247 – O assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, afirmou nesta segunda-feira (26) que os Estados Unidos não podem se opor ao resultado das eleições brasileiras, que garantiram a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A declaração ocorre diante do silêncio do presidente americano, Donald Trump, que ainda não se pronunciou sobre a vitória do petista no segundo turno, realizado no domingo (25).
Em entrevista ao jornal O Globo, Amorim minimizou a ausência de uma manifestação oficial da Casa Branca e ressaltou que o Brasil pretende preservar as relações diplomáticas com Washington, mas sem aceitar interferências externas ou abrir mão de sua soberania.
“Não existe isso de reconhecimento de governo. A não ser que haja manifestação em contrário, isso não preocupa. O mundo todo já fez manifestação. Os EUA não podem se opor ao resultado eleitoral. O Brasil é um país independente e vai ter boas relações com os EUA, como nós queremos, mas depende também do que eles fizerem”, afirmou Amorim.
A manifestação do ex-chanceler ocorre em um momento de tensões entre Brasília e Washington, especialmente em razão das sanções americanas contra autoridades brasileiras e das tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos.
Durante a campanha eleitoral, Trump demonstrou simpatia pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), adversário de Lula na disputa presidencial. Embora não tenha declarado apoio explícito a nenhum dos candidatos desde o primeiro turno, o presidente americano classificou como uma “grande vitória” o desempenho de Flávio na votação de 4 de outubro, quando o parlamentar terminou à frente do petista.
O posicionamento do governo americano sobre o processo eleitoral brasileiro também provocou questionamentos nos Estados Unidos. Parlamentares do Partido Democrata cobraram garantias de que Washington respeitaria o resultado das urnas.
Em resposta, o Departamento de Estado afirmou apoiar eleições livres e justas, mas não assumiu expressamente o compromisso de respeitar o resultado da votação brasileira.
“Não somos colônia”, afirma Amorim
Ao comentar a posição internacional do Brasil após a reeleição de Lula, Amorim reforçou que o país não deve se submeter a pressões de governos estrangeiros.
“Não somos colônia. Somos uma fortaleza da democracia progressista da América Latina, com democracia voltada para justiça social, dignidade e combate ao crime por meios apropriados”, declarou.
A avaliação do assessor especial é que a vitória de Lula fortalece a posição do Brasil como referência democrática na América Latina, especialmente diante das disputas políticas e ideológicas que atravessam a região.
Amorim também indicou que a disposição brasileira para manter boas relações com os Estados Unidos não significa aceitar qualquer postura da administração Trump. Segundo ele, a continuidade de um relacionamento positivo entre os dois países depende também das decisões tomadas por Washington.
fonte:BRASIL 247 -26/10/2026

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