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quinta-feira, 25 de junho de 2026

Atriz Luana Piovani assinou contrato de R$ 300 mil com sindicato do BC para criticar PEC

 


                                      foto:reprodução



Por Nathalia Garcia e Idiana Tomazelli

(Folhapress) – O sindicato que representa servidores do Banco Central contratou por R$ 300 mil a atriz Luana Piovani para gravar um vídeo contrário à PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que dá autonomia financeira e administrativa à instituição.

O pagamento foi autorizado pela direção do conselho regional do Sinal (Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central) no Distrito Federal. Após mostrar o envolvimento da artista no assunto, a Folha teve acesso à ata da reunião em que a contratação foi aprovada.

O encontro foi realizado virtualmente no início da tarde de 9 de junho, mesmo dia em que Piovani publicou o vídeo em sua conta no Instagram. A atriz utilizou a hashtag #publi, indicando o conteúdo pago, e marcou os perfis do Sinal Nacional e da regional DF do sindicato.

Segundo a ata, a presidente do Sinal-DF, Edna Velho, que também é diretora de relações externas da executiva nacional do sindicato, iniciou a reunião destacando a importância de uma “atuação mais incisiva” da entidade nas redes sociais para falar sobre “os riscos da PEC”, sobretudo diante da perspectiva de avanço do texto no Senado.

“Nesse contexto, foi sugerida a contratação da atriz e influenciadora Luana Piovani para participar de campanha de comunicação voltada à crítica da PEC, considerando sua atuação pública em manifestações relacionadas a temas de interesse social e a propostas consideradas prejudiciais à população”, diz o texto.

Na ata, fica claro que, antes da reunião, a dirigente já havia conversado com a atriz sobre a possibilidade de contratação do trabalho e valores de remuneração.

“A presidente informou sobre a conversa com a profissional e seu alinhamento à posição defendida pelo sindicato, além do valor cobrado pela gravação de um vídeo e postagem no perfil oficial da atriz, esclarecendo que o pagamento somente seria realizado após deliberação deste conselho e apenas em caso de aprovação da proposta”, afirma o documento.

“A proposta da contratação foi colocada em votação com valor de até R$ 300.000,00 (trezentos mil reais) pela campanha em questão”, acrescenta. Segundo a ata, a contratação e o limite financeiro foram aprovados com cinco votos favoráveis e uma abstenção.

Piovani foi procurada pela Folha na tarde desta quarta-feira (24), por meio de mensagens diretas e por meio de sua equipe no Instagram, mas não houve resposta até a publicação deste texto. Na semana passada, quando procurada para outra reportagem sobre o tema, ela informou que não daria entrevista.

Também na semana passada, o Sinal havia negado pagamento à atriz. Procurada novamente nesta quarta, a entidade não respondeu aos questionamentos.

A Folha teve acesso às atas de outras reuniões que também aprovaram valores para outras campanhas contrárias à PEC. Em 19 de fevereiro, o sindicato autorizou a contratação de um escritório de advocacia para elaborar uma nota técnica com foco nos pontos mais sensíveis para a categoria, pelo valor de R$ 250 mil.

Em 29 de maio, a direção da entidade aprovou a destinação de mais R$ 250 mil para ampliar a campanha contra a PEC, após avaliação de que “a campanha já veiculada em diferentes mídias teve excelente receptividade, alcançando resultados positivos em termos de visibilidade e engajamento”.

A PEC da autonomia financeira do BC foi aprovada em 10 de junho na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado e aguarda votação em plenário. Além de opor BC e Ministério da Fazenda, que defende proposta alternativa, a mudança abriu um racha entre os servidores da própria instituição.

No vídeo gravado para as redes, Luana Piovani aparece sentada com uma cristaleira ao fundo e em frente a uma mesa onde se vê um caderno aberto. Ela afirma que está naquele lugar porque é para onde vai quando precisa “ter aquele papo reto”.

A atriz diz então que vai falar sobre um assunto que ela mesma tem dificuldade de entender. “Por isso fiz umas anotações, inclusive tive que dar uma estudada e pedir ajuda aos universitários para poder estar aqui conversando com vocês”, diz.

“No Brasil resolveram criar a roda, estão querendo inovar, gente. Querem colocar o Banco Central independente do governo e sujeito a sofrer influências externas. Gente, isso não tem cheiro de perigo? Me parece um risco gigantesco”, afirma.

A PEC foi apresentada durante a gestão de Roberto Campos Neto e, na primeira versão, havia uma mudança de personalidade jurídica do BC, que deixaria de ser uma autarquia pública para se tornar empresa pública de direito privado.

Os servidores passariam a ser regidos pela CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), e aqueles que não estivessem de acordo migrariam para uma carreira semelhante no funcionalismo público.

Após mudanças, a versão aprovada na comissão do Senado muda o regime jurídico do BC para “entidade pública de natureza especial”, sem alteração no regime trabalhista dos servidores, cuja remuneração segue sujeita ao teto do funcionalismo público federal (hoje em R$ 46.366,19).

O presidente do Sinal, Epitácio Ribeiro, disse na semana passada que até apoia a autonomia em si, mas não na forma prevista na PEC. Segundo ele, a mudança no regime jurídico da autarquia em uma espécie de “autoridade do sistema financeiro”, com funcionamento a ser regulado em lei complementar, deixa em aberto questões como a criação e extinção de carreiras pela própria diretoria do banco.

No entanto, a entidade promoveu em 2024 uma assembleia geral entre todos os servidores, e 74% dos cerca de 4.500 participantes rejeitaram a proposta. Até hoje, a entidade afirma que esse é o posicionamento aprovado pela categoria.

Do outro lado, Thiago Cavalcanti, presidente da ANBCB (Associação Nacional dos Auditores e Procuradores do Banco Central), diz que o texto atual protege as carreiras (que só poderiam ser criadas pelo Legislativo) e dá ao BC autonomia orçamentária, financeira e administrativa.

Além disso, a associação afirma que parte significativa dos votos contrários em 2024 foi dada para pressionar por um texto melhor, e desde então não houve nova consulta aos servidores para capturar a mudança de opinião de membros da carreira. Hoje, segundo pessoas favoráveis à PEC, sondagens não oficiais indicam apoio majoritário à proposta.

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Banco Central. (Foto:Marcello Casal Jr./Agência Brasil)
Entenda argumentos dos grupos sobre PEC de autonomia do BC

Grupo contrário à PEC

  • Dizem que querem autonomia, mas dizem que BC pode deixar de ser autarquia federal; também afirmam que a diretoria poderá criar ou extinguir carreiras
  • Eles afirmam que versões mais iniciais do texto permitiam emprego de profissionais como celetistas, e não estatutários; os servidores seriam enquadrados em carreiras “congêneres”
  • Entre as críticas à PEC, servidores afirmam que proposta abriria portas para “captura regulatória”, ou seja, que os bancos e outras empresas regulados pela entidade teriam mais poder para influenciar o BC

Grupo favorável


  • Dizem que versão mais recente do texto eliminou pontos como contratação por regime CLT e as “carreiras congêneres”
  • Afirmam que PEC dá ao BC autonomia orçamentária, financeira e administrativa
  • Defendem que medida tem potencial para aproximar as remunerações do BC à da Receita Federal.
Fonte:FolhaPress/ICL NOTICIAS - 25/06/2026

Eleições 2026: Ex-governador Marcio França será o vice na chapa com Haddad em SP



                                              foto:reprodução



O ex-governador e ex-ministro Márcio França (PSB) será vice na chapa do ex-ministro Fernando Haddad (PT) para o Governo de São Paulo. A decisão foi tomada após conversa com o presidente Lula (PT) na quarta-feira (24), no Palácio da Alvorada. As também ex-ministras Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB) disputarão as vagas ao Senado no estado.

 

Segundo a Folha de S. Paulo, o acerto foi possível após França, que queria ser candidato a senador ou governador, ceder e aceitar a vice. Aliados de Haddad avaliam que ele soma à chapa votos em regiões de São Paulo onde o PT tem pouca força, como a Baixada Santista.

 

Interlocutores do presidente Lula afirmam que o petista acompanha de perto a aliança em São Paulo porque o estado tem o eleitorado mais numeroso do país, o que torna ainda mais importante a existência de um palanque forte para seu nome.

 

Na ala governista, há a avaliação de que França tem um perfil de confronto político que falta a Haddad. Devem ficar por conta do vice os principais ataques ao atual governador, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que tentará a reeleição.

 

A NEGOCIAÇÃO 

Ainda conforme a Folha, na reunião com Lula, França ponderou que poderia ajudar o presidente sendo candidato a governador. Ele apresentou um raciocínio de que poderia tomar votos de Tarcísio e forçaria um segundo turno entre Haddad e o atual governador no Estado.

 

No entanto, a ideia que prevaleceu, porém, é a de que a possibilidade de Haddad ter mais votos neste primeiro turno do que em 2022, já é benéfica para Lula. Aliados do presidente da República também avaliam que, se for reeleito no primeiro turno, Tarcísio não se empenhará tanto no segundo para pedir votos para Flávio Bolsonaro (PL), principal adversário do presidente na eleição nacional.

 

Em 2022, Haddad obteve o melhor desempenho do PT na história das eleições paulistas. Ele conseguiu 36% dos votos no primeiro turno e 45% dos votos no segundo. O resultado foi considerado fundamental para a vitória de Lula naquele ano.

 

O pré-candidato a governador deverá anunciar oficialmente ainda nesta quinta-feira (25) as posições que seus aliados ocuparão na chapa.



Fonte: b

Brasília: Michelle gravou vídeo há dias após “ataques orquestrados”, diz Damares


                                              foto:reprodução


Amiga pessoal e aliada política de Michelle Bolsonaro, a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) afirmou à coluna que a ex-primeira-dama decidiu gravar o vídeo com críticas a Flávio Bolsonaro após ser alvo de uma série de “ataques orquestrados”.

Segundo Damares, Michelle identificou cerca de 40 perfis nas redes sociais que faziam ataques sistemáticos à ex-primeira-dama. Os perfis, diz a senadora, seriam interligados e estariam relacionados à “turma (de bolsonaristas) dos Estados Unidos”.

Damares contou que o vídeo “já estava gravado há alguns dias” e foi enviado para a assessoria de Michelle escolher o melhor momento para publicar. A gravação acabou postada na tarde da quarta-feira (24/6), horas antes do jogo Brasil x Escócia.

“Ela ficou esperando as coisas serem esclarecidas. (…) Acho que ela demorou demais (a explicar). Mas agora explicou, está explicado”, afirmou Damares.

Segundo a senadora, apesar do vídeo, Michelle vai apoiar a candidatura de Flávio ao Palácio do Planalto. A parlamentar nega que a ex-primeira-dama tenha usado a gravação como estratégia para se cacicar como alternativa ao enteado.

“ Isso não quer dizer que ela não vai apoiar Flávio. Claro que ela vai. Mas ela tinha o direito de se explicar. Ela, no vídeo, inclusive agradece às mulheres que estão apoiando o Flávio. Se ela entra na campanha sem explicar, iam dizer que era oportunismo”, afirmou.

Na avaliação de Damares, Michelle e Flávio precisam agora “sentar entre eles e se resolver”. “Eles vão conversar”, disse a senadora, que promete continuar ajudando o senador no plano de governo. “A não ser que ele me expulse”, brincou.


fonte:Igor Gadelha/Metrópoles- 25/06/2026

SP: Alunos denunciam preconceitos em escolas cívico-militares; Sem barba, brinco ou bigode

                                               foto:Marcelo Camargo/ag.Brasil




 Por Caroline Oliveira – Brasil de Fato

Estudantes de uma escola cívico-militar de São Paulo denunciaram, à direção escolar, militares que estariam agindo de forma preconceituosa com os alunos. Um deles teria afirmado que “cabelo comprido e brinco não é coisa de menino”. Em resposta, o diretor afirmou aos estudantes, durante uma formação, que a permanência deles na escola é uma escolha dos responsáveis legais, sugerindo que os descontentes busquem outras unidades de ensino. Na declaração, à qual o Brasil de Fato teve acesso, o administrador anuncia a implementação de um regime disciplinar mais rígido a partir da semana seguinte.

“Já acabou a paciência. Vocês têm que entender o que vocês têm que fazer aqui dentro dessa escola. Eu já falei: não são obrigados a estarem aqui. Estão aqui porque os pais escolheram aqui. A mesma coisa que eu falei nas duas turmas: quem manda ainda em vocês são os responsáveis de vocês, porque vocês são todos menores”, afirmou o diretor. “Querem reclamar? Reclamem em casa. Não está feliz aqui, seja feliz em outro lugar. Só que quem estiver aqui vai seguir as regras do Círculo Militar, e que fique entendido para todos. A partir de segunda-feira, vai ser uma nova escola.”

As escolas cívico-militares do estado de São Paulo, implementadas pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), seguem um regimento interno “experimental”, que define, entre outros tópicos, regras de comportamento e estilo. De acordo com a Secretaria de Educação estadual, ainda não há um regimento finalizado publicado, e as escolas se baseiam no documento descrito como experimental. Ainda segundo a pasta, o documento final trará alterações.

As normas determinam que o cabelo dos meninos seja mantido no estilo conhecido como meia cabeleira, com formato considerado discreto e harmonizado em toda a cabeça. O documento também define limites para as costeletas, que devem terminar na altura das incisuras laterais das orelhas. Além disso, orienta os alunos a não adotarem cortes raspados, desenhos com letras, símbolos ou riscos, pinturas coloridas, topetes e penteados do tipo moicano.

As regras proíbem ainda o uso de bigode, barba e cavanhaque. O regimento também veta alterações nas sobrancelhas por meio de cortes ou riscos, conhecidos como talhos, para evitar mudanças em sua forma natural. Segundo o texto, as orientações têm como objetivo padronizar a apresentação pessoal dos estudantes dentro do ambiente escolar. Adereços como brincos, colares, pulseiras, relógios e anéis são permitidos somente para as meninas e devem ser utilizados “de forma discreta”.

Questionado se possui algum documento com diretrizes para esse modelo escolar, o Ministério da Educação informou que descontinuou o Programa de Fomento às Escolas Cívico-Militares (Pecim), por meio do Decreto 11.611/23 que estabeleceu um processo de transição para seu encerramento de forma cuidadosa, de maneira a não prejudicar as escolas que haviam aderido. Desde 1º de janeiro de 2024, portanto, todas as escolas cívico-militares criadas pelo Decreto 10.004/19 deixaram de existir. Com o fim do Programa de Fomento às Escolas Cívico-Militares (Pecim) não existe incentivo por parte do MEC para iniciativas de escolas cívico-militares.

Autoritarismo ligado ao modelo

As imposições reclamadas condizem com o regimento do governo estadual. Ainda que experimentais, as regras demonstram o aspecto autoritário do modelo das escolas cívico-militares.

Catarina Santos, doutora em Educação pela Universidade de São Paulo (USP), pós-doutora pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e professora associada da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (UnB), afirma que as restrições relacionadas ao cabelo, às vestimentas e aos comportamentos não surgem do ambiente escolar, mas são transferidas do modelo militar para dentro das salas de aula.

“Quando você pega as regras e como os monitores estão implementando isso na escola, você pode pegar os regimentos dos quartéis e eles vão ter as mesmas proibições. O que acontece quando a escola é militarizada? Leva-se para a escola as mesmas regras do quartel. Não por acaso, a gente cunhou isso muito da pedagogia do quartel. Você imprime aos estudantes as regras que são impostas aos militares ou aos soldados”, diz.

Santos, no entanto, defende que essa transposição descaracteriza a escola como espaço de convivência entre diferentes formas de expressão e identidade. “A escola não é um quartel, os estudantes não são soldados. Essas regras que são definidas para uma categoria profissional, no caso dos militares, ao levar isso para a escola, destituem-na da sua característica de diversidade. A escola pública é essa escola de convivência com as diferenças, com quem tem o cabelo comprido, com quem tem o cabelo colorido, com quem tem cabelo curto, com quem raspa a cabeça, com quem usa brinco, com quem usa cabelos diferentes.”

A professora afirma ainda que a estrutura militar é baseada em hierarquia e cumprimento de ordens, o que seria incompatível com a construção de um ambiente democrático. “No quartel, você tem regras muito rígidas e muito definidas. O militarismo é um espaço autoritário, é um espaço que funciona a partir de regras estabelecidas hierarquicamente. Isso na escola não cabe. Quando você leva para a escola a lógica desse militarismo, você destitui a escola de ser um espaço de construção de democracia”, diz.

Catarina também questiona os fundamentos utilizados para sustentar a constitucionalidade dos programas de militarização das escolas. Segundo Santos, os próprios manuais que orientam o funcionamento do modelo entram em conflito com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a Constituição Federal e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação. A pesquisadora diz que a padronização imposta aos estudantes contraria princípios de respeito à diversidade e às diferenças garantidos pela legislação brasileira.

Para a pesquisadora, os relatos apresentados por estudantes reforçam críticas já registradas em outras regiões do país. “Tudo isso que vocês vão trazendo, que vocês ouvem, mas que eu vivencio das denúncias, mostra o quão é furada essa tese da constitucionalidade da militarização.”

A professora avalia ainda que a expansão das escolas cívico-militares está associada à construção de uma narrativa segundo a qual esse modelo garantiria segurança, disciplina e melhores resultados educacionais. A pesquisadora argumenta, porém, que a disciplina e a convivência social não dependem da lógica militar.

“Há um processo de convencimento desta sociedade. Constrói-se um entendimento de que a escola militar será a escola segura, a escola ordenada. Vai se dizer que as escolas não militarizadas são escolas indisciplinadas, desordeiras e que não entregam resultados. Mas a disciplina não tem a ver com a disciplina militar. A convivência precisa ser pautada no respeito e não no medo”, afirma.

Sobre a expansão das escolas, Fernando Cássio, professor da Faculdade de Educação da USP, afirma que a militarização é apresentada como uma solução para problemas históricos da educação pública, como falta de investimentos, infraestrutura insuficiente e carência de professores. Segundo o docente, a proposta se apoia na percepção de parte da população de que a escola pública está abandonada pelo Estado e oferece a militarização como um caminho para melhorar a qualidade do ensino.

No entanto, Cássio avalia que a expansão dessas escolas não pode ser explicada apenas pelo conservadorismo. Segundo o professor, embora existam demandas conservadoras em determinadas regiões, a procura pelo modelo também está relacionada à expectativa de melhoria das condições das escolas. “Não é a militarização necessariamente, é a melhoria da qualidade da escola. A escola vai ser pintada, a escola vai ter professor com dedicação exclusiva, a escola vai ter climatização nas salas”, diz.

O pesquisador destaca ainda que, em São Paulo, a maioria das escolas militarizadas está localizada no interior do estado e que grande parte delas já funcionava em tempo integral. Segundo Cássio, essas unidades costumam receber mais recursos e apresentar melhores condições de funcionamento, o que dificulta atribuir eventuais resultados à militarização.

Ele também chama atenção para municípios pequenos que passaram a concentrar todas as matrículas do ensino médio em escolas militarizadas. “Não tem escola de ensino médio que não seja militarizada. Então não tem nem opção.” Segundo Cássio, a ausência de alternativas limita a escolha das famílias e amplia os impactos do modelo sobre todo o sistema de ensino.

Para Cássio, embora a proposta seja apresentada como um instrumento para melhorar a disciplina e a qualidade do ensino, os efeitos observados nas escolas seguem outra direção. “Ela piora a vida dos alunos, porque estimula o bullying, o assédio, uma série de violências que supostamente a militarização desejaria combater. Ela, na verdade, reforça tudo isso”, afirma.

Até maio de 2026, as escolas militarizadas estavam presentes em 862 municípios brasileiros, o equivalente a 15,5% das 5.571 cidades do país. O levantamento, do grupo de estudos Direito à Educação, Economia e Políticas Educacionais (Deep) da USP, aponta a existência de 1.578 unidades com esse modelo de gestão. Desse total, 1.047 são estaduais, o que representa 66,3% das escolas militarizadas. Outras 499 pertencem às redes municipais, correspondendo a 31,6%, enquanto 32 são privadas, ou 2% do total.

O número de escolas militarizadas cresceu 595% em relação a 2019, ano em que o governo de Jair Bolsonaro criou o Programa Nacional das Escolas Cívico-Militares (Pecim), descontinuado em 2023, e passou a incentivar a adoção do modelo nas redes públicas de ensino.

Entre os municípios com maior número de escolas estaduais militarizadas estão Cuiabá, com 42 unidades, Curitiba, com 35, Manaus, com 29, Brasília, com 25, Londrina, com 21, e Boa Vista, com 20. Nas redes municipais, os maiores números foram registrados em Maracanaú, no Ceará, com 13 escolas militarizadas, seguido por Paço do Lumiar, no Maranhão, com nove, e Mirador, também no Maranhão, com oito.


Fonte:ICL NOTÍCIAS - 25/06/2026 -10h:15

Edir Macedo diz estar em paz após operação da PF contra banco Digimais

                                             foto:Divulgação/Universal.org




O bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal e controlador do banco Digimais, afirmou em pregação, publicada na manhã desta quarta-feira (24), que está tranquilo e "em paz com Deus". A declaração foi feita um dia após a Operação Miragem, ação da PF (Polícia Federal) que investiga possíveis irregularidades na instituição financeira do líder religioso.

 

Sem citar diretamente a operação policial, Macedo disse confiar que seus adversários serão derrotados "como os do passado". Durante o discurso, o bispo disse ter "a consciência absolutamente tranquila e em paz".
 

A operação foi realizada em endereços ligados ao Digimais e à gestora ID Serviços Financeiros, que prestava serviços ao banco. A ação investiga possíveis crimes contra o sistema financeiro nacional, incluindo fraudes em registros contábeis e relatórios financeiros, além de realização de empréstimos e financiamentos proibidos por lei.
 

A investigação suspeita que diretores do Digimais tenham manipulado os relatórios financeiros do banco para esconder a verdadeira situação financeira da instituição e aparentar solidez diante dos órgãos de controle.
 

Mais de R$ 670 milhões em bens e valores dos investigados foram bloqueados com autorização da Justiça Federal.
 

Edir Macedo é investigado por ser proprietário do banco, mas não foi alvo de mandado de busca e apreensão porque tem endereço residencial nos Estados Unidos. Houve, no entanto, pedido de quebra de sigilo bancário e fiscal.
 

A Polícia Federal identificou um esquema no banco em que gestores compraram, por meio de fundos de investimento, fatias de um direito a receber de uma ação judicial de 1967 contra a União. Esses ativos foram reavaliados repetidamente e sem justificativa real, inflando o patrimônio da instituição e gerando uma receita fictícia de R$ 199 milhões nos balanços.
 

Quando o Banco Central exigiu a correção desses valores, o banco teria recorrido a um contrato que a investigação considera simulado com sua própria controladora para adiar o ajuste contábil até 2032, mantendo a cifra inflada nos registros.
 

Além do bispo e das empresas ligadas a ele, a operação mirou o diretor jurídico Marcelo de Lima Brasil, o presidente interino João Alves de Campos, diretor contábil Rodrigo Ruggero, os bispos João e Thiago Urbaneja e o gestor de fundos José Roberto Giancoli Filho, todos do Digimais. Também, o diretor da ID Serviços Financeiros, Rodrigo Balassiano.
 

O Digimais afirmou que permanece à disposição das autoridades e que reafirma seu compromisso com a transparência e a colaboração com as apurações.



Fonte: Lívia Gourlat/Folhapress - 25/06/2026

SC: Radialista que viralizou com dicção 'perfeita' é pega de surpresa com demissão da Massa FM em Blumenau


                                             foto:reprodução/massafm/google


A locutora Day Souza anunciou nas redes sociais que não faz mais parte da equipe da rádio Massa, em Blumenau/SC. Em um vídeo publicado para os seguidores, ela revelou que recebeu a notícia do desligamento logo após encerrar seu programa na emissora e afirmou que foi pega de surpresa pela decisão.

Durante o relato, Day contou que a saída não partiu dela e disse que não esperava que o ciclo chegasse ao fim dessa maneira. Emocionada, a comunicadora agradeceu o carinho dos ouvintes e destacou os momentos vividos ao longo do período em que trabalhou na rádio.

Apesar da tristeza pela despedida, a locutora afirmou acreditar que Deus tem novos planos para sua vida e declarou que continuará seguindo na área da comunicação. “Isso não é um adeus, é apenas um até logo”, escreveu na publicação.
Até o momento, a emissora não divulgou comunicado oficial sobre o desligamento da profissional.

Reprodução: @daysouzelix




Fonte: Pablo Informa/portal araccaji/instagram

PF mira ex-diretores das Lojas Americanas por fraude de R$ 24 bilhões

                                                                Foto:Reprodução


A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta quinta-feira (25/6), uma operação para aprofundar as investigações sobre as fraudes contábeis que revelaram um rombo estimado em R$ 24 bilhões nas Lojas Americanas, considerado um dos maiores escândalos do mercado financeiro brasileiro. São alvos de mandados de busca e apreensão Paulo Lemann, filho de Jorge Paulo Lemann, e Carlos Alberto Sicupira, suspeitos de participação no esquema.

Na ação, policiais federais cumprem nove mandados de busca e apreensão, incluindo buscas pessoais, nas cidades do Rio de Janeiro (RJ) e de São Paulo (SP). A operação conta com o apoio da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e do Ministério Público Federal (MPF).

Por determinação da Justiça, também foi autorizado o sequestro de bens e valores dos investigados. Somadas, as medidas patrimoniais podem alcançar até R$ 54 bilhões.

Segundo a Polícia Federal, as investigações buscam esclarecer a participação de ex-executivos da varejista em um esquema de manipulação das demonstrações financeiras da empresa.

As apurações apontam que as irregularidades envolviam, entre outros mecanismos, operações relacionadas às chamadas verbas de propaganda cooperada (VPC), que teriam sido utilizadas para distorcer os resultados contábeis apresentados ao mercado.

De acordo com os investigadores, os elementos reunidos até o momento indicam a possível prática dos crimes de manipulação de mercado, uso de informações falsas em demonstrações financeiras, associação criminosa e lavagem de dinheiro.

A operação representa mais uma etapa da investigação destinada a identificar a responsabilidade de cada um dos envolvidos no esquema que culminou na divulgação, em 2023, de inconsistências contábeis bilionárias e desencadeou um dos maiores processos de recuperação judicial da história do país.


Fonte:Mirelle Pinheiro/Metrópoles - 25/06/2026

STF: Dep. Maranhãozinho pressionava prefeitos a pagar propina


                                                                      foto:reprodução



A investigação que levou à condenação do deputado federal Josimar Maranhãozinho (PL-MA) pelo Supremo Tribunal Federal (STF) aponta que prefeitos eram pressionados a pagar propina para garantir a liberação de emendas parlamentares. Segundo a Polícia Federal e o Ministério Público Federal (MPF), gestores municipais eram cobrados a repassar 25% do valor total das verbas destinadas aos municípios, sob risco de perder os recursos.


A conclusão consta da ação penal julgada pela Primeira Turma do STF e também embasa a operação deflagrada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (25/6), que cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao parlamentar em Brasília e no Maranhão.

De acordo com a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), entre janeiro e agosto de 2020, o grupo exigiu do então prefeito de São José de Ribamar (MA) o pagamento de R$ 1,6 milhão para viabilizar a liberação de aproximadamente R$ 6,7 milhões em emendas parlamentares destinadas ao município.

Ao votar pela condenação, o ministro Cristiano Zanin afirmou que as provas reunidas demonstraram que as emendas parlamentares eram utilizadas como “moeda de troca”. Segundo o relator, a função parlamentar foi transformada em instrumento para obtenção de vantagens ilícitas, caracterizando o crime de corrupção passiva.

O ministro também destacou que mensagens de WhatsApp, documentos, registros bancários e depoimentos comprovaram que Josimar Maranhãozinho exercia papel de liderança no esquema. Conforme a decisão, cabia ao deputado coordenar a destinação das emendas, organizar a atuação dos demais integrantes e operacionalizar os pagamentos entre os envolvidos.


fonte:Mirelle Pnheiro e Letícia Guedes/Metrópoles 25/06/2026