foto:Divulgação
A Fictor, que entrou em recuperação judicial após dar calote em mais de 12 mil pessoas físicas e jurídicas, chegou a procurar servidores de um município de 29 mil habitantes no interior de São Paulo para investirem suas aposentadorias nas Sociedades em Contas de Participação (SCPs) do grupo.
A Ata da 146ª Reunião do Comitê de Investimentos do Instituto de Previdência dos Servidores de Conchal (ConchalPrev) revela que o órgão foi contatado entre o fim de 2023 e início de 2024 para fazer investimentos na Fictor.
O instituto entendeu, contudo, que as SCPs não faziam parte da política de investimentos de 2024 e recusaram o aporte.
Se tivessem investido, os servidores de Conchal não teriam mais aposentadoria.
“Em seguida, o Sr. Josiel informa que recebeu material do Grupo Fictor sobre investimentos em SCP (Sociedade em Contas de Participação) Agro Participações Fictor, porém, em contato com a Consultoria de Investimentos, verificamos que não há previsão na Política de Investimentos 2024 para aplicação nesse tipo de ativo”, diz a ata da reunião.
A Fictor deu calote em milhares de investidores que botaram dinheiro nas SCPs. O negócio desandou de vez após a tentativa do grupo de comprar o Banco Master.
As SCPs são um modelo pouco transparente, que não tem seguro financeiro e que escapa das fiscalizações de órgãos de controle, como a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e o Banco Central (BC). A atuação suspeita da Fictor por meio das SCPs foi revelada pela coluna em maio de 2025. A empresa prometia aos investidores retorno superior a 26% ao ano, taxa considerada fora do comum.
À época do contato feito pela Fictor, o ConchalPrev mantinha um saldo de R$ 133,9 milhões, após terem crescido mais de R$ 15 milhões ao longo do ano de 2023.
Fonte: Tácio Lorran/Metrópoles - 17/02/2026
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