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terça-feira, 7 de abril de 2026

Mundo: Pesquisador do Ministério do Desenvolvimento Agrário é nomeado como conselheiro do Vaticano

                                                                   foto:reprodução




 O Papa Leão XIV nomeou o pesquisador Carlos Nobre para o Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, uma espécie de conselho sobre temas como direitos humanos, justiça, paz, saúde, migrações, emergências humanitárias e obras de caridade da Igreja Católica. Nobre é membro do Grupo Permanente de Análise de Conjuntura do Ministério Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, instituído em 2025.

Entre as tarefas do Vaticano está “promover a pessoa humana e sua dignidade, dada por Deus, os direitos humanos, a saúde, a justiça e a paz”. Nobre é pesquisador aposentado do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), membro da Academia Brasileira de Ciências e reconhecido internacionalmente por suas pesquisas sobre clima e aquecimento global.


Fonte: Canal Gov/facebook 07/04/2026

Judiciário: Nova 'Lista Suja' do trabalho escravo inclui BYD e Amado Batista


                                            foto:reprodução


Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) divulgou a atualização do Cadastro de Empregadores que tenham submetido trabalhadores a condições análogas à escravidão, conhecido como “Lista Suja”. A nova versão, divulgada na noite de segunda-feira (6) inclui 159 empregadores, sendo 101 pessoas físicas e 58 pessoas jurídicas. O que representa aumento de 20% em relação à atualização anterior. A relação inclui o cantor Amado Batista e a montadora chinesa BYD, que implantou uma unidade para fabricação de carros elétricos e híbridos em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador.


No caso da BYD, a montadora entrou no cadastro após o resgate de trabalhadores chineses em dezembro de 2024. Ao todo, 220 trabalhadores haviam sido contratados para atuar na construção da fábrica da empresa em Camaçari. Os trabalhadores chineses foram encontrados amontoados em alojamentos sem condições adequadas de conforto e higiene e eram vigiados por seguranças armados, que impediam a saída do local.

Segundo as autoridades, os passaportes eram retidos e os contratos incluíam cláusulas ilegais, como jornadas exaustivas e ausência de descanso semanal. Um dos trabalhadores ouvidos pelo Ministério Público do Trabalho da Bahia (MPT) associou um acidente com uma serra ao cansaço causado pela falta de folgas.

O MPT da Bahia também apontou que os trabalhadores entraram no país de forma irregular, com vistos para serviços especializados que não correspondiam às atividades desempenhadas na obra. Na ocasião, a BYD informou que a construtora terceirizada Jinjiang Construction Brazil Ltda cometeu irregularidades e que, por isso, decidiu encerrar o contrato com a empresa.

No caso do cantor Amado Batista, foram feitas duas autuações em Goianápolis, interior de Goiás, onde o artista tem propriedades rurais. Uma das ocorrências diz respeito ao Sítio Esperança, com dez trabalhadores. A outra envolve o Sítio Recanto da Mata, com quatro trabalhadores. Os casos ocorreram em 2024.


Fonte: METRO1.com.br - 07/04/2026

MS: Subtenente da PM é morta a tiros em Campo Grande e namorado é preso


                                                Foto: Reprodução / Redes sociais



A subtenente da Polícia Militar Marlene de Brito Rodrigues, de 59 anos, foi morta a tiros no fim da manhã desta segunda-feira (6), no bairro Estrela Dalva, em Campo Grande. O namorado da vítima, Gilberto Jarson, de 50 anos, é o principal suspeito e foi preso em flagrante por feminicídio, segundo a delegada Analu Lacerda Ferraz, da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam).


De acordo com a investigação, o casal mantinha relacionamento há um ano e quatro meses e morava junto havia dois meses. O suspeito foi encontrado com a arma na mão e afirmou que Marlene teria cometido suicídio, mas entrou em contradição ao explicar a situação. Um vizinho, também policial, ouviu o disparo, pulou o muro da residência e encontrou o homem no local.

Marlene trabalhava no Comando-Geral da Polícia Militar, no setor de Ajudância Geral. Equipes das polícias Civil e Militar e do Batalhão de Choque atenderam a ocorrência. Segundo a polícia, não havia registro anterior de violência doméstica envolvendo o casal, embora relatos indiquem possível relação conturbada. O crime ocorreu por volta de 11h30 e é o primeiro caso de feminicídio registrado em Campo Grande em 2026.

Fonte: metro1 - 07/04/2026

Mundo: Trump volta a ameaçar o Irã: ‘Uma civilização inteira morrerá esta noite’


                                             foto:reprodução



 O presidente Donald Trump usa as redes sociais uma vez mais para ameaçar o Irã e pressionar por um acordo com Teerã, antes do final do dia em Washington. O ultimato havia sido estabelecido para 20h de Washington, desta terça-feira.

Caso não haja um entendimento, o presidente dos EUA havia alertado que atacaria usinas de energia e pontes iranianas. Mas, desta vez, ele transformou sua ameaça num alerta que deixou diplomatas e negociadores em choque.

“Uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais ser ressuscitada”, começa ele, em uma publicação em sua plataforma Truth Social.

“Não quero que isso aconteça, mas provavelmente acontecerá. No entanto, agora que temos uma Mudança de Regime Completa e Total, onde mentes diferentes, mais inteligentes e menos radicalizadas prevalecem, talvez algo revolucionariamente maravilhoso possa acontecer”, continuou.

“QUEM SABE? Descobriremos esta noite, em um dos momentos mais importantes da longa e complexa história do mundo. 47 anos de extorsão, corrupção e morte finalmente chegarão ao fim. Deus abençoe o grande povo do Irã!”.

O alerta de Trump ocorre num momento em que negociadores paquistaneses confirmam a existência de uma troca de propostas entre americanos e iranianos.

Do lado de Teerã, a exigência é de que um acordo de paz represente um compromisso por parte dos EUA e de Israel de que novos ataques não irão ocorrer. Além disso, querem a aplicação de uma espécie de pedágio de US$ 2 milhões para cada barco que cruzar o Estreito de Ormuz. O dinheiro seria usado para reconstruir o Irã após um mês de bombardeios.

Mesmo com a troca de ofertas, as autoridades dos EUA confirmaram que a ilha de Kharg, onde fica uma importante parte da infraestrutura de petróleo do Irã, foi alvo de mísseis americanos nesta terça-feira.

Ataques para além da região

Sem um acordo por enquanto, a Guarda Revolucionária também alerta que se os EUA “cruzarem linhas vermelhas”, os iranianos estão dispostos a ir além.

“Faremos com a infraestrutura dos Estados Unidos e seus parceiros o que os privará, a eles e seus aliados, do petróleo e gás da região por muitos anos”, diz a declaração dos iranianos.

“Os líderes americanos não têm capacidade de calcular os ativos críticos que estariam ao alcance de nossos combatentes caso atacassem nossa infraestrutura”, acrescenta. “Nossa resposta irá além da região se os militares dos EUA cruzarem nossas linhas vermelhas.”  Matéria em atualização.


Fonte: JAMIL CHADE/ICL NOTÍCIAS - 07/04/2026

 


Política: Operação da PF afasta 2 vereadores por suspeita de compra de votos e fraude à cota de gênero em Juazeiro


                                             foto:reprodução


Dois vereadores de Juazeiro, no Sertão do São Francisco, foram afastados das funções durante uma operação da Polícia Federal (PF) deflagrada na manhã desta terça-feira (7).

 

Foto: Divulgação / Polícia Federal

 

Intitulada de Promitente, a operação tem como objetivo cumprir mandados relacionados a uma investigação de compra de votos e fraude eleitoral no município.

 

Segundo a PF, além do afastamento dos legisladores, foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão, além da suspensão das atividades partidárias do presidente de uma legenda envolvida no caso.

 

As investigações apontam que os dois vereadores de Juazeiro investigados são Anderson da Iluminação e  Hitallo Marcelino, ambos do União Brasil, sendo que Hitallo ainda ocupava o cargo de presidente da legenda no município. A operação é acompanhada pelo Rede GN, parceiro do Bahia Notícias. 

 

O esquema, diz a PF, consistia no pagamento de valores a mulheres recrutadas para figurarem formalmente como candidatas, sem participação efetiva em campanha, inclusive com o recebimento de recursos da cota eleitoral.

 

Ainda de acordo com a apuração, após a realização da fraude, os investigados, junto com o advogado do partido, teriam solicitado a uma das mulheres envolvidas que reconhecesse a irregularidade em cartório. A medida teria como objetivo beneficiar um suplente, resultando na perda do mandato de um candidato eleito legitimamente.

 

Por determinação da Justiça Eleitoral, além dos afastamentos, os vereadores investigados estão proibidos de frequentar a Câmara Municipal e de manter contato com servidores do Legislativo e do Executivo local.

 

Durante o cumprimento dos mandados, foram apreendidos aparelhos eletrônicos, documentos e valores em espécie. O material será submetido à perícia para apuração detalhada dos fatos e possível identificação de outros crimes relacionados ao caso. (Atualizado às 8h27)



Fonte:BAHIA NOTÍCIAS/REPRODUÇÃO - 07/04/2026

Itambé: Vítimas de acidente com ônibus da Rota seguem em estado grave; motorista é procurado

Vítimas de acidente em Itambé retornavam de feriado de Semana Santa; dois seguem em estado grave
Foto: Reprodução / Blog do Anderson

As duas mulheres que morreram após um ônibus invadir um ponto de apoio rodoviário de Itambé, no Médio Sudoeste da Bahia, retornavam para casa depois de passarem o feriado da Semana Santa com familiares. O acidente ocorreu na manhã desta segunda-feira (6) em um trecho da BA-263.

 

 

Segundo a TV Sudoeste, Danielle Jheniffer Ramos Santana, de 20 anos, e Janete Silva Oliveira, de 51, foram a óbito no local. Ambas eram naturais do distrito de Nova Brasília, no município de Ribeirão do Largo, no Sudoeste baiano. As duas seguiam viagem para Itapetinga, na mesma região, onde residiam.

 

Janete era casada e deixa três filhos. Danielle era estudante universitária e havia se mudado recentemente para iniciar o ensino superior. A jovem também era sobrinha de dois homens que sobreviveram ao acidente.

 

Danilson Ramos Santana, de 41 anos, e Danildo Ramos Santana, de 39. Os dois foram socorridos em estado grave e encaminhados ao Hospital Geral de Vitória da Conquista (HGVC), na mesma região.

 

Segundo familiares, os dois tiveram as pernas amputadas e permanecem internados, sem previsão de alta. Os corpos de Danielle e Janete devem ser sepultados no distrito de Nova Brasília nesta terça-feira (6).

 

Ainda segundo informações, o ônibus, pertencente à empresa Rota Transportes, havia saído de Vitória da Conquista com destino a Itabuna. No momento da ocorrência, por volta das 7h, o veículo realizava uma parada programada.

 

Imagens de uma câmera de segurança registraram o momento da colisão. O vídeo mostra passageiros que aguardavam em um ponto com bancos de madeira e uma lanchonete correndo após a aproximação do ônibus. As vítimas estavam em uma área mais à frente, próxima ao estacionamento dos ônibus, e não aparecem nas imagens.

 

 

Em nota, a empresa Rota Transportes informou que os cerca de 20 passageiros que estavam dentro do veículo não ficaram feridos e foram transferidos para outro ônibus. A empresa também afirmou que presta assistência às vítimas e realiza apuração interna sobre as causas do acidente.

 

Segundo a Polícia Civil, o motorista do ônibus deixou o local após a colisão. Ele é procurado. 


Fonte: BAHIA NOTÍCIAS - 07/04/2026

Economia: BRB comprou R$ 1,5 bilhão em fundos da Reag após Carbono Oculto


                                                 foto:reprodução



 O Banco de Brasília (BRBcomprou R$ 1,5 bilhão em ativos que pertenciam ao Master e estavam investidos em fundos administrados pela Reag. As transações aconteceram depois que esta instituição financeira já havia sido alvo da Operação Carbono Oculto, da Polícia Federal, que investigava a utilização de fundos da Reag pelo PCC para lavar dinheiro.

Boa parte dos ativos comprados pelo BRB – na verdade, admitidos em troca de devolução de carteiras fraudadas do Credcesta – tem as mesmas características de “fundo sobre fundo” apontadas pela PF como parte da fraude investigada na Carbono Oculto e que viria a causar a liquidação da Reag, e do próprio Master, em novembro de 2025.

Documentos obtidos com exclusividade pelo Metrópoles, a partir da Lei de Acesso à Informação (LAI), mostram que as compras foram aprovadas pelas instâncias decisórias do BRB e pagas pelo Banco de Brasília antes da produção dos pareceres de risco que apontavam a semelhança com o que era investigado na Carbono Oculto.


Quatro operações foram realizadas a toque de caixa, todas elas concluídas no dia 30 de setembro de 2025, a tempo de aparecerem nos balanços de terceiro trimestre tanto do BRB quanto do Master. O Banco de Brasília se livrava de carteiras sabidamente podres do Credcesta e as trocava por ativos que tinham aparência de serem saudáveis.

Parecer assinado em 24 de setembro pela Diretoria de Finanças e Controladoria (Dific) e pela Superintendência de Operações Financeiras (Suope) do BRB aponta que a situação “impunha ao BRB postura ainda mais diligente na condução da proposta“. Havia “risco elevado e prazo exíguo” para avaliar os ativos que o Master oferecia para resolver o problema. Ainda assim, tudo foi aprovado.

Sociedade do BRB com Roberto Justus explicada

Em um dos negócios, o BRB comprou, por R$ 350 milhões, 100% das cotas do fundo FIP SH, que era dono de 30% das ações da Stellcorp, empresa de casas modulares. Isso explica como o BRB tornou-se sócio de Roberto Justus, que descobriu isso em janeiro de 2026, como ele próprio afirmou.

Para fechar negócio rapidamente, foi combinado desconto de 33,25% no valor das ações, com cláusula que beneficiava o Master: se o BRB vendesse as ações no futuro por um valor mais alto, os dois dividiriam os lucros. Já o risco de desvalorização ficava todo com o BRB.

O parecer conjunto de cinco superintendências do BRB apresenta diversas ponderações. Entre os alertas, estava o fato de que o fundo era administrado pela Reag e o Banco de Brasília ficaria a mercê dos interesses de uma entidade investigada na Carbono Oculto.

O documento da área técnica do BRB também advertiu que o Master estava envolvido em “múltiplas investigações e com risco elevado de solvência”. Isso sem contar que o fundo investia em um único ativo, de baixa liquidez e rentabilidade incerta.

As superintendências do BRB destacaram que o fundo era do tipo exclusivo com um único cotista: “Uma situação indesejável para fins de PLD/FTP (Prevenção à Lavagem de Dinheiro e Combate ao Financiamento do Terrorismo)“, já que omitia o beneficiário final do fundo, que passaria a ser o BRB. Tanto é que o próprio “dono” da Stellcorp, Roberto Justus, não sabia quem era seu sócio.

Fundo inflado artificialmente


Também em 30 de setembro de 2025, o Master pagou R$ 300 milhões pela compra de 83% das cotas do fundo FIP Trevi, que, por sua vez, era dono de 30% do patrimônio do FIP Novo Bairro. A aquisição aconteceu apesar de o BRB não ter ideia de onde o dinheiro chegava, já que documento mais recente do FIP Novo Bairro, também administrado pela Reag, havia sido enviado à Comissão de Valores Mobiliários um ano antes, citando carteira de R$ 300 milhões.

Reportagem do Estadão mostrou que o FIP Novo Bairro investia na Novo Bairro S/A, empresa constituída para construir um condomínio em São Paulo a partir de empréstimos do Master. Em agosto – logo, na véspera do negócio citado nesta matéria –, a Reag alterou artificialmente a avaliação do patrimônio líquido do Novo Bairro S/A, de R$ 400 mil para R$ 1,7 bilhão.

Assim, se o negócio tivesse sido feito em agosto, o BRB teria recebido 25% de um fundo que valia R$ 400 mil – logo, R$ 100 mil. Em 30 de setembro, com o valor do empreendimento corrigido artificialmente, os mesmos ativos valiam R$ 423 milhões, tendo sido comprados com “desconto” por R$ 300 milhões.

Fundo sobre fundo sobre fundo…

Outros R$ 315 milhões foram destinados à compra de 70% das cotas do Fundo de Investimento Imobiliário (FII) Brazil Realty, administrado pela Reag. Um dos relatórios da área técnica alertava que o fundo tinha estrutura “altamente concentrada e composta por ativos com baixa visibilidade pública”.

Tratava-se de uma ampla cadeia de fundos sobre fundos, explicada no gráfico abaixo, que desencadeava em diversos projetos imobiliários na região de Belo Horizonte (MG), reduto da família Vorcaro.



Fluxograma do fundo Brazil Realty, produzido pelo BRB

Na prática, o Master oferecia um terreno onde a família Vorcaro pretendia lançar, este ano, um projeto do Minha Casa Minha Vida, denominado Mountain View; o projeto de um hospital em Nova Lima, um Fundo de Investimento Imobiliário (FII) da própria Reag; e 100% de um terreno urbano de 76 mil m² em Contagem, avaliado em R$ 300 milhões.

Chama a atenção o laudo de precificação desse terreno, que calculou cada metro quadrado a R$ 3,9 mil a partir de pesquisa que mostrava como exemplo outro imóvel na mesma cidade com o metro quadrado cotado a R$ 984 – quatro vezes menos.

Isso apesar de o terreno que agora pertence ao BRB ser menos atrativo: tem uma das laterais em curva, faz divisa com a linha do trem e só uma pequena frente que dá para a avenida.

A quarta operação envolvendo a Reag foi a compra, por R$ 350 milhões, das ações do fundo Strelitzia FIP, dono de 39% do Grupo Alife Nino, por sua vez proprietário de diversos bares e restaurantes, como o Nino, o Tatu Bola e o Boa Praça.

Este é o único caso de fundo da Reag com lastro comprado pelo BRB, já que o grupo é tido como um dos 10 maiores do setor de food service no Brasil, com mais de 100 unidades próprias. Ainda assim, o Master supervalorizou o ativo na negociação com o BRB, que pagou R$ 350 milhões por 39% do Alife Nino. Em 2024, a XP precificava sua participação de 20% no negócio em R$ 160 milhões.

No apagar das luzes, mais um negócio

Em 4 de novembro de 2025, a Diretoria Colegiada e o Comitê de Negócios do BRB aprovaram mais uma compra de fundos, desta vez por R$ 481 milhões, em operação “motivada pela deterioração da condição financeira do Banco Master, que enfrenta risco elevado de inadimplência” e a necessidade de trocar créditos podres por outros ativos.

Nesse pacote, o BRB pagou R$ 25 milhões pelas cotas do FII Brazil Realty que ainda estavam com o Master, R$ 108 milhões em ações da FIP Yvac, ainda administrada pela Reag, e outros R$ 176 milhões em ações do FIP Matarazzo, administrado pela Trustee, também enrolada na Carbono Oculto.

Na época, Metrópoles já tinha noticiado – e a área técnica do BRB incluiu em seu relatório – que a Reag pediria o cancelamento de seu registro na Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Ainda assim, o negócio foi aprovado pelo Master, que na prática acabou comprando, no Yvrac e no FIP Saúde Crédito, um pacote de ações da Aliança Saúde (AALR3) que se desvalorizaram fortemente desde então. Cotadas a R$ 6,77 no dia da transação, hoje valem menos de R$ 4 cada uma.

Já a FIP Matarazzo investia 95% de seu patrimônio em uma empresa de capital fechada chamada BM Varejo S.A, fundada em 2023, com endereço errado (segundo a área técnica do BRB) e ainda sem operação. Na prática, o BRB não tinha a menor ideia do que estava comprando.

Mas comprou mesmo assim.


Fonte: Demétrio Vecchioli/Metrópoles - 07/04/2026  08h:05h


segunda-feira, 6 de abril de 2026

Banco Master: BRB gastou R$ 500 milhões ao comprar 2 vezes mesma carteira sem garantia


                                         imagem:Arte/Metrópoles/reprodução



O Banco de Brasília (BRB) comprou do Banco Master duas vezes uma mesma cédula de crédito bancário (CCB) sem garantias, em negócio fortemente não recomendado pela área técnica do banco estatal e fechado antes da produção de um parecer jurídico pedindo precauções adicionais.

Metrópoles e publicados agora em uma série de reportagens que mostra que os ativos comprados do Master pelo BRB são frios, contribuindo para o rombo ainda desconhecido nas contas do BRB.

É o caso da carteira da RKO Alimentos – um frigorífico do Mato Grosso que havia, supostamente, tomado um empréstimo de R$ 400 milhões do Master em dezembro de 2023, com carência até fevereiro de 2026. O BRB comprou duas vezes essa dívida, pagando R$ 498 milhões no total.

Master: BRB gastou R$ 500 milhões ao comprar 2 vezes mesma carteira sem garantia - destaque galeria
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Parecer do BRB apontava riscos de comprar CCB de frigorífico do Master
Parecer do BRB apontava riscos de comprar CCB de frigorífico do Master
Parecer do BRB apontava riscos de comprar CCB de frigorífico do Master
Parecer do BRB apontava riscos de comprar CCB de frigorífico do Master

Primeira compra teve imóvel fake de garantia

O BRB primeiro comprou uma parte da CCB, em 17 de outubro de 2024, por R$ 174 milhões. A transação não consta na planilha com todas compras de ativos do Master pelo BRB, produzida pelo Banco de Brasília e revelada pela coluna.

Como as garantias oferecidas pelo frigorífico não cobriam 130% do valor cedido, padrão mínimo em negócios do tipo feitos pelo BRB, o banco estatal estabeleceu como condicionante a inclusão de uma nova garantia imobiliária: um imóvel urbano avaliado em R$ 1,3 bilhão em Mata de São João (BA), cidade conhecida por seus resorts.

Metrópoles foi atrás desta matrícula e descobriu que o imóvel nunca pertenceu ao Master. Logo, nunca poderia ser tomado como garantia, tanto que não há qualquer anotação de alienação fiduciária dele na matrícula atualmente.

Segunda compra tinha 18 pontos de risco

A segunda compra, por R$ 324 milhões, foi aprovada a toque de caixa, em 30 de junho de 2025, depois que o BRB identificou que carteiras de varejo adquiridas do Master era fraudulentas. Precisando convencer o Banco Central (BC) a aprovar a compra do próprio Master, o BRB tinha pressa em substituir aquelas carteiras “podres” por ativos de melhor qualidade.

Entre as opções apresentadas pelo Master, escolheu de novo a CCB da RKO, nascida de um empréstimo tomado na modalidade capital de giro, para “construção ou aquisição de novos frigoríficos e desenvolvimento de lojas no segmento de carnes premium e congeladas”.

Master e RKO acordaram que 90% dos R$ 400 milhões emprestados ficariam aplicados em um Fundo de Investimento da Reag e só seriam liberados à medida que o frigorífico desenvolvesse os projetos.

Inicialmente esse fundo deveria ser o “Bravo”. Mas, quando o CCB foi oferecido novamente ao BRB, em junho do ano passado, o dinheiro estava em outro fundo, de nome Titânia, sem que houvesse sido apresentado qualquer aditivo contratual.

Para a área técnica do BRB, essa era uma das fragilidade do negócio. Outra era a falta de acompanhamento sobre como o dinheiro estava sendo utilizado. “Entendemos que a falta de acompanhamento de uma operação com saldo devedor atual de mais de R$ 550 milhões também representa uma fragilidade da operação de crédito”, alertou a área técnica do BRB.

Mas os problemas iam bastante além. Relatório assinado em 30 de junho de 2025 por cinco superintendências do BRB apontou 18 pontos de alerta. Entre eles:

  • “ausência de garantia real imobiliária na operação contratada”;
  • “ausência de informações sobre liberações de recursos e cumprimento das etapas preestabelecidas”;
  • “ausência de comprovação de utilização dos recursos contratados no desenvolvimento dos projetos mencionados”;
  • “baixo índice de garantia (69%)”; e
  • “ausência de documentos contábeis e financeiros atualizados”.

Também faltava um parecer jurídico, que só viria a ser produzido no dia 11 de julho, impondo oito condicionantes ao negócio, entre elas a inclusão de uma cláusula de revenda como “salvaguarda institucional”.

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Master foi aprovado no mesmo dia em que área técnica emitiu parecer contrário

Já era tarde, porque a compra da CCB por R$ 324 milhões foi aprovada pelos órgãos competentes do BRB, sem qualquer condicionante, ainda durante a tarde do dia 30 de junho.


Fonte:Demétrio Vecchioli/Metrópoles/reprodução - 06/04/2026 19h:50min.