segunda-feira, 27 de abril de 2026

Rio: Câmeras corporais mostram PMs combinando versão após morte de empresário



                                              foto:reprodução


Imagens de câmeras corporais mostram PMs monitorando o empresário Daniel Patrício Santos Oliveira antes de ele ser morto a tiros na Pavuna, na Zona Norte do Rio. As imagens desmontam a versão apresentada pelos agentes de que teriam agido em legítima defesa.

Daniel Patrício Santos de Oliveira tinha uma loja de produtos eletrônicos na região e voltava de um pagode com três amigos quando foi baleado pelos PMs do 41º BPM (Irajá), por volta de 3h30.  As imagens foram divulgadas pelo Fantástico, da TV Globo.

Os vídeos registram o momento em que um PM avança em direção à caminhonete e dispara dezenas de tiros de fuzil. Dois policiais militares foram presos em flagrante pela Corregedoria da PM após a morte do empresário por homicídio doloso.

“Após a análise das imagens das câmeras operacionais portáteis (COPs), foram detectados indícios de cometimento do crime de homicídio doloso por parte dos policiais”, diz a PM.

Nas gravações, um policial avisa ao colega: “Tá descendo o Russo agora!” Logo em seguida, Daniel entra na rua e é alvo dos disparos. Segundo a investigação, não havia blitz, bloqueio nem ordem de parada. Daniel não estava sozinho no veículo. Três acompanhantes sobreviveram e aparecem nas imagens logo após os tiros.

Um deles grita: “Meu Deus, mano. Pelo amor de Deus, mano! Coé meu chefe, que que a gente fez?” Outro relata que o empresário foi atingido no rosto.

Depois dos disparos, moradores se aproximaram e questionaram a ação policial. O PM que atirou apresentou uma versão diferente do que aparece nas imagens. Disse que o carro teria acelerado contra a guarnição no momento de uma suposta abordagem.

As câmeras também registram o policial orientando como o caso deveria ser registrado oficialmente. Ele fala em “averiguação de pessoa e veículo”, “troca de tiro” e “legítima defesa”. Em seguida, repete a mesma narrativa por telefone e depois na delegacia.

“A gente fala que na tentativa de abordagem o elemento tentou jogar o carro contra a guarnição”.

Câmeras corporais obtidas pelo Fantástico, da TV Globo, mostram execução de empresário na Pavuna e os PMs combinando a versão — Foto: Reprodução/ TV Globo
Câmeras corporais mostram execução de empresário na Pavuna e os PMs combinando a versão. (Foto: Reprodução/TV Globo)

A fala contrasta com a versão que os próprios policiais deram a moradores, à supervisão e na delegacia, de que teriam reagido a uma suposta ameaça. As imagens não mostram qualquer ordem de parada sendo emitida.

A investigação da Corregedoria da Polícia Militar aponta que os agentes acompanhavam os passos de Daniel desde 1h53 da madrugada, com apoio de um olheiro que repassava informações em tempo real. Em um dos trechos, um policial demonstra impaciência com a espera, enquanto o colega comenta: “É difícil, mas é o trabalho, tem que ter paciência. Se tivesse um dronezinho era melhor ainda”.

Os acompanhantes sobreviventes aparecem nas gravações logo após os disparos, em estado de desespero. Além de Daniel, estavam no veículo Michel Matheus Correia Ramos da Silva, Wesley Silva de Oliveira e Herick Souza dos Santos. Segundo relataram, o grupo voltava da Estrada de Botafogo no momento da abordagem.

Carro que Daniel conduzia na Zona Norte do Rio
Carro que Daniel conduzia na Zona Norte do Rio. (Foto: Reprodução)

Empresário morto pela PM no RJ

Daniel tinha 29 anos, era casado, pai de uma menina de 4 anos e trabalhava com eletrônicos. A família se preparava para se mudar para Foz do Iguaçu, no Paraná.

A irmã da vítima, Thaís Oliveira, afirmou em entrevista ao Bom Dia Rio que os policiais fizeram 23 disparos em direção ao veículo. “Foram 23 tiros. Então, 23 tiros não é ordem de parada. Não teve revide, porque não tinha arma dentro do carro”, disse.

“Ele não queria mais morar aqui, queria viver os sonhos dele. Já estavam indo embora, ele trouxe o carro pra levar mudança. A gente mora aqui há mais de 22 anos”, afirmou a irmã.

A Corregedoria afirmou que a ação não seguiu nenhum protocolo formal e investiga agora a motivação do crime, que ainda não foi esclarecida.


Fonte: ICL NOTÍCIAS - 27/04/2026

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