segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Violência: Mestre Moa do Kantendê é morto a facadas após discussão política em Salvador

Moa do Kantendê era um artista ligado às tradições afro-baianas - Foto: Reprodução | Facebook

Mestre Moa do Katendê foi assassinado com 12 facadas na noite em que se encerrou o primeiro turno das eleições no Brasil, em 7 de outubro de 2018. Ele e irmão foram esfaqueados em um bar no Dique Pequeno em Salvador, bairro em que residia após discussão sobre política. Segundo os relatos, um morador novo do bairro, defensor do Bolsonaro não teria gostado da posição contrária do mestre foi em casa e buscou uma faca. Katendê foi agredido e seu irmão que o acudiu também, mas Moa não sobreviveu. O irmão Germinio do Amor Divino,51, recebeu uma facada no braço direito e foi socorrido para o Hospital Geral do Estado (HGE), onde permanece internado e sedado. Na ocorrência do posto policial do HGE, testemunhas identificaram o autor das facadas como Paulo Sergio Ferreira, que está preso. 
Segundo o irmão das vítimas, Reginaldo Rosário, 68, Moa estava bebendo com ele e Germinio, no Bar do João, quando o autor da facada começou a defender ideias do candidato do PSL e ouviu críticas do capoeirista."Moa ponderou que era negro e que o cara ainda era muito jovem e não sabia nada da história. Moa disse ainda que ele tinha consciência do quanto o negro lutou para chegar onde chegou e o quanto Bolsonaro poderia tirar essas conquistas se chegasse ao poder", disse Reginaldo. Ainda de acordo com o irmão das vítimas, após a discussão acalorada um dos irmãos pediu que Moa ficasse calmo, no entanto, após a situação ter sido contornada, o autor da facada teria ido em casa, retornou com uma peixeira e atacou a vítima nas costas. "Foi tudo muito rápido", disse. Moa, que sempre foi defensor das classes menos favorecidas é mestre tradicional da Capoeira Angola da Bahia e do Afoxé (um dos fundadores do Filhos de Gandhi) e uma das melhores pessoas que já conheci. 

A Capoeira perde um grande mestre e eu perco vários amigos. Digo "vários" porque ver um capoeirista apoiar um político declaradamente racista, pra mim, é pior que cair de cara no chão após uma rasteira alta. É preciso entender a história da arte. É preciso saber que pouco mudou e que, agora, o racismo saiu do armário e não tem vergonha de destilar o seu ódio. Por trás de interesses escusos, aí está a Casa Grande Senzala se armando novamente. Que a morte do mestre não seja em vão! Vamos fazer o berimbau dizer a que viemos. À luta! E viva "seu" Moa, agora mártir da nossa batalha.
Breve histórico:
Môa do Katendê nasceu em Salvador (BA) e é um artista ligado às tradições afro-baianas. Compositor, dançarino, capoeirista, ogã-percussionista, artesão e educador, descobriu suas raízes aos oito anos de idade no “ILÊ AXÉ OMIN BAIN”, terreiro de sua tia e incentivadora. Em 1977, consagrou-se campeão do Festival da Canção Ilê Aiyê, o primeiro bloco afro do Brasil, e em Maio de 1978 fundou o “Afoxé “Badauê”, que desfilou pela primeira vez no ano seguinte e tornou-se campeão do carnaval na categoria de afoxé. Em 1995 com a união de colegas e admiradores da cultura afro-brasileira, surge o grupo de afoxé “Amigos de Katendê”. Foi membro da Associação Brasileira de Capoeira Angola, discípulo de mestre Bobó de Pastinha.


fonte:Rede social/atardonline
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