sábado, 21 de fevereiro de 2026

Irecê: Vídeo de audiência que absolveu pai que deu 80 chibatadas em genro por agredir sua filha viralizou no país

                                         foto:reprodução


Um caso polêmico de agressão familiar que abalou a cidade de Irecê, no norte da Bahia, tomou as redes sociais após a divulgação de vídeos da audiência do júri popular, que resultou na absolvição do réu, Luiz Carlos da Silva. Ele foi acusado de tentativa de homicídio qualificado, sequestro e cárcere privado após agredir seu genro, Charles Barreto Durães, com chicotadas e uma peixeira.

O vídeo da audiência, disponibilizado pelo Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), mostra Luiz Carlos confessando as agressões durante o julgamento, em novembro de 2025, após quase 10 anos do ocorrido. Ele relatou que, ao descobrir que sua filha era vítima de violência doméstica, decidiu agir para se vingar do genro, que teria agredido a esposa repetidamente.




“Eu perguntei para ele: ‘Você gosta de bater aonde na minha filha? É no rosto? Agora você vai sentir a dor que ela sentiu’”, declarou Luiz Carlos, justificando sua atitude como uma defesa de sua filha, que, segundo ele, sofria abusos no relacionamento com o genro.

O Caso de Irecê

O incidente aconteceu em dezembro de 2015, quando Luiz Carlos e a esposa desconfiaram de que a filha estava sendo agredida pelo marido, o genro. Ela usava roupas longas, mesmo em clima quente, o que levantou suspeitas de que escondia hematomas. Após uma briga durante as festividades de Natal, em que o genro agrediu a filha na frente de familiares, o pai da jovem decidiu tomar uma atitude drástica.

Em depoimento, Luiz Carlos relatou que convidou o genro para um passeio à zona rural de Irecê, onde o amarrou e o agrediu com tapas e chicotadas, conforme relato do próprio réu. Ele afirmou que a filha teria pedido para que ele tomasse essa atitude como forma de vingança. “Eu dei de oito a 12 chicotadas com a faca nas costas dele", afirmou, acrescentando que, embora tivesse batido com força, não tinha a intenção de matar o genro.

A Versão do Genro

Já o genro, Charles Durães, negou as acusações de violência doméstica. Durante o júri, ele afirmou que, embora tenha empurrado a esposa durante uma briga, não costumava agredi-la fisicamente. Charles descreveu o momento da agressão como um pesadelo. "Quando chegou na roça, ele estava armado com uma faca e um revólver e me fez deitar no chão. Ele pisou no meu pescoço, pisou nas minhas costas, passou as minhas mãos para trás e me amarrou", relatou, entre lágrimas, durante seu depoimento.

Segundo Charles, as agressões não pararam na propriedade rural. Após ser amarrado e espancado, ele foi levado para uma plantação, onde continuou apanhando na frente de trabalhadores. Em seguida, foi forçado a se deslocar até a praça de um povoado, onde a violência também aconteceu diante de moradores locais. O sofrimento de Charles só cessou quando um tio de Luiz Carlos intercedeu, interrompendo as agressões.

juri

A Decisão do Júri

Surpreendentemente, o júri decidiu absolver Luiz Carlos dos crimes de tentativa de homicídio qualificado, sequestro e cárcere privado. A decisão, que gerou polêmica, foi tomada após os jurados considerarem que ele não teve a intenção de matar o genro, embora tenha agido com violência. Emocionado ao ouvir o veredicto, o réu caiu de joelhos no chão do fórum, agradecendo pela absolvição.

O vídeo da audiência, que vazou para as redes sociais, gerou repercussão imediata e dividiu a opinião pública sobre a legitimidade das agressões. Muitos defenderam Luiz Carlos, vendo-o como um pai protetor que agiu para defender a filha das agressões de um marido violento, enquanto outros questionaram o uso da violência como resposta.


Tiago Di Araújo

Tiago Di Araújo -Bocão News - 21/02/2026

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