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domingo, 19 de setembro de 2021

Google homenageia Paulo Freire e Eduardo Bolsonaro diz que ' o próximo será Lula"

 Neste domingo (19), comemora-se o centenário de Paulo Freire, patrono da educação no Brasil e um dos pensadores mais admirados do mundo.

As redes sociais, naturalmente, foram tomadas por homenagens ao autor do célebre “Pedagogia do Oprimido” e até mesmo o Google saudou o educador com uma imagem em sua página inicial.

A iniciativa da plataforma de buscas causou desespero no deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) que, assim como seu pai e todo bolsonarista, encampam campanha de ódio contra aquele que está entre os pensadores mais citados em artigos acadêmicos do mundo inteiro.

O parlamentar acordou cedo para desferir ataques a Paulo Freire, Google e, como de praxe, ao ex-presidente Lula (PT).

“ONG entra na justiça por razão ideológica; juíza dá razão à ONG, jornal enaltece a causa; Google a apóia [sic]. Olhe quantos atores ideológicos envolvidos, cientes ou não que servem a uma ideologia, e perceba o qnto temos q caminhar N estranhe se o próximo Google for c/ cara do Lula”, disparou.

A fixação de Eduardo Bolsonaro com Paulo Freire demonstra seu pânico diante do legado da obra do educador e o respeito que inspira no mundo inteiro. O filho do presidente ainda fez outra postagem carente de sentido para atacar o pensador. Ele compartilhou uma notícia que fala “alienígenas” com o seguinte comentário: “Paulo Freire explica”.

Proibição aos ataques

O MNDH (Movimento Nacional de Direitos Humanos) entrou com ação na Justiça Federal do Rio de Janeiro para impedir que o governo federal realize “movimentos desqualificadores” contra Paulo Freire nas celebrações de seu centenário.

A juíza Geraldine Vital acatou a decisão esta semana e deferiu liminar proibindo o governo de Jair Bolsonaro de “praticar qualquer ato institucional atentatório a dignidade do professor Paulo Freire”. Cabe recurso.

Prestígio de Paulo Freire continua alto no mundo inteiro

Se aqui o pedagogo encara críticas ásperas da direita, no mundo inteiro seu prestígio só cresce 100 depois de seu nascimento.

Apenas em setembro, um único livro do educador foi citado em 23 livros e artigos acadêmicos no mundo inteiro, segundo informações da Folha de S. Paulo.

Patrono da educação brasileira e autor da “Pedagogia do Oprimido”, a trajetória de Freire traz o legado da educação como prática de liberdade.

O biógrafo Sérgio Haddad, autor de “O Educador: Um perfil de Paulo Freire”, afirmava que ele era “um dos maiores responsáveis pela subversão imediata dos menos favorecidos”.

Tal afirmação representa a essência do trabalho de Paulo Freire na educação. Seu método tratava a forma de educar intrinsecamente com o nosso cotidiano e, claro, com a política.

Ele foi um adversário feroz do que chamava de “educação bancária”, classificando o professor como a pessoa que detém o conhecimento e o aluno um depósito de suas ideias.

Para o pedagogo, ensinar era uma jornada que partia da experiência de vida do aluno e do que ele conhecia, desenvolvendo o senso crítico dos estudantes.

Em seus 15 anos de exílio, por causa de seu Plano Nacional de Alfabetização, que previa a formação de educadores em massa e a rápida implantação de 20 mil “círculos de cultura”, que foi tido como uma ameaça pela Ditadura Militar pelo potencial de “revolta dos menos favorecidos”, caso as massas desenvolvessem senso crítico, Freire publicou diversos livros e artigos, passou por inúmeros países e se tornou o brasileiro com mais títulos honoris causa pelo mundo. Alguns deles concedidos in memoriam (depois de sua morte) por universidades do Brasil e do exterior.

No ano de 2016, o especialista em estudos sobre desenvolvimento e aprendizagem Elliott Green, professor da London School of Economics, fez um levantamento no Google Scholar e elencou “Pedagogia do Oprimido” como a terceira obra mais citada em trabalhos na área das humanidades no planeta com mais de 72.359 citações feitas até então.

Programação das celebrações dos 100 anos de Paulo Freire

Ato Político, Cultural e Pedagógico Paulo Freire

A partir das 14h deste domingo (19), o centenário de Paulo Freire será comemorado em uma live com extensa programação cultural. A partir das 18h, haverá uma apresentação do cantor Alceu Valença.

Trata-se de uma iniciativa da CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação), UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), a IEAL (Internacional da Educação para a América Latina), Red Estrado (Rede de Estudos Latino Americano sobre o Trabalho Docente), CEAAL (Conselho de Educação Popular da América Latina e do Caribe) e das entidades que compõem o FNPE (Fórum Nacional Popular de Educação).

O evento virtual terá ainda outras apresentações musicais e intervenções políticas. Toda a programação será online nos canais do Youtube da CNTE, da IEAL e da UFPE. Saiba mais aqui.

Outros eventos

O Itaú Cultural realiza a “Ocupação Paulo Freire”, com programação presencial (em São Paulo) e online, deste sábado (18) até 5 de dezembro.

O 11° Interculturalidades: Primaverar, Viver Freire vai ocupar as redes sociais do Centro de Artes da Universidade Federal Fluminense. Entre os convidados, estão Nita Freire, viúva de Paulo, o teólogo Leonardo Boff e o ativista indígena Daniel Munduruku. 

O Empório Pernambucano comemora o centenário freiriano no domingo (19), com o evento “Um Vizinho Ilustre”.

A Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) preparou uma ampla programação com a inauguração do memorial em homenagem ao educador, na biblioteca da Assembleia Legislativa, com a aposição de uma placa alusiva a Freire.

A Primavera Paulo Freire celebra os 100 anos do educador nos dias 22, 23 e 24 de setembro. Junto com a chegada da primavera, a Fiocruz promove uma série de atividades comemorativas online para relembrar e homenagear o legado do patrono da educação.

FONTE: REVISTA FÓRUM - 18/09/2021 16h:50min.

Dois dias depois com reunião com líderes evangélicos, Bolsonaro reforça dúvidas sobre Mendonça no STF

 O presidente Jair Bolsonaro fez ontem um aceno ao ministro Augusto Nardes, do Tribunal de Contas da União (TCU), e falou sobre uma hipotética atuação dele no Supremo Tribunal Federal (STF). "Tenham certeza, se Augusto Nardes fosse ministro do Supremo Tribunal Federal, ele votaria contra (a revisão do) marco temporal", disse.

"Tenham certeza, se Augusto Nardes fosse ministro do Supremo Tribunal Federal, ele votaria contra (a revisão do) marco temporal", disse
© Getty Images "Tenham certeza, se Augusto Nardes fosse ministro do Supremo Tribunal Federal, ele votaria contra (a revisão do) marco temporal", disse

A citação a Nardes, em lançamento do projeto de revitalização da bacia de Urucuia, em Arinos (MG), reforça a tese de que o governo desistiu da indicação de André Mendonça para a Corte. Como mostrou o Estadão, apenas os evangélicos têm trabalhado para emplacar o ex-ministro da Justiça e ex-advogado-geral da União no STF.

Bolsonaro encaminhou o nome de Mendonça para o Senado há dois meses. Nesse período, o governo não fez qualquer movimento para convencer o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), senador Davi Alcolumbre (DEM-AP), a pautar a indicação. Mendonça precisa ser sabatinado pelo colegiado. É a primeira vez que uma escolha do presidente aguarda tanto tempo para ser analisada.

Insatisfeito com o governo, Alcolumbre prefere o procurador-geral da República, Augusto Aras, e segura a indicação para tentar forçar a troca. Filho do presidente, o senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ) também prefere outro nome: o presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Humberto Martins. Bolsonaro, contudo, costuma indicar nomes que estão fora da bolsa de apostas.

No Senado, a defesa de Mendonça ficou restrita a parlamentares evangélicos. O grupo recebeu o compromisso de Bolsonaro de escolher um nome "terrivelmente evangélico" para o STF. Nesta semana, integrantes da bancada evangélica se reuniram com Bolsonaro para cobrar apoio do governo à indicação de Mendonça, que é pastor. Dois dias depois desse encontro, no entanto, Bolsonaro sinalizou para Nardes.

Em Minas, ontem, Bolsonaro elogiou Nardes. "O nosso embaixador das águas, meu velho colega de parlamento, deputado do meu partido na época, o Partido Progressista, hoje, dá um exemplo para todos nós", afirmou. "Ele é um ministro do Tribunal de Contas da União, mas também um produtor rural e, como tal, se preocupa com a preservação e com o futuro do seu País. O agronegócio nos orgulha", disse o presidente.

Julgamento

Desde o início do julgamento no Supremo sobre o marco temporal - considerado um dos mais importantes para o futuro das demarcações de terras indígenas no País -, há um mês, Bolsonaro tem dito que a não adoção do marco vai prejudicar o agronegócio. Pela tese, uma terra só pode ser demarcada se for comprovado que indígenas ocupavam o local no dia da promulgação da Constituição, 5 de outubro de 1988.

O julgamento foi paralisado após pedido de vista do ministro Alexandre de Moraes. Se a Corte derrubar a tese, indígenas ficam desobrigados a provar a ocupação de seus territórios em outubro de 1988, o que pode abrir espaço para novas demarcações. Se for validada, indígenas que se encontravam expulsos de suas terras na data não poderão reivindicar a posse.

Formado em Administração e não em Direito, o que não é impeditivo para ser ministro do Supremo, Nardes, de 68 anos, é um frequentador assíduo do Palácio do Planalto. Governista, só não esteve ao lado do governo Dilma Rousseff. Foi ele quem assinou o relatório das pedaladas fiscais, que culminou com o impeachment da petista. Seus adversários dizem que fez isso após seu irmão ser demitido do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes.

Nardes foi investigado na Operação Zelotes, num caso já arquivado. E já foi alvo de busca e apreensão em outra investigação sob relatoria do ministro do STF Dias Toffoli.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo em 18/09/2021 às 16h:30min.

COVID-19: Flávio Bolsonaro não apagou postagem em que elogia “protocolo” da Prevent Senior

Flávio Bolsonaro (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)

Nas redes sociais, inúmeros internautas têm afirmado, nos últimos dias, que o senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ) teria apagado uma publicação do ano passado em que elogia o “protocolo” da Prevent Senior para tratamento com cloroquina de pacientes com Covid-19.

Isso porque um dossiê feito pela CPI do Genocídio revelou, na última semana, que o plano de saúde ocultou mortes de pacientes com e sem o diagnóstico de Covid-19 que participaram de estudos sem base científica feitos para apontar uma suposta eficácia dos remédios do “kit covid”, como a hidroxicloroquina e a azitromicina. O “experimento” tem sido comparado a práticas nazistas.

“Gente, Flávio Bolsonaro apagou esse tuíte. Já sabem o que fazer, né?”, postou o deputado federal Marcelo Freixo neste sábado (18), junto a um print de uma publicação do senador feito em abril de 2020.

O tuíte, porém, não foi apagado e continua disponível. Nele, Flávio compartilha uma notícia sobre informações de que a Prevent Senior teria reduzido o tempo de uso de respiradores em pacientes com Covid fazendo o uso do “protocolo” clandestino com cloroquina.

“Prevent Senior diz ter estabilizado situação, tem vagas de UTI, já deu alta para 400 pacientes que tiveram covid-19 e criou protocolo que reduziu de 14 para 7 dias tempo de uso de respiradores. SUS nunca a procurou para saber qual foi o protocolo usado”, escreveu o filho do presidente junto ao link da reportagem.

A postagem de Flávio é mais uma evidência de que o clã Bolsonaro teria envolvimento com o “estudo” que custou a vida de pacientes.

Governo acompanhava protocolo de perto

Reportagem de Samuel Pancher no portal Metrópoles, neste sábado (18), confirma a relação do governo Bolsonaro com o “experimento” que Prevent Senior fez utilizando medicamentos sem eficácia contra a Covid em pacientes.

O vice-presidente da CPI do Genocídio, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), já havia afirmado que o dossiê mostra que a Prevent agiu em conluio com o presidente Jair Bolsonaro. “O documento informa que a disseminação da cloroquina e outras medicações foi resultado de um acordo entre o governo Bolsonaro e a Prevent. Segundo o dossiê, o estudo foi um desdobramento do acordo. Ouvir a Prevent continuará em nossa agenda”, escreveu no Twitter.

Esse conluio citado por Randolfe fica expresso em um vídeo de maio de 2020 divulgado na matéria do portal Metrópoles. Trata-se de uma conversa entre Pedro Batista Jr, diretor-executivo da Prevent Senior, e o virologista Paulo Zanotto, apontado pela CPI como integrantes do “gabinete paralelo” que aconselhava Bolsonaro.

A conversa era justamente sobre o “protocolo” para utilização do “kit Covid” em pacientes internados nos hospitais do plano de saúde.

“Eles estão em Brasília neste momento e estão conversando com o alto escalão do governo brasileiro. Eles estão acompanhando isso, o Pedro sabe, muito mais perto do que vocês imaginam”, diz Zanotto em um trecho da conversa. “Eles”, no caso, seriam Nise Yamaguchi e Luciano Azevedo, médicos que também integrariam o “gabinete paralelo”.

“A gente fez um arrazoado de dados do Pedro, Luciano visitou o Pedro, olhou tudo aquilo, trouxe para esse grupo informações impressionantes. Existe um entendimento muito interessante entre a Prevent Senior e o governo federal brasileiro”, afirma ainda o virologista.

Pedro Batista Jr, representante da Prevent Senior, por sua vez, confirma a relação com o governo federal: “A gente compartilha o tempo inteiro o trabalho que está sendo feito. Eles vieram aqui e coletaram nossas informações. O doutor Luciano, a doutora Nise e o doutor Zanotto”.

Prática nazista

Em seu perfil no Twitter, o médico e advogado sanitarista Daniel Dourado classificou a atuação da Prevent como “o maior escândalo médico da história do Brasil”. “Esse episódio da Prevent Sênior tem que ser investigado e o envolvimento com o governo Bolsonaro precisa ser esclarecido. É gravíssimo”, cobrou.

A médica e influenciadora digital Thelma Assis, campeã do BBB20, se chocou com o caso. “Estou em Choque com a Prevent Sênior. Eu pago esse convênio há quase 10 anos para minha mãe. Estou nesse momento cancelando o plano”, tuitou.

O deputado federal Alexandre Padilha (PT-SP), ex-ministro da Saúde, disse à Fórum que vem denunciando “há 1 ano esta combinação macabra entre charlatanismo e agressão a ética em pesquisa. “Em nome do lucro e do bolsonarismo, desprezaram a vida de milhares de pessoas”, lamentou. “O CONEP, na época, mandou cancelar o estudo”, lembrou.

A jornalista Chloé Pinheiro, que atua na área de saúde, classificou a atuação da Prevent como “muito escabrosa, nível Mengele mesmo”. Pinheiro conversou com um ex-funcionário do plano e destacou no Twitter que “coordenadores acompanhavam as prescrições do kit Covid, como num esquema de meta a ser batida numa loja. Quando o médico prescrevia menos ou não prescrevia, era chamado para conversar e pressionado a mudar de conduta”. “Na enfermaria, os pacientes viravam cobaias”, afirmou.

A jurista Luciana Boiteux disse que Mengele “se orgulharia” da Prevent. “Temos que derrubar Bolsonaro e defender a saúde pública urgente! Inacreditável a atitude da Prevent Senior com seus pacientes idosos, tratados como cobaias com medicamentos sem eficácia para Covid. Josef Mengele se orgulharia da empresa”, tuitou.

“Pesquisa com vidas humanas sem consentimento delas é reedição do nazismo”, afirmou o economista Eduardo Moreira.

Conhecido como “Anjo da Morte”, Josef Mengele foi criminoso de guerra e médico nazista responsável por experimentos humanos em prisioneiros dos campos de concentração do Reich de Adolf Hitler.

Fonte:  REVISTA FÓRUM - 18/09/2021 15h:57min.

Bahia: Ex-secretário de Educação Adeum Sauer morre em acidente de carro


ADEUM QUANDO SECRETÁRIO DE eDUCAÇÃO DO ESTADO(Foto: Jorge Cordeiro/GOVBA)


Aos 69 anos, o ex-secretário de Educação da Bahia Adeum Sauer morreu no último sábado (18), em um acidente de carro em Canavieiras, no Sul do estado. Professor da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), Adeum foi o titular da Secretaria da Educação do Estado (SEC) entre 2007 e 2009, no governo de Jaques Wagner. 

Formado em Filosofia e Direito, ele tinha pós-graduação em Sociologia e Política e mestrado em Sociologia feito na Alemanha. Ao longo da carreira, ocupou cargos como o de pró-reitor de Pesquisa e Pós-graduação da Uesc; presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais da Educação (Undime);  secretário municipal de Educação de Itabuna, nos períodos de 1993-1996 e 2001-2004 e consultor do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) para assuntos de Educação, em 1997. 


Através das redes sociais, o governador Rui Costa lamentou neste domingo (19), a morte do professor. Rui afirmou que "sua trajetória foi marcada pelo empenho em transformar a vida de baianos e baianas pela educação. Que Deus conforte seus familiares e amigos neste momento de dor".

O atual titular da SEC, Jerônimo Rodrigues, também prestou solidariedade à família. “É uma tristeza muito grande receber esta notícia e no dia em que marca o centenário de Paulo Freire. O professor Adeum teve uma vida dedicada à educação. Um gaúcho que escolheu a Bahia para viver. Ele deixa um legado e seu exemplo de trabalho e dedicação pela educação pública e de qualidade. Nossos profundos sentimentos à família e a todos que com ele tiveram a oportunidade de conviver”,disse, em nota.O presidente do PT na Bahia, Éden Valadares, também lamentou a mortede Adeum e desejou força à família. "No dia em que celebramos o centenário de Paulo Freire e toda resistência ao negacionismo dos que estão à frente do governo federal, a perda do companheiro Adeum Sauer deixa um grande luto na Educação da Bahia e do Brasil", afirmou. 

FONTE:Correio da Bahia - 19/09/2021 15h:45min.

SP: Morre o ator Luiz Gustavo aos 87 anos


Luis Gustavo (Foto: Raquel Cunha/TV Globo)Luis Gustavo (Foto: Raquel Cunha/TV Globo)

Morreu o ator Luis Gustavo, aos 87 anos, em decorrência de um câncer. A notícia foi dada pelo ator Cassio Gabus Mendes, sobrinho dele, no Instagram.

- Informo que meu querido Tatá faleceu hoje, vítima de câncer. Descanse na luz e na paz! Obrigado por tudo, meu amado tio. 

Luis Gustavo começou sua carreira de ator nos anos 1950. Seu primeiro papel de grande destaque foi o Beto Rockfeller na novela de mesmo nome, da TV Tupi. Depois disso, emendou novelas e filmes. Alguns de seus personagens  mais marcantes foram o costureiro Ariclenes Almeida/Victor Valentin na primeira versão de "Ti-ti-ti", o playboy Ricardo em "Anjo mau", o radialista corrupto Juca Pirama em "O Salvador da Pátria" e mais recentemente, o tio Vavá, de "Sai de baixo".

Seu personagem mais memorável foi o atrapalhado detetive particular Mário Fofoca, de "Elas por elas", novela de seu cunhado Cassiano Gabus Mendes. Seu sucesso foi tão grande, que o personagem estrelou um seriado homônimo e o filme "As aventuras de Mário Fofoca", além de aparecer na segunda versão de "ti-ti-ti", no ar no Vale a Pena Ver de Novo.

Seus últimos trabalhos na TV foram "Brasil a bordo" e "Malhação: Vidas brasileiras", ambos exibidos em 2018 na Globo.

Cassio Gabus Mendes comunica a morte de Luis Gustavo (Foto: Reprodução Instagram)Cassio Gabus Mendes comunica a morte de Luis Gustavo (Foto: Reprodução Instagram)FONTE: O GLOBO - 19/09/2021 14h:55min.

 

Universidades Federais: 36% de reitores escolhidos por Bolsonaro não foram os mais votados, e cria tensão política

Foto: UFPB/reprodução

 O que começou com ataques de integrantes do governo se transformou em um cenário de crise em parte das universidades federais. Após dois anos e meio de Jair Bolsonaro na presidência, 18 dos 50 (36%) reitores escolhidos desde 2019 não foram os mais votados nas eleições internas e a maioria desse grupo está alinhada à gestão federal. Em 1998, a nomeação de apenas um reitor sem ser o 1º da lista desencadeou uma onda de protestos — até então, este era o único caso recente. 


Os relatos hoje nessas universidades são de comunidades rachadas, decisões sem consulta a colegiados, paralisia administrativa e na organização da volta presencial. Há ainda queixas de perseguição a professores e alunos — e até uma espécie de processo de impeachment contra um dos reitores.

Fachada do Ministério da Educação, em Brasília
© Marcos Oliveira/Agência Senado Fachada do Ministério da Educação, em Brasília

Embora totalmente financiadas pelo Ministério da Educação (MEC), a lei dá autonomia às federais para eleger seus reitores. A lista com os três nomes mais votados no conselho universitário — formado por uma maioria de professores, além de técnicos e alunos — é enviada ao presidente da República, que escolhe um dessa relação.

Não há irregularidade em escolher o 2º ou o 3º, mas especialistas veem como uma desvalorização da autonomia universitária, além do potencial de elevar conflitos internos. Eles explicam que a garantia de autonomia está associada à lógica da liberdade de cátedra e de pesquisas sem cerceamento político ou ideológico.

Junta-se ao quadro político uma redução orçamentária promovida pelo governo — esta comum a todas as 69 instituições. Entre 2019, antes da pandemia, e 2021 as verbas das federais caíram 18%. A maioria delas não fez investimentos para uma volta presencial, como adaptar a ventilação, comprar máscaras e álcool em gel, e todas continuam dando aulas essencialmente online. “O caos só não se instalou porque estamos em atividades remotas”, disse no Summit Educação do Estadão na semana passada, o presidente da Andifes (que reúne os reitores das federais), Marcus David.

Além da falta de recursos, esses novos dirigentes — chamados de “interventores” pelos críticos — têm problemas para aprovar projetos, diante da forte oposição interna. O Estadão conversou com mais de 20 professores, alunos e dirigentes de dez instituições federais ao longo de três semanas. Muitos, por medo, pediram para seus nomes não serem divulgados. Os reitores que responderam aos questionamentos da reportagem negaram as denúncias. Procurado, o MEC não se manifestou.

Na Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), o engenheiro Carlos André Bulhões foi anunciado como o novo reitor pelo deputado bolsonarista Bibo Nunes (PSL-RS), antes mesmo da nomeação ser assinada por Bolsonaro, em agosto de 2020. Ele havia ficado em 3º na eleição feita na instituição.

Logo em seguida da posse, sem aval do conselho universitário, Bulhões mudou a estrutura de pró-reitorias. O conselho se autoconvocou e pediu a abertura de processo administrativo disciplinar contra ele e sua destituição, enviados ao MEC. Funciona como uma espécie de impeachment, mas está nas mãos do ministro afastar ou não o dirigente. O Ministério Público Federal (MPF) também foi acionado. Apesar da tentativa, os docentes têm pouca esperança de que Bulhões será retirado do cargo.

“A UFRGS vive um vácuo de gestão e um momento de desrespeito à instituição, causados por uma postura de uma gestão autoritária que tem tratado a universidade como empresa”, diz a diretora da Faculdade de Educação, Liliane Giordani. Segundo ela, decisões, como a volta presencial, estão estagnadas porque não há diálogo com o reitor.

Os prédios da Arquitetura e da Educação, por exemplo, não têm circulação de ar e há até janelas lacradas. “Nos raros encontros com as equipes de direção, o reitor diz que está aguardando a imunização dos estudantes. Já queremos antecipar esse planejamento para ter algo presencial em janeiro”, afirma Liliane.

Em agosto, a administração da UFRGS disse ao Estadão que as mudanças tinham foco na "qualidade" e nos "interesses" da universidade e afirmou haver questões "ideológicas" por trás da postura dos conselheiros. A reitoria não respondeu aos novos pedidos de entrevista.

Com apenas 4% dos votos na eleição na Federal do Ceará (UFC), o advogado José Cândido de Albuquerque foi escolhido em 2019 por Bolsonaro. Neste ano, quatro diretores de unidades entraram na Justiça contra o reitor após receberem avaliações bem mais baixas que em outros anos. Eles alegam que tiveram notas ruins — o que pode comprometer a carreira do docente — por discordarem ideologicamente do reitor.

Procurada, a reitoria disse, por email, que “é muita presunção os avaliados julgarem a própria avaliação, ao invés de corrigirem alguns equívocos administrativos graves”, sem citar quais. “A perseguição é difusa no objetivo, tenta intimidar e serve como ameaça para os demais”, conta um professor que, por medo, pediu que seu nome não fosse divulgado.

Os estudantes da UFC ainda perderam seus assentos nos conselhos deliberativos, representatividade assegurada por lei. Assim, deixam de votar nas propostas enviadas pelo reitor. Em nota, Cândido disse que eles não conseguiram “realizar uma eleição válida” no Diretório Central dos Estudantes (DCE). “Ele alegou fraude nas eleições e judicializou o processo”, rebate o aluno de Psicologia Rodrigo Nogueira, de 19 anos, do DCE.

Alguns dos reitores escolhidos por Bolsonaro nem sequer tinham ligação com o grupo político do presidente, mas se aproximaram ao ver que escolher o 1º deixou de ser praxe. Em alguns casos, ninguém da lista foi nomeado e há reitores temporários em duas federais (mais informações nesta página) há mais de um ano. Outros 13 ainda serão nomeados até o fim do mandato. E há 6 federais que ainda não realizaram o processo eleitoral por terem sido criadas recentemente.

Na Federal da Paraíba (UFPB), Valdiney Gouveira — o 3º, com 5% dos votos — foi nomeado em outubro de 2020. “A discussão sobre volta presencial nem é feita porque ele teria de admitir que houve cortes e que isso prejudica a universidade, mas ele não vai comprar briga com o MEC”, afirma o vice-diretor do centro de Educação da universidade, Roberto Rondon, que diz faltar até álcool em gel. Gouveia não respondeu aos pedidos de entrevista.

Já na Federal de São Paulo (Unifesp), que coordenou o estudo clínico no Brasil da vacina de Oxford contra a covid-19, o 1º até foi nomeado reitor, em maio. Mas, em agosto, um episódio abriu uma crise: a reitoria soube pelo Diário Oficial que o procurador-chefe da instituição havia sido trocado, por decisão direta do governo federal.

Reitoria da Unifesp soube pelo Diário Oficial que o procurador-chefe da instituição havia sido trocado por decisão direta do governo federal.
© Unifesp/Divulgação Reitoria da Unifesp soube pelo Diário Oficial que o procurador-chefe da instituição havia sido trocado por decisão direta do governo federal.

Diante da recusa da vice-reitora Raiane Assumpção de empossar o servidor (o reitor está em licença médica), o novo procurador, Alessander Janucci, fez um termo de auto posse e passou a despachar em seu gabinete. A Unifesp entrou com representação no MPF contra a medida do MEC, pedindo a “defesa da ordem jurídica e do regime democrático”, já que a norma diz que o dirigente máximo da instituição é o responsável pela escolha do procurador.

A situação segue indefinida. Pelas mãos do procurador, passam processos importantes para a universidade, como convênios, licitações, e processos disciplinares contra servidores. Em nota, a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) apontou "clara e indevida intervenção" e pediu para que a medida fosse anulada.

Desde o início do governo Bolsonaro, ataques e cortes de verbas demonstram, para especialistas, a intenção de desvalorizar as instituições. O ex-ministro Abraham Weintraub as acusou de promover “balbúrdias” e cultivar maconha.

“Mesmo com tudo que as federais estão fazendo no combate à pandemia, nada do que apresentam como resultado é suficiente para interromper essa ofensiva com caráter ideológico do governo”, diz a professora de Direito da USP, especializada em ensino superior, Nina Ranieri. “Não é só pelo financiamento que se estrangula, mas pelas nomeações, perseguições, contrariando a liberdade acadêmica e a autonomia universitária”.

'Me tratam como petista, comunista. E continuo nesse limbo', diz reitor não nomeado

“Eu sempre escutei: não vão te nomear”, diz o físico Telio Nobre Leite, o mais votado em 2020 nas eleições para reitor na Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), que tem câmpus na Bahia, em Pernambuco e no Piauí. Mas hoje quem manda na instituição é o médico Paulo César Fagundes Neves, que sequer fazia parte da lista tríplice enviada ao MEC. “Nunca me disseram nada, mas sei que me tratam como petista, comunista. E continuo nesse limbo.”

Leite era o vice-reitor na gestão anterior e seu grupo foi o mais votado na consulta à comunidade. Na etapa seguinte, no conselho universitário, ele e mais dois colegas da mesma chapa receberam mais votos e compuseram a lista. O grupo derrotado questionou a eleição na Justiça e Neves foi nomeado reitor pro tempore em abril de 2020, cargo que ocupa até hoje. Recentemente, a Justiça determinou que a lista tríplice seja respeitada, mas ainda não há resposta do MEC.

Embate jurídico semelhante ocorreu na Federal da Grande Dourados (UFGD), de Mato Grosso do Sul, que já está no 2º reitor pro tempore desde 2019. A eleição também foi contestada pelo grupo perdedor e o ex-ministro Abraham Weintraub achou melhor indicar a reitora por conta própria, a educadora Mirlene Damasio. Depois disso, defendeu que a UFGD fizesse novas eleições, o que a própria procuradoria da instituição discordou.

A ex-reitora é acusada de defender os interesses do governo Bolsonaro na universidade e compareceu a um ato do PSL em Dourados vestindo a camiseta da UFGD. A educadora teria sido retirada do cargo por desentendimentos com o prefeito de Dourados, Alan Guedes (PP). Foi então substituída este ano pelo matemático Lino Sanabria. Docentes reclamam da falta de transparência da administração e do corte de 40 vagas no curso de Medicina. Também houve evasão de alunos e diminuição nas bolsas de assistência estudantil.

“É uma forma de ataque muito semelhante ao que o governo Bolsonaro está fazendo agora com o STF, tentam criminalizar a universidade pública”, diz Etienne Biasotto, professor da Engenharia que ficou em primeiro lugar na eleição feita na UFGD. “Com muita tranquilidade eu falo que vencemos de forma limpa e transparente e quero assumir.”

Procurada, Mirlene não respondeu. A UFGD disse, por meio de nota, que as vagas foram reduzidas apenas este ano e que não houve diminuição na assistência aos estudantes, e sim, aumento, com auxílios digital e para empréstimo de celulares.

FONTE: 

 19/09/2021 - 12H:30MIN