O cantor norte-americano Oliver Tree é uma das seis vítimas do acidente envolvendo dois helicópteros no Rio de Janeiro. Na manhã deste domingo (14/6), as aeronaves colidiram e caíram no Recreio dos Bandeirantes. A informação foi confirmada pela Polícia Civil do Rio de Janeiro.
Quem são as vítimas do acidente aéreo no Rio
No total, seis pessoas morreram após a colisão dos dois helicópteros.
Na primeira aeronave estavam o piloto Alexandre Souza e quatro passageiros: o produtor musical Lucas Brito Chaves Frota; o cantor Oliver Tree Nickel, de 32 anos; o diretor Lucas Vignale, de 28; e o youtuber Gaspar Prim, de 23.
No segundo helicóptero estava o piloto Charles Marsillac.
Segundo o Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro (CBMERJ), uma das aeronaves tinha como destino a cidade de Angra dos Reis, na Costa Verde do Rio de Janeiro. O segundo helicóptero pretendia realizar um abastamento.
Veja o momento da queda dos helicópteros:
Quem era Oliver Tree
Com mais de 2,3 milhões de seguidores no Instagram, o norte-americano tinha 32 anos e era cantor, produtor musical e comediante. O primeiro sucesso dele foi a música When I’m Down, que viralizou em 2017. Alguns anos depois, em 2021, ele bombou com o sucesso Life Goes On.
Nas redes sociais, ele compartilhava vídeos de humor e conquistas da carreira musical. Antes do acidente fatal, o artista se preparava para sair em turnê em 1º de julho.
O Corpo de Bombeiros também informou que, devido ao choque no ar, peças das aeronaves foram arremessadas a metros e até centenas de distância. As causas do acidente são investigadas pela Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), da Força Aérea Brasileira (FAB).
Pelo menos seis pessoas morreram em um acidente com dois helicópteros no Rio de Janeiro, na manhã deste domingo (14/6).As duas aeronaves se chocaram no are caíram próximo à Avenida das Américas, no Recreio dos Bandeirantes, bairro nobre da zona sudoeste da capital carioca.Veja local do acidente:
Conforme apurou o Metrópoles, uma das aeronaves transportava cinco pessoas; a sexta vítima, possivelmente o piloto, estava no segundo helicóptero. As autoridades ainda atuam no resgate dos corpos. Não há sobreviventes, segundo os bombeiros.
O acionamento do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro (CBMERJ) ocorreu por volta das 9h. A queda das aeronaves provocou um incêndio, que foi controlado pelos militares no local.
Um dos helicópteros, de acordo com testemunhas, caiu no pátio de um estacionamento e atingiu diversos veículos elétricos, o que teria causado ainda pequenas explosões e aumento das chamas.
A aeronave foi encontrada em um milharal e a cerca de 10 metros de uma estrada vicinal, próximo à rodovia GO-174 e dentro de uma propriedade rural Fazenda Escalada do Rio Preto. A área foi isolada para preservação e segurança das operações.
Dirceu Antônio Zanchi, de 68 anos, e Gabriel Zanchi Fernandes, de 17, avô e neto, morreram no acidente aéreo de Goiás.
A Polícia Técnico-Científica foi acionada para realização da perícia, e o Sistema de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Senipa) foi comunicado e acompanha o caso, orientando quanto à preservação do local para os trabalhos investigativos. As causas do acidente ainda estão sendo apuradas.
Em vídeo publicado nas redes sociais, o ex-candidato a vereador de Rio Verde Dirceu Zanchi Júnior afirmou que o acidente pode ter ocorrido durante o pouso.
“Suspeito que eles tenham tentado pousar, tanto que os trens de pouso estão para fora da carenagem. Possivelmente, devem ter encostado as asas no milho, que está relativamente alto, tentaram corrigir puxando para cima e caíram a praticamente 90 graus da pista, bem próximo aqui à nossa propriedade”, lamentou.
Digimais, instituição do líder da Igreja Universal, corre risco de quebrar foto:reprodução
Por Igor Mello
A Cedae, estatal de saneamento básico do Rio de Janeiro, fez aportes de dezenas de milhões de reais no Banco Digimais, que pertence ao bispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd). As operações foram realizadas por diretor indicado pelo ex-governador Cláudio Castro (PL).
Desde junho de 2025, Antonio Carlos dos Santos, indicado por Castro para a Diretoria Financeira e de Relações com Investidores (DFI) da Cedae, fez diversos investimentos em CDBs do Banco Digimais. As aplicações foram renovadas mesmo diante de fortes indícios de que a instituição financeira corre risco de quebrar. Só recentemente, os recursos passaram para aplicações com cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
Em nota, a Cedae afirma que “uma das primeiras medidas da atual administração foi mudar a Política de Aplicações Financeiras” com o objetivo de “reforçar mecanismos de governança, controle e mitigar riscos na gestão das aplicações financeiras”. A estatal diz ainda que os investimentos no banco Digimais não serão renovados e os valores serão reaplicados nas “maiores e mais sólidas instituições financeiras do país”.
Já Antonio Carlos dos Santos sustenta que “que todas as alocações de sua carteira estavam em conformidade com a política de aplicações financeiras da Cedae, conforme apuração da auditoria interna”. O ex-diretor diz ainda que “as decisões de investimento seguiram as normas de governança e a política de aplicações financeiras, tendo sido aprovadas pelas instâncias competentes, incluindo o Conselho de Administração, o Comitê de Auditoria e a Diretoria Executiva”. Ele também nega que não houve “quaisquer interferências externas ou políticas” nas decisões de investimento que tomou.
Aportes chegaram a R$ 91,2 milhões
A aplicação no Digimais se aproveitou das brechas criadas sob medida para permitir os aportes no Master. Assim como no caso do banco de Vorcaro, as agências de classificação de risco dão um rating baixo para o Digimais, em comparação com diversos concorrentes no mercado financeiro brasileiro.
O banco de Edir Macedo apresentou as avaliações BBB- da Fitch e da Moody’s –a mais baixa ainda considerada grau de investimento. Até Santos alterar “sob medida” para o Master, segundo investigação interna, a política de investimentos da empresa, a Cedae exigia uma avaliação mínima bem mais alta, de A-.
Os investimentos no Digimais ocorreram inicialmente em Certificados de Depósito Bancário (CDBs), títulos de renda fixa tradicionalmente emitidos por instituições financeiras. A rentabilidade prometida é de 106% do CDI.
Documento detalha condições de investimento no Digimais (Crédito: Arte/ ICL Notícias)
A primeira remessa milionária no Digimais ocorreu em junho de 2025, quando a Cedae já se via às voltas com um possível calote de Vorcaro. O parecer favorável de Santos veio no dia 4 de junho de 2025.
Ao contrário de várias outras aplicações feitas pela Cedae, o investimento no Digimais não tinha liquidez diária –a empresa só poderia resgatar os recursos em 180 dias. Ainda assim, Santos referendou nota técnica feita por seus assessores Hedmilton Mourão Cardoso, Magno Neves Fonseca e Mauro Luis Marques –os mesmos que o auxiliaram a operar os aportes suspeitos no Banco Master. A recomendação era alocar R$ 35 milhões no conglomerado do bispo Macedo.
“A referida emissão constitui oportunidade atrativa para a Cedae, desde que o volume alocado seja inferior a R$ 40 milhões, valor de limite que conta com a garantia especial do Fundo Garantidor de Créditos (FGC)”, diz o documento obtido pelo ICL Notícias.
Uma nova remessa foi feita pouco depois, em agosto do ano passado. Santos e seus assessores repetem quase integralmente o texto usado para justificar o primeiro investimento. Dessa vez recomendam a apliacção de mais R$ 25 milhões. O prazo para resgate era ainda maior, de 1 ano, e o rendimento prometido era de 109% do CDI. Os recursos deveriam ser retirados de um fundo de investimentos operado pelo Itaú, maior banco do país.
As regras criadas por Santos e que permitiram o investimento no Banco Master permitiam o investimento de até 10% da carteira da Cedae em bancos com rating BBB-. Após o calote do banco de Vorcaro, o Digimais foi a única instituição financeira com esse perfil a receber recursos da estatal.
Risco de quebra do banco
A Cedae manteve os investimentos mesmo com o agravamento da situação do Digimais.
Edir Macedo chegou a anunciar em janeiro de 2025 a venda da instituição para Maurício Quadrado, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Master, por R$ 800 milhões. Contudo, Quadrado desistiu da aquisição em abril.
A venda era uma pedra de salvação para o Digimais, cujos dados financeiros apresentavam uma série de más notícias. Em pouco tempo, Macedo teve que injetar mais de R$ 700 milhões no negócio.
Mesmo com a deterioração da condição do Digimais, Santos e seus assessores seguiram recomendando o investimento no banco. Em 24 de fevereiro de 2026, uma reunião extraordinária do Comitê de Auditoria da Cedae foi convocada para, entre outros assuntos, tratar das preocupações com a situação do banco de Edir Macedo.
Os membros do comitê questionaram Santos sobre o assunto, como mostra a ata da reunião. Segundo a ata do encontro, eles enfatizaram “os pontos negativos e de riscos de cada instituição financeira onde a Cedae possui investimentos. Diante disso, foi solicitado ao time técnico a conclusão sobre tais investimentos, inclusive a possibilidade de realocação para instituições com melhor rating”, relata o documento.
Comitê de Auditoria da Cedae questionou investimento no Digimais (Crédito: Arte/ ICL Notícias)
Naquele momento, a Cedae havia contratado uma auditoria independente para avaliar a situação da empresa. Fernando dos Santos, sócio da empresa de auditoria, menciona que a estatal buscou o resgate das aplicações no Digimais, mas não deixa claro porque os valores não foram recuperados até ali.
Pouco depois, em nota técnica feita em 13 de março, Santos dobra a aposta. A DFI define a situação do Digimais como “negativa”, com “reversão para lucro semestral, melhora de Basileia; prejuízos acumulados e forte dependência de depósitos a prazo”. Mesmo assim, defende a manutenção dos investimentos: “há mitigantes de risco que levam à recomendação da manutenção das atuais posições”.
O fator mitigante, segundo a DFI, seria uma cobertura de até R$ 40 milhões pelo Fundo Garantidor de Crédito em caso de calote. Naquele momento, a Cedae tinha cerca de R$ 39 milhões aplicados no Digimais.
Diretoria da Cedae recomendou manutenção de investimentos em meio à crise do Digimais (Crédito: Arte/ ICL Notícias)
Pouco depois, no final de março, Fitch rebaixou a nota do banco de Edir Macedo para BB-, classificação já considerada de grau especulativo.
Em 26 de maio, a Moody’s pintou um quadro ainda mais crítico: rebaixou o banco de Edir Macedo para CCC+ –o que representa risco iminente de calote dos investidores. O comunicado da agência é aterrador.
“O rebaixamento dos ratings do Digimais reflete a avaliação da Moody’s Local Brasil sobre um aumento significativo no risco dos ativos do banco, principalmente devido à sua crescente exposição aos fundos de investimento alternativos ao longo de 2025. Em dezembro de 2025, a carteira de títulos e valores mobiliários, composta majoritariamente por cotas de fundos de investimento, totalizava R$ 4,3 bilhões, correspondendo a cerca de 42% do total de ativos e representando 5,4 vezes o patrimônio líquido do banco. A qualidade e a recuperabilidade desses investimentos são incertas, como evidenciado pelo parecer de auditoria externa com ressalvas sobre R$ 3,1 bilhões, ou 73% dos fundos reportados, devido às limitações de informações sobre a adequação desses valores”, diz o relatório da Moody’s.
.A Política de Aplicações Financeiras da Cedae em vigor àquela altura vetava aplicações financeiras em instituições com notas tão baixas, mas o saque imediato não foi possível porque os contratos amarravam a estatal até a data de vencimento dos investimentos.
O júri responsável pelo julgamento da morte de Henry Borel, no 2° Tribunal de Justiça da Capital, no Rio de Janeiro, declarou o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, culpado pelos crimes de homicídio duplamente qualificado, prática de tortura e coação no curso do processo.
A mãe do menino, Monique Medeiros, teve a acusação de homicídio doloso desclassificada para homicídio culposo, quando não há intenção de matar. Ela também foi condenada por omissão em relação às torturas sofridas pelo filho.
A decisão foi divulgada já na madrugada desta quinta-feira (4/6), ao fim do 10° dia de julgamento. A sentença de Jairinho foi de 43 anos, 9 meses e 20 dias de reclusão. Monique recebeu o perdão judicial pelo crime de homicídio. Pelo crime de omissão, a pena recebida por ela foi de 1 ano e 4 meses, mas, como já cumpriu tempo de prisão preventiva, a pena foi considerada encerrada.
Jairinho também foi condenado a pagar R$ 400 mil em indenização por danos morais ao pai de Henry, Leniel Borel, e foi absolvido de outras duas acusações de tortura.
O ex-vereador respondia pelos crimes de homicídio triplamente qualificado, tortura e coação no curso do processo. Monique, por sua vez, foi julgada por homicídio qualificado por motivo torpe e mediante recurso que impossibilitou a defesa da vítima, além de tortura e coação no curso do processo. Cabe recurso.
Caso Henry Borel
Henry Borel morreu em 8 de março de 2021, na casa da família, em Jacarepaguá, no Rio;
O ex-vereador e médico Dr. Jairinho, padrasto do menino, e Monique Medeiros, a mãe, levaram a criança ao hospital, alegando que o menino havia sofrido um acidente doméstico e caído da cama;
Os profissionais de saúde constataram a morte de Henry, causada por hemorragia interna e laceração hepática;
Laudo do Instituto Médico-Legal (IML) apontou que Henry apresentava mais de 20 lesões de natureza violenta, incluindo laceração no fígado, lesões nos rins e hemorragia interna, indicando espancamento e morte lenta e agônica.
Jairinho e Monique estão presos desde 8 de abril.
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Ao longo de 10 sessões foram ouvidos investigadores, peritos, médicos, familiares, testemunhas ligadas ao caso e ex-namoradas de Jairinho.
Jairinho e Monique Medeiros prestaram depoimento nessa terça-feira (2/6). Monique, que foi a primeira a depor, apresentou uma nova versão sobre os fatos que atencederam a morte do filho, e afirmou acreditar que Jairo foi o responsável pela morte do menino.
O ex-vereador, por sua vez, negou ter agredido mulheres ou crianças e atribiuiu acusações feitas por ex-namoradas a “especulações“. A pedido do advogado de defesa, Rodrigo Faucz, Jairinho não respondeu às perguntas da acusação nem da juíza responsável pelo caso.
Nesta quarta-feira (3/6), o promotor do caso, Fábio Vieira, apontou que o padrasto do menino tem traços de “psicopatia severa” e o acusou de ser agressor contumaz: “Agride mulheres e também agride crianças. Maltrata crianças. Tem prazer em machucar os vulneráveis.”
Vieira também afirmou que a mãe de Henry, a professora Monique Medeiros, é “narcisista, com traços de megalomania”.
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) mobilizou veículos oficiais da própria Corte, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) e do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2) para passeios turísticoscom convidados estrangeiros de evento sobre ética no Judiciário.
Intitulado “Congresso Internacional Estado de Direito e Ética Judicial”, o evento é uma iniciativa do atual presidente do STJ, ministro Herman Benjamin.
Parte do mundo jurídico vê a atividade como contraponto ao XIV Fórum de Lisboa, mais conhecido como “Gilmarpalooza” — o apelido faz referência ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes. Ao contrário do evento do STJ, o Fórum de Lisboa não é patrocinado com recursos públicos.
Embora a maior parte da programação do evento do STJ ocorra em Brasília, o encontro incluiu painel no Rio de Janeiro para discutir o processo de atualização dos Princípios de Bangalore de Conduta Judicial. Esses princípios são um conjunto de diretrizes para a atuação de magistrados propagadas pela Organização das Nações Unidas (ONU). A coluna apurou que foi um pretexto para o roteiro turístico no Rio.
No sábado (30/5), os convidados estrangeiros do STJ fizeram tour pelo Rio de Janeiro em carros oficiais dos tribunais. Visitaram pontos turísticos, como o Maracanã e o Cristo Redentor. No domingo (31), o Brasil jogou contra o Panamá no estádio. A maior parte da programação do encontro, no entanto, ocorre em Brasília (DF). Segundo a coluna apurou, foram usados cerca de 50 veículos oficiais.
Em nota, o STJ disse que os custos do evento ainda serão calculados e “disponibilizados oportunamente no prazo de duas semanas”. Ou seja, o STJ fez evento sobre ética no Judiciário e não sabe dizer quanto custou.
Sobre o passeio da delegação estrangeira no Rio de Janeiro, a Corte disse apenas que os convidados “visitaram pontos turísticos do Rio de Janeiro, sem despesas de almoço e jantar para o STJ”. A Corte não respondeu sobre ter usado carros oficiais.
Ao todo, o evento reuniu representantes de 23 tribunais estrangeiros — inclusive cortes constitucionais — para discussões sobre ética no Judiciário, inteligência artificial, redes sociais e defesa do Estado de Direito.
A atividade no Rio de Janeiro não consta na programação oficial do Congresso, divulgada pelo STJ em seu site.
Em nota, o STJ disse que pagou apenas as passagens dos convidados de três países: África do Sul, Argentina e Peru. Esses convidados viajaram em classe econômica, segundo o tribunal.
Durante sua participação no evento nesta segunda-feira (1º/6), a ministra Cármen Lúcia, do STF, cobrou a observância de princípios éticos por parte dos juízes brasileiros.
“Eu acredito no Poder Judiciário brasileiro, nos juízes e juízas brasileiras, e sei que (existem) eventuais falhas, e elas há. Somos um grupo de pessoas humanas, com nossas falhas, nossos limites”, disse a ministra.
Parte da programação do evento aconteceu sem acesso da imprensa e sem transmissão ao vivo. À coluna, o STJ disse que o objetivo era viabilizar a discussão livre entre os participantes.
“Logo após o Congresso, será publicado um relatório público contendo os principais debates e as conclusões do evento, sem identificação das contribuições individuais”, disse a Corte, em nota.
STJ enfrenta crise ética
Nos últimos anos, o próprio STJ passou a enfrentar crise de reputação e imagem pública em razão das investigações sobre venda de sentenças.
A principal apuração sobre o tema é a Operação Sisamnes, da Polícia Federal. A investigação mira o lobista Andreson de Oliveira Gonçalves, que, segundo a PF, teria acesso antecipado a minutas de votos e decisões do tribunal.
Nos últimos meses, as apurações alcançaram gabinetes de ministros e servidores do tribunal. Na semana passada, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, denunciou o ex-assessor do STJ Márcio Toledo Pinto por crimes como corrupção, exploração de prestígio, violação de sigilo funcional e organização criminosa, além do próprio Andreson. No entanto, nenhum ministro do STJ foi incluído na denúncia.
Outra frente de desgaste envolve o ministro Marco Buzzi, investigado por importunação sexual e assédio. Segundo relatos revelados pelo Metrópoles, Buzzi teria tentado agarrar uma jovem de 18 anos, filha de amigos, durante férias em Balneário Camboriú (SC).
O STJ abriu sindicância, afastou cautelarmente o ministro de suas funções e prorrogou a investigação interna.
A crise se agravou com uma segunda denúncia. Uma ex-funcionária terceirizada do gabinete de Buzzi relatou suposto assédio sexual ocorrido no ambiente de trabalho, reforçando a percepção de falha institucional na prevenção e resposta a condutas impróprias. Buzzi nega as acusações.