 29/08/2026

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