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quinta-feira, 4 de junho de 2026

Ex-PCC diz que Virginia, Carlinhos Maia e Bia Miranda serão presos


                                               foto:reprodução


 Frank Willians de Paula Souza e Marques voltou a movimentar as redes sociais nesta quarta-feira (3/6) ao fazer novas declarações envolvendo influenciadores digitais e plataformas de apostas esportivas.


Conhecido na internet por afirmar ter integrado a facção Primeiro Comando da Capital (PCC) no passado, ele publicou um vídeo em que cita nomes como Virginia Fonseca, Carlinhos Maia, Bia Miranda, Gato Preto e Buzeira ao comentar o mercado das chamadas bets.


Revelação sobre Deolane Bezerra

O influenciador ganhou grande repercussão recentemente após afirmar que Deolane Bezerra seria presa por supostos vínculos com integrantes da facção criminosa.

Atualmente, a advogada e influenciadora está detida sob suspeita de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro com o PCC, investigação que segue em andamento.

O que ele diz

Em sua nova manifestação, o ex-PCC afirmou que determinados influenciadores que divulgam plataformas de apostas estariam, segundo sua versão, ligados a empresas que supostamente teriam relação com o crime organizado. As declarações, no entanto, foram dadas exclusivamente por ele, sem a apresentação de provas no vídeo publicado.

“Essas bets aí, 60%, 70% delas são do PC [PCC], até as legalizadas. O que a população [não] sabe é que, dentro do Brasil, uma bet só funciona com o ok da sintonia. Ninguém chega no terreno dos outros dando ordem, não, mano. Vocês têm que parar de mentir para os seguidores de vocês”, declarou.

Ainda de acordo com Frank, representantes de plataformas de apostas teriam feito propostas comerciais para que ele promovesse esse tipo de serviço em suas redes sociais. Segundo seu relato, a remuneração estaria ligada ao desempenho dos usuários captados por meio dos links divulgados pelos criadores de conteúdo.

“Vocês entraram em contato comigo de bet, me explicaram como que era. E vocês deixaram claro que, quanto mais o seguidor perdesse usando o link que eu divulgo, mais eu ganharia. Então a proposta que foi feita para mim, foi para vários outros influencer e eles aceitaram”, afirmou.

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Homem acusado de puxar ofensas contra Virginia Fonseca reage e faz pedido
O humorista Carlinhos Maia
Bia Miranda

Recado aos influenciadores

Durante o vídeo, o influenciador também alegou que algumas personalidades da internet teriam conhecimento sobre supostas ligações entre determinadas casas de apostas e o crime organizado. Novamente, as declarações foram feitas por ele e não vieram acompanhadas de elementos que comprovassem as acusações.

“Então, hora menos hora, Bia Miranda, Gato Preto, Carlinhos Maia, Virginia, a família da Deolane, Buzeira… já foi. Falta os irmão… o irmão do Buzeira, o Mical, né, Mical? Cabrinha, Nino… Vocês tudo vai deitar sem sono porque vocês trabalham pro crime organizado, irmão. E sabe disso! E sabe disso!”, disse.

Ao longo da gravação, Frank sustentou que os influenciadores citados seriam alvo de futuras consequências judiciais em razão de sua atuação com empresas de apostas.


SP: Produtora de Dark Horse é acusada de calote de R$ 5 milhões em contrato

 

                                           Karina Gama - foto:reprodução


A ONG Instituto Conhecer Brasil (ICB) é acusada de dar um calote de R$ 5,5 milhões em uma empresa subcontratada para a instalação dos 5 mil pontos de internet previstos no acordo com a Prefeitura de São Paulo, que foi alvo da operação deflagrada pela Polícia Civil na última segunda-feira (1º/6).

Dos R$ 108 milhões que seriam pagos pela gestão municipal, o ICB se comprometeu a repassar R$ 30,7 milhões à Ultra IP. No entanto, o contrato entre a ONG e a empresa, firmado em junho de 2024, foi rompido em setembro de 2025, em meio a uma troca de acusações.

A investigação do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC) apura possível fraude em licitação e desvio de recursos públicos. A suspeita é de que parte dos R$ 108 milhões pagos pela Secretaria Municipal de Tecnologia e Inovação (SMTI) tenha sido desviada para financiar o filme Dark Horse, que contará a história do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A peça cinematográfica é produzida pela Go Up Entertainment, que tem como sócia Karina Ferreira Gama, representante do ICB.

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Assim como a Ultra IP e outras empresas subcontratadas para a instalação dos equipamentos de internet, a ONG e Karina foram alvo de mandados de busca na operação do DPPC, batizada de Operação Wi-fi. Na segunda-feira, a entidade negou irregularidades.

A acusação da Ultra IP sobre o suposto calote de R$ 5,5 milhões foi em uma ação movida pela empresa contra o ICB em setembro do ano passado, após a ONG romper o contrato de forma unilateral. A entidade de Karina Gama alegou na época que a decisão foi tomada porque a Ultra IP estaria intencionalmente desligando pontos de internet, como uma suposta retaliação a falta de pagamento.

“William, você ligou para todos os provedores e pediu para todos desligarem os links. Você pegou o pior caminho”, disse Karina a William Silva Ferreira, sócio da empresa, em um grupo de WhatsApp, antes de removê-lo da conversa.

Produtora de Dark Horse é acusada de calote de R$ 5 milhões em contrato - destaque galeria

Segundo a Ultra IP, as partes já “vinham se estranhando” desde que o ICB reduziu a quantidade de pontos de internet previstos no contrato para 2.297 dos 5.000 previstos no acordo, sob a alegação de que uma outra empresa de internet havia sido contratada para o restante do serviço, a Favela Conectada, que receberia R$ 12 milhões. A ONG teria ainda passado a cobrar que a Ultra IP devolvesse R$ 8,7 milhões que tinham sido pagos de forma antecipada. No entanto, de acordo com a empresa, naquele momento já havia 3.200 pontos de internet funcionando.

Nesse contexto, diz a Ultra IP, o ICB reteve o pagamento de R$ 904 mil referentes a notas fiscais que já haviam sido emitidas e se recusou a pagar R$ 4,5 milhões referentes à diferença pela quantidade de pontos anteriormente estabelecida.

Segundo a empresa, a ONG ainda tentou aumentar o valor declarado de cada ponto de internet de R$ 712 para R$ 825 com o objetivo de “justificar a contratação da empresa Favela Conectada e o repasse de 12 milhões a ela feito”.

“Com efeito, as flagrantes contradições existentes entre a notificação e os distratos evidenciam a má-fé do requerido e a inexistência de fundamento para as alegações de suposto débito da requerente e manobra abusiva para não pagar seu crédito”, afirma a advogada Stella Orandeli, que representa da Ultra IP.

R$ 108 milhões

Inicialmente, o contrato entre a Prefeitura de São Paulo e o ICB previa a instalação de 5 mil pontos de wi-fi gratuitos em bairros da periferia da capital, mas apenas 3,2 mil teriam sido instalados. Pelo menos três aditivos foram assinados, mudando a data de entrega total do serviço.

Segundo a investigação, o ICB foi a única entidade a participar da licitação para obtenção do contrato. O inquérito também questiona os valores cobrados pela ONG. A manutenção de cada ponto de wi-fi instalado custaria aos cofres públicos R$ 1.800 por mês.

A quantia é mais que o dobro do que havia sido estabelecido com a empresa subcontratada Ultra IP e quase seis vezes maior do que um serviço semelhante oferecido pela Prodam, empresa de tecnologia da própria prefeitura, que cobrava R$ 306 pela manutenção de cada ponto.

Outra suspeita é de pagamento antecipado por serviços que não teriam sido prestados, em um valor total de R$ 26 milhões. O inquérito ainda aponta possível utilização de notas fiscais irregulares para justificar despesas na prestação de contas de R$ 4,7 milhões.


fonte:Renan Porto/Metrópoles - 04/06/2026

Caso Henry Borel: Dr. Jairinho é condenado a 43 anos de prisão e Monique recebe perdão judicial


                                            foto:reprodução


 O júri responsável pelo julgamento da morte de Henry Borel, no 2° Tribunal de Justiça da Capital, no Rio de Janeiro, declarou o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, culpado pelos crimes de homicídio duplamente qualificado, prática de tortura e coação no curso do processo.

A mãe do menino, Monique Medeiros, teve a acusação de homicídio doloso desclassificada para homicídio culposo, quando não há intenção de matar. Ela também foi condenada por omissão em relação às torturas sofridas pelo filho.

A decisão foi divulgada já na madrugada desta quinta-feira (4/6), ao fim do 10° dia de julgamento. A sentença de Jairinho foi de 43 anos, 9 meses e 20 dias de reclusão. Monique recebeu o perdão judicial pelo crime de homicídio. Pelo crime de omissão, a pena recebida por ela foi de 1 ano e 4 meses, mas, como já cumpriu tempo de prisão preventiva, a pena foi considerada encerrada.

Jairinho também foi condenado a pagar R$ 400 mil em indenização por danos morais ao pai de Henry, Leniel Borel, e foi absolvido de outras duas acusações de tortura.

O ex-vereador respondia pelos crimes de homicídio triplamente qualificado, tortura e coação no curso do processo. Monique, por sua vez, foi julgada por homicídio qualificado por motivo torpe e mediante recurso que impossibilitou a defesa da vítima, além de tortura e coação no curso do processo. Cabe recurso.

Caso Henry Borel

  • Henry Borel morreu em 8 de março de 2021, na casa da família, em Jacarepaguá, no Rio;
  • O ex-vereador e médico Dr. Jairinho, padrasto do menino, e Monique Medeiros, a mãe, levaram a criança ao hospital, alegando que o menino havia sofrido um acidente doméstico e caído da cama;
  • Os profissionais de saúde constataram a morte de Henry, causada por hemorragia interna e laceração hepática;
  • Laudo do Instituto Médico-Legal (IML) apontou que Henry apresentava mais de 20 lesões de natureza violenta, incluindo laceração no fígado, lesões nos rins e hemorragia interna, indicando espancamento e morte lenta e agônica.
  • Jairinho e Monique estão presos desde 8 de abril.

Henry Borel: Jairinho é condenado a 43 anos de prisão e Monique recebe perdão judicial - destaque galeria
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Henry Borel morreu aos 4 anos de idade; julgamento está em curso
Henry Borel
Monique Medeiros, mãe do menino Henry Borel, falou durante o julgamento em que é acusada
Jarinho conversa com o seu advogado no plenário
O ex-vereador Dr. Jairinho e a professora Monique Medeiros ficaram frente a frente pela primeira vez após a prisão

Ao longo de 10 sessões foram ouvidos investigadores, peritos, médicos, familiares, testemunhas ligadas ao caso e ex-namoradas de Jairinho.

Jairinho e Monique Medeiros prestaram depoimento nessa terça-feira (2/6). Monique, que foi a primeira a depor, apresentou uma nova versão sobre os fatos que atencederam a morte do filho, e afirmou acreditar que Jairo foi o responsável pela morte do menino.

O ex-vereador, por sua vez, negou ter agredido mulheres ou crianças e atribiuiu acusações feitas por ex-namoradas a “especulações“. A pedido do advogado de defesa, Rodrigo Faucz, Jairinho não respondeu às perguntas da acusação nem da juíza responsável pelo caso.

Nesta quarta-feira (3/6), o promotor do caso, Fábio Vieira, apontou que o padrasto do menino tem traços de “psicopatia severa” e o acusou de ser agressor contumaz: “Agride mulheres e também agride crianças. Maltrata crianças. Tem prazer em machucar os vulneráveis.”

Vieira também afirmou que a mãe de Henry, a professora Monique Medeiros, é “narcisista, com traços de megalomania”.

Fonte: METRÓPOLES - 04/06/2026

quarta-feira, 3 de junho de 2026

Alagoas: Senador pede bloqueio de bens de ex-prefeito de Maceió e Daniel Vorcaro

 

                                    foto:reprodução



Por Cleber Lourenço

O senador Renan Calheiros (MDB-AL) ingressou na Justiça de Alagoas com uma ação popular pedindo o bloqueio de bens do ex-prefeito de Maceió João Henrique Caldas, o JHC (PL-AL), do controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, de ex-dirigentes do Instituto de Previdência do Município de Maceió (IPREV) e de consultores envolvidos em aplicações realizadas pela autarquia em títulos da instituição financeira.

A ação sustenta que aproximadamente R$ 117 milhões em recursos da previdência municipal foram direcionados para Letras Financeiras emitidas pelo Banco Master e que os investimentos foram realizados sem a análise adequada dos riscos envolvidos. O senador também pede a anulação das operações e a condenação dos responsáveis ao ressarcimento integral dos prejuízos causados ao instituto.

Ex-prefeito de Maceió João Henrique Caldas, o JHC (PL-AL) – Foto: Reprodução

Em conversa com o ICL Notícias, Renan resumiu o objetivo da ação com uma declaração direta:

“A bancada do Vorcaro está saindo do Banco Master direto para o banco dos réus.”

Protocolada nesta terça-feira (3), a ação afirma que os recursos investidos pertencem aos servidores ativos, aposentados e pensionistas do município e sustenta que a perda dos valores afeta diretamente a capacidade futura de pagamento dos benefícios previdenciários.

Segundo a petição, a primeira operação ocorreu em dezembro de 2023, quando o IPREV aplicou R$ 80 milhões em Letras Financeiras do Banco Master com prazo de dez anos. Uma segunda aquisição foi aprovada em maio de 2024, ampliando a exposição da autarquia à instituição financeira.

Renan argumenta que as próprias atas das reuniões do Comitê de Investimentos demonstram a ausência de discussão técnica sobre os riscos da operação.

“A própria ata consigna que, disponibilizada a palavra aos presentes, não houve manifestação”, afirma a ação ao descrever a reunião que aprovou a aplicação inicial de R$ 80 milhões.

De acordo com o documento, a justificativa apresentada pelos gestores foi corrigir um desenquadramento da carteira de investimentos do instituto. O problema, porém, estaria concentrado em um fundo do Banco do Brasil considerado de baixo risco.

A ação sustenta que a solução adotada acabou aumentando a exposição da previdência municipal.

“Substituição de um risco menor por um risco muito maior”, registra a petição ao afirmar que os gestores trocaram uma concentração em fundo do Banco do Brasil por títulos de um banco privado sem cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e com vencimento de dez anos.

Mendonça autoriza transferência de Vorcaro para presídio em São Paulo. Foto: Banco Master / Divulgação
Daniel Vorcaro – Foto: Banco Master / Divulgação

Outro trecho destacado pela ação aponta que as atas não registram qualquer análise sobre a situação financeira do emissor.

“Não há uma única menção a rating, solidez, due diligence ou risco do Banco Master”, afirma a petição.

O senador também questiona a governança do processo de aprovação dos investimentos. Segundo a ação, as aplicações foram autorizadas pelo Comitê de Investimentos e não pelo Conselho de Administração do instituto, órgão que reúne representantes dos servidores e possui competência para definir as diretrizes de investimento da previdência municipal.

JHC aparece entre os réus porque, segundo a ação, ocupava o cargo de prefeito durante a realização das operações e era a autoridade máxima da administração municipal responsável pela estrutura de gestão do regime próprio de previdência dos servidores.

A petição também menciona que o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master em novembro de 2025 e destaca que as Letras Financeiras adquiridas pelo IPREV não contam com cobertura do FGC, o que teria transformado os investimentos em ativos de recuperação incerta.

Além da anulação das operações, Renan pede que a Justiça determine a indisponibilidade de bens dos réus para garantir eventual ressarcimento aos cofres previdenciários. O pedido alcança JHC, Daniel Vorcaro, ex-dirigentes do IPREV, representantes da consultoria Crédito & Mercado e outros envolvidos apontados na ação.

O senador também solicita que a Justiça determine a apresentação de documentos internos do IPREV, incluindo atas, políticas de investimento, contratos de consultoria e demonstrativos das aplicações realizadas. Segundo a ação, os documentos são necessários para reconstruir toda a cadeia de decisões que levou à aplicação dos recursos da previdência municipal nos títulos do Banco Master.

Caso a ação seja julgada procedente, os réus poderão ser condenados solidariamente à devolução dos valores não recuperados pelo instituto, acrescidos de correção monetária.


fonte:ICL NOTÍCIAS - 03/06/2026 23h

SC: Esquema de compra de votos pagava eleitores com cocaína


                                                              Foto:reprodução/google


 O terceiro episódio da série especial "O valor do voto" mostrou que autoridades investigam facções e milícias que usam dinheiro do crime para financiar campanhas eleitorais.

Um dos casos, inclusive, envolvendo um dos candidatos a vereador de Timbé do Sul (SC), chocou até mesmo os investigadores por utilizar drogas como pagamento para compra de votos. 

A cidade fica  no extremo sul do Estado, há 273 km da capital, e possui uma população de pouco mais de 5 mil habitantes.

Confira o vídeo da reportagem da GloboNews no link abaixo do isntagram.

https://www.instagram.com/p/DZJSFuplE17/



Banco Master: Vorcaro apresenta nova proposta de delação e inclui Flávio Bolsonaro e filme “Dark Horse”

                                               foto:reprodução



banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e preso por liderar a maior fraude bancária da história do Brasil, apresentou nesta quarta-feira (3) à Polícia Federal (PF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR) uma nova proposta de delação premiada, visto que a primeira foi rejeitada.

A nova proposta de delação premiada de Vorcaro traz personagens que não estavam presentes na primeira versão. De acordo com informações do Metrópoles, uma das figuras incluídas é o senador Ciro Nogueira (PP).

Outra história que estará presente na nova delação de Vorcaro é o filme “Dark Horse”, viabilizado pelo próprio banqueiro, que investiu R$ 61 milhões na cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.

De acordo com informações da CNN Brasil, Vorcaro incluiu todos os detalhes das transações financeiras que fez com Flávio Bolsonaro (PL) para investir no filme “Dark Horse”.

Agora, o material será analisado pela PF e pela PGR.

Daniel Vorcaro bancou R$ 11,9 milhões em festas com políticos em NY: da “Noite das Astronautas” à degustações de whiskys e charutos

Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, gastou pelo menos R$ 11,9 milhões em eventos de luxo para políticos e autoridades brasileiras em Nova York, em maio de 2024, segundo planilha apreendida pela Polícia Federal no celular do banqueiro e revelada nesta quarta-feira (3) pela colunista Malu Gaspar, do O Globo.

O documento foi incluído na representação da PF que embasou a oitava fase da Operação Compliance Zero, autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, contra o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) e outros alvos. A investigação apura aportes bilionários do Rioprevidência no Banco Master.

A nova revelação dá dimensão financeira à farra internacional que aparece no centro político do caso Master. A Fórum já mostrou que Castro era apontado pela investigação como alguém com “vínculo pessoal estreito” com Daniel Vorcaro e que esse alinhamento teria sido decisivo para abrir caminho aos recursos do fundo previdenciário do Rio no banco.

Daniel Vorcaro bancou “noite das astronautas”

O item mais extravagante da planilha é uma festa realizada em uma suíte presidencial em Manhattan. Segundo a coluna, os convidados eram todos homens e foram entretidos por mulheres russas e ucranianas vestidas com malhas prateadas e adereços de vidro na cabeça, em uma cena que ficou conhecida como “noite das astronautas”.

A festa integrou uma sequência de eventos bancados por Vorcaro durante a passagem de políticos brasileiros por Nova York. Além da “noite das astronautas”, a planilha registra jantar, produção de evento, hospedagem de equipe, som, luz, bebidas, charutos e despesas extras de hotel.

Só a festa, o jantar e a produção associada teriam custado mais de US$ 721 mil, cerca de R$ 3,7 milhões em valores de 2024. Um e-mail enviado a Vorcaro, citado pela reportagem, detalhava despesas de 526,2 mil euros com artistas, performances, logística e equipe de gerenciamento, além de 109,2 mil euros em taxas.

A PF também identificou gastos de US$ 545,2 mil, cerca de R$ 2,8 milhões, com festas, equipamentos de som e luz, produção e hospedagem. Outros US$ 44,6 mil aparecem como despesas de comidas, bebidas, camarim das artistas e extras de hotel entre 12 e 16 de maio.

Whisky, charutos e Macallan 25 anos

A planilha também detalha a degustação de whiskys e charutos no The Carnegie Club, em Manhattan, evento que a Fórum já havia noticiado no contexto da relação entre Cláudio Castro e Daniel Vorcaro.

Segundo Malu Gaspar, o encontro custou pouco mais de US$ 1 milhão, equivalente a R$ 5,3 milhões. Vorcaro teria pago a locação do espaço, bebidas liberadas e charutos. Os convidados deixaram o local com uma garrafa de Macallan 25 anos, avaliada em R$ 30 mil, e uma caixa de charutos.

Apenas os whiskys consumidos ou distribuídos no evento teriam custado R$ 3,5 milhões. Entre os presentes citados pela reportagem estavam Cláudio Castro, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e os deputados federais Hugo Motta (Republicanos-PB), Marcos Pereira (Republicanos-SP), Isnaldo Bulhões (MDB-AL) e Doutor Luizinho (PP-RJ). À época, parte deles já circulava como nome de peso na disputa pelo comando da Câmara.

Jantar de Salt Bae entrou no radar da PF

A coluna também afirma que mensagens obtidas pelos investigadores mostram Vorcaro organizando um jantar para Cláudio Castro no Nusr-Et, restaurante do chef turco Salt Bae em Nova York, conhecido por pratos extravagantes e carnes com folha de ouro.

Ao receber o convite, Castro respondeu: “Você não existe”, segundo a reportagem. Em outra mensagem, Vorcaro orientou um auxiliar a pedir uma carne especial para que o chef fosse até a mesa.

A PF não detalhou o custo desse jantar específico. A representação, porém, menciona outro banquete de Castro no mesmo restaurante, em 2023, também pago por Vorcaro. Nesse caso, o banqueiro teria desembolsado US$ 13,3 mil, cerca de R$ 66 mil.

Farra ocorreu no período dos aportes do Rioprevidência

O ponto central para a investigação é a coincidência entre encontros privados, viagens e eventos pagos por Vorcaro e os aportes do Rioprevidência no Master. A decisão de André Mendonça aponta que a PF viu indícios de que Castro mantinha vínculo próximo com Vorcaro e teria exercido papel político relevante para viabilizar investimentos do fundo no banco.

Segundo a Agência Brasil, a oitava fase da Compliance Zero apura cerca de R$ 3 bilhões transferidos do fundo de previdência dos servidores do Rio para o Master. Desse total, R$ 970 milhões foram identificados em aportes entre outubro de 2023 e julho de 2024; outros R$ 2 bilhões teriam sido aplicados a partir de julho de 2024.

A Fórum também mostrou que Castro trocou a direção do Rioprevidência antes dos aportes bilionários e que o Master recebeu R$ 80 milhões do fundo no mesmo dia de um evento com Castro e Vorcaro, em maio de 2024.

Na decisão que autorizou as buscas contra Castro, o STF registrou que a hipótese da PF envolve possível atuação criminosa de Daniel Vorcaro junto ao Rioprevidência, mediante suposto ajuste político com o então governador do Rio. A medida foi divulgada oficialmente pelo Supremo em 26 de maio.

Londres também aparece na rota de Daniel Vorcaro

A revelação de Malu Gaspar acrescenta outro ponto à trilha internacional de Vorcaro. No mês anterior à farra em Nova York, o Banco Master financiou o Fórum Jurídico Brasil de Ideias, realizado em Londres pelo Grupo Voto.

Segundo a coluna, registros encontrados no celular do banqueiro apontam gasto de US$ 640,8 mil, cerca de R$ 3,2 milhões, em uma degustação no clube George, no bairro londrino de Mayfair. A reportagem cita a presença de autoridades do Judiciário, do Ministério Público, da Polícia Federal, de parlamentares e de advogados no evento.

A presença em eventos não significa, por si só, prática de crime. O que a PF investiga é se viagens, encontros privados, jantares e despesas pagas por Vorcaro funcionaram como vantagens indevidas ou como parte de um ambiente de influência para destravar recursos públicos ao Banco Master.

fonte: REVISTA FÓRUM - 03/06/2026