sexta-feira, 12 de abril de 2019

Movimento indígena rebate Bolsonaro sobre uso de dinheiro público em protesto


                                  foto:SBT/reprodução


Responsável pela organização do Acampamento Terra Livre (ATL), a Apib (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil) rebateu o presidente Jair Bolsonaro e afirma que não recebe dinheiro público para organizar a mobilização, realizada há 15 anos no mês de abril, em Brasília.

"Nunca o ATL recebeu um centavo de recursos públicos para fazer essa mobilização. É uma iniciativa dos próprios parentes [indígenas], que se organizam o ano inteiro para chegar a Brasília", disse à reportagem Sonia Guajajara, coordenadora executiva da Apib.

Em live no Facebook nesta quinta-feira (11), Bolsonaro afirmou: "Vai ter um encontrão de índios agora, semana que vem. Tá sendo previsto (sic) 10 mil índios aqui em Brasília. E quem vai pagar a conta dos 10 mil índios que vem para cá? É você [contribuinte]. Queremos o melhor para o índio brasileiro, que é tão ser humano quanto qualquer um de nós que está na sua frente aqui. Mas essa farra vai deixar de existir no nosso governo".

Guajajara, ex-candidata a vice-presidente pelo PSOL, explicou que o ATL 2019 criou três "vaquinhas" virtuais para pagar a mobilização: uma para doações nacionais, outra para doações estrangeiras e uma terceira para milhas de avião. Além disso, há campanhas para arrecadar alimentos e colchões.

"É dinheiro de quem contribui com as causas indígenas: pessoas físicas e organizações da sociedade civil, do Brasil e do exterior." A líder indígena afirma que as delegações se organizam de forma independente em seus estados de origem para fazer a viagem até Brasília. Em alguns casos, explica, houve apoio de governos estaduais, mas que se trata de uma negociação em nível local. Nos últimos anos, o ATL tem mobilizado em média cerca de 4.000 indígenas.

Para Guajajara, o ATL, entre os dias de 24 a 26 de abril, ocorrerá em um clima de "maior preocupação por conta da própria decisão do governo de agir de forma truculenta, repressiva, com os movimentos. Estamos com medo da repressão da polícia, mas nós nunca vamos recuar". 

Participante do ATL em anos anteriores, a única deputada federal indígena do país, Joenia Wapichana (Rede-RR), afirmou que, "se os povos estão vindo, com seus recursos próprios e de apoiadores da causa indígena, é porque têm o seu direito de ir e vir, principalmente, de se manifestar".

"O novo governo está violando direitos indígenas com a MP 870 [que passa a demarcação para o Ministério da Agricultura], ameaçando diminuir terras indígenas e facilitar para que terceiros explorem os recursos naturais que existem nas nossas terras. O que ele esperava? Que os povos indígenas ficassem quietos? Se são 10 mil índios, são 10 mil insatisfeitos com o que está acontecendo", afirma Joenia.

A reportagem pediu um esclarecimento do pronunciamento de Bolsonaro ao porta-voz da Presidência, general Rêgo Barros, mas não houve resposta até a publicação deste texto.

fonte:Folhapress

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