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domingo, 31 de maio de 2020

Covid -19: 'O momento é o oposto de relaxar isolamento social', diz neurocientista Miguel Nicolelis

foto: O neurocientista Miguel Nicolelis é um dos coordenadores do comitê científico do Consórcio Nordeste (Acervo Pessoal)
No fim de março, ainda nas primeiras semanas de combate à pandemia do coronavírus, o cientista Miguel Nicolelis foi anunciado como um dos coordenadores do Comitê Científico do Consórcio Nordeste. 
A entidade, composta por representantes dos estados da região e pesquisadores de todo o Brasil e do exterior, foi criada para orientar e assessorar cientificamente as ações que seriam adotadas pela região. 
É justamente à frente do comitê que Nicolelis afirma que não é o momento de afrouxar medidas de distanciamento social.
“Com essas curvas ascendentes de óbitos e com o uso do reservatório de leitos, o aumento das restrições do isolamento social é vital”, diz. 
E mais: ele defende um lockdown feito de forma sincronizada entre os estados do Nordeste e Sudeste. “A gente tem convicção de que, se você interrompe parcialmente artérias rodoviárias centrais, mesmo que você mantenha o tráfego de carga, mas se interrompe tráfego particular e de ônibus intermunicipais, já tem efeito de rede no Nordeste inteiro”, explica. 
Médico, neurocientista e professor da Universidade Duke, nos Estados Unidos, ele já foi considerado um dos 20 pesquisadores mais importantes de sua área pela revista estadunidense Scientific American. 
Em entrevista ao CORREIO, Nicolelis falou sobre o distanciamento social, critérios científicos e o atendimento às vítimas da covid-19. 
Confira os principais trechos da entrevista:
Passamos por uma semana em que três feriados foram antecipados na Bahia. É possível estimar quantas vidas foram salvas com essas medidas? 
Sobre essa semana, ainda não dá pra dizer porque ainda está acontecendo. Não tem como. Mas todos os modelos feitos para a Bahia e outros estados (do Nordeste) mostram que há uma queda no número de casos decorrente das medidas de isolamento social. 

Como a Bahia começou cedo com bloqueio de ônibus intermunicipais, redução de transportes na cidade de Salvador e outras medidas tomadas tanto pela prefeitura quanto pelo governo da Bahia, teve um achatamento da curva e isso foi muito benéfico. 
 
Qual é a avaliação que o senhor faz dessas medidas de distanciamento social na Bahia de forma geral? 

A gente não fala em projeções de óbitos de maneira geral, mas, internamente a gente vê claramente o benefício dessas medidas, tanto é que continuamos a recomendá-las de forma ainda mais restrita. Quando o comitê resolveu criar uma matriz de risco com variáveis que apontam de maneira quantitativa que cidades estão cruzando limiares com restritivo e até mesmo lockdown, estamos seguindo esses critérios e todas as previsões até o momento bateram. 
Quando a gente diz que Mossoró (RN), Campina Grande (PB), João Pessoa (PB) e Natal (RN) tinham passado do limite, a gente viu que, em poucos dias, as previsões se confirmaram, principalmente no número de leitos. Essas cidades já passaram e, no último boletim (na ocasião, o boletim 7, divulgado em 21 de maio), a gente já tinha observado que Salvador tinha chegado à ocupação de 80% dos leitos de UTI.
Estamos esperando os dados mais recentes de hoje (a entrevista foi feita no dia 27) e de amanhã (quinta-feira, 28), para ter uma avaliação, porque a nossa expectativa é que esse valor tenha crescido. Outras capitais do Nordeste estão chegando nesses índices. A nossa grande preocupação, nesse momento, é com Acaraju (SE) e Maceió (AL), que estão chegando muito próximo desses valores. 
A nossa previsão era 90% de ocupação de UTIs em Salvador para hoje. Muda muito rápido. A gente usou critério de 80% de ocupação porque observou, que, na Europa, uma vez que cruzava 80%, a ocupação é muito rápida. Na Itália, na Espanha, foi assim. Nós usamos esse critério para dar alguns dias para os gestores poderem reagir. Essa previsão leva em conta o número de leitos disponíveis. 
No boletim divulgado pelo comitê no dia 21 de maio, foi recomendado que o lockdown fosse adotado quando os leitos hospitalares passassem de 80% de ocupação. Em Salvador, no início da semana, tínhamos 88% [ao fim da semana, a taxa tinha caído]. Cidades no Sul do estado tinham 80% de ocupação. Por que ainda continuamos sem lockdown? 
Tem que observar também as curvas de casos e óbitos sendo ascendentes. Salvador estava no limite. Ainda não tinha cruzado. Estamos esperando pra ver os números da semana. Mas nada impede de decretar. 
Esta semana, com feriados antecipados e apenas serviços essenciais funcionando, poderia ser enquadrada como um tipo de lockdown?
É uma medida anterior ao lockdown. Na realidade, é a tendência desse momento, do ponto de vista do comitê.
O comitê tem se posicionado claramente que, com essas curvas ascendentes de óbitos e com o uso do reservatório de leitos, o aumento das restrições do isolamento social é vital. A gente vê isso do ponto de vista científico e não há a mínima dúvida.
Foi o que aconteceu na Espanha, na Itália, na França e até na Alemanha, que se deu bem no começo, mas a primeira-ministra (Angela Merkel) percebeu que não ia segurar a onda e fechou tudo. E foi a forma como a China evitou o colapso. 
O Datafolha mostrou esta semana que o Nordeste é a região que mais apoia o lockdown (69%, de acordo com o instituto de pesquisa). Como o senhor vê essa resposta?
A pesquisa mostrou que o Nordeste está na frente. A opinião pública já entendeu. Cada vez que a gente fala sobre isso publicamente, as manifestações que eu recebo, seja nas minhas redes sociais ou colegas cientistas pelo Brasil inteiro, são de total apoio. 
Na realidade, você está abrindo espaço, do ponto de vista científico, que poderia ser apoiado do ponto de vista político, para uma ação coordenada das regiões Nordeste e Sudeste. Para que o lockdown fosse sincronizado entre Nordeste e Sudeste, porque se você tem BRs como a 116 e 101, o intercâmbio e a comunicação das regiões são extremamente grandes. 
Isso deveria ser papel de um comitê nacional, mas, na falta dele, como existem comitês nas cidades e estados e o do consórcio Nordeste, estamos em comunicação. E esse é um consenso. O Espírito Santo também se manifestou nesse sentido, que acha a ideia de um lockdown sincronizado muito importante, porque é um estado que está literalmente no meio do caminho (entre a Bahia e o Rio de Janeiro). 
Existe alguma discussão oficial nesse sentido?
Não foi discutido nenhum prazo. Foi uma discussão científica de uma análise dos dados, porque a gente viu o Sul da Bahia com uma situação crítica para ambas as regiões (Nordeste e Sudeste) e a gente viu uma variedade de análises que estão sendo feitas. 
A gente tem convicção de que, se você interrompe parcialmente artérias rodoviárias centrais, mesmo que você mantenha o tráfego de carga, mas se interrompe tráfego particular e de ônibus intermunicipais, já tem efeito de rede no Nordeste inteiro. É um efeito de rede que estamos querendo quantificar. Essa é parte das nossas análises. 
Qualquer coisa nesse momento é o oposto de relaxar. Se formos usar critérios científicos, clínicos, epidemiológicos, o momento é ainda de se defender (o distanciamento social) porque as curvas de óbitos e de casos são ascendentes. Por isso fizemos a proposta de ir de encontro ao vírus nas casas das pessoas, em municípios menores e periferias, que é o que já está sendo feito no Piauí. 
É casamento do aplicativo Monitora (do comitê científico) com a busca ativa de casos nas casas das pessoas. Isso está sendo fundamental no Piauí e está passando da hora de ser feito na Bahia.
Como isso poderia ser feito?
Quatro universidades da Bahia já aprovaram a criação de um programa de revalidação de diplomas de brasileiros formados no exterior. Isso tem que ser aprovado rapidamente ou a Bahia vai ficar sem médico. Isso é feito a nível estadual. [Esta semana, três universidades estaduais - Uneb, Uesc e Uesb - aprovaram o indicativo de um programa de revalidação. A Uefs deve submeter a proposta ao Conselho Superior.]
É importantíssimo que a gente vá de encontro ao vírus porque não há capacidade no mundo para criar leitos e hospitais na velocidade necessária se não quebrarmos a transmissão do vírus na raiz. Essa estratégia tem que ser central. Foi assim que a Coreia conseguiu. A Coreia do Sul conseguiu evitar uma tragédia mesmo estando ao lado da China, recebendo casos que nem uma tsunami. 
 
O Brasil tem dez vezes menos teste por milhão de habitantes do que os Estados Unidos e 15 vezes menos que países europeus. Nem dá pra falar da Coreia. Já temos um app funcionando, que é o Monitora Covid, que já cruzou 71 mil pessoas que baixaram. Já temos quase 60 mil pessoas sendo monitoradas no Brasil todo, mas com concentração no Nordeste. 

Em estados como a Bahia e a Paraíba, as pessoas estão sendo atendidas pela telemedicina, o que está ajudando demais, mas a gente precisa de brigadas emergenciais em saúde na rua. São médicos de família nas cidades do interior, nas periferias. 
Existe um contingente de 15 mil médicos no Nordeste dedicados a atenção primária. No Brasil todo, isso é próximo de 45 mil. São médicos de família que podem fazer esse trabalho de caça ao vírus. A média nacional é 2,2 médicos por mil habitantes. No Nordeste, é de 1,5. Onde vai achar médico para o Nordeste? Tem que ir no reservatório que sobrou, que são os 15 mil brasileiros formados no exterior e que poderiam estar nos ajudando há semanas. A Universidade Federal do Maranhão já abriu edital de revalidação e teve cinco mil inscritos. Existe um tempo do vírus, um tempo para salvar vidas e o tempo da burocracia.
Como é possível avaliar quando fazer a retomada de atividades?
Ainda não dá para abrir nada. O Monitora Covid e as brigadas de saúde vão ajudar a dizer quais as áreas, regiões e setores que podem começar a abrir de maneira criteriosa usando ferramentas estatísticas e científicas. Não vai ser no achômetro: “Olha, tinha um foco nessa cidade, mas sumiu. O fogo está debelado, então pode começar a abrir”. Hoje, a distribuição dos casos em Salvador é quase homogênea. Mas vamos supor que sumiram os casos no Rio Vermelho. Aí você pode orientar o que fazer. 
Mas não é só a palavra lockdown e não é só dizer “tem que ficar em casa”. Tem que dar condições econômicas para as pessoas ficarem em casa, tem que fiscalizar o isolamento social. Por que os italianos, espanhóis e franceses conseguiram sair agora? Porque eles fizeram um negócio rígido, sem jeitinho brasileiro. Não adianta só botar no papel e achar que vai ser cumprido. No começo, em Milão (Itália), as pessoas se revoltaram, não queriam cumprir. Eu perdi várias pessoas que conheço lá porque, no começo, saiu o decreto e as pessoas não respeitavam. Então, o governo da Itália começou a montar e fiscalizar. Eles conseguiram depois de dois meses e meio em casa. Nós não estamos em casa há dois meses. Os decretos é que estão há dois meses. A taxa ideal seria acima de 60% de isolamento, mas tem lugares a menos de 40%. 
E tem outra coisa que é muito séria, que é que quando a gente não respeita isso. O pessoal vai para a praia, vai para a rua, tem festa. Eles não estão pensando que eles ou outros vão ficar doentes e que, daqui a 15 dias, os profissionais de saúde também vão ficar doentes e também vão começar a morrer. 
Cada vez que uma enfermeira ou técnico de enfermagem fica doente ou falece, o impacto é sentido em dezenas de pacientes, não é um só. Temos que assumir agora um outro tipo de cultura, porque a cultura do jeitinho brasileiro não funciona mais. Esse negócio de “vou na casa da fulana fazer uma festa e ninguém vai saber” não dá. A Bahia é um lugar maravilhoso, mas as pessoas têm que entender que, se não fizer o sacrifício agora, pode ter consequências. 
Os países europeus que o senhor citou fizeram lockdown até de dois meses. O Maranhão fez por dez dias. Tem um período ideal?
Você faz um período de 10, 15 dias e avalia. Mas tem que ter a fiscalização para ter certeza de que está sendo efetivo e aí reavalia porque tudo depende de quão sobrecarregados os sistemas de saúde estão, quantos casos estão inundando os sistemas de saúde. Mas, ao mesmo tempo, é isso: você precisa dar condições para as pessoas ficarem nesse regime. Até os Estados Unidos, que são a meca do neoliberalismo, distribuíram recursos federais para as pessoas ficarem em casa. Eu nunca vi isso em 33 anos morando nos Estados Unidos, mas até o governo americano se deu conta. 
E tem outra coisa: eles (os estadunidenses) começaram a relaxar cedo demais. Os cientistas americanos estão alertando que o feriado da segunda-feira (o Memorial Day, comemorado sempre na última segunda-feira de maio, este ano no dia 25), que é um dos mais importantes lá, vai ter consequências seríssimas daqui a 15 dias porque eles estão no pico. 
É um pico que está caindo lentamente, mas eles ainda têm 700 mortes por dia. Só tem um país que conseguiu passar isso agora e é o Brasil. Nós, hoje, somos os campeões de óbitos diários. Nós nunca tivemos um evento pontual na história do Brasil capaz de matar 1.000 pessoas por dia. 
Quais são as projeções para o nosso futuro? 
A projeção da Universidade de Washington bate com a nossa de que, se as medidas forem relaxadas e nada mais for feito, o Brasil pode ter 125 mil mortes até o início de agosto. Isso é um estudo americano independente de qualquer viés político. O estudo diz que o Nordeste pode chegar a 43 mil óbitos e ele é feito por um centro usado pela Casa Branca (o Institute for Health Metrics and Evaluation, ligado à universidade. A pesquisa, divulgada essa semana, também estimou que a Bahia pode chegar a 5.848 mortes no período). 
Mas as nossas projeções não são muito diferentes. Não quero alarmar ninguém, mas, se nada for feito, é o que pode acontecer. Esse pessoal foi quem aconselhou a força-tarefa da Casa Branca. A Universidade de Washington, em Seattle, fica em um dos primeiros estados a ser contaminado mas que deu conta porque eles fecharam tudo logo. 
Como o senhor vê a situação de cidades do Sul da Bahia, como Uruçuca, que tem o maior índice de mortalidade, de 11%, maior do que a média do estado? E como as medidas estão sendo avaliadas no Sul da Bahia?
Eu tenho acompanhado o Sul da Bahia há semanas e conversei sobre isso no comitê. Já foi passada há várias semanas a preocupação com o Sul da Bahia. Estou vendo aqui nesse instante as cidades que eu olho sempre: Jequié, Ilhéus, Itabuna, Teixeira de Freitas, Itamaraju, Eunápolis, Vitória da Conquista. Estou seguindo essas cidades há bastante tempo e, evidentemente, é um dos grandes focos da Bahia. 
Estamos seguindo também Feira de Santana e a região ao redor, que abriu e fechou, abriu e fechou de novo. Na sexta-feira passada eu estava conversando com o pessoal de lá e estou olhando também Juazeiro, por causa da proximidade com Petrolina. Existem esses focos claros que estamos acompanhando e, novamente, a proibição inicial dos ônibus intermunicipais foi muito importante, mas as medidas precisam continuar. 
Estamos vivendo o período mais difícil ou ainda está por vir? 
Acho que estamos no meio do momento mais difícil. Já entramos nele. Mas temos outra grande preocupação que são as outras endemias brasileiras como dengue e chikungunya, que são muito comuns no Nordeste. Por isso, o comitê já mencionou a preocupação com a testagem e com medidas profiláticas para chikungunya e dengue, porque vai ser a tempestade perfeita ter esses casos junto com síndromes respiratórias por vírus, como influenza, H1N1 e coronavírus. 

Fonte: Entrevista concedida a  Thais Borges/Correio da Bahia/reprodução  - 31/05/2020 09h:42min.

Bahia tem primeira morte de indígena por covid-19

Assassinatos e invasões ocorrem na terra indígena Tupinambá de ...
Terra indígena no Sul da Bahia -foto:GGN/reprodução
O Movimento Unido dos Povos e Organizações Indígenas da Bahia (Mupoíba) comunicou, neste sábado (30), a morte por covid-19 de um índio idoso pertencente à terra indígena Tupinambá de Olivença, no Sul da Bahia. Falecido no último domingo, 17 de maio, ele esteve internado no Hospital da Costa do Cacau, em Ilhéus, entre os dias 28 de abril a 7 de maio, período em que a unidade passou por surto de contaminação da doença.
Segundo o movimento, a princípio, o idoso estava internado por problemas neurológicos e há possibilidade de ter contraído a covid-19 no hospital. Quando a morte ainda era suspeita, o Mupoiba havia informado que familiares da vítima seriam testados e alguns foram confirmados.
A secretaria de saúde de Ilhéus confirmou a morte por covid-19 do paciente. Ao CORREIO, o secretário Geraldo Magela explicou que o índio deu entrada no hospital com quadro de derrame cerebral (AVC) e foi contaminado pela nova doença no interior da unidade. 
A prefeitura, junto com a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) — que é um braço do Ministério da Saúde — determinou a testagem de cerca de 60 pessoas ligadas ao índio, entre acompanhantes, visitantes e outros indivíduos que tiveram contato direto. O idoso era morador do complexo das Aldeias Acuípe. “É uma comunidade grande e já há pelo menos 14 casos confirmados lá”, contou Magela.
A comunidade indígena teme que a covid-19 seja mais um elemento que leve ao extermínio do povo originário do Brasil. "O sentimento anti-indígena no sul da Bahia provoca insegurança e medo, agravados pelo estigma e pelo desconhecimento sobre a doença. A covid-19, portanto, transformou-se em mais um mecanismo no grande genocídio de povos indígenas, mas não apenas pelo seu caráter epidêmico, uma vez que o racismo contra os indígenas também impede a circulação adequada de informações fundamentais para a prevenção", afirma o Mupoíba.
Monitoramento da comunidade indígena
Até o momento, o Mupoíba contabiliza, em toda a Bahia, 17 casos de contaminação por coronavírus entre indígenas, sendo nove casos na Terra Tupinambá de Olivença, distrito de Ilhéus, e oito casos na Terra Pataxó da Coroa Vermelha, em Santa Cruz Cabrália. Ainda conforme a entidade, a maioria das contaminações entre a etnia tupinambá na Bahia está relacionada ao caso do índio internado no Hospital Costa do Cacau.
Segundo dados da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), braço do Ministério da Saúde, havia, até este sábado, 31 casos suspeitos de coronavírus entre índios na Bahia, dos quais 11 foram confirmados. Todos os casos confirmados permanecem infectados. O órgão ainda não contabiliza mortes no estado. Em todo o país, a Sesai contabiliza 1.312 casos confirmados entre índios e, deste total, 705 permanecem infectados e 51 morreram.
Ainda segundo o Mupoíba, as duas terras indígenas afetadas na Bahia são cortadas por rodovias de circulação de pessoas estranhas às comunidades, além de as próprias terras já serem muito próximas das cidades de Ilhéus e Porto Seguro, que passam por surto de covid-19. 
A Terra Tupinambá de Olivença é cortada pela BA-001 e Terra Pataxó da Coroa Vermelha, em Santa Cruz Cabrália, é cortada pela BR-367. Estes aldeamentos ficam mais de 260 Km distantes um do outro. Nas duas terras indígenas há histórico de invasões e permanência de invasores, aponta o Mupoíba.
Conforme dados do último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE-2010), a população de Santa Cruz Cabrália tinha pouco mais de 3,9 mil índios. O número é praticamente o mesmo em Ilhéus.
fonte:Hilza Cordeiro/Correio da Bahia-31/05/2020

Nos EUA: CNN Brasil colocou William Waack para comentar caso de racismo e internet reage

foto:reprodução CNN
Na noite desta sexta-feira, 29, a CNN Brasil escalou o jornalista William Waack para comentar o caso dos protestos que estão acontecendo nos EUA em razão do assassinato de George Floyd, um homem negro de 46 anos que foi asfixiado por um policial até a morte. O crime de racismo despertou uma série de manifestações em várias cidades norte-americanas em razão da recorrente violência policial contra a população negra.
A escolha da CNN Brasil em colocar William Waack para comentar a situação foi alvo de muitas críticas por parte dos internautas. O nome do jornalista, inclusive, chegou a figura nos trending topics do Twitter na manhã deste sábado, 30, como um dos assuntos mais comentados do país.
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Isso acontece porque William Waack já foi acusado de racismo em novembro de 2017, quando comandava o “Jornal da Globo”. Na época, o jornalista teve um vídeo vazado por um funcionário da TV Globo. Nas imagens, ele preparava-se para gravar, quando alguém passa buzinando atrás. Revoltado, o âncora diz: “tá buzinando por quê, ô seu merda? Eu não vou nem falar porque eu sei quem é, né? É preto, é preto. É coisa de preto”, disse. Após a repercussão do caso, William Waack foi afastado da Globo.
Nas redes sociais, internautas também criticaram a escolha das palavras para a manchete que ilustrava a matéria apresentada na CNN Brasil, e resumia-se a dizer “protesto violento nos EUA após morte de negro”, dando mais peso às manifestações que têm acontecido desde a última terça-feira, do que propriamente ao assassinato de George Floyd.
Abaixo você vê algumas das reações dos internautas à escolha de William Waack para comentar os protestos nos EUA:
A manchete escancara o posicionamento da @CNNBrasil.

Uma pessoa preta assassinada apenas por ser preta e noticiam "protesto após morte de negro".

Com comentários de William Waack.

Emissora bolsonarista não podia ser outra coisa além de racista.
Ver imagem no Twitter
Veja outros Tweets de Matheus
https://twitter.com/binadadour/status/1266736759385227266

Racismo: saiba como denunciar e o que fazer em caso de preconceito

Racismo é crime previsto pela Lei 7.716/89 e deve sempre ser denunciado, mas muitas vezes não sabemos o que fazer diante de uma situação como essa, nem como denunciar, e o caso acaba passando batido.
Para começar, é preciso entender que a legislação define como crime a discriminação pela raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional, prevendo punição de 1 a 5 anos de prisão e multa aos infratores.

A denúncia pode ser feita tanto pela internet, quanto em delegacias comuns e nas que prestam serviços direcionados a crimes raciais, como as Delegacias de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi), que funcionam em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Política: ‘Gabinete do ódio’ se espalha e núcleo do Ceará mira grupo de Ciro Gomes

BRASÍLIA -Na mira do Supremo Tribunal Federal (STF), o “gabinete do ódio” instalado no Palácio do Planalto se espalhou pelos Estados. As células mais avançadas desse grupo ideológico – revelado pelo Estadão em setembro do ano passado – mantêm a militância digital inflamada e atuam n oCeará, no Paraná, em Minas Gerais e em São Paulo. Numa espécie de franquia, cada núcleo regional conta com assessores lotados em gabinetes da Câmara dos Deputados e em Assembleias Legislativas para movimentar páginas de disseminação de fake news e linchamentos virtuais de adversários do governo.
delegado cavalcante
Delegado Cavalcante diz que servidoras do gabinete prestam ‘assessoria’ Foto: AL-CE / Divulgação

Um dos núcleos mais estruturados, o “Endireita Fortaleza” tem amigos até na assessoria especial do presidente Jair Bolsonaro, no terceiro andar do Planalto. A célula não foi alvo da operação da Polícia Federal na quarta-feira passada, mas entrou na mira das investigações pelo grau de engajamento nas redes sociais e por ligações com figuras influentes do governo.
O fundador do “Endireita Fortaleza”, o cearense Guilherme Julian, trabalha no gabinete do deputado federal Hélio Lopes (PSL-RJ), o Hélio Negão, e tem cargo comissionado com remuneração mensal de R$ 6,1 mil. Fiel escudeiro de Bolsonaro, o parlamentar ainda emprega o cearense Henrique Rocha, colega de Julian na mesma célula. Na movimentação de páginas e grupos de ataques a líderes regionais, Julian e Rocha atuam em parceria com assessores lotados em gabinetes da Assembleia. Cely Duarte e Manuela Melo trabalham para o deputado estadual Delegado Cavalcante (PSL).
No Planalto, a célula cearense conseguiu empregar José Matheus Sales Gomes, que há sete anos criou, em Fortaleza, a principal página do grupo no Facebook, a “Direita Vive 3.0”. Antes batizada de Bolsonaro Zuero, a página atualmente tem 620 mil seguidores. Com salário de R$ 13,6 mil, José Matheus foi nomeado assessor especial da Presidência, em janeiro de 2019, depois de chamar a atenção do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) – filho do presidente e comandante do “gabinete do ódio” – pelo engajamento nas redes sociais. Também ligado à organização de Fortaleza, Mateus Matos Diniz recebe R$ 10,3 mil mensais como comissionado.
O servidor público Adriano Duarte, atual presidente da “Endireita Fortaleza”, é casado com a assessora Cely Duarte. “Nosso fundador (Julian) hoje está em Brasília. Todo trabalho, as informações, a conexão das páginas está tudo com ele. É como se fosse nosso moderador, está entendendo? Como é o fundador, ele é vitalício, para que mantenhamos a identidade do grupo”, afirmou Duarte, que é engenheiro civil.
À reportagem, o deputado Hélio Lopes negou que seus funcionários tenham atividade que não seja relacionada com o mandato parlamentar, mas evitou dizer quais atribuições deu a Julian e a Henrique. Questionado sobre como conheceu os assessores e por que resolveu contratá-los, ele não respondeu. “Tenho uma galera lá. Se for lembrar como é que chamou, se por causa disso ou daquilo…”, desconversou.
O modus operandi da célula cearense é seguido por outros núcleos do “gabinete do ódio”. Os operadores mantêm páginas e grupos para defender Bolsonaro, promover linchamentos virtuais de adversários locais e incentivar a violação do lockdown imposto pelo governador do Ceará, Camilo Santana (PT), como medida de combate ao avanço do novo coronavírus.
Nos anúncios lançados nas redes para atrair interessados, o núcleo apresenta conferências de “estratégias de inteligência e pressão popular para a retomada do poder pela sociedade civil organizada” e também de “militância profissional”. Prega, ainda, ações contra as famílias do ex-ministro Ciro Gomes e de seu irmão, o senador Cid Gomes (PDT), adversários de Bolsonaro. 
“Há a clara reprodução, no Ceará, do modus operandi do gabinete do ódio instalado na Capital Federal e comandado por um dos filhos do presidente Jair Bolsonaro. Baseia-se na construção e disparo de notícias mentirosas e na tentativa de destruir reputações e demonizar a política”, disse Ciro ao Estadão.
Bolsonaristas. No último dia 20, o movimento saiu das páginas de Facebook e dos grupos de WhatsApp e foi às ruas em carreata contra o decreto estadual que impôs o confinamento total na capital cearense. O Estado é o terceiro em número de mortes provocadas pelo novo coronavírus, mas aliados de Bolsonaro classificam como “ditatorial” a medida adotada pelo governo petista.
Para furar o isolamento, militantes bolsonaristas alegaram que eram da “imprensa alternativa” e estavam nas ruas para fazer uma reportagem. A desculpa não convenceu a polícia e 25 pessoas foram parar na delegacia. Entre os envolvidos no tumulto estavam Cely Duarte e Manuela Melo, as duas funcionárias parlamentares. Elas emprestam a imagem para vídeos, textos e montagens que são distribuídos em uma série de páginas e grupos administrados pelo movimento.
O papel de Cely e Manuela, segundo o deputado Delegado Cavalcante, que as emprega, é prestar a ele o serviço de “assessoria sobre conservadorismo”. Mesmo não tendo carga horária específica na Assembleia, a dupla trabalha por horas a fio. “A gente trabalha de segunda a segunda. Se fosse pagar hora extra para as meninas, não tinha como”, afirmou o deputado.
Outro destacado integrante da rede cearense com acesso ao Planalto é Alex Melo, ex-assessor de Delegado Cavalcante. Entre junho e novembro de 2019, Melo esteve nove vezes em agendas no terceiro andar do Planalto, onde funciona o “gabinete do ódio”. Em seus perfis, ele se exibe circulando em áreas restritas da sede do governo. “Mais BSB. Contribuindo com o governo e desarmando bombas”, escreveu Alex como legenda de uma selfie tirada em frente ao Congresso, em outubro. Procurado, ele não se manifestou.
Os alvos dos ataques costumam acompanhar a agenda de frituras e ofensivas definida pelos rumos do governo federal. Em outubro, por exemplo, o vídeo compartilhado por Bolsonaro, comparando o Supremo Tribunal Federal a hienas, viralizou. Já em novembro, quando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou a prisão, o grupo postou um vídeo antigo de Dias Toffoli – que hoje comanda o STF –, como se o ministro estivesse comemorando a soltura do “patrão”. Mais recentemente foi a vez de Sérgio Moro – o ex-titular da Justiça que foi juiz da Lava Jato – se tornar personagem de montagens depreciativas.

Origem

O funcionamento da rede bolsonarista foi relatado pela primeira vez em reportagem do Estadão. Em 25 de fevereiro de 2017, quase dois anos antes de Bolsonaro assumir a Presidência, a reportagem revelou que o grupo político ligado a ele, então deputado federal do PSC, esteve na linha de frente da comunicação e da logística do motim que parou a Polícia Militar do Espírito Santo e levou pânico à população daquele Estado.
Para incentivar a paralisação, a organização em torno de Bolsonaro divulgou em grupos de WhatsApp imagens antigas de tiroteios em morros de Vitória. Na lista de nomes que lideravam o apoio ao movimento estavam o do agora deputado federal Capitão Assumção (PSB) e o do ex-deputado Carlos Manato, aliados de Bolsonaro no Espírito Santo.
O Estadão registrou pela primeira vez também o termo “gabinete do ódio” e o funcionamento do grupo. Em reportagem publicada em 19 de setembro do ano passado, o jornal relatou que o núcleo liderado por Carlos Bolsonaro estava instalado dentro do Planalto, era responsável pelas redes sociais da Presidência e adotava estilo beligerante nas mídias digitais, causando desconforto interno no governo. A atuação do “gabinete do ódio” está sob investigação do inquérito das fake news tocado pelo STF, da CPI das Fake News no Congresso e na mira do Tribunal de Contas da União (TCU).

Parlamentares têm conexões com o Palácio do Planalto

O deputado Delegado Cavalcante (PSL) está na mira do Ministério Público do Ceará em uma investigação sobre uso de funcionários, no horário do expediente, para colher assinaturas endereçadas ao “Aliança pelo Brasil”, partido que o presidente Jair Bolsonaro quer tirar do papel. A 24ª Promotoria de Justiça de Fortaleza informou que também deverá chamar o deputado André Fernandes (PSL) para prestar esclarecimentos.
Fernandes é um fenômeno da política e da internet. Eleito deputado aos 20 anos, ele se tornou célebre no YouTube, plataforma na qual tentou, primeiro, enveredar pelo ramo do humor. Não deu certo. Mudou a chave para a política, começou a incensar o então pré-candidato Bolsonaro e virou um dos mais influentes bolsonaristas na internet.
No início deste mês, ele comeu um cachorro-quente com o presidente, no Palácio da Alvorada. O cearense também tem canal aberto com o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). Logo que foi eleito, Fernandes empregou no gabinete militantes para administrar páginas com conteúdos problemáticos. Um deles é Inspetor Alberto, que deixou o cargo em janeiro para, mais uma vez, tentar virar vereador.
O Judiciário está na mira de Alberto faz tempo. No fim de 2019, a Justiça determinou que fosse retirado do ar um vídeo no qual ele aparecia descarregando uma arma num retrato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Alberto costuma movimentar as redes sociais alegando, por exemplo, que o governo do Ceará obriga a polícia “a coagir pessoas que usarem a bandeira do Brasil”. O inspetor já participou de eventos na sede do governo e de encontros com Bolsonaro ao lado de Tancredo dos Santos, outro assessor de André Fernandes. Fã de Olavo de Carvalho, guru do bolsonarismo, e ativo militante virtual, Tancredo já usou as redes para lançar suspeitas sobre o Supremo Tribunal Federal ao escrever que “o maior esquema de corrupção” da História no Brasil seria “em breve revelado”. “Nunca foi tão fácil advogar para o crime, muito dinheiro está em jogo, STF irá cair”, postou ele.

O Estadão procurou os gabinetes onde estão lotados os assessores. A equipe de Fernandes pediu os questionamentos por escrito, mas não respondeu. Delegado Cavalcante negou as acusações de uso indevido dos servidores. 
FONTE: ESTADÃO - 31/05/2020 - 09h:13min.

Região de Irecê: Mulungu do Morro registra 1º óbito pela Covid-19

Mulungu do Morro é um município do Centro Norte Baiano. Sua ...
A pequena Mulungu do Morro -foto:pinterest/reprodução

Atualizada em 01/06/2020 às 14h:40min.

A Covid-19 faz sua primeira vítima fatal na região de Irecê. Trata-se de uma senhora de 65 anos que residia na cidade de Mulungu do Morro, há 87 km da cidade de Irecê. A senhora estava internada no hospital municipal, tinha comorbidades, tendo falecido na sexta-feira, e que o resultado do exame pelo Lacen foi divulgado ontem(30).

A população da cidade segundo estimativa pelo IBGE é de quase 11 mil habitantes.

Na região registrou até ontem(30) o número de  casos confirmados, as cidades que mais preocupam é de  João Dourado - com 15 e Xique-Xique com 23.

Em Irecê, dos 13 casos, 08 já estão recuperados, segundo a Secretaria de Saúde do município. As demais cidades com casos registrados foram Canarana com 06(05 recuperados)  Barra do Mendes, 01 caso registrado, mas o paciente já recuperado, e Ibipeba com 06.

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