O ex-prefeito de Jequié e pré-candidato a vice-governador pela oposição, Zé Cocá, entrou na mira do Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia após a abertura de um processo com pedido de liminar envolvendo supostas irregularidades na aquisição de ônibus destinados à Superintendência Municipal de Trânsito (SUMTRAN).
O despacho foi assinado pelo conselheiro Paulo Rangel e determina a notificação do gestor para que apresente manifestação no prazo de cinco dias.
A denúncia foi apresentada pelos vereadores Marcos Lameque Vasconcelos da Silva, Ramon Andrade Fernandes, Eduardo José Oliveira Simões de Carvalho, Moana dos Santos Meira Silva e Robson Machado Pereira.
Segundo o documento, existem suspeitas de inconsistências cronológicas no processo de adesão à Ata de Registro de Preços nº 167/2025, situação que poderia indicar possível fraude documental.
s denunciantes alegam ainda que teria ocorrido uma suposta organização posterior da documentação, com o objetivo de conferir aparência de regularidade ao procedimento administrativo, o que, segundo eles, afrontaria princípios da legalidade, transparência e segurança jurídica previstos na nova Lei de Licitações.
A informação foi divulgada inicialmente pela página TV Jequié Oficial, no Instagram. Até o momento, Zé Cocá não havia se manifestado publicamente sobre o caso.
Nesta semana, em nota, a Prefeitura de Jequié afirmou que as denúncias apresentadas pelos vereadores distorcem fatos e ignoram documentos oficiais do processo administrativo referente à adesão da ata de registro de preços para aquisição dos ônibus da SUMTRAN.
Segundo a gestão municipal, todo o procedimento teria seguido os princípios da legalidade, transparência e eficiência, contando com pareceres técnicos e jurídicos que atestariam a regularidade da compra.
Victor Lima Sedlmaier, preso pela Polícia Federal neste sábado (16/5) no aeroporto de Dubai, chegou a São Paulo no fim da tarde, segundo a PF.
Ele era um dos foragidos da 6ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e teria sido preso em uma cooperação internacional com a Interpol e a polícia de Dubai.
Sedlmaier é apontado pela Polícia Federal como integrante do grupo de hackers ligado ao dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.
Em depoimento à PF, Sedlmaier afirmou ser estudante de ciência da computação e desenvolvedor de sistemas.
Segundo a corporação,ele disse prestar serviços a David Henrique Alves, identificado pelos investigadores como líder do grupo hacker conhecido como “Os Meninos”. David também foi alvo de mandado de prisão preventiva, mas segue foragido.
O estudante relatou que trabalhava para David desde julho de 2024 e que o contato entre os dois foi intermediado por um primo. Segundo o depoimento, ele atuava com conserto de computadores e no desenvolvimento de um software de inteligência artificial.
Sedlmaier afirmou ainda que recebia R$ 2 mil mensais pelos serviços prestados, além de “bônus por serviços eventuais”. Ele também disse ter conhecimento de que David trabalhava para Luiz Phillipi Mourão, apontado pela PF como o “Sicário” de Vorcaro, e que recebia R$ 35 mil por mês.
De acordo com o estudante, David atuava em questões relacionadas à “reputação online” de Daniel Vorcaro.
Além das atividades relatadas por Sedlmaier, a PF sustenta que ele também teria atuado como “agente de apoio logístico e na possível ocultação de vestígios” ligados a David Henrique Alves.
Segundo os investigadores, no dia da operação que prendeu o “Sicário”, David foi abordado pela Polícia Rodoviária Federal dentro de um veículo de Luiz Phillipi Mourão. No carro, foram encontrados computadores e o documento de uma terceira pessoa. A PF afirma que David não soube explicar por que estava no veículo de Mourão.
O Brasil brilhou mais uma vez na Copa do Mundo de Canoagem Velocidade. Neste sábado (16), na etapa de Brandemburgo, na Alemanha, o baiano Isaquias Queiroz confirmou a grande fase e conquistou a medalha de ouro na prova do C1 500m. Para completar a festa brasileira, o jovem Gabriel Assunção garantiu o bronze na mesma disputa.
Cinco vezes medalhista olímpico, Isaquias dominou a final dos 500 metros desde os primeiros metros e cruzou a linha de chegada com o tempo de 1min52s55. O chinês Ji Bowen ficou com a prata, apenas décimos atrás, marcando 1min52s65. Já Gabriel Assunção, de apenas 20 anos, cresceu na reta final para assegurar o terceiro lugar, com 1min54s60.
A conquista marca a segunda medalha de Isaquias nesta edição da Copa do Mundo. Na semana passada, na etapa disputada na Hungria, o brasileiro já havia subido ao pódio ao conquistar a prata justamente no C1 500m, atrás do próprio Ji Bowen.
Apesar do histórico dominante no C1 1000m — prova em que conquistou quatro das cinco medalhas olímpicas da carreira —, Isaquias tem concentrado seus esforços nas distâncias mais curtas neste início de temporada. Na sexta-feira (15), ele terminou apenas na oitava colocação nos 1000 metros, mas respondeu rapidamente com o ouro em Brandemburgo.
A temporada de 2026 já distribui pontos importantes para o ranking olímpico visando os Jogos de Los Angeles 2028, principal objetivo do ciclo atual da modalidade.
Após a etapa na Alemanha, a Copa do Mundo de Canoagem Velocidade fará uma pausa no calendário e retorna apenas em julho, entre os dias 9 e 12, em Montreal, no Canadá.
Uma casa em Arlington, no Texas (Estados Unidos), cidade onde vive o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL/SP), foi comprada numa operação que envolveu o ex-secretário de fomento à cultura André Porciúncula e uma trust ligada ao advogado Paulo Calixto.
Radicado nos EUA, Calixto é o representante do fundo que, segundo revelou o The Intercept Brasil, recebeu dinheiro do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para supostamente financiar a produção do filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Conforme apurou o ICL Notícias com base em documentos do estado do Texas, o imóvel foi adquirido em 27 de fevereiro deste ano por US$ 726,3 mil, cerca de R$ 3,6 milhões. Porciúncula, que já foi sócio de Eduardo Bolsonaro numa empresa em Arlington, é quem assina o negócio como representante da Mercury Legacy Trust.
A Trust — estrutura jurídica usada para administrar bens — por sua vez, é controlada pela Calixsan Capital Management, empresa em que Calixto e o corretor de imóveis Altieris Santana são sócios. A Mercury Legacy Trust foi registrada em Dallas (Texas) no mesmo endereço do fundo Havengate Development Fund LP, por onde passou o dinheiro Daniel Vorcaro.
De acordo com o The Intercept Brasil, a transação foi feita por meio da Entre Investimentos e Participações, que atuava em parceria com os negócios de Vorcaro. A Polícia Federal investiga se a verba do ex-dono do Banco Master foi usado para bancar Eduardo Bolsonaro nos EUA.
Nas redes sociais, Eduardo Bolsonaro negou que tenha sido beneficiado com o dinheiro de Vorcaro e disse que a suspeita da PF é “tosca” porque, segundo ele, seu status de migração vedaria recebimento de valores. Flávio Bolsonaro também negou que seu irmão tenha sido beneficiado com os recursos. A reportagem tenta contato com ambos e também com Porciúncula, Calixto e Santana. Caso haja resposta, o texto será atualizado.
Paulo Calixto – Foto: Reprodução
Daniel Vorcaro transferiu ao menos R$ 61 milhões
Mensagens indicam a existência de uma negociação em que Vorcaro se comprometeu a repassar um total de US$ 24 milhões (na época equivalentes a cerca de R$ 134 milhões) para financiar a produção de Dark Horse.
Pelo menos US$ 10,6 milhões — cerca de R$ 61 milhões, considerando a cotação do dólar nos períodos das transferências – foram pagos entre fevereiro e maio de 2025, em seis operações, de acordo com o The Intercept Brasil.
Em outra reportagem, o The Intercept Brasil mostrou que Eduardo Bolsonaro e o deputado federal Mário Frias — ex-secretário de Cultura do governo de Jair Bolsonaro, à época chefe de Porciúncula — atuaram como produtores-executivos de Dark Horse, com responsabilidades e poder sobre a gestão financeira do projeto.
Segundo o site, Eduardo Bolsonaro, junto a Mario Frias e outros produtores, teriam responsabilidade sobre as decisões de como os recursos seriam captados e gastos. Não há informação, porém, sobre quem, de fato, executou essas funções.
André Porciúncula
Contrato para filme coincide com período em que Eduardo Bolsonaro abre empresa nos EUA
Trechos do contrato de produção publicado pelo Intercept Brasil, indicam que, apesar de o documento ter sido assinado apenas em janeiro de 2024 por Eduardo Bolsonaro, ele foi elaborado em novembro de 2023. Em março do mesmo ano, o então deputado federal fundou uma holding nos EUA, a Braz Global Holding, em sociedade com André Porciúncula e o empresário Paulo Generoso — que apoiou os atos golpistas de 8 de janeiro.
A empresa foi registrada por Generoso no endereço de sua casa à época, em Arlington. No mesmo local, em um curto espaço de tempo, Paulo Generoso abriu outras duas empresas: a Liber Group Brasil, em 13 de janeiro, e o Instituto Liberdade, em 8 de fevereiro. Nessas, Eduardo Bolsonaro não apareceu oficialmente como sócio, apenas Generoso, André Porciúncula e outra ex-servidora do governo Bolsonaro, Raquel Brugnera. A informação foi revelada pela Agência Pública em parceria com o portal Uol e o Centro Latinoamericano de Investigação Jornalística (CLIP).
A Braz Holding administrou de 31 de março a 27 de julho de 2023, uma empresa com sede na Flórida que se definia como “especialista no fornecimento internacional de alimentos frescos e congelados”. Cerca de um ano depois, a Braz Holding foi encerrada.
Das três empresas abertas por Eduardo e seus sócios em 2023, quando seu pai fugiu para os EUA, apenas o Instituto Conservador Liberal continua ativo. A organização passou a ser administrada por Paulo Calixto, o advogado encarregado do processo imigratório de Eduardo Bolsonaro nos EUA, envolvido no fundo que recebeu dinheiro de Daniel Vorcaro.
A relação entre os dois não é de hoje. Calixto e o deputado cassado se conhecem ao menos desde agosto de 2023, quando divulgaram nas redes um encontro que aconteceu no Brasil.
Matéria veiculada no jornal O Globo e assinada pelo colunista Lauro Jardim afirma que o documentário sobre o presidente Lula, dirigido pelo renomado diretor estadunidense Oliver Stone, recebeu verba de Daniel Vorcaro. Tal publicação foi disseminada por grupos bolsonaristas como forma de “blindar” o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que pediu R$ 134 milhões ao dono do Banco Master para investir no longa “Dark Horse”, biografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
No entanto, Oliver Stone, em nota enviada à jornalista Mônica Bergamo, desmente a informação veiculada no jornal O Globo: “Não houve quaisquer recebimentos de recursos, investimentos, patrocínios ou contribuições de qualquer natureza originados a partir de negociações com Daniel Vorcaro, com o Banco Master ou com qualquer empresa ou fundo a eles associados. Reservamo-nos ainda o direito de adotar as medidas judiciais cabíveis contra falsas alegações e informações inverídicas noticiadas e publicadas.”
Se até a última semana os questionamentos aTarcísio de Freitas(Republicanos) sobre oescândalo do Banco Masterse restringiam àdoação de R$ 2 milhões para sua campanha por Fabiano Zettel, cunhado e braço direito deDaniel Vorcaro,nos últimos dias o governador de São Paulo passou a conviver com o avanço das suspeitas contra aliados próximos, como Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Ciro Nogueira (PP-PI), no caso de corrupção mais explosivo da atualidade no Brasil.
A maior “bomba” ocorreu na última quarta-feira (13/5), quando veio à tona conversas em que Flávio, pré-candidato à Presidência da República, cobra Vorcaro o pagamento de pendências de um patrocínio ao filme Dark Horse, cinebiografia de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O banqueiro, que está preso desde novembro do ano passado, chegou a pagar R$ 61 milhões à produção.
“O Flávio imediatamente procurou dar todos os esclarecimentos, entrou em campo, falou do que se tratava. Eu acho que ele precisa continuar dando os esclarecimentos à medida que as perguntas forem aparecendo, que é fundamental que todo mundo tenha segurança na relação do que aconteceu e ele possa continuar fazendo o que ele fez ontem. Deu a cara a tapa, foi lá, falou, se pronunciou e procurou explicar o que aconteceu”, afirmou.
O entorno do governador tem avaliado que o desgaste de Flávio não deve respingar de forma significativa na campanha de Tarcísio. “Campanha de reeleição é plebiscito sobre aprovação da gestão. Esta questão não irá interferir”, disse um integrante do governo próximo ao governador.
Fontes do Palácio dos Bandeirantes, no entanto, relatam que Tarcísio ficou incomodado com a revelação do contato entre Flávio e Vorcaro e demonstrou irritação em reuniões internas com auxiliares. Antes mesmo da revelação dos contatos, Tarcísio já dizia a interlocutores que considerava a candidatura do senador carioca a mais frágil entre as possibilidades dentro do bolsonarismo.
A falta de química entre Flávio e Tarcísio reverberou nessa sexta-feira (15/5), quando a gestão Tarcísio desclassificou a agência Cálix da licitação para comandar a comunicação do governo, atendendo a recurso protocolado por outras empresas concorrentes. Vencedora do certame, a Cálix pertence ao empresário Marcello Lopes, conhecido como Marcelão, amigo de Flávio e escolhido pelo senador para coordenar a comunicação de sua campanha à Presidência.
Lopes foi citado, ao lado de Thiago Miranda, dono da agência Mithi, como um dos estrategistas contratados por Vorcaro do chamado “Plano DV”, de ataques ao Banco Central. Marcelão nega qualquer envolvimento na campanha.
Ciro Nogueira
Flávio e Tarcísio estiveram juntos em público, pela primeira vez desde a eclosão da crise, na noite dessa sexta-feira (15/5), em evento de lançamento da pré-campanha de Guilherme Derrite (PP) ao Senado, realizado em Campinas, no interior paulista.
A cerimônia é organizada pelo PP, partido presidido pelo senador Ciro Nogueira, que há menos de 10 dias foi alvo de busca e apreensão da Polícia Federal (PF).
Segundo a investigação, Ciro receberia repasses mensais de Vorcaro, que chegaram a R$ 500 mil por mês. A operação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que foi colega de ministério de Ciro no governo Bolsonaro.
“É um escândalo grave que precisa ser apurado [suspeita de propina a Ciro Nogueira], precisa ser investigado, doa a quem doer. Todas as pessoas que têm envolvimento precisam ser investigadas”, disse Tarcísio após ser questionado durante agenda.
No mesmo dia, o PP cancelou um evento, com presenças previstas de Ciro e o governador, que estava marcado para dias depois, em que a legenda oficializaria o apoio à candidatura de reeleição a Tarcísio. A justificativa foi a agenda do governador. Sua assessoria, no entanto, negou que tenha solicitado alteração.
A Ypê voltou atrás e informou que continuará oferecendo troca ou ressarcimento aos consumidores que preferirem devolver produtos com lote final 1, citados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A nova posição foi comunicada ao Metrópoles após a empresa ter suspendido a orientação de ressarcimento, seguindo determinação da agência publicada nesta sexta-feira (15/5).
Em decisão mais recente, a Anvisa estabeleceu que os itens não precisam ser recolhidos neste momento. A orientação é que permaneçam guardados, sem uso, até a emissão de novos laudos feitos por laboratórios independentes.
Com a decisão da agência, a Ypê havia recuado da proposta de ressarcimento imediato e suspendido a orientação de devolução dos produtos. No entanto, em nova nota enviada à reportagem, a empresa afirmou que, “em alinhamento com a Anvisa” e com foco na satisfação dos consumidores, seguirá atendendo, em seus canais oficiais, todos aqueles que ainda preferirem efetuar a troca ou obter o ressarcimento pelos produtos adquiridos.
A orientação da Anvisa continua sendo manter os produtos guardados até a conclusão das novas análises.
Leia o comunicado da Ypê na integra:
“A determinação da Anvisa de 15 de maio estabeleceu que os produtos lava-roupas líquidos, lava-louças líquidos e desinfetantes com lote final 1, elencados na Resolução 1.834/2026, não precisariam mais ser recolhidos neste momento. A orientação é que eles permaneçam guardados até a emissão de novos laudos de laboratórios independentes.
Porém, em alinhamento com a Anvisa e devido ao foco na satisfação dos nossos consumidores, a Ypê seguirá atendendo em seus canais oficiais todos aqueles que ainda preferirem efetuar a troca ou obter o ressarcimento pelos produtos adquiridos.
A empresa reitera que, de acordo com os controles e análises internas realizados pela Ypê, os produtos são seguros para o consumidor. Ainda assim, a companhia propôs para a Anvisa apresentar testes realizados por laboratórios independentes autorizados pela agência, de todos os lotes já colocados no mercado, para garantir a segurança dos mesmos e sua consequente liberação para uso o mais rápido possível.
A Ype segue executando em ritmo acelerado o investimento de R$ 130 milhões com o foco em se adequar aos requisitos acordados em colaboração com a Anvisa.
A empresa reitera seu compromisso inegociável com a transparência e a saúde de seus consumidores“.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) por calúnia contra o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após publicação de vídeo com fantoches nas redes sociais.
A produção, intitulada de “Os Intocáveis”, mostra Gilmar Mendes e Dias Toffoli representados por fantoches. O vídeo simula ainda diálogos entre os dois magistrados, que são representados pelos bonecos.
Pediu ainda a fixação de valor mínimo para reparação dos danos morais causados a Gilmar, em montante equivalente a 100 salários-mínimos: “parâmetro compatível com a gravidade da imputação caluniosa, a extensão da divulgação e a repercussão pública da ofensa, sem prejuízo de posterior liquidação complementar na esfera própria”, diz a denúncia.
Thainara morreu após ser esfaqueada pelo ex-namorado. Créditos: Polícia Civil do Paraná.
Thainara Cavalcante, de 28 anos, foi assassinada dentro de casa na madrugada desta quinta-feira (14), em Terra Roxa, no Oeste do Paraná. O autor do crime, Natan de Souza Brito, de 28 anos, saiu de Luís Eduardo Magalhães, na Bahia, para cometer o feminicídio.
Segundo a Polícia Civil, o casal havia terminado há cerca de cinco meses, mas Natan não aceitava a separação. Ao invadir as redes sociais da ex, descobriu que ela estava em um novo relacionamento. Viajou até Terra Roxa, pulou o muro da residência de madrugada, entrou com uma cópia da chave e atacou Thainara com vários golpes de faca. Ela m0rreu no local.
Após o crime, Natan foi até Toledo, tomou banho, trocou de roupa e se entregou voluntariamente na delegacia, onde confessou tudo. Ele foi autuado em flagrante por feminicídio e permanece preso à disposição da Justiça.
O deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro, do PL de São Paulo, atuou como produtor-executivo de “Dark Horse”, o filme biográfico sobreJair Bolsonaro, com responsabilidades e poder sobre a gestão financeira do projeto, segundo um contrato assinado por ele e diálogos obtidos com exclusividade peloIntercept Brasil.
Os registros contradizem afirmações feitas por Eduardo Bolsonaro em uma publicação no Instagram na quinta-feira, 14, sobre sua relação com o filme e colocam o deputado federal cassado como uma peça-chave com poder na tomada de decisões, inclusive financeiras, sobre o filme que conta a história do seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Também mostram que Eduardo omitiu sua conexão com a busca de dinheiro para financiar o filme ao dizer, no post feito no Instagram, que apenas cedeu seus direitos de imagem e não exerceu qualquer cargo de gestão no “Dark Horse”.
Um contrato de produção, datado de novembro de 2023 e assinado digitalmente por Eduardo Bolsonaro em 30 de janeiro de 2024, traz a empresa GoUp Entertainment, sediada nos Estados Unidos, como produtora, e Eduardo Bolsonaro e o deputado federal Mario Frias, também do PL paulista, à frente da produção-executiva, função com poder para lidar diretamente com o controle de orçamento e gestão financeira de um projeto audiovisual.
Contrato cita que Jair Bolsonaro cedeu “os direitos de história de vida” para a produção, na época intitulada “O Capitão do Povo”, e não “Dark Horse”.
Segundo o documento, a produtora e os produtores-executivos agiriam em conjunto para dedicar-se a atividades de desenvolvimento do projeto, dentre elas “envolvimento nas considerações estratégicas relacionadas ao financiamento do filme e preparação de informações e documentação para investidores e assistência na identificação de recursos de financiamento de filmes, incluindo créditos e incentivos fiscais, colocação de produtos e patrocínio”.
O contrato obtido pelo Intercept define uma ampla gama das funções que Eduardo teria na produção. Junto com os outros produtores, a empresa GoUp e o deputado federal Mario Frias, ele teria a responsabilidade sobre as decisões sobre como os recursos seriam captados e gastos. Não há informação, porém, sobre quem, de fato, executou essas funções.
Contrato descreve atividades a serem executadas pela produtora e pelos produtores-executivos do filme.
Enviamos questionamentos para Eduardo Bolsonaro e para o senador Flávio Bolsonaro, do PL do Rio de Janeiro, mas não houve resposta até a publicação. O espaço segue aberto. A defesa do deputado Mario Frias informou que “Eduardo Bolsonaro não é e nunca foi produtor-executivo da produção do filme Dark Horse” e “nunca recebeu qualquer quantia do fundo de investimento cujo produto privado final é o filme”.
A defesa do banqueiro Daniel Vorcaro disse que não iria se manifestar sobre o tema. A defesa de Jair Bolsonaro disse ao Intercept que ele não pode se manifestar porque está preso – e destacou que não tinha acesso ao ex-presidente porque as visitas dos advogados são restritas.
Uma troca de mensagens entre o empresário Thiago Miranda, fundador e sócio do Portal Leo Dias, e Daniel Vorcaro de 21 de março de 2025 destaca o papel de articulador financeiro exercido por Eduardo na produção do filme.
Miranda, que teve papel de intermediário entre Vorcaro, a família Bolsonaro e o deputado Mario Frias em tratativas sobre o filme, encaminha para o banqueiro uma captura de tela de uma mensagem que Eduardo o enviou e diz: “Já estou fazendo o aditivo da troca da empresa e preciso de um direcionamento seu para seguir.”
Na mensagem de Eduardo a Miranda, o deputado federal cassado diz: “O ideal seria haver os recursos já nos EUA. Que dos EUA para o EUA é tranquilo. Se a empresa brasileira a enviar aos EUA não tiver aquele grande orçamento que mencionamos como exemplo, será problemático, vai ser necessário fazer as remessas aos poucos e isto tardaria cerca de 6 meses, calculamos.”
Em seguida, de acordo com a mensagem obtida pelo Intercept, Eduardo explica como seria a melhor forma de enviar o dinheiro: “Solução: enviar o máximo possível ainda neste sistema atual, com o remetente atual e etc. Será que conseguimos?”.
Embora não seja possível precisar a data que Eduardo enviou a mensagem a Miranda, o encaminhamento da captura de tela para Vorcaro indica que isso ocorreu em março de 2025 – mesmo mês em que Eduardo anunciou que ia se licenciar do mandato para ficar nos EUA e buscar as “devidas sanções aos violadores de direitos humanos”.
Enviamos questionamentos para Miranda, que esclareceu que ele “não desempenhou qualquer função na produção, divulgação, gestão financeira e estratégia de lançamento do filme Dark Horse” tendo limitado sua participação a “intermediar o contato entre pretenso investidor e os interessados no projeto”. Leia a resposta na íntegra.
Outro documento, datado de fevereiro de 2024, mostra ainda uma minuta de aditivo de contrato para a produção de “Dark Horse” em que Eduardo é qualificado como financiador do filme e autoriza o uso de recursos financeiros que ele investir no projeto. Não há confirmação se o aditivo foi, de fato, assinado.
Aditivo do contrato cita que Eduardo, que consta como “financiador”, se compromete a “financiar parcialmente a produção cinematográfica”.
Embora ele diga não ser “dono do filme”, o contrato – datado de novembro de 2023 e assinado digitalmente por Eduardo Bolsonaro em 30 de janeiro de 2024 – designa explicitamente Eduardo e Frias como tendo poder de gestão e decisão sobre a produção, juntamente da GoUp.
A minuta que o designa como financiador da operação também contradiz sua fala de que ele teria apenas cedido “direitos de imagem”.
Contrato foi assinado digitalmente e, embora a data conste como 26 de novembro de 2023, a assinatura de Eduardo Bolsonaro foi formalizada no acordo em 30 de janeiro de 2024.
A GoUp Entertainment é uma empresa sediada na Flórida que tem como sócios a brasileira Karina Ferreira da Gama e um brasileiro naturalizado nos Estados Unidos, Michael Brian Davis.
Em dezembro, revelamos como uma organização não-governamental na qual Karina é sócia, o Instituto Conhecer Brasil, havia recebido pelo menos R$ 108 milhões da Prefeitura de São Paulo para operar um contrato de Wi-Fi público sem concluir as entregas previstas. Desde março, o Ministério Público está investigando o contrato.
Nesta sexta-feira, o ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino determinou a abertura de uma apuração preliminar para apurar se houve direcionamento de emendas parlamentares para projetos culturais, inclusive o filme Dark Horse. A TV Globo noticiou na quinta-feira, 14, que o STF tenta, há mais de um mês, intimar o deputado Mario Frias a prestar informações sobre “possíveis irregularidades na execução de recursos de emendas” destinados ao Instituto Conhecer Brasil – o parlamentar e produtor-executivo do filme teria destinado R$ 2 milhões à ONG.
Enviamos questionamentos para Karina Gama e para seu sócio, Michael Brian Davis, mas não houve resposta até a publicação. O espaço segue aberto.
Fundo de advogado de Eduardo recebeu dinheiro de Vorcaro
Vorcaro se comprometeu a repassar um total de 24 milhões de dólares (na época equivalentes a cerca de R$ 134 milhões) para financiar a produção, dos quais pelo menos 10,6 milhões de dólares — cerca de R$ 61 milhões, considerando a cotação do dólar nos períodos das transferências — foram pagos entre fevereiro e maio de 2025, em seis operações, para financiar o projeto cinematográfico ligado à família Bolsonaro.
A Polícia Federal apura se o dinheiro de Vorcaro para “Dark Horse” teria custeado despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. No Instagram, o deputado federal cassado negou ter recebido o dinheiro negociado para o filme.
O material analisado pelo Intercept indica que ao menos parte dos valores negociados por Flávio junto a Vorcaro foi para um fundo controlado por aliados de Eduardo – incluindo Paulo Calixto, o advogado encarregado de seu processo imigratório nos EUA, conforme apuração da Agência Pública.
Os diálogos, um comprovante de uma ordem de pagamento de 2 milhões de dólares e uma tabela com previsão de valores a serem pagos analisados pelo Intercept indicam que parte do dinheiro negociado com Vorcaro para o filme foi transferida pela Entre Investimentos e Participações, que atuava em parceria com empresas do banqueiro, para o fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas, nos EUA, e controlado por aliados de Eduardo.
Documentos societários obtidos pelo Intercept mostram que o fundo Havengate Development Fund LP foi registrado no Texas e tem como agente legal o escritório “Law Offices of Paulo Calixto PLLC”, de Paulo Calixto.
Nos registros, o fundo aparece como sendo pertencente à companhia quase homônima Havengate Development Fund GP LLC, registrada no mesmo endereço comercial em Dallas.
Os documentos desta segunda firma apontam Altieris Santana como membro do quadro societário do fundo e Paulo Calixto como membro e administrador. Ambos aparecem vinculados ao mesmo endereço comercial utilizado pelo Havengate.
Em uma das mensagens obtidas pelo Intercept, ao sugerir alternativas para facilitar o envio dos recursos aos EUA, Eduardo Bolsonaro informa que Altieris Santana estaria disponível para reuniões presenciais relacionadas à operação financeira.
Enviamos questionamentos para Altieris Santana e Paulo Calixto, mas não houve resposta até a publicação da reportagem. O espaço segue aberto.
No Instagram, Eduardo disse que “o escritório cuida apenas da gestão burocrática, financeira e legal dos recursos” e que foi ele quem apresentou Calixto a Mario Frias “por saber da sua competência”.
Plano de negócios previa “oportunidade de imigração”
Os documentos mostram que o filme biográfico do ex-presidente Jair Bolsonaro teve um orçamento total astronômico para os padrões brasileiros: o valor estimado é entre 23 milhões e 26 milhões de dólares. A quantia corresponde ao montante negociado por Flávio Bolsonaro com Vorcaro: 24 milhões de dólares. O custo total é superior ao de várias produções recentes de Hollywood, inclusive vencedoras do Oscar.
O orçamento do filme prevê, segundo os documentos aos quais o Intercept teve acesso, que mais de 10,7 milhões de dólares seriam destinados apenas aos custos “acima da linha”, rubrica que inclui “custos gastos antes da filmagem” – com direitos do roteiro, salários de atores, diretores, produtores, diretor de elenco, roteirista e outros envolvidos na direção financeira e criativa de alto nível do filme.
Ainda segundo os documentos, a estratégia para captar recursos consistia na oferta de 40 cotas de 500 mil dólares. Ou seja, um total de 20 milhões de dólares.
Para atrair grandes investidores, o orçamento do filme foi fatiado em pacotes de investimento VIP com regalias incomuns para o mercado de cinema. Se o investidor pagasse 1 milhão de dólares, ele comprava uma cadeira no conselho de produção – com direito a dar pitacos e influenciar as decisões do filme.
O pacote mais caro, e incomum, custava 1,1 milhão de dólares. O grande chamariz para esse investimento não era o filme, mas sim a promessa explícita de uma “oportunidade de imigração”. O plano de negócios oferecia o filme como um atalho para que ricaços comprassem o direito a umGreen Card, garantindo assim o visto de residência permanente nos Estados Unidos.
Plano de negócios previa benefícios para investidores, incluindo uma “oportunidade de imigração”
A promessa de lucro da produtora era agressiva: os investidores teriam a devolução de 100% do capital aportado acrescido de um lucro de 20% sobre o valor investido. O plano de negócios projetava a receita global do filme em três cenários distintos: um pessimista (de 45 milhões de dólares), um conservador (70 milhões de dólares) e um otimista (100 milhões).
Após a quitação prioritária do capital e do prêmio de 20% aos financiadores, todo o lucro líquido restante gerado pela bilheteria e plataformas destreamingseria dividido meio a meio entre investidores e produtores. Ou seja, Eduardo Bolsonaro e Mario Frias também lucrariam com o filme.