* Jorge Luiz
Numa sexta-feira, 20 de janeiro de 1984, na Praça Municipal, em frente ao Elevador Lacerda, no Centro Histórico de Salvador, milhares de pessoas reivindicaram eleições diretas para a Presidência da República. Adolescentes e jovens também estavam presentes, e eu era um deles. Naquele que foi o quinto ato realizado nas capitais brasileiras durante a campanha pelas Diretas Já, liderada pelo velho Ulysses Guimarães, por Waldir Pires e por artistas como Caetano Veloso, Milton Nascimento e o saudoso Gonzaguinha, a população foi às ruas exigir o direito de escolher diretamente o presidente da República.
Quarenta e dois anos depois, creio que estamos a dois dias de uma das decisões mais importantes, embora não necessariamente a mais difícil, desde a redemocratização do país, no início da década de 1980: ir às urnas e escolher, neste segundo turno, entre dois candidatos com históricos bastante distintos na vida pública.
O candidato do PL, Flávio Bolsonaro, foi ungido pelo pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, cujo mandato entrou para a história da República como um dos períodos de maior instabilidade para a sociedade brasileira, em diversas áreas. Vejamos: a controversa reforma da Previdência; a condução da economia, marcada pela volta da inflação; a facilitação do acesso dos brasileiros às armas de fogo; o aumento do desemprego; os cortes nos investimentos em educação, em todos os níveis; o desprezo pelo meio ambiente e pela cultura; além da incompetência, do negacionismo e da omissão na condução da pandemia de Covid-19. Somam-se a isso o desmonte de programas vinculados à saúde e as tentativas de silenciar a imprensa e os opositores ao seu governo.
Diante desse histórico, não surpreende que Bolsonaro tenha escolhido alguém que, a meu ver, demonstra despreparo semelhante ao seu: o próprio filho, senador Flávio Bolsonaro, que também enfrenta denúncias de corrupção. Há, ainda, um agravante: sua postura dissimulada. É lamentável que, passados quatro anos, a família Bolsonaro continue contando com o apoio de expressiva parcela da comunidade evangélica brasileira, cujas posições políticas, em muitos casos, caminham em direção oposta aos ensinamentos do Evangelho de Jesus.
Por outro lado, a candidatura de Lula à reeleição, com chances reais de conquistar pela quarta vez a Presidência da República, apresenta um histórico de realizações que, a meu ver, transformaram o Brasil desde 2003. Mesmo diante das denúncias de corrupção que marcaram seus governos, as instituições de Estado não foram utilizadas para blindar investigações. Lula também construiu uma trajetória marcada pela defesa da democracia e pelo respeito aos adversários políticos.
Esse histórico, somado à trajetória de um sobrevivente da seca nordestina que se tornou líder sindical e chegou à Presidência da República, bem como às realizações de seus governos anteriores, contribuiu para sua vitória eleitoral em 2022, quando derrotou Jair Bolsonaro, pai do atual senador.
Certa vez, o filósofo Sócrates teria dito: “A mentira nunca vive o suficiente para envelhecer.” No caso de Flávio Bolsonaro, nossa torcida é para que ela dure somente até o próximo domingo.
* Pedagogo, graduando em Jornalismo -.Criador e Editor do Blog Fique Informado
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