sábado, 13 de junho de 2026

Eleições 2026: Flávio Bolsonaro, a cópia malfeita do pai preso, diz Ricardo Noblat

                                             foto:Reprodução/Redes Sociais


Flávio Bolsonaro passou a usar colete à prova de balas em eventos públicos. A medida visa à sua segurança, mas serve principalmente para lembrar a facada que seu pai levou em Juiz de Fora. O “Zero Um”, que tenta se vender como uma versão moderada do pai, não consegue esconder que é apenas uma cópia malfeita dele.

Se o pai se batizou nas águas do Rio Jordão, em Israel, para conquistar o voto dos evangélicos, Flávio foi à Marcha para Jesus para usá-la como palco de comício. O evento costumava reunir mais de um milhão de pessoas, mas, este ano, atraiu menos de 40 mil. O eleitor evangélico não é bobo e não deve ser confundido com o bolsonarista que bate continência para pneu e defende um golpe de Estado.

No primeiro ano de seu governo, Bolsonaro anunciou a transferência da embaixada do Brasil em Tel Aviv para Jerusalém para agradar ao governo israelense, mas não cumpriu a promessa. Flávio, por sua vez, foi a Jerusalém rezar como um bom judeu no Muro das Lamentações. Como não sabia o que rezar, sacou o celular e leu o que lhe sugeriram na tela.

Bolsonaro quis uma mulher para vice, mas acabou trocando Janaina Paschoal, professora da Universidade de São Paulo, pelo general da reserva Hamilton Mourão — a quem escantearia mais tarde por medo de ser derrubado. Agora, Flávio está à procura de uma mulher para a sua chapa. A senadora Tereza Cristina implora para ficar de fora dessa. Já Júlia Zanatta, deputada federal por Santa Catarina e bolsonarista raiz, torce para que Flávio a escolha, pois se considera apta para a tarefa.

Em meados do ano passado, por exemplo, Zanatta participou do levante de deputados da extrema-direita que tentou impedir a retomada dos trabalhos na Câmara. Eles queriam, em troca, a garantia de votação do projeto de anistia ampla, geral e irrestrita para os golpistas do 8 de janeiro. Na ocasião, a deputada gravou um vídeo amamentando sua filha recém-nascida. Há dias, em entrevista, ela reclamou da “inflação estratosférica” que se abateu sobre o Brasil. Questionada sobre o valor exato da inflação, ela não soube responder e precisou consultar o Google.

As mulheres são a maioria do eleitorado brasileiro e, em 2022, foram decisivas para que Lula derrotasse Bolsonaro. Hoje, conforme a mais recente pesquisa Meio Ideia, 47,6% das mulheres pretendem votar em Lula no segundo turno, contra 39% em Flávio. Entre os homens, o cenário é mais equilibrado: 45,3% para Lula e 44% para Flávio.

Não é por um apreço especial pelas mulheres que Bolsonaro cogitou uma vice há quatro anos, nem é por isso que Flávio cogita agora. Trata-se de necessidade e oportunismo. Bolsonaro está em seu terceiro casamento, e as mães de Flávio, Carlos, Eduardo e Jair Renan o traíram.

Antes de procurar uma vice, Flávio deveria se assegurar da solidez de sua própria candidatura que, no momento, capenga e segue ameaçada. Ninguém gosta de votar em um candidato que não vai ganhar, muito menos aceitar o posto de vice dele. Nem mesmo por vaidade, o pecado favorito do Diabo.


Fonte: BLOG DO NOBALT/METRÓPOLES - 13/06/2026

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