“Nunca se calou”, diz Lula ao homenagear Raimundo Rodrigues Pereira (Foto: Marina Ramos/Camara dos Deputados )
247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva prestou uma homenagem ao jornalista Raimundo Rodrigues Pereira, que morreu neste sábado, aos 85 anos, no Rio de Janeiro, destacando sua trajetória como um dos maiores nomes da imprensa brasileira e símbolo da resistência democrática. Em mensagem, o presidente ressaltou a firmeza de Raimundo diante da repressão: “Mesmo tendo sido perseguido e preso pela ditadura militar, nunca deixou de lutar pela democracia e pela liberdade de imprensa. E, o que é mais importante: nunca se calou.”
Lula também destacou o papel decisivo de Raimundo na construção da chamada imprensa alternativa, que emergiu como resposta à censura e ao controle dos grandes veículos durante o regime militar.
Após atuar nas principais revistas do país nos anos 1960, Raimundo esteve à frente de iniciativas fundamentais no jornalismo crítico. Foi editor-chefe do semanário Opinião no início dos anos 1970 e, em 1975, fundou o jornal Movimento, um projeto inovador e independente, sem vínculos com grandes grupos editoriais.
O primeiro a revelar o novo sindicalismo.
O presidente lembrou ainda o papel pioneiro de Raimundo na cobertura das lutas operárias no ABC paulista, que dariam origem ao novo sindicalismo brasileiro:
“O primeiro a mostrar, em nível nacional, o que significava a luta sindical e por liberdade que empreendemos no ABC no final dos anos 70. E fez isso muito antes do que se chamava ‘a grande imprensa’.”
A declaração reforça a importância histórica do trabalho de Raimundo na antecipação de processos políticos e sociais que marcariam a redemocratização do país.
Solidariedade à família e aos jornalistas.
Ao final da homenagem, Lula manifestou solidariedade aos familiares, amigos e colegas de profissão do jornalista: “Quero enviar meu forte abraço para a família e os amigos de Raimundo Rodrigues Pereira. E também para seus colegas de trabalho e todos os jornalistas que foram inspirados por sua trajetória.”
Um legado que atravessa gerações.
A manifestação do presidente sintetiza o reconhecimento de uma trajetória marcada pela coragem, pela independência e pelo compromisso com o Brasil.
Raimundo Rodrigues Pereira deixa como legado não apenas sua obra, mas um exemplo de jornalismo que enfrentou a censura, deu voz às lutas populares e ajudou a construir os caminhos da democracia brasileira.
O policial militar e influencer digitalDiego Corrêafez um vídeo para se defender de uma ocorrência em que baleou um motociclista na madrugada desta sexta-feira (1°) em um viaduto na região do Imbuí que dá acesso à Avenida Paralela, em Salvador.
Segundo relato do policial-influenciador, ele havia saído de uma lanchonete e seguia a bordo de um carro para uma academia quando notou que um homem atrás e que conduzia uma motocicleta fazia zigue-zague na via. Ele seguiu o trajeto, quando percebeu que ao entrar no viaduto, o homem reduziu a velocidade.
Temendo uma emboscada, o agente reduziu também a velocidade e ao passar pelo motociclista o abordou, se apresentando como policial. Neste momento, segundo relato do policial, o homem, de prenome Misael, teria colocado a mão na cintura, momento em que Corrêa disparou, atingindo o pescoço do motociclista.
Um homem de 21 anos, investigado por participação no estupro coletivo de duas crianças, de 7 e 10 anos, em São Paulo, foi preso na noite de sexta-feira (1º) emBrejões, no interior da Bahia.
Alessandro Martins dos Santos foi localizado em uma casa na Rua da Torre, no distrito de Serrana. A Guarda Civil Municipal de Brejões foi acionada após denúncia de tentativa de furto. Havia a informação de que o suspeito havia fugido para a Bahia após o crime.
O homem era alvo de mandado de prisão temporária expedido pela Justiça de São Paulo, a pedido do 63º Distrito Policial, responsável pela investigação. Após a detenção, ele foi encaminhado para a 1ª Delegacia Territorial em Jequié, a cerca de 130 quilômetros de Brejões.
Além do suspeito preso, a polícia identificou quatro adolescentes que teriam participado da violência. Três foram apreendidos, um em Jundiaí e dois na capital paulista, e um segue sendo procurado.
A investigação aponta que o suspeito deixou São Paulo após o caso ganhar repercussão. A apuração também indica que o crime teria sido filmado e divulgado em redes sociais.
Segundo Divaldo Rosa, subprefeito de São Miguel Paulista, os vídeos foram compartilhados pelos próprios envolvidos. A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou que a Polícia Civil iniciou as tratativas para a transferência do preso para a capital paulista.
O cantor Kinho do Rodo, da banda O Rodo da Bahia, morreu na madrugada deste domingo (2). A informação foi divulgada no perfil oficial do vocalista em collab com o perfil do grupo.
A equipe do vocalista usou o instagram para revelar a possível causa da morte. " Após apurar os fatos, recebemos notícias de amigos próximos, que ele passou mal com uma dor no peito no sofá, na casa de um amigo e acabou falecendo por volta das 01h30m. Existem especulações que pode ter sido um infarto, mas iremos esperar o laudo do IML para dar a certeza para os amigos e fãs", escreveu.
Nas redes sociais, seguidores, amigos e integrantes deixaram mensagens lamentando o ocorrido. "Pra quem está perguntando se é sério… é sim gente! Sou dançarina do rodo e tbm recebi essa notícia triste e estou em choque", comentou uma seguidora que se identificou como dançarina.
"Tu fez parte da minha infância aqui na Paraiba. Ouvi muito você nos meus cds e nas rádios. Você era uma febre aqui. Vou sempre lembrar das suas músicas e tua alegria. Descanse em Paz", disse outro seguidor.
"Acordei agora com esta triste notícia. Estive com ele a pouco tempo , resenhamos no camarim e cantamos juntos! Que Deus te receba de braços abertos meu amigo. A música hoje amanhece de luto". Informações do Bocão News em 02/05/2026
O feirense Jadiel Antônio Ferreira da Silva, conhecido como Júnior Pitbull, morreu nesta sexta-feira (1º) após ser atingido por um drone durante o conflito entre Ucrânia e Rússia. Ele tinha 39 anos.
Natural de Feira de Santana, Jadiel trabalhava como segurança de eventos antes de viajar. Segundo informações do site Bom Dia Feira, a família teria sido informada da morte por um colega brasileiro, que enviou uma mensagem de voz à namorada da vítima comunicando o ocorrido. Informações do Bahia Notícias.
O pré-candidato à Presidência pelo Novo,Romeu Zema, afirmou nesta sexta-feira (1º) que pretende alterar a legislação brasileira que proíbe o trabalho infantil caso seja eleito. Atualmente, a lei impede o trabalho de menores de 16 anos, permitindo apenas a atuação como aprendiz a partir dos 14, sob regras específicas.
Durante participação no podcast Inteligência Ltda, transmitido no Dia do Trabalhador, Zema criticou a proibição e citou exemplos de outros países. Ele mencionou que, nos Estados Unidos, crianças podem realizar atividades como a entrega de jornais em troca de pagamento.
Para o político do Novo, o trabalho infantil é proibido hoje por causa da esquerda. “Aqui, que a esquerda criou essa noção de que trabalhar prejudica a criança.”
Segundo o ex-governador de Minas Gerais, que disse ter trabalhado desde a infância, a legislação brasileira estaria limitando oportunidades. “Aqui é proibido. Você está escravizando a criança. É lamentável, mas tenho certeza de que vamos mudar isso”, declarou.
Uma técnica de radiologia registrou um boletim de ocorrência na Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) contra o senador Magno Malta (PL-ES), por agressão.
Segundo a vítima, o parlamentar deu um tapa na cara dela e a xingou de “imunda” durante um exame no hospital DF Star, que iniciou uma apuração administrativa sobre o fato. O caso foi registrado nessa quinta-feira (30/4)
A vítima relatou, ainda, que, ao iniciar a injeção de contraste, o equipamento identificou uma oclusão, interrompendo automaticamente o procedimento. Ao verificar a situação, a profissional constatou o extravasamento do líquido no braço do paciente.
Ainda segundo o depoimento, ao explicar a necessidade de realizar compressão no local afetado, o parlamentar teria reagido de forma agressiva. Malta teria se levantado do aparelho e, quando a auxiliar se aproximou para prestar assistência, foi recebida com um tapa no rosto. A agressividade foi tanta que chegou a entortar os óculos da mulher. O parlamentar ainda teria xingado a auxiliar de enfermagem de “imunda” e “incompetente”.
Assustada após a agressão, a profissional deixou imediatamente a sala e acionou outros integrantes da equipe médica, incluindo uma enfermeira e um médico. No entanto, conforme relatado, o senador teria recusado atendimento posterior.
A auxiliar relatou dor e vermelhidão no rosto após o ocorrido e declarou estar com medo de um possível novo encontro com o agressor. O caso foi formalmente registrado e será ser investigado pela PCDF.
A coluna Na Mira acionou tanto o hospital quanto o senador Magno Malta, questionando sobre ocorrência registrada. Em nota, o hospital garantiu que tem dado suporte à colaboradora que relatou ter sido vítima de agressão. “A unidade também reitera que está à disposição para prestar todos os esclarecimentos necessários às autoridades envolvidas na investigação do episódio”.
Em nota, o senador alegou que houve falha técnica no acesso, mesmo após alertar, por diversas vezes, que o procedimento estava incorreto e lhe causava fortes dores.
“Diante da situação e da forma como foi tratado, o senador deixou sozinho a sala de exames (estava desacompanhado nesse momento). Ressalta-se que Magno Malta possui dificuldades de locomoção e poderia ter sofrido queda ou agravamento do quadro em razão da desorientação causada pelo episódio, o que evidencia a gravidade e a irresponsabilidade da condução adotada”, disse. Questionado se ele confirma o tapa que a técnica alega ter sofrido,o senador disse, apenas, que só se recorda da dor intensa que sentiu com o extravasamento do contraste.
Internação
O senador foi hospitalizado nessa quinta-feira, após passar mal no momento em que seguia para o Congresso Nacional. O parlamentar publicou um vídeo nas redes sociais, afirmando que estava bem e em processo de recuperação.
fonte:Coluna na Mira/ Carlos Carone/Metrópoles - 01/05/2026
Após a repercussão da publicação que celebrava a redução de penas para crimes contra o Estado Democrático de Direito, o Senado apagou o conteúdo de suas redes sociais. A retirada ocorre após reportagem do ICL Notícias que destacou o tom adotado pela instituição ao tratar do tema.
O post original afirmava que a nova regra resultaria em “menos tempo de prisão para crimes contra o Estado democrático” e apresentava como efeito positivo a flexibilização da dosimetria penal. A publicação também destacava que crimes como sabotagem, espionagem, golpe de Estado e financiamento de atos antidemocráticos teriam progressão mais rápida de regime.
Brasília – DF- 30/04/2026 – Sessão do congresso que derrubou o veto do projeto de lei da dosimetria de penas. Foto: Lula Marques/ Agência Brasil.
A postagem foi feita logo após o Congresso Nacional derrubar o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao PL da dosimetria, em votação com ampla maioria nas duas Casas.
Em nota, o Senado afirmou que o conteúdo foi retirado após interpretações negativas:
“O Senado Federal informa que o objetivo de suas redes sociais é traduzir a atividade legislativa em linguagem simples aos cidadãos, e nunca fazer juízo de valor sobre as propostas votadas.
Por haver sido mal-interpretado, o post foi substituído, no intuito de sempre explicar aos cidadãos o que foi votado pelos parlamentares.”
Post do Senado no Instagram – Reprodução
A justificativa contrasta com o conteúdo original da publicação, que utilizava termos como “menos tempo de prisão” e “mais branda” para descrever os efeitos da medida, além de destacar benefícios diretos para condenados por crimes contra a democracia.
A derrubada do veto ao PL da dosimetria ocorreu na quinta-feira (30), com 318 votos a 144 na Câmara dos Deputados e 49 a 24 no Senado. A proposta altera o cálculo das penas em casos de concurso de crimes, permitindo que, quando considerados parte de um mesmo contexto, prevaleça apenas a pena do crime mais grave.
Na prática, a mudança reduz o tempo total de prisão e acelera a progressão de regime, com impacto direto sobre condenações relacionadas aos atos de 8 de janeiro.
Nos bastidores, a votação é atribuída a uma articulação entre partidos do centrão e a extrema direita, que também atuaram para barrar a criação de uma CPI para investigar o caso Banco Master e pressionaram pela rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal.
A retirada do post ocorre em meio à repercussão negativa do tom adotado pela comunicação institucional do Senado, que foi interpretado como celebração de uma medida que reduz punições para crimes contra a ordem democrática.
A Ordem dos Advogados do Brasil no Distrito Federal (OAB-DF) se manifestou, nesta quinta-feira (30/4), sobre a ausência de artistas negros na programação do Festival Melodya, que integrou o Festival de Música Negra, no último fim de semana, em Ceilândia (DF). Para a entidade, a medida configura apagamento cultural.
“A participação quase nula de artistas negros na grade revela uma contradição evidente entre o discurso e a prática”, declarou ao Metrópoles a presidente da Comissão de Igualdade Racial (CIR) da OAB-DF, Tuanne Costa Silva. “Não se trata apenas de programação, mas de representatividade, coerência e respeito à cultura negra”, completou.
Essa exclusão também dialoga com uma história longa de apagamento. Quando um evento vinculado à música negra quase não abre espaço para artistas negros, reproduz-se uma lógica histórica de invisibilização que precisa ser enfrentada com responsabilidade.”
A presidente da Comissão de Igualdade Racial afirma que a pasta não foi formalmente acionada, mas que segue acompanhando a repercussão do episódio. Tuanne também comentou a respeito dos comportamentos do cantor Felipe Sales, que fez parte do festival e fez piada de cunho preconceituoso sobre o caso.
“Ainda que os conteúdos tenham sido retirados do ar [por parte do cantor], isso não afasta, por si só, a análise da conduta já praticada”, alerta Tuanne Costa Silva. “A orientação é que as pessoas eventualmente ofendidas busquem a assistência de um advogado especializado para avaliação das medidas cabíveis no caso concreto”, encerrou.
O Festival de Música Negra, realizado entre 24 e 26 de abril, na Praça da Bíblia, em Ceilândia (DF), criou uma espécie de subevento, o Festival Melodya, dentro da própria grade de programação. O Melodya contou com 20 atrações, mas quase nenhum desses artistas são negros, indo contra o próprio nome do Festival de Música Negra.
O Melodya contou com artistas de renome nacional, como a cantora Paula Guilherme, os MCs Jhey e Matheuzim, o DJ Lucas Beat, entre outros. A funkeira Melody chegou a ser anunciada, mas não se apresentou. Após a divulgação do caso, o perfil do evento no Instagram foi desativado.
O Festival de Música Negra, que está em sua terceira edição, é organizado pela Associação Brasiliense e Promoção à Cultura, Diversidade e Formação do DF (ABC-DF). O projeto recebeu R$ 700 mil de fomento por parte da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (Pnab).
Criada em 2022 pelo governo federal, a Pnab repassa recursos aos estados e ao DF para fomentar o setor cultural do país. O Ministério da Cultura é responsável por gerir a iniciativa.
Outro lado
Em resposta à reportagem, a produtora ABC-DF informou que possuía muito espaço vago na grade de programação e não dispunha de recursos financeiros para contratar artistas locais. Firmou-se, então, uma parceria com uma produtora de fora do DF que cuida da carreira dos artistas exibidos anteriormente na reportagem. O Festival Melodya, portanto, teria nascido dessa parceria.
Em um dia de alívio nos mercados globais diante do recuo nos preços internacionais do petróleo, o dólar terminou a sessão desta quinta-feira (30/4) em queda firme, a R$ 4,95, enquanto o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores do Brasil (B3) fechou em forte alta.
Na última sessão do mês de abril, os investidores também repercutiram os dados do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA e do Índice de Preços de Gastos com Consumo (PCE, na sigla em inglês), a chamada “inflação do consumo” na maior economia do mundo.
No cenário doméstico, o principal destaque do dia foi a divulgação do índice de desemprego pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A moeda norte-americana terminou a sessão desta quinta-feira em baixa de 0,99% frente ao real, cotada a R$ 4,952. É o menor valor em mais de 2 anos, desde o dia 7 de março de 2024.
Na cotação máxima do dia, o dólar bateu R$ 4,999. A mínima foi de R$ 4,951.
No dia anterior, o dólar terminou a sessão em alta de 0,4%, cotado a R$ 5,00.
Com o resultado, a moeda dos EUA acumula perdas de 4,41% em abril e de 9,87% em 2026 frente ao real.
Ibovespa
O Ibovespa, principal indicador do desempenho das ações negociadas na B3, fechou o pregão com valorização de 1,39%, aos 187,3 mil pontos.
Na véspera, o indicador fechou o pregão em queda de 2,05%, aos 184,7 mil pontos.
Com o resultado, a Bolsa brasileira acumula baixa de 0,06% no mês e valorização de 16,05% no ano.
Umhomem de 40 anos morreu após cair de uma altura aproximada de80 metrosdurante uma escalada noMorro da Ponta-Aguda, emItatim, no interior daBahia. O caso aconteceu na última terça-feira (28) e segue sob investigação.
A vítima foi identificada como Igor Andreoni Barbabella, natural de Minas Gerais.
Em nota ao iG, a Polícia Civil da Bahia informou que a Delegacia Territorial de Itatim registrou a ocorrência e que o corpo foi encontrado nas proximidades do morro, na zona rural do município.
io.
Reprodução rede social
BA: escalador morre após queda de 80 m em paredão
De acordo com os primeiros levantamentos, não há indícios de crime. Guias para a realização de perícia e remoção do corpo foram expedidas.
A companheira de Igor, que também participava da escalada, presenciou o acidente. A Associação de Escaladores de Itatim afirmou nas redes sociais que ela está sendo assistida e recebe apoio nos procedimentos necessários após o ocorrido.
Uma garra da escalada se rompeu
Segundo relato atribuído à mulher, o casal subia pela via conhecida como “Lisbela e o Prisioneiro” quando o acidente aconteceu. Ela contou que uma agarra se rompeu ainda na primeira enfiada, trecho inicial entre pontos de ancoragem, e que uma pedra também se soltou durante a progressão.
Ainda conforme o depoimento, o guia teria indicado que a qualidade da rocha melhoraria nas etapas seguintes, o que motivou a continuidade da subida.
Em outro trecho do relato, a mulher afirmou que Igor avançava por um trecho de quinto grau, considerado confortável para ele, em direção à parada, mas sem utilizar proteção móvel, apesar de carregar equipamentos desse tipo. Ela disse não saber ao certo se houve erro de trajeto, falha na rocha ou uma queda repentina.
Momentos depois, ouviu o companheiro pedir ajuda e o viu despencar ao seu lado, sem que o equipamento de segurança absorvesse o impacto. Segundo ela, a corda, uma Petzl Volta de 9,2 mm com cerca de um ano e meio de uso, teria se rompido durante a queda.
(Folhapress) – Na contramão de boa parte do mundo, o Brasil não tem um mecanismo formal de reavaliação periódica de médicos ao longo da carreira. Após obter o registro profissional, eles podem atuar por décadas sem exigência comprovada de atualização, um cenário cada vez mais questionado diante do avanço acelerado do conhecimento científico e das transformações tecnológicas na saúde.
Países da Europa, da América do Norte e da Oceania já consolidaram sistemas de recertificação ou revalidação de médicos. No ano passado, a AMB (Associação Médica Brasileira) aprovou uma resolução para implantar um modelo de reavaliação de especialistas, mas recuou após embates com o CFM (Conselho Federal de Medicina), que questionou a competência da associação para regulamentar o tema.
“O CFM entendeu que essa não era uma atribuição da AMB e que caberia aos conselhos regulamentar e fiscalizar o exercício profissional”, afirma o ginecologista e obstetra César Fernandes, presidente da AMB. “Ninguém disse que a ideia era ruim. O que houve foi contestação sobre quem deveria conduzi-la.”
Ele diz que, diante do impasse, a AMB revogou a proposta e criou com o CFM um grupo de trabalho para criar um sistema de créditos contínuo, no qual o médico deverá acumular 100 créditos em até cinco anos consecutivos, por meio produção científica e participação em atividades como congressos e cursos.
Chamado CMEA (Cadastro do Médico Especialista Atualizado), o modelo deve ser finalizado ainda neste semestre e prevê adesão voluntária dos especialistas. A população poderá saber se o médico está ou não atualizado ao consultar a lista de especialistas da AMB. Procurado, o CFM não comentou o assunto.
“É um reconhecimento formal ao médico que investe na sua atualização, sem interferir no título vitalício de especialista”, diz Fernandes. “Não estamos inventando nada. Estamos copiando um sistema que funciona, baseado em créditos, transparente e factível. E não há nenhum interesse oculto. O objetivo é valorizar o médico e dar mais segurança ao paciente.”
E por que não tornar essa atualização médica obrigatória? “Eu gostaria, mas isso exigiria mudança na legislação”, afirma. Ainda assim, ele diz que a expectativa é que o próprio mercado e os pacientes passem a valorizar profissionais certificados, criando um incentivo indireto à participação.
Para Mário Dal Poz, professor titular da Uerj (Universidade Estadual do Rio de Janeiro), não é aceitável a total ausência de mecanismos de avaliação médica periódica no país. “Ainda mais diante da velocidade com que novos conhecimentos e tecnologia ocorrem”, diz ele, que já coordenou o programa de recursos humanos em saúde da OMS (Organização Mundial da Saúde).
Hoje, no Brasil, o reconhecimento de especialistas acontece por dois caminhos: a conclusão de residência médica ou a aprovação em prova de título aplicada por sociedades médicas vinculadas à AMB. Em ambos não há exigência posterior de revalidação. Para Dal Poz, essa lacuna tende a ganhar relevância à medida que o sistema de saúde se torna mais complexo e mais cobrado por resultados.
“Diversos países adotam mecanismos formais, com modelos diferentes, mas todos partem do mesmo princípio: o médico precisa demonstrar que continua apto ao longo do tempo”, afirma Dal Poz.
Segundo ele, em alguns países a recertificação é baseada apenas no acúmulo de créditos em educação continuada; em outros, inclui avaliação de desempenho, revisão por pares e análise de resultados clínicos. “Mesmo onde é obrigatória, a forma de implementar muda bastante [periodicidade, tipo de prova, quem regula]. Mas a ideia de algum tipo de acompanhamento é amplamente aceita”, diz.
Nos Estados Unidos, a exigência de atualização se intensificou ao longo do tempo. “O modelo evoluiu de uma revalidação a cada dez anos para ciclos mais curtos e, hoje, há exigências anuais de comprovação de atividades de educação continuada”, afirma Fernandes, da AMB. O processo se baseia no acúmulo de créditos obtidos em congressos, cursos e produção científica, lógica que inspirou a proposta brasileira.
Para o professor da USP Mario Scheffer, coordenador do estudo Demografia Médica no Brasil, a dificuldade de avançar na recertificação de médicos no país decorre, antes de tudo, de problemas mais estruturais e urgentes na formação e certificação profissional.
Médicos. (Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil)
Segundo ele, o Brasil convive hoje com cerca de 260 mil médicos sem título de especialista obtido por vias formais, seja por residência médica ou por prova de sociedades médicas. “Há milhares de médicos que atuam como especialistas sem certificação formal. Nesse contexto, a recertificação acaba aparecendo como um problema coadjuvante, embora seja importante”, afirma.
Na avaliação de Scheffer, é preciso discutir a reavaliação periódica dos especialistas, mas, ao mesmo tempo, enfrentar fragilidades do próprio sistema que os certifica. “Mesmo entre os cerca de 360 mil médicos especialistas formalmente reconhecidos no país há forte heterogeneidade na formação e nos critérios de qualificação.”
Aproximadamente 65% deles obtiveram o título por residência médica, e os demais por exames das sociedades vinculadas à AMB. Os dois caminhos são legítimos, mas há padrões variados de exigência e qualidade. “Temos um apagão de avaliação. O Brasil nunca avaliou adequadamente esse modelo híbrido de certificação”, diz.
Para ele, essa diversidade ajuda a explicar por que a recertificação encontra resistências. Falta consenso, por exemplo, sobre quem deveria conduzir o processo a Comissão Nacional de Residência Médica, a AMB ou um arranjo conjunto e se o modelo seria voluntário ou obrigatório. “Há interesses institucionais. Recertificar também significa regular, avaliar e eventualmente gerar receitas. Isso trava o debate”, afirma.
Scheffer argumenta, porém, que essas dificuldades não diminuem a urgência do tema em um país que poderá ter 1,2 milhão de médicos em menos de uma década. Para ele, a atualização é um instrumento central para assegurar competência contínua, qualidade assistencial e segurança do paciente.
Esse processo, ele reforça, também é estratégico para a sustentabilidade do sistema de saúde ao evitar práticas defasadas e custos indevidos decorrentes de condutas inadequadas.