terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Economia: Fictor ofereceu negócio que virou calote à Previdência de cidade em SP

 

                                               foto:Divulgação


A Fictor, que entrou em recuperação judicial após dar calote em mais de 12 mil pessoas físicas e jurídicas, chegou a procurar servidores de um município de 29 mil habitantes no interior de São Paulo para investirem suas aposentadorias nas Sociedades em Contas de Participação (SCPs) do grupo.

Ata da 146ª Reunião do Comitê de Investimentos do Instituto de Previdência dos Servidores de Conchal (ConchalPrev) revela que o órgão foi contatado entre o fim de 2023 e início de 2024 para fazer investimentos na Fictor. 

O instituto entendeu, contudo, que as SCPs não faziam parte da política de investimentos de 2024 e recusaram o aporte.

Se tivessem investido, os servidores de Conchal não teriam mais aposentadoria.

“Em seguida, o Sr. Josiel informa que recebeu material do Grupo Fictor sobre investimentos em SCP (Sociedade em Contas de Participação) Agro Participações Fictor, porém, em contato com a Consultoria de Investimentos, verificamos que não há previsão na Política de Investimentos 2024 para aplicação nesse tipo de ativo”, diz a ata da reunião.

A Fictor deu calote em milhares de investidores que botaram dinheiro nas SCPs. O negócio desandou de vez após a tentativa do grupo de comprar o Banco Master.

As SCPs são um modelo pouco transparente, que não tem seguro financeiro e que escapa das fiscalizações de órgãos de controle, como a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e o Banco Central (BC). A atuação suspeita da Fictor por meio das SCPs foi revelada pela coluna em maio de 2025. A empresa prometia aos investidores retorno superior a 26% ao ano, taxa considerada fora do comum.

À época do contato feito pela Fictor, o ConchalPrev mantinha um saldo de R$ 133,9 milhões, após terem crescido mais de R$ 15 milhões ao longo do ano de 2023.


Fonte: Tácio Lorran/Metrópoles - 17/02/2026

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