O presidente Luiz Inácio Lula da Silva irá levar à cúpula do G7 um recado duro aos países ricos: o protecionismo é uma ameaça e o corte de ajuda ao desenvolvimento coloca em risco milhões de vidas pelo mundo.
O encontro ocorre entre os dias 15 e 17, em Evian, na França. Lula é um dos poucos líderes dos países em desenvolvimento convidado à reunião organizada por Emmanuel Macron. Donald Trump, presidente dos EUA, também já confirmou presença.
Na agenda oficial do encontro, Macron pediu que os governos debatessem os riscos de distorções macroeconômicas globais. O tema vai na linha da atuação do G7, o grupo de países desenvolvimentos criado após a crise do petróleo, em 1974.
Na avaliação do Brasil, uma dessas distorções que precisa ser debatida é a questão das barreiras comerciais e do unilateralismo na área comercial. Na semana passada, o governo Trump voltou a orquestrar uma nova ofensiva contra a importação de dezenas de países. Assim como ocorreu em 2025, o Brasil voltou a ser um dos mais afetados.
Se não bastasse, o governo brasileiro voltou a ser alvo de medidas protecionistas por parte da União Europeia. Semanas depois de ver a entrada em vigor do acordo comercial entre Mercosul e UE, Bruxelas aplicou barreiras contra a carne brasileira, com argumentos sanitários.
Na avaliação do Brasil, esses episódios são reveladores da crise do multilateralismo e, em muitos casos, da suspensão de regras comerciais que, por décadas, ordenaram como cada país deve tratar o fluxo de bens pelo mundo.
A postura do governo Lula é de que, se o G7 quer avaliar os fatores que criam turbulência no mercado internacional, um dos principais é a fragilidade de regras. Para empresas e governos economias emergentes, esse é um elemento de incerteza.
Outro fator que preocupa o governo brasileiro é o profundo corte de ajuda dos países ricos ao desenvolvimento. Nos últimos meses, governos como o da Alemanha, Japão, EUA e outros passaram a anunciar uma retomada do processo de rearmamento, com orçamentos inéditos.
O problema, na visão do Brasil, é de que isso significará uma redução do volume de dinheiro que esses mesmos países destinam para programas sociais e ambientais pelo mundo.
Na COP30, em Belém, Lula comemorou a criação de um fundo para a preservação das florestas pelo mundo. Naquele momento, em 2025, a iniciativa coletou US$ 5 bilhões. Para observadores, esse volume é irrisório perto dos US$ 2,8 trilhões que o mundo gastou com armas, no ano passado.
Para o governo brasileiro, o corte de ajuda dos países do G7 é muito negativa. O alerta é que não haverá como lidar com o clima ou com a fome se essa tendência for mantida.
Cortes inéditos
Já no ano passado, a entidade Oxfam alertou que, pelo desenho dos orçamentos dos países ricos, a previsão era de que os membros do G7 iriam promover um corte sem precedentes ao mundo.
O bloco, que em conjunto responde por cerca de três quartos de toda a ajuda oficial ao desenvolvimento, deverá reduzir seus gastos com ajuda em 28% em 2026, em comparação com os níveis de 2024.
Este seria o maior corte na ajuda desde a criação do G7, nos anos 70, e a maior redução desde que esses programas começaram a ser criados nos anos 60.
Para a Oxfam, 2026 marcará o terceiro ano consecutivo de declínio nos gastos com ajuda externa do G7 – uma tendência não vista desde a década de 1990.
Se esses cortes forem adiante, os níveis de ajuda do G7 em 2026 cairão US$ 44 bilhões, para apenas US$ 112 bilhões. Os cortes estão sendo impulsionados principalmente pelos EUA (redução de US$ 33 bilhões), Alemanha (redução de US$ 3,5 bilhões), Reino Unido (redução de US$ 5 bilhões) e França (redução de US$ 3 bilhões).
APolícia Federal (PF)deflagrou, nesta segunda-feira (8/6), a Operação Gemini para investigar suposto esquema devenda de decisões judiciaise lavagem de dinheiro com ramificações no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).
Entre os alvos das medidas judiciais estão o desembargador afastado Dirceu dos Santos e o deputado estadual Faissal Calil (PL), ambos na foto em destaque. Os policiais cumpriram mandados de busca e apreensão, além de ordens para quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático dos investigados.
Segundo a PF, a investigação apura a existência de estrutura voltada à comercialização de decisões judiciais e à ocultação de recursos.
Os alvos poderão responder, conforme o avanço das apurações, pelos crimes de corrupção passiva, advocacia administrativa e lavagem de dinheiro.
A operação ocorre poucos meses após Dirceu dos Santos ser afastado do cargo pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O magistrado já era investigado em outro procedimento que apura suspeitas de nepotismo cruzado e possível recebimento de vantagens indevidas em troca de decisões judiciais.
Um levantamento realizado pelo CNJ apontou que o desembargador movimentou cerca de R$ 14,6 milhões em patrimônio nos últimos cinco anos. De acordo com os investigadores, os valores identificados seriam incompatíveis com os rendimentos formalmente declarados pelo magistrado.
Nesta terça-feira (9/6), o CNJ deverá analisar a abertura de Processo Administrativo Disciplinar (PAD) contra Dirceu e decidir se o afastamento cautelar será mantido.
A nova operação também acontece dias após o Supremo Tribunal Federal avançar em outra investigação relacionada à suposta venda de decisões judiciais em tribunais superiores. Naquele caso, a Procuradoria-Geral da República (PGR) apontou indícios de esquema que envolveria vazamento de informações sigilosas e acesso antecipado a minutas de decisões.
Em nota, a Polícia Federal informou apenas que a Operação Gemini busca aprofundar a apuração sobre a possível negociação de decisões judiciais e o fluxo financeiro associado aos fatos investigados.
As defesas dos citados não haviam se manifestado até a publicação desta reportagem.
Para Jana Nelson, falta de pessoas capazes de traduzir visões de mundo dificulta diálogo entre Brasil e Estados Unidos. Memória coletiva sobre governo atual será danosa para relação bilateral por muitos anos no futuro.
Confira a reportagem completa no link abaixo do site da Folha de São Paulo desta segunda-feira (8):
O jornalista José Roberto Burnier, apresentador do SP2, da TV Globo, relatou ter sido atacado por um pitbull enquanto passeava com seus cachorros em São Paulo neste domingo (7). Segundo o comunicador, ele sofreu ferimentos na mão, no braço e na perna e precisou levar quatro pontos após receber atendimento médico.
O caso foi compartilhado por Burnier nas redes sociais. De acordo com o jornalista, uma mulher caminhava com três cães quando o ataque aconteceu. Ele afirmou que o pitbull estava sem guia no momento da ocorrência.
“Essa senhora passeava com três cachorros e justamente o mais perigoso e bravo estava sem guia. Ele avançou e nos feriu, a mim e a uma das minhas cachorras. É lamentável que certos donos de cachorros achem que podem sair na rua sem guia”, escreveu.
Após o ataque, Burnier foi atendido no Hospital Sírio-Libanês. Em um vídeo publicado posteriormente, ele tranquilizou os seguidores e informou que recebeu quatro pontos na mão, além doutros curativos.
“Eu já fui atendido aqui no Sírio-Libanês, já tomei quatro pontos aqui na mão, fiz outros curativos, tem uma perna aqui também, e está tudo bem agora. Vida que segue”, afirmou.
O apresentador também chamou atenção para a legislação paulista sobre a condução de cães em locais públicos. Segundo ele, a lei determina que os animais circulem com guia e que raças consideradas de maior potencial ofensivo, como pitbulls, utilizem focinheira.
Aos 65 anos, Burnier comanda o SP2 desde 2022. Antes, atuou como apresentador de telejornais da GloboNews e trabalhou por mais de três décadas como repórter da TV Globo.
Everton Aires, conhecido como Bomba — Foto: Reprodução/TV Globo
Em reportagem exibida no programa Fantástico da Rede Globo na noite de ontem (7) um investigador da polícia civil do Estado da Paraíba é acusado de liderar uma uma quadrilha com policiais envolvidos com venda de entorpecentes, proteção a foragidos e relações com facções criminosas.
Confira a reportagem completa no link abaixo do site G1 da Globo.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump interrompeu de forma abrupta uma entrevista concedida à emissora NBC News após um bate-boca com a jornalista Kristen Welker. A conversa foi gravada na sexta-feira e exibida ao público neste domingo (7).
Durante a entrevista, foram abordados temas como o conflito com o Irã, a criação de um fundo destinado a compensar pessoas que, segundo Trump, teriam sido alvo de perseguição política por parte do governo, além de questões econômicas e das recentes eleições primárias realizadas na Califórnia.
O clima começou a ficar tenso quando Welker questionou o presidente sobre suas acusações de irregularidades na apuração dos votos no estado. Trump voltou a defender, sem apresentar provas, a tese de que houve fraude nas eleições presidenciais de 2020 e citou a demora na contagem dos votos na Califórnia como indício de problemas no processo eleitoral.
Ao ser perguntado se possuía evidências que sustentassem suas alegações, respondeu: “Tudo o que preciso fazer é olhar.”
A discussão se intensificou na sequência, quando Trump passou a criticar diretamente a NBC News e a cobertura da emissora.
“Suas eleições neste país são como as de um país do terceiro mundo. Você é uma rede tendenciosa e corrupta. Me desculpe. Vamos encerrar porque já chega. Obrigado, querida. Divirta-se”, afirmou o presidente antes de encerrar a entrevista.
Mesmo após a apresentadora pedir que ele permanecesse na gravação — destacando que havia viajado até Wisconsin e aguardado por cerca de uma hora sob chuva para a realização da entrevista — Trump recusou e deixou o local.
Ao longo da conversa, o republicano também comentou os impactos econômicos da guerra com o Irã e respondeu a questionamentos sobre os preços dos combustíveis. Welker mencionou a alta nos valores da gasolina e do diesel desde o início da Operação Fúria Épica, nome dado à campanha militar americana contra o Irã, que completou recentemente 100 dias.
Mais tarde, durante um comício realizado em Chippewa Falls, Trump voltou a mencionar o episódio e relatou aos apoiadores seu descontentamento com a emissora.
“Fiz uma entrevista no celeiro mais bonito que já vi. Estava chovendo e foi com a NBC Fake News. Por causa da chuva, fiquei um pouco irritado com eles”, declarou.
Digimais, instituição do líder da Igreja Universal, corre risco de quebrar foto:reprodução
Por Igor Mello
A Cedae, estatal de saneamento básico do Rio de Janeiro, fez aportes de dezenas de milhões de reais no Banco Digimais, que pertence ao bispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd). As operações foram realizadas por diretor indicado pelo ex-governador Cláudio Castro (PL).
Desde junho de 2025, Antonio Carlos dos Santos, indicado por Castro para a Diretoria Financeira e de Relações com Investidores (DFI) da Cedae, fez diversos investimentos em CDBs do Banco Digimais. As aplicações foram renovadas mesmo diante de fortes indícios de que a instituição financeira corre risco de quebrar. Só recentemente, os recursos passaram para aplicações com cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
Em nota, a Cedae afirma que “uma das primeiras medidas da atual administração foi mudar a Política de Aplicações Financeiras” com o objetivo de “reforçar mecanismos de governança, controle e mitigar riscos na gestão das aplicações financeiras”. A estatal diz ainda que os investimentos no banco Digimais não serão renovados e os valores serão reaplicados nas “maiores e mais sólidas instituições financeiras do país”.
Já Antonio Carlos dos Santos sustenta que “que todas as alocações de sua carteira estavam em conformidade com a política de aplicações financeiras da Cedae, conforme apuração da auditoria interna”. O ex-diretor diz ainda que “as decisões de investimento seguiram as normas de governança e a política de aplicações financeiras, tendo sido aprovadas pelas instâncias competentes, incluindo o Conselho de Administração, o Comitê de Auditoria e a Diretoria Executiva”. Ele também nega que não houve “quaisquer interferências externas ou políticas” nas decisões de investimento que tomou.
Aportes chegaram a R$ 91,2 milhões
A aplicação no Digimais se aproveitou das brechas criadas sob medida para permitir os aportes no Master. Assim como no caso do banco de Vorcaro, as agências de classificação de risco dão um rating baixo para o Digimais, em comparação com diversos concorrentes no mercado financeiro brasileiro.
O banco de Edir Macedo apresentou as avaliações BBB- da Fitch e da Moody’s –a mais baixa ainda considerada grau de investimento. Até Santos alterar “sob medida” para o Master, segundo investigação interna, a política de investimentos da empresa, a Cedae exigia uma avaliação mínima bem mais alta, de A-.
Os investimentos no Digimais ocorreram inicialmente em Certificados de Depósito Bancário (CDBs), títulos de renda fixa tradicionalmente emitidos por instituições financeiras. A rentabilidade prometida é de 106% do CDI.
Documento detalha condições de investimento no Digimais (Crédito: Arte/ ICL Notícias)
A primeira remessa milionária no Digimais ocorreu em junho de 2025, quando a Cedae já se via às voltas com um possível calote de Vorcaro. O parecer favorável de Santos veio no dia 4 de junho de 2025.
Ao contrário de várias outras aplicações feitas pela Cedae, o investimento no Digimais não tinha liquidez diária –a empresa só poderia resgatar os recursos em 180 dias. Ainda assim, Santos referendou nota técnica feita por seus assessores Hedmilton Mourão Cardoso, Magno Neves Fonseca e Mauro Luis Marques –os mesmos que o auxiliaram a operar os aportes suspeitos no Banco Master. A recomendação era alocar R$ 35 milhões no conglomerado do bispo Macedo.
“A referida emissão constitui oportunidade atrativa para a Cedae, desde que o volume alocado seja inferior a R$ 40 milhões, valor de limite que conta com a garantia especial do Fundo Garantidor de Créditos (FGC)”, diz o documento obtido pelo ICL Notícias.
Uma nova remessa foi feita pouco depois, em agosto do ano passado. Santos e seus assessores repetem quase integralmente o texto usado para justificar o primeiro investimento. Dessa vez recomendam a apliacção de mais R$ 25 milhões. O prazo para resgate era ainda maior, de 1 ano, e o rendimento prometido era de 109% do CDI. Os recursos deveriam ser retirados de um fundo de investimentos operado pelo Itaú, maior banco do país.
As regras criadas por Santos e que permitiram o investimento no Banco Master permitiam o investimento de até 10% da carteira da Cedae em bancos com rating BBB-. Após o calote do banco de Vorcaro, o Digimais foi a única instituição financeira com esse perfil a receber recursos da estatal.
Risco de quebra do banco
A Cedae manteve os investimentos mesmo com o agravamento da situação do Digimais.
Edir Macedo chegou a anunciar em janeiro de 2025 a venda da instituição para Maurício Quadrado, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Master, por R$ 800 milhões. Contudo, Quadrado desistiu da aquisição em abril.
A venda era uma pedra de salvação para o Digimais, cujos dados financeiros apresentavam uma série de más notícias. Em pouco tempo, Macedo teve que injetar mais de R$ 700 milhões no negócio.
Mesmo com a deterioração da condição do Digimais, Santos e seus assessores seguiram recomendando o investimento no banco. Em 24 de fevereiro de 2026, uma reunião extraordinária do Comitê de Auditoria da Cedae foi convocada para, entre outros assuntos, tratar das preocupações com a situação do banco de Edir Macedo.
Os membros do comitê questionaram Santos sobre o assunto, como mostra a ata da reunião. Segundo a ata do encontro, eles enfatizaram “os pontos negativos e de riscos de cada instituição financeira onde a Cedae possui investimentos. Diante disso, foi solicitado ao time técnico a conclusão sobre tais investimentos, inclusive a possibilidade de realocação para instituições com melhor rating”, relata o documento.
Comitê de Auditoria da Cedae questionou investimento no Digimais (Crédito: Arte/ ICL Notícias)
Naquele momento, a Cedae havia contratado uma auditoria independente para avaliar a situação da empresa. Fernando dos Santos, sócio da empresa de auditoria, menciona que a estatal buscou o resgate das aplicações no Digimais, mas não deixa claro porque os valores não foram recuperados até ali.
Pouco depois, em nota técnica feita em 13 de março, Santos dobra a aposta. A DFI define a situação do Digimais como “negativa”, com “reversão para lucro semestral, melhora de Basileia; prejuízos acumulados e forte dependência de depósitos a prazo”. Mesmo assim, defende a manutenção dos investimentos: “há mitigantes de risco que levam à recomendação da manutenção das atuais posições”.
O fator mitigante, segundo a DFI, seria uma cobertura de até R$ 40 milhões pelo Fundo Garantidor de Crédito em caso de calote. Naquele momento, a Cedae tinha cerca de R$ 39 milhões aplicados no Digimais.
Diretoria da Cedae recomendou manutenção de investimentos em meio à crise do Digimais (Crédito: Arte/ ICL Notícias)
Pouco depois, no final de março, Fitch rebaixou a nota do banco de Edir Macedo para BB-, classificação já considerada de grau especulativo.
Em 26 de maio, a Moody’s pintou um quadro ainda mais crítico: rebaixou o banco de Edir Macedo para CCC+ –o que representa risco iminente de calote dos investidores. O comunicado da agência é aterrador.
“O rebaixamento dos ratings do Digimais reflete a avaliação da Moody’s Local Brasil sobre um aumento significativo no risco dos ativos do banco, principalmente devido à sua crescente exposição aos fundos de investimento alternativos ao longo de 2025. Em dezembro de 2025, a carteira de títulos e valores mobiliários, composta majoritariamente por cotas de fundos de investimento, totalizava R$ 4,3 bilhões, correspondendo a cerca de 42% do total de ativos e representando 5,4 vezes o patrimônio líquido do banco. A qualidade e a recuperabilidade desses investimentos são incertas, como evidenciado pelo parecer de auditoria externa com ressalvas sobre R$ 3,1 bilhões, ou 73% dos fundos reportados, devido às limitações de informações sobre a adequação desses valores”, diz o relatório da Moody’s.
.A Política de Aplicações Financeiras da Cedae em vigor àquela altura vetava aplicações financeiras em instituições com notas tão baixas, mas o saque imediato não foi possível porque os contratos amarravam a estatal até a data de vencimento dos investimentos.
Em noite de festa, após quebrar o jejum de 16 anos e conquistar a Copa do Nordeste de 2026, os torcedores do Vitória aproveitavam o tradicional pós-jogo no estacionamento do Barradão, na noite deste sábado (6), quando foram surpreendidos por agentes da Polícia Militar (PM) dispersando o público do local.
Em vídeos compartilhados nas redes sociais, é possível ver o momento em que os policiais usam spray de pimenta e até mesmo efetuam disparos no meio dos torcedores. Os rubro-negros afirmam que não houve qualquer gatilho que justificasse tamanha reação.
Em nota ao Bahia Notícias, a corporação informou ter tomado conhecimento da ocorrência. Segundo a PM, o policiamento do evento foi planejado e executado com o objetivo de garantir a segurança dos torcedores, atletas, profissionais envolvidos e demais cidadãos presentes, abrangendo as áreas de acesso, permanência e dispersão do público.
A instituição ressaltou que, em razão das imagens e manifestações que passaram a circular após o evento, o Comando-Geral determinou que a Corregedoria da Polícia Militar da Bahia iniciasse um procedimento para investigar as circunstâncias dos fatos, incluindo a análise das imagens disponíveis, dos registros operacionais e dos relatos apresentados.
“A Polícia Militar da Bahia reafirma seu compromisso com a legalidade, a transparência e o aperfeiçoamento contínuo de seus procedimentos, assegurando que os fatos serão rigorosamente apurados no âmbito dos órgãos competentes da Corporação”, escreveu em nota.
Procurado pelo BN, o Esporte Clube Vitória, até o momento da publicação desta matéria, não se pronunciou sobre o caso.
O prefeito de Capim Grosso e presidente da Federação dos Consórcios Públicos do Estado da Bahia (FECBahia), Sivaldo Rios, afirmou neste domingo (7), durante o Programa de Governo Participativo (PGP) de Jerônimo Rodrigues em Ipirá, que defender a reeleição do governador é tarefa simples diante do volume de investimentos realizados no estado.
"É muito fácil defender esse projeto, não pelas cores do partido, mas pelo que tem acontecido de bom para toda a Bahia. Tem muita entrega e acolhimento", disse Sivaldo.
O prefeito destacou a trajetória dos governos petistas na Bahia desde a gestão do senador Jaques Wagner.
"Se você buscar no retrovisor um pouco distante, vai ver o que era esse estado e o que é esse estado hoje", afirmou, ressaltando o entusiasmo das lideranças do interior para renovar o projeto de Jerônimo e dos partidos aliados.
O municipio de Campim Grosso fica na microregião de Jacobina, possui pouco mais de 35 mil habitantes (IBGE 2024) e está há 272 km da capital baiana.
Vereadoras da direita na Câmara Municipal de São Paulo aumentaram a pressão sobre a gestão Ricardo Nunes (MDB) para que sejam esclarecidas as suspeitas em torno de um contrato de mais de R$ 100 milhões firmado com a ONG Instituto Conhecer Brasil (ICB). A entidade é presidida por Karina Ferreira da Gama, produtora do filme Dark Horse, longa sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) cercado por suspeitas.
Os questionamentos partem de Amanda Vettorazzo (União) e Janaína Paschoal (PP), ambas de partidos que apoiam o prefeito, em um momento em que Nunes classifica a investigação como “perseguição política”. O contrato prevê a instalação de pontos de wi-fi gratuito pela cidade e virou alvo em operação da Polícia Civil — a suspeita é de que desvios do contrato possam ter financiado parte do filme.
A esquerda já vinha explorando o episódio para desgastar tanto Nunes quanto a campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL), mas agora o caso começa a incomodar aliados do próprio prefeito.
Omissão
Amanda Vettorazzo enviou ofício à Prefeitura de São Paulo no qual aponta suspeitas de irregularidades na contratação. Embora aliada de Nunes, a parlamentar é adversária da família Bolsonaro, posição comum entre os integrantes do Movimento Brasil Livre (MBL). O documento questiona os critérios de escolha da entidade, a sua qualificação técnica, os pagamentos já realizados, os relatórios de execução e os mecanismos de fiscalização adotados pela prefeitura.
O ofício ainda levanta a hipótese de negligência. Segundo o documento, se confirmada a ausência de verificação adequada da capacidade técnica de organização anteriormente voltada a eventos literários para assumir contrato de infraestrutura tecnológica de R$ 150 milhões, isso configuraria, no mínimo, omissão do poder público.
Janaína Paschoal, que mantém postura mais independente em relação à gestão Nunes, também cobra respostas. Em ofício datado de 3 de junho, a vereadora relata que assessores de seu gabinete tentaram usar o serviço de wi-fi nas regiões leste (Guaianazes) e central antes mesmo de o caso ganhar repercussão na mídia. Nos locais, encontraram sérias dificuldades técnicas, tornando o serviço praticamente inutilizável. O levantamento aponta ainda inconsistências geográficas na lista de pontos cadastrados.
Esse não é o primeiro questionamento de Janaína sobre o instituto. Em requerimento anterior, ela pediu explicações sobre o evento Tech Friday, realizado pela entidade em dezembro de 2025, na região da Santa Efigênia, com custo de R$ 2,5 milhões. Segundo o documento, não há registros fotográficos, comprovantes de público ou qualquer documentação que ateste a realização da feira ou detalhe como o dinheiro público foi empregado.
“Perseguição política”
Na mesma semana em que a ONG foi alvo de mandado de busca e apreensão, Nunes surpreendeu ao elogiar publicamente Karina Ferreira da Gama. “Eu acho uma pessoa decente, uma mulher trabalhadora, que conhece o Bolsonaro e está passando por isso”, disse o prefeito a jornalistas.
O emedebista negou que verbas municipais tenham financiado o filme e atribuiu a linha de investigação da Polícia Civil a motivações políticas. “Estão indo atrás de um contrato com a prefeitura de 2024 por causa do filme? Aí é grave, é perseguição política”, afirmou. O inquérito em curso busca apurar justamente se parte dos recursos públicos pagos à ONG foi desviada para a produção do documentário.
Após o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) destacar a autonomia da polícia, o prefeito acabou baixando o tom.
O que diz a ONG
O ICB, por sua vez, afirma que cumpriu integralmente o mandado judicial expedido pelas autoridades, afirmando ter colaborado de forma “transparente, respeitosa e imediata” com os procedimentos realizados. Segundo a entidade, desde o início colocou-se à disposição para fornecer documentos, informações e esclarecimentos necessários à apuração dos fatos.
Em nota, o instituto disse ainda que contratou perícia e auditoria especializadas para dar suporte técnico e jurídico às investigações e que está colaborando com os órgãos responsáveis. A organização declarou confiar que os procedimentos em curso irão demonstrar a “regularidade das ações desenvolvidas”, a “correta aplicação dos recursos” e a “inexistência de desvio de finalidade” nos projetos executados. Também afirmou que seguirá à disposição da Justiça e dos órgãos de controle, defendendo que a análise técnica e documental contribuirá para o “completo esclarecimento dos fatos”, com observância do devido processo legal, da transparência e do compromisso com a verdade.