Caio (esq) é acusado de matar Jadson (dir) - Foto: Acervo Pessoal/reprodução
O dono de uma funerária em Poções, no Sudoeste da Bahia, foi preso por matar com 11 tiros de pistola 380 um servidor público que lhe devia R$ 18 mil. O crime ocorreu na sexta-feira (19) numa área rural da cidade de 48 mil pessoas, para onde a vítima foi atraída pelo dono da funerária e um funcionário, também preso.
Após matar o servidor Jadson Neves, o próprio empresário Caio Souza Cunha preparou o corpo da vítima e ainda compareceu ao enterro, realizado no sábado (20). Segundo a delegada Alessandra Márcia Cardoso, titular em Poções, a dívida era referente a uma picape S10 comprada pelo servidor por R$ 55 mil.
A delegada não sabe há quanto tempo a dívida estava pendente. “O empresário não quis falar em depoimento, disse que falará apenas em juízo”, ela informou.
A prisão do empresário e do funcionário Alex Venâncio Sampaio ocorreu nesta segunda-feira (21). A arma do crime foi encontrada na casa de Sampaio. “Mas o empresário cometeu o crime sozinho, Alex vai responder como partícipe por ter guardado a arma”, comentou a delegada.
Devido a descoberta do envolvimento do empresário no crime, familiares da vítima ameaçaram invadir a delegacia de Poções, o que motivou a transferência dele e do funcionário para o Presídio Nilton Gonçalves, em Vitória da Conquista.
Agência Brasil - A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou esta semana o registro do Sofosbuvir, medicamento genérico destinado ao tratamento de infecções causadas por hepatite C crônica.
O remédio, que será utilizado como um componente da combinação do regime de tratamento antiviral, atua como inibidor da polimerase NS5B, enzima essencial para a replicação do vírus que provoca a doença.
Ainda de acordo com a Anvisa, a aprovação do Sofosbuvir deve reduzir os custos do tratamento para hepatite C, uma vez que medicamentos genéricos entram no mercado com valor no mínimo 35% menor que o do produto de referência.
Hepatite C
Segundo o Ministério da Saúde, a hepatite C é causada pelo vírus C (HCV), presente no sangue de pessoas infectadas. Entre as causas de transmissão estão a transfusão de sangue e o compartilhamento de material para uso de drogas (seringas, agulhas e cachimbos), para higiene pessoal (lâminas de barbear, escovas de dente e alicates de unha) ou para confecção de tatuagem e colocação de piercings.
A transmissão também pode acontecer da mãe infectada para o filho, durante a gravidez, e por sexo sem camisinha com uma pessoa infectada.
Ainda de acordo com a pasta, quando a infecção persiste por mais de seis meses, o que é comum em até 80% dos casos, caracteriza-se a evolução para a forma crônica da hepatite C. Cerca de 20% dos infectados cronicamente pelo vírus podem evoluir para cirrose hepática e cerca de 1% a 5%, para câncer de fígado.
O vice-prefeito do Rio de Janeiro, Fernando Mac Dowell, morreu na noite de ontem (20), devido a complicações decorrentes de um infarto, informou na manhã de hoje (21) o Hospital Vitória, onde ele estava internado.
Mac Dowell deu entrada na unidade de saúde no último domingo (13), em razão de um infarto do miocárdio extenso. O paciente passou por uma angioplastia coronariana de emergência e ficou internado em estado grave.
Trajetória
Vice-prefeito de Marcelo Crivella (PRB), Fernando Mac Dowell era especialista em mobilidade e também chegou a ocupar o cargo de secretário de transportes na atual administração. Participou da concepção da Ponte Rio-Niterói, da Linha Vermelha e do metrô do Rio.
Pai de quatro filhos, Mac Dowell, de 72 anos, cursou engenharia na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Atualmente, era professor da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do estado. Ele participou do segundo governo de Leonel Brizola, de 1991 a 1994.
Antes, trabalhou na Empresa Brasileira de Planejamento de Transportes criada em 1965 pelo regime militar. Exerceu, no começo da década de 80, a função de diretor do metrô carioca, quando a Linha 1 começava a funcionar, durante o governo Chagas Freitas.
O convite para compor a chapa de Marcelo Crivella à prefeitura do Rio veio da deputada federal Clarissa Garotinho (PR-RJ). Mac Dowell foi conselheiro da deputada enquanto ela presidia a Comissão de Viação e Transportes da Câmara, de março de 2015 a abril de 2016.
Na semana de enfrentamento ao abuso e exploração sexual infantil, e integrando as ações da campanha “Faça Bonito”, que acontece até o dia 22 de maio, a Prefeitura de Irecê promoveu na última sexta-feira (18) no Colégio Municipal Odete Dourado, rodas de conversa, palestras, debates, além de oficinas com a participação de assistente social, psicólogo, fisioterapeuta, entre outros profissionais.
Realizadas pela Secretaria de Assistência Social e o Creas (Centro de Referência Especializado de Assistência Social), e voltadas aos alunos e convidados, as ações contam com o apoio de diversas entidades como Cras, Secretaria de Educação, Conselho Tutelar, CRM, Nasf, Nuca e CMDCA. “Essa campanha tem como principal objetivo falar sobre a violência sexual pois recebemos essas vítimas no Creas para atendimento tanto individual, quanto ao acompanhamentos de famílias, e entendemos a importância de não silenciar esse tipo de crime”, explicou a coordenadora do Creas, Arleide Moreira. “Essa violência sexual, no abuso ou na exploração, é um tipo de crime que não podemos deixar silenciado, pois traz como resultado não apenas as marcas físicas, deixam as marcas psicológicas e emocionais”.
Em Irecê, as denúncias podem ser feitas através do Disque 100, Conselho Tutelar, Delegacia comum e Ministério Público.
Desde que a imagem de malas e caixas abarrotadas de dinheiro encontradas em um apartamento em Salvador foi divulgada pela Polícia Federal, que se questiona a origem dos valores. O dinheiro foi atribuído ao ex-ministro baiano Geddel Vieira Lima. A PF ainda investiga se o doleiro e operador do MDB Lúcio Funaro levou R$ 20 milhões como propina a Geddel. Contudo, eis que nesta semana um empresário baiano alega ser dono dos R$ 51 milhões encontrados no apartamento.
O BNews entrou em contato com o empresário que contou uma história um tanto desarranjada. Carmerino Conceição de Souza é presidente do holding Polocal. O site da empresa informa que o grupo foi fundado em 1992 e presta serviços nos setores de tecidos, alumínio, veículos, com sede na cidade de Camaçari. Há ainda uma filial em Brasília.
À reportagem, Carmerino afirmou que sofreu um golpe de Geddel. Quando o ex-ministro ainda era vice-presidente da Caixa Econômica Federal, o empresário procurou o político para conseguir uma carta-fiança junto ao banco em que lhe daria garantias de um investimento no BNDES no valor de R$ 110 milhões. Para isso, o empresário precisava dar uma garantia no valor de R$ 65 milhões. E assim fez o empresário. Segundo Carmerino foram entregues 225 envelopes e 19 malotes totalizando os R$ 65 milhões.
O empresário explica que pediu ao seu sócio para levar o conteúdo. “Ele foi até a Caixa do Iguatemi, mas informaram que teria que ir na superintendência de pessoa física. E meu sócio foi. Entregou o dinheiro em mãos a um funcionário de Geddel”.
Carmerino conta que nos dias seguintes, Geddel confirmou o recebimento dos valores em algumas ligações realizadas. Há dois anos, Carmerino acreditava que os R$ 65 milhões estavam investidos. “Mas quando precisei resgatar o valor descobri que lá não tinha nada. Foi quando comecei a procurar a família de Geddel, a tentar falar com Lúcio [Vieira Lima] e por último o advogado dele [Gamil Föppel]”.
Questionado se possui algum tipo de prova sobre o que acusa, o empresário diz que não. “Mas tem as imagens das câmeras no banco do meu sócio entrando. Mas eles não querem me dar. Já fui na Polícia Federal oito vezes, mas eles não registram minha denúncia e dizem que não é de competência da Polícia Federal”.
Carmerino tenta um comprovante do investimento que deveria ter sido realizado. Ainda ao ser questionado o motivo de não realizar a transação via transferência bancária, o empresário titubeou. “É, esse foi meu erro. Tentei tirar a minha empresa da crise, mas acabei em um golpe de Geddel”.
A defesa do ex-ministro informou que Geddel Vieira Lima desconhece o empresário.
Entendendo a transação
Apesar de acreditar nos funcionários de que o investimento estava garantido, o empresário poderia acompanhar a transação via internet.
Ao BNews um fonte explicou que a carta de fiança serve para garantir algum tipo de operação. Para que a instituição libere uma carta de fiança é exigida alguma garantia. Ainda conforme as informações, o banco pode liberar uma carta de fiança solicitando que o cliente deixe um valor aplicado no banco como garantia da carta. Todo investimento feito no banco pode ser acompanhado pelo investidor pela internet, caso queira resgatar.
A névoa de poeira levantada por quatro carros forasteiros foi a senha de dispersão dos garimpeiros, no dia 4 de maio. Dos 70 aventureiros em busca da sorte prensada na superfície ou a poucos metros do chão, apenas cinco, com picaretas e pás em mãos, foram encontrados.
Vizinha do árido distrito de Santa Luzia, em Caetité, a mina de manganês era explorada ilegalmente há, pelo menos, um ano. Da terra abrasada pelo sol foram extraídas 2,2 mil toneladas do minério: R$ 4,38 milhões em produto, aproximadamente.
Os 16 policiais e dois agentes da Agência Nacional de Mineração na Bahia (ANM-BA), os visitantes do povoado naquela tarde do início do mês, chegaram ao garimpo por meio de uma estrada de terra.
Ao redor dos 500 hectares de terra, os garimpeiros que não evadiram a tempo confirmaram a denúncia recebida pelo órgão vinculada ao governo federal, no dia 2 de março. Ali, diariamente, 20 caminhões se revezavam para levar o minério roubado para Caetité, das 6h30 às 16h. Do Sudoeste baiano, o mineral seria levado para as siderúrgicas Eletroligas, em São Gotardo, e Fertiligas, em Sabará – ambas em Minas Gerais.
A mina estava em fase de pesquisa, quando a empresa interessada estuda a região e averigua o potencial econômico. Não havia, portanto, autorização legal da ANM para os trabalhos de extração começarem. Uma mineradora baiana, titular da área, havia começado a fase de estudos há oito meses.
Ao CORREIO, um dos representantes da empresa relatou que, cerca de 30 dias antes da operação policial, funcionários notaram um fluxo anormal de pessoas na região.
(Foto: Divulgação)
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Garimpeiros foram levados para prestar depoimento (Foto: Divulgação)
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Aliciadores
Descobriram, então, como funcionava o esquema. Cada garimpeiro extraía o manganês por um ganho de R$ 250 semanal, supostamente aliciados por dois mineradores. Os exploradores, por sua vez, cobravam R$ 2,6 mil por tonelada. A acusação é de que a dupla emitia notas fiscais subfaturadas em 63% sobre o valor total da extração de manganês, bastante utilizado na siderurgia em ligas com ferro, compostos com aço e fertilizantes.
Contra um deles, não foi encontrada nenhuma prova. Já o nome do outro, Helvio Radinz, sócio da Radinz Mineração, foi encontrado em alguns documentos fraudados. O advogado de Radinz não quis se pronunciar. Assim como a Fertiligas. Já a Eletroligas afirmou, por meio do diretor Rogério Antunes: “Não recebemos nenhuma carga de Caetité. Tem mais de 20 anos que não negociamos com ninguém lá".
A extração de qualquer tipo de minério no Brasil precisa, previamente, ser autorizada pela ANM. Sobre o valor gerado com a venda, incide uma taxa de 3%, determinada pelo imposto Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (Cfem) - no caso do ouro, é 1%; no do ferro, 2%. Agora, caso seja comprovado o crime de usurpação de bem da união, os R$ 4,38 milhões deverão ser devolvidos à União.
Feita a operação na Mina das Cobras, a ANM elabora um relatório que será encaminhado ao Ministério Público Federal (MPF) e à Advocacia Geral da União (AGU), atores da decisão final.
Fiscalização
No dia da operação, dois dos cinco garimpeiros encontrados foram levados à delegacia da cidade. Contaram detalhes da rotina no garimpo, do trabalho, do pagamento. Logo depois, foram liberados. Ocorre que a ANM decidiu mudar o foco da atuação: na mira, ao invés dos trabalhadores em busca de manganês, estão as empresas siderúrgicas e de fertilizantes que incentivam diretamente ou indiretamente a extração ilegal.
Na Bahia, são ao menos três mil pessoas que dependem da atividade mineradora ilegal, geralmente homens em condição de vulnerabilidade social, estimou o órgão a pedido do CORREIO. A corda raramente pendia para o lado mais forte.
“A operação consiste, agora, em localizar não apenas o extrator. Mas quem é a outra ponta do mercado? Quais são essas empresas que fomentam a lavra não autorizada?”, justifica Carlos Magno, chefe do Serviço de Fiscalização e do Aproveitamento Mineral da ANM-BA.
O órgão começou a realizar fiscalizações mais frequentes em Caetité e região há 20 anos, quando ainda era Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM).
Hoje com 13 minas de manganês legalizadas, o município havia conhecido, até então, dois momentos de grande procura por manganês: na década de 40, durante a Segunda Guerra Mundial, e em meados dos anos 80, contam geólogos ouvidos pelo CORREIO.
As constâncias de atividades ilegais, no entanto, começaram a expor a face obscura do garimpo de manganês. Em fevereiro de 2011, a polícia de Caetité, por exemplo, havia recuperado dez toneladas de manganês furtado de uma mineradora. Apenas em 2018, foram 27 denúncias relacionadas a usurpação de manganês. No Ministério Público da Bahia (MP-BA), calculou a instância também por solicitação da reportagem, estão em curso quatro procedimentos para apurar extrações ilegal no município.
Chefe da divisão de Fiscalização da ANM-BA, Cláudio Lima acredita que a descoberta do crime na Mina nas Cobras dialoga com a recente valorização da exploração do minério, observada, principalmente, desde o início deste ano.
“Quando acontece um aquecimento do mercado de aço, por exemplo, o manganês é valorizado. Também pelo fato de a extração ser, até certo ponto, simples, acontece essa busca pelo garimpo”, explica Lima.
É cedo, contudo, para que se fale em corrida para Caetité. A região, explicam Cláudio e Carlos, sempre foi rica em manganês. E a presença de garimpeiros já é uma realidade para visitantes e nativos. Mestre em Geologia pela Universidade Federal da Bahia, Jofre de Oliveira Borges, confirma. Durante a elaboração da tese, em 2012, ele estudou justamente o garimpo de manganês em Caetité, nome derivado do Tupi. Descobriu que a cidade, enquadrada em uma faixa de 100 quilômetros do Sudoeste da Bahia, é um "distrito manganesrífico", ou seja, com elevado potencial de extração.
O manganês ocorre em camadas e costuma ser retirado em níveis. Diferentemente do ouro, explica Jofre, ele ocorre em rochas consolidadas. "Por isso dá para encher caçambas e mais caçambas de manganês", justifica. Em média, o potencial de exploração, legal ou ilegal, minério é esgostado em cinco ou seis anos, calcula ele.
Motivo de preocupação
Paulo César foi um dos policiais avistados e alardeados pelos moradores de Santa Luzia no dia 4 de maio. Passada a operação, ele falou ao CORREIO sobre as ações policiais em áreas de extração mineral. Segundo ele, não há operações especiais, destinadas especificamente a descobrir ilegalidades. Mas, agora, com o recente despertar do manganês como objeto de disputa, revive um temor que repousa e acorda conforme o dinheiro passeia das minas às mineradoras e siderúrgias: a criminalidade.
"Os conflitos costumam acontecer quando está rolando dinheiro. É sempre assim, quando começa a rolar dinheiro, começam as brigas. A polícia acredita que a demanda vai crescer com essa nova movimentação", entrega o policial.
A moradores de Caetité como Mário (nome ficticio), a operação do dia 4, e as futuras, são bem-vindas também por outro motivo. Para além do perímetro da segurança, há uma questão explicitamente econômica. O minerador soube da operação na Mina das Cobras dois dias depois do ocorrido. Chegou no sudoeste da Bahia na década de 80, autorizado a extrair manganês. Nas passagens em Santa Luzia, nos últimos meses, ouvia o burburinho dos garimpeiros recém-instalados, das toneladas de minérios extraídas na vizinhança do distrito.
Comemorou, em silêncio, a ação. "Eu, precisando pagar o imposto, não posso competir com quem não paga. Evidente: preciso repassar os custos. E aí, como ficam meus negócios?", desabafa. Natural de Salvador, a mudança para a região foi motivada pelo interesse na extração de ametista. Àquela época, a mina do Brejinho das Ametistas, outro distrito valioso da cidade, começava a atrair a atenção de milhares de garimpeiros à procura da pedraria roxeada.
Lá, no entanto, decidiu se dedicar ao manganês. “A concorrência era muito grande. Além disso, também é mais fácil, digamos, extrair manganês. A gente não precisa de muita profundidade”, conta. Mas, aí, começaram a se tornar recorrentes as extrações ilegais. De manganês, de ametista, de ferro.
O geólogo Ricardo Fraga comenta: “A região mais rica, aqui na Bahia, é justamente aquela região sudoeste, onde está Caetité. Daí, aconteces os grandes booms, acompanhados de certa desinformação. A atividade acaba sendo realizada sem muitos critérios”.
Os números comprovam a assimetria entre produção e ganho: na Bahia (ainda não há dados específicos de Caetité), a União arrecadou somente R$ 4,4 mil com a extração e venda legais de Manganês em 2018. No Brasil, país com terceiro maior número de reservas mundiais de manganês, foram R$ 15,9 milhões neste ano; em 2017, R$ 34,6 milhões.
O chefe do Serviço de Fiscalização e do Aproveitamento Mineral da ANM-BA, Carlos Magno, declarou à reportagem que as recentes investidas na modernização do sistema pode contribuir para aumentar a arrecadação, e até acompanhar e desmascarar eventuais irregularidades.
Na cidade de Caetité, o 42º Produto Interno Bruto do estado (R$ 13,8 mil per capita), no entanto, as irregularidades ainda não são eventuais. Tampouco na Bahia. A terra, com 1,5 mil lavras autorizadas, é exaurida silenciosamente, os braços de milhares de garimpeiros procuram a sorte escondida na terra. A grande luta, agora, é fazer com que eles não retornem à exploração ilegal: deles e do minério.
fonte: Correio da Bahia* Fernanda Lima/* Com supervisão do chefe de reportagem Jorge Gauthier/ reprodução site correioonline acesso em 20/05/2018 _às 16:49min.
O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil- Seção Bahia (OAB-BA), Luiz Viana, desaprovou a suspensão do expediente por parte do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) nos dias de jogos da seleção brasileira. Luiz Viana afirma que o TJ deveria “torcer para justiça funcionar melhor” e não suspender o expediente para torcer para seleção brasileira. O expediente também será suspenso no Tribunal Regional do Trabalho da Bahia (TRT-BA).
A OAB-BA emitiu ofícios aos tribunais onde manifesta preocupação com a suspensão dos expedientes que podem afetar o andamento dos processos e a prestação dos serviços prestados aos cidadãos. Para a Ordem, as medidas vão de encontro ao princípio da razoável duração do processo, previsto na Carta Política de 1988. A seccional considerou, por exemplo, que a suspensão do expediente em dias com jogos às 9h não se justifica pelo fato de uma partida durar em média de duas horas. "Ou seja, se perderá um turno inteiro de atividades em razão de uma partida encerrada antes mesmo do meio dia", afirma o documento.
A Ordem considerou ainda a possibilidade dos advogados e advogadas terem prejuízos em virtude de inúmeras audiências serem redesignadas, tutelas de urgência não serem apreciadas, assim como outras situações que reclamem imediata providência do judiciário estarão prejudicadas, deixando os direitos do cidadão em segundo plano.
O aumento expressivo do desemprego entre os jovens durante os anos de crise não preocupa apenas pela queda na renda das famílias. Ele se reflete na formação. Mais de 170 mil brasileiros, com idades de 19 a 25 anos, abandonaram a graduação só no ano passado e tiveram de adiar o sonho de ascender socialmente pelos estudos.
Na fila do seguro-desemprego, Miguel Júnior, de 23 anos, admitia que a faculdade de Engenharia ficaria para depois. Filho de uma empregada doméstica, ele dependia do emprego em um centro de distribuição de medicamentos para pagar os estudos, mas o corte de funcionários começou há dois meses. “Já escolhi a faculdade, mas preciso fazer uma poupança antes de começar o curso. O que mais tenho são amigos que tiveram de parar a faculdade na metade, quando a crise apertou.”
A desistência não cresce apenas em anos de crise, mas esse movimento havia sido bem menor em anos anteriores, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, do IBGE, compilados pela consultoria LCA. A média do aumento do estoque de estudantes que tiveram de abandonar seus cursos de graduação era de cerca de 5% ao ano, entre 2013 e 2016.
Essa evasão aumentou 47,8% entre 2016 e o ano passado, acompanhando o movimento de fechamento dos postos de trabalho e a redução da oferta de financiamento estudantil.
“Isso também tem a ver com o aumento da oferta do ensino superior e com o maior acesso às universidades nos anos anteriores à crise. A evasão é naturalmente grande, mas em 2017 foi pior pelas restrições de emprego e de renda”, avalia o economista Cosmo Donato, da LCA.
“O aumento da evasão faz todo o sentido, também pela redução da oferta do Fies (programa de financiamento estudantil) nesse período. O que a gente chama de restrição de crédito para os estudantes foi muito grande nos anos de crise, sem financiamento e, vendo a renda da família diminuir, o jovem acaba não tendo uma outra saída.”
Com a erosão das contas públicas, o governo também restringiu o acesso ao Fies. Em 2017, foram 98,9 mil contratos. Esse número tem caído desde 2014, quando foram 732,7 mil.
Intervalo. Um outro agravante é que muitos chefes de família perderam o emprego durante a crise – quase 2 milhões deles deixaram o mercado formal em três anos. Os mais jovens não tinham os estudos necessariamente pagos pelos pais, mas muitos deles foram forçados a entrar no mercado de trabalho mais cedo para ajudar no orçamento da família.
O professor do Insper Sergio Firpo lembra que os números da Pnad apontam que os filhos com escolaridade baixa têm participação maior no mercado de trabalho, e que a desocupação cresceu mais durante a crise entre os chefes de família que têm baixa ou média escolaridade.
“Os jovens de famílias com pais de baixa escolaridade tiveram chances maiores de serem afetados pela crise, porque são mais facilmente empurrados para o mercado de trabalho do que os adolescentes de famílias mais ricas”, diz Firpo.
Justamente na faixa entre 19 e 25 anos, que costuma ser composta por uma mão de obra pouca qualificada, mesmo a volta ao mercado de trabalho é mais complicada, diz Donato. “Um chefe de família pode voltar a ter carteira assinada, ganhando menos. O jovem tende a voltar com renda menor e, na maioria das vezes, informal.”
O rendimento real entre esses brasileiros quase não variou de 2016 a 2017, segundo a LCA, com aumento de 0,1% – enquanto nas faixas etárias mais velhas, a alta foi de 1,1% a 4,7%.
Momento difícil. O sonho de Walas dos Reis, de 29 anos, de abrir uma empresa para administrar e assessorar a carreira de cantores está, por enquanto, adiado. Em 2015, no auge da crise, ele, que nas horas vagas também canta, toca violão e faz uma dupla sertaneja com o irmão, teve de largar a faculdade de administração em Vitória (ES), porque ficou desempregado. “Fiquei sem condições de pagar o curso.” Ele trabalhava como segurança e ganhava R$ 1.750. Gastava mais da metade com a faculdade.
Sem opção, ele e o irmão, que também abandonou a faculdade, embarcaram para São Paulo em fevereiro de 2017. A expectativa da mudança de cidade era arranjar um emprego na área de administração e impulsionar a carreira artística da dupla sertaneja Wallas e William.
Mas não foi bem isso que conseguiu. “Coloquei currículos em várias empresas, mas eles disseram que, como não concluí o curso, não tenho como trabalhar na área.” Na carreira artística, o recomeço em São Paulo também foi difícil.
Nos últimos meses, ele se empregou como faxineiro num prédio, ganhando R$ 1.300. Alguns shows começaram a aparecer. Reis diz que não tem vergonha de trabalhar como faxineiro para sobreviver. “O Brasil está num momento difícil para os jovens que não têm uma condição financeira.”
Situação piorando. Pouco antes de completar 20 anos, em dezembro do ano passado, Mauro Turpin optou por trancar o curso de publicidade e propaganda para reforçar a equipe da empresa dos próprios pais. “Eles não exigiram, mas eu via que a situação estava ficando cada vez pior. Queria ajudar nas contas.”
Inicialmente, os dois anos de estudo de Mauro iriam servir para estruturar uma nova estratégia de marketing da empresa, composta por uma fábrica de bijuterias e uma loja. Entretanto, com o corte de funcionários, em poucos dias o estudante passou a ser o “faz-tudo” da loja, transitando pela função de vendedor e idas ao cartório.
A parceria começou a se desgastar: “O trabalho não estava sendo o que eu queria”. Após três meses longe das salas de aula e sem experiência prévia no mercado, Mauro tentou procurar estágios na área, mas descobriu que antes precisava voltar para a faculdade. “Por sorte, os pais de uma amiga têm uma agência de publicidade, e ela me indicou para uma vaga.”
A vaga não é com carteira assinada – ele mesmo ainda não tirou o documento – e trabalha oito horas diárias, ganhando pouco mais de R$ 1 mil. O jovem pretende retornar aos estudos no segundo semestre de 2018.
Apesar de não ser registrado, ele valoriza a vaga. “Uma coisa que nunca gostei é de depender dos meus pais. É bom ter controle da minha vida.”
Sonhos distantes. A pior parte de deixar o emprego de jóquei e tratador de cavalos foi se despedir dos animais. “Eu tinha o emprego que eu pedi a Deus”, lembra Genilson da Silva, de 25 anos, demitido do Jóquei Clube de São Paulo.
Ele lembra que sempre, desde pequeno, tinha o sonho de cuidar de animais. A baixa estatura e peso o ajudaram a se qualificar para a profissão. “Pensei em ser veterinário ou trabalhar em um haras. Crio um cavalo em casa, o Faísca. Ele hoje é uma das minhas principais fontes de renda. Depois dele, ainda arranjei mais quatro.”
Genilson, que aprendeu a montar aos dez anos, só se arrepende de ter deixado os estudos de lado. “O meu sonho atual é terminar o ensino médio. Com estudo já é difícil arrumar um emprego, imagina na minha situação.”
Sem trabalho fixo, Genilson tira parte da renda alugando os cavalos para eventos, como aniversários e desfiles, além de oferecer passeios de charrete. O custo de manutenção é de R$ 250 por mês, além do aluguel.
Com o orçamento curto, ele decidiu tentar a vaga que aparecer. “Apesar de ainda sonhar com outro emprego em que possa cuidar de bichos”, conta, ao se candidatar a limpador de vidros de edifícios. “Sonhar longe, a gente sempre sonha. Mas parece que até os sonhos ficaram mais distantes agora.”
FONTE:COLABORARAM MÁRCIA DE CHIARA E CARLA BRIDI, ESPECIAL PARA O ESTADO.REPRODUÇÃO