• Praça do Feijão, Irecê - BA

sábado, 11 de julho de 2026

Emendas atribuídas a Valdemar pagaram shows de sertanejo no interior


                                                   Foto: Otávio Brito/reprodução


Emendas parlamentares atribuídas por investigação da Polícia Federal (PF) ao presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, ao Orçamento da União foram utilizadas para o pagamento de shows em eventos promovidos em cidades do interior de São Paulo e do Paraná.

A coluna apurou que os recursos enviados a quatro cidades, e que têm a indicação atribuída a Valdemar pela PF, foram utilizados para a contratação de artistas. A situação se repetiu nas cidades de Iepê (SP), Guaimbê (SP), Macedônia (SP) e Cafelândia (PR). É o que apontam dados da plataforma Transferegov.

Emenda enviada a Iepê (SP) — cidade com cerca de 7,6 mil habitantes — foi utilizada para a contratação da banda Traia Véia e da dupla Thaeme & Thiago, que se apresentaram na 4° Agrofest em novembro de 2025. Cada apresentação custou R$ 250 mil.

Em Guaimbê (SP), o recurso supostamente indicado por Valdemar Costa Neto foi usado também para contratação de Thaeme & Thiago. O cachê da dupla para se apresentar na Festa do Peão de Boiadeiro de Guaimbê, em novembro de 2025, custou R$ 280 mil.

A contratação da dupla Thaeme & Thiago também se repetiu em outra cidade beneficiada com os recursos federais. Cafelândia (PR), cidade do interior do estado com cerca de 19 mil habitantes, utilizou a verba para contratar os cantores para a celebração de 43 anos do município.

No município de Macedônia (SP), que tem menos de 4 mil habitantes, as verbas da União pagaram show da cantora Mariana Fagundes na comemoração do aniversário da cidade, em outubro do ano passado.

Até então, a indicação das emendas era atribuída à Liderança do Partido Liberal, conforme documentos divulgados pela Comissão de Turismo da Câmara dos Deputados. Investigação da PF, no entanto, aponta que o real autor das indicações ao Orçamento seria Valdemar Costa Neto.

Outros destinos

A investigação da PF, que cruzou descobertas de operação com informações do Portal da Transparência, apontou que Valdemar seria o responsável por mais de R$ 100 milhões em emendas indicadas na área da Saúde. Recursos esses já pagos aos municípios pelo governo federal.

Outra parte das emendas foi para o Turismo e Desenvolvimento Urbano. Despesas que ainda não haviam sido pagas seriam destinadas para finalidades como pavimentação, revitalização de infraestrutura, contratação de artistas e realização de evento natalino.

Diante dos indícios apontados pela PF, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a indisponibilidade de R$ 119 milhões em bens de Valdemar. O magistrado ainda determinou a suspensão da execução de todas as despesas listadas pela corporação.

A decisão de Dino reproduz trechos de representação da PF que revelam a atuação de três servidores da Câmara dos Deputados para inserir entre as indicações regulares emendas de Valdemar. Segundo a apuração, os investigados tinham consciência de que tratavam emendas como quotas privadas de agente estranho ao cargo, o que preenche os elementos do “peculato‑desvio”.

Presidente do PL se defende

Em nota, a defesa de Valdemar Costa Neto disse ter recebido com surpresa a decisão de Flávio Dino. “Com o devido respeito, a decisão parte de premissas frágeis, inferências subjetivas e de uma indevida criminalização da atividade político-partidária”, afirmou.

“Valdemar Costa Neto nega categoricamente a prática de qualquer crime. Não há qualquer prova, ou mesmo indício, de que tenha aderido conscientemente a um suposto esquema criminoso”, completou.

A defesa do presidente do PL afirmou que é “natural e legítimo, no sistema democrático, que um presidente partidário dialogue com parlamentares, defenda prioridades programáticas, articule interesses nacionais e regionais e influencie politicamente sua bancada”.

“A defesa lamenta a exposição pública prematura de investigação ainda em fase preliminar, especialmente quando desacompanhada de elementos indiciários idôneos e em período de especial sensibilidade institucional e eleitoral”, destacou.


Fonte: TÁCIO LORRAN/METROPOLES - 11/07/2026

sexta-feira, 10 de julho de 2026

Salvador: Autor de chacina em cinema de SP deixa 'vendedores com medo' ao frequentar shopping

 

                                                 Mateus na época do crime e agora com 51 anos. foto:reprodução


Livre há dois anos, o ex-estudante de Medicina Mateus da Costa Meira, de 51 anos, condenado pelo ataque a tiros que matou três pessoas e feriu outras nove em um cinema de São Paulo em 1999, passou a frequentar regularmente o Shopping Barra, em Salvador. Solto em 2024 pela Justiça da Bahia, ele tem sido visto circulando por cafés, livrarias e até salas de cinema do local, cenário semelhante ao crime que o tornou conhecido. A informação é de Ullisses Campbell, que assina a coluna True Crime no jornal O Globo.

A rotina de Mateus no shopping começou a chamar atenção de frequentadores, que passaram a fotografá-lo e compartilhar imagens em grupos de WhatsApp. O Shopping Barra, um dos principais centros comerciais da capital baiana, possui 315 lojas, oito salas de cinema — três delas VIP — e recebe cerca de 50 mil visitantes por dia. 


Fonte:Dudabocao/instagram - 10/07/2026

Saúde: Prefeitura de Salvador compra 24 toneladas de peixe não recomendado por risco de metais pesados, diz site

Contratos de R$ 576 mil visam abastecer escolas municipais com filé de cação, mas especialistas criticam a escolha do pescado  |   Bnews - Divulgação Sea Sherpad
                                                



A Prefeitura de Salvador oficializou a compra de 24 toneladas de filé de peixe cação para abastecer a alimentação de estudantes da rede municipal de ensino. Os contratos, publicados no Diário Oficial do Município desta sexta-feira (10), somam R$ 576 mil e preveem o fornecimento do pescado para creches, pré-escolas e escolas do ensino fundamental com recursos do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). Especialistas ouvidos pelo BNews, contudo, criticam o fornecimento desse tipo de alimento para crianças.

Ao todo, foram emitidas cinco Autorizações de Fornecimento de Material (AFMs) em 18 de junho, todas vinculadas ao mesmo processo administrativo tendo como contratada a empresa P&G Alimentos Ltda. As aquisições correspondem a 24 mil quilos de filé de cação. 


Embora o cação seja comercializado como pescado, o termo é utilizado no Brasil para designar a carne de diferentes espécies de tubarões e raias. Por ser topo da cadeia alimentar, o animal pode acumular metais pesados, como mercúrio, chumbo e arsênio. Essa característica pode representar maior risco para grupos mais vulneráveis, como crianças e gestantes. 

Especialistas revelam preocupação com consumo do cação


A nutricionista Jaqueline Menezes afirmou ao BNews que a aquisição merece atenção do ponto de vista da segurança alimentar. "Pesquisas recentes informaram que esse peixe no Brasil vem acumulando altos índices de metais pesados. O recomendado seria focar na prevenção e ofertar itens que contenham mais respaldos na segurança alimentar", disse.

O nutricionista Leandro Sarmento é outro que alerta para o risco do consumo do cação. "De uma forma geral a carne de peixe (carne branca) é uma carne mais saudável que a vermelha. Mas o cação, que é tubarão, deve ser evitado consumo excessivo devido ao acúmulo maior de mercúrio, principalmente em crianças, gestantes e lactantes pois afeta a formação do sistema nervoso", ressalta.

Ainda segundo o especialista, o custo baixo do peixe é um dos motivos para ser utilizado em escolas da rede pública. "Mas acaba gerando risco, porque expõe mais as crianças, que estão em desenvolvimento, ao mercúrio. Pode afetar o desenvolvimento do sistema nervoso. Então, pode afetar em aprendizagem, atenção, memória, linguagem", adverte o nutricionista, para a reportagem.

Carne de cação pode colocar em risco a saúde de crianças.

Vale ressaltar que a legislação do PNAE  estabelece que os cardápios devem ser elaborados por nutricionistas e priorizar alimentos seguros e adequados do ponto de vista nutricional.

Cação já foi banido em escolas de outras cidades

A preocupação já levou municípios brasileiros a reverem seus cardápios escolares. A justificativa foi justamente a preocupação com a presença de metais pesados na carne e os impactos ambientais provocados pela captura de tubarões. 

Em 2021, Santos, no litoral paulista, tornou-se a primeira cidade do país a banir definitivamente a carne de cação da merenda da rede municipal, decisão reconhecida pela organização ambiental Sea Shepherd Brasil. 

Já no início deste ano, a carne de tubarão também foi banida de 1200 instituições da rede pública estadual do Rio de Janeiro após pressão de conservacionistas e especialistas em alimentação.

O que diz a Prefeitura

O BNews procurou a Prefeitura de Salvador, por meio da Secretaria Municipal de Educação, para esclarecer os critérios adotados na escolha do cação para a alimentação escolar. A pasta enviou uma nota sobre o caso. Leia na íntegra:

"A Secretaria Municipal da Educação (Smed), por meio da Coordenação de Alimentação Escolar (CAE), informa que o filé de cação integra os cardápios elaborados por nutricionistas, em conformidade com as diretrizes do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e com a legislação sanitária, nutricional e ambiental vigente.

Todos os alimentos adquiridos pela Smed atendem aos critérios de qualidade e inspeção sanitária exigidos pelos órgãos competentes. Além disso, o edital de aquisição veda o fornecimento de espécies ameaçadas de extinção e exige a identificação da espécie fornecida durante toda a execução do contrato.

A escolha do filé de cação também considera critérios técnicos, como a ausência de espinhas, a boa aceitação pelos estudantes, o valor nutricional e a segurança no preparo e consumo das refeições.

Reforçando seu compromisso com a oferta de uma alimentação escolar de qualidade, a Smed avalia continuamente os itens que compõem o cardápio e estuda alternativas para a futura substituição desse pescado, observando critérios nutricionais, sanitários, ambientais, operacionais e de aceitabilidade pelos estudantes".


Fonte: Henrico Brinco/Bocão News/reprodução - 10/07/2026 19H:45

Educação: TJMG derruba liminar e mantém fim das escolas cívico-militares no Estado


                                                            foto:reprodução/google


 O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) decidiu, nesta quinta-feira (9), manter a determinação do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG) para encerrar o programa de escolas cívico-militares da rede estadual. 

Por maioria de votos, a 19ª Câmara Cível deu provimento ao recurso apresentado pelo TCE e restabeleceu integralmente a decisão da Corte de Contas. 

Com o julgamento, fica mantida a determinação para interromper o programa no ano letivo de 2026, tanto nas nove escolas onde o modelo já estava em funcionamento quanto na criação de novas unidades. A decisão revoga uma liminar que havia suspendido os efeitos da deliberação do TCE-MG.

A expansão do modelo das escolas cívico militares em Minas Gerais é uma das principais bandeiras do governador Mateus Simões (PSD), candidato à reeleição. Quando o TCE-MG suspendeu o programa, ele reclamou de intervenção indevida da corte.


Contudo, para a maioria dos desembargadores, a Corte de Contas agiu dentro de sua competência ao apontar possíveis irregularidades na execução do programa e determinar sua descontinuidade.

Entre os principais argumentos acolhidos pelo TJMG está o entendimento de que os problemas identificados pelo TCE têm caráter estrutural, envolvendo falhas na individualização das ações, das metas físicas e financeiras e na destinação dos recursos públicos. Por isso, segundo o acórdão, as irregularidades atingem tanto a expansão quanto a continuidade das escolas já participantes.


Os desembargadores também afastaram o argumento de que o encerramento do programa causaria prejuízo aos estudantes. Segundo a decisão, quando a medida foi restabelecida, o ano letivo ainda estava no início, sem uma situação consolidada que justificasse a manutenção do modelo.

“A decisão que deferiu o efeito suspensivo ao recurso e, por conseguinte, restabeleceu os efeitos da deliberação da Corte de Contas, foi proferida no segundo dia do ano letivo, quando as atividades escolares ainda se encontravam em fase inicial de organização, inexistindo situação consolidada apta a caracterizar ruptura abrupta ou prejuízo concreto à trajetória educacional dos estudantes”, diz a decisão do desembargador Wagner Wilson.


Segundo o magistrado, a Administração estadual possuía conhecimento prévio da determinação de descontinuidade, proferida e referendada no ano anterior, “incumbindo-lhe organizar o início do período letivo em conformidade com a deliberação do órgão de controle”.

Na avaliação do TJMG, a retirada dos militares não implica interrupção das aulas, fechamento de unidades escolares, transferência de alunos ou alteração da grade curricular, dos conteúdos programáticos ou das diretrizes de ensino, pois sua atuação possui natureza complementar e não interfere no planejamento, tampouco na execução das práticas pedagógicas.

Com isso, prevaleceu o entendimento de que, na ausência de demonstração de dano concreto aos alunos, deve ser priorizada a proteção da legalidade orçamentária e do patrimônio público. A decisão foi tomada por maioria, com divergência parcial do relator.


Fonte: Hermano Chiodi/O tempo - 10/07/2026

Política: Prefeituras da Bahia receberam emendas de Valdemar

                                                Porto Seguro -  foto:reprodução/facebook



Mais de R$ 80 milhões das emendas atribuídas ao presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, beneficiaram cidades chefiadas por filiados da sigla, revela levantamento da coluna. Investigação apontou que, ainda que não tivesse cargo de senador ou deputado, o presidente do PL controlava verbas do Orçamento da União.

Na decisão que bloqueou a execução dos recursos, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), reproduziu uma tabela com as emendas que teriam sido apropriadas por Valdemar, conforme investigação da Polícia Federal (PF).

Na decisão que bloqueou a execução dos recursos, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), reproduziu uma tabela com as emendas que teriam sido apropriadas por Valdemar, conforme investigação da Polícia Federal (PF).

Uma das cidades elencadas é Suzano (SP), que teria sido destino de duas emendas da Comissão da Saúde de 2024. As indicações, somadas, se aproximam dos R$ 27 milhões. A cidade é chefiada por Pedro Ishi, também do Partido Liberal.

O município de Porto Seguro (BA) consta como o destino de quase R$ 25 milhões em indicações atribuídas a Valdemar. A prefeitura municipal, por sua vez, está sob a responsabilidade de Jânio Natal (PL).

   foto:reprodução

A informação foi levantada pela coluna com base em informações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) referentes às Eleições Municipais de 2024. Confira as cidades listadas que têm o cargo de prefeito ou vice-prefeito ocupados por quadros do PL:

  • Suzano (SP): R$ 26.835.199
  • Porto Seguro (BA): R$ 24.999.298
  • Santa Fé do Sul (SP): R$ 9.575.004
  • Bebedouro (SP): R$ 9.000.000
  • Ubatuba (SP): R$ 7.000.000
  • Mogi das Cruzes (SP): R$ 3.000.000
  • Macedonia (SP):R$ 220.000
  • Ilha Solteira (SP): R$ 220.000

Além disso, as chapas eleitas em outras duas cidades compuseram coligações com o Partido Liberal nas Eleições de 2024. São elas: Presidente Venceslau (SP), que recebeu R$ 220 mil, e Guaimbé (SP), destino de R$ 280 mill.

Outra cidade cuja prefeita compôs com o PL nas urnas é Morro do Chapéu, localizada na Chapada Diamantina na Bahia, que foi destino de R$ 4,78 milhões.


                                   foto:reprodução/facebook/prefeitura

A coluna procurou as cidades citadas, mas não houve retorno. O espaço segue aberto.

O ministro Flávio Dino, nessa sexta-feira (10), ordenou a indisponibilidade de R$ 119.216.703,15 relacionados a emendas parlamentares supostamente indicadas por Valdemar Costa Neto. Segundo a investigação, ele teria controlado e direcionado verbas públicas de emendas de comissão e da Mesa Diretora para atender a interesses privados.

Valdemar divulga nota


Em nota, a defesa de Valdemar Costa Neto disse ter recebido com surpresa a decisão de Flávio Dino. “Com o devido respeito, a decisão parte de premissas frágeis, inferências subjetivas e de uma indevida criminalização da atividade político-partidária”, afirmou.

“Valdemar Costa Neto nega categoricamente a prática de qualquer crime. Não há qualquer prova, ou mesmo indício, de que tenha aderido conscientemente a um suposto esquema criminoso”, completou.

A defesa do presidente do PL afirmou que é “natural e legítimo, no sistema democrático, que um presidente partidário dialogue com parlamentares, defenda prioridades programáticas, articule interesses nacionais e regionais e influencie politicamente sua bancada.”

Ministro Flávio Dino - foto:reprodução





Fonte:Mateus Salomão/Tácio Lorran/Metrópoles e Bocão News -10/07/26

Título:Blog



" Defensor da Família": Mulher trans acusa dono de frigorífico da "Picanha Bolsonaro" de calote e ameaça. Vídeo

 

                                                     foto:Carla Sena/Arte Metrópoles


Uma mulher trans identificada como Aline* (nome fictício utilizado para preservar sua identidade) acusa o empresário goiano Leandro Batista Nóbrega, dono do Frigorífico Goiás e responsável pela “Picanha de Bolsonaro”, de transfobia, de não pagar R$ 500 por um programa e de fazer ameaças após uma discussão.

Próximo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e de outras lideranças da direita, Leandro ganhou projeção nacional com vídeos de churrascos, ações de marketing do frigorífico e publicações de cunho político. Hoje, o empresário reúne 2,5 milhões de seguidores no perfil da empresa no Instagram e outros 974 mil em sua conta pessoal.

Acompanhante de luxo, Aline* procurou a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) na noite de 15 de junho, poucas horas após o encontro com o empresário, para registrar a acusação.

No boletim de ocorrência, ao qual a coluna teve acesso, ela relata que o desentendimento começou durante o programa, em razão do tipo de serviço sexual que Leandro pretendia contratar (veja vídeo).

Segundo o registro, o empresário já havia procurado Aline em 2024 e voltou a entrar em contato em maio deste ano. Antes disso, ela diz ter percebido que um perfil ligado ao Frigorífico Goiás costumava visualizar suas publicações no Instagram. Posteriormente, Leandro a procurou pelo WhatsApp para marcar um encontro.

O empresário foi ao apartamento da acompanhante por volta das 13h, no horário previamente combinado, e permaneceu no local por cerca de 1h10 (veja print da conversa).

“A declarante diz que fez o atendimento de Leandro (serviços de ordem sexual). Leandro não ficou contente, pois queria ser passivo, e a declarante disse que não fazia ativo. Leandro foi tomar banho e, quando voltou do banheiro, ela percebeu que aquele homem era do Frigorífico Goiás”, registra o boletim.

Ao reconhecer o empresário, Aline afirma que o questionou sobre publicações de teor transfóbico feitas por ele nas redes sociais e sobre o fato de contratar os serviços de uma mulher trans. A conversa, segundo o boletim, rapidamente evoluiu para discussão.

“Leandro começou a debater com a declarante e se alterou. A declarante então filmou Leandro e disse que iria expô-lo”, diz o documento.

A gravação, obtida pela coluna, mostra parte da discussão. Nas imagens, a acompanhante questiona o empresário sobre ataques transfóbicos direcionados a mulheres trans.

“Vocês colocam esse fetiche na cabeça de vocês, vocês tratam a gente como homem. Vocês que chamam a gente para comer a mulher de vocês. Vocês que querem que a gente… É por isso que vocês tratam a gente como homem e não querem que a gente use banheiro das mulheres. São vocês. E aquele cara lá eu queria que ele viesse comigo, aí ia ser babado. Eu queria ver ele ameaçar travesti falando de banheiro.”

Leandro responde:

“É, mas ele não ameaça, não”.

Na sequência, Aline rebate:

“Mas ele ameaçou”.

Ainda conforme o boletim de ocorrência, após o desentendimento, Leandro teria enviado mensagens oferecendo dinheiro para que o vídeo não fosse divulgado. Aline afirma que recusou a proposta e sustenta que jamais pediu qualquer quantia em troca de silêncio.

Ela diz ainda que, diante da negativa, o empresário passou a acusá-la de extorsão e fez ameaças.

“A declarante esclarece que, em nenhum momento, pediu dinheiro para não expor Leandro. Leandro ameaçou a declarante dizendo: ‘Eu tenho dinheiro. Eu mando fazer o que eu quiser com você'”, diz o boletim.

Posts transfóbicos e amizade com Bolsonaro, Flávio, Nikolas Ferreira e cantores sertanejos

O empresário, que se declara bolsonarista, ganhou notoriedade nas redes sociais ao exibir, na entrada de seu frigorífico, uma placa com a frase: “Petista aqui não é bem-vindo”. Posteriormente, a Justiça determinou a retirada do cartaz.

Leandro também passou a usar o Instagram e o TikTok para divulgar produtos inusitados. Em seus vídeos, apresenta cortes nobres de carne embalados a vácuo com imagens impressas de personalidades como Jair Bolsonaro, Donald Trump, Javier Milei e o jogador Neymar.

No Natal, o empresário voltou a chamar a atenção ao divulgar vídeos gravados de dentro e fora de um helicóptero, do qual lançava pacotes de carne para moradores durante ação social.

Ao lado de publicações em apoio a aliados políticos, Leandro também compartilha conteúdos de teor transfóbico, incluindo postagens com piadas sobre a entrada de mulheres trans em seu estabelecimento.

O empresário também faz publicações direcionadas contra deputadas trans, como Erika Hilton (PSol-SP). Em uma delas, compartilhou um post do influenciador Gabriel Monteiro sobre “ideologia de gênero”. Em outra, referiu-se à parlamentar pelo nome masculino “Felipão”.

Outra parlamentar trans alvo de críticas do empresário é Duda Salabert (PSB-MG).

A coluna procurou Leandro e o Frigorífico Goiás para comentar as acusações, mas não obteve retorno. O empresário também bloqueou o perfil da coluna após tentativa de contato. O espaço segue aberto para eventuais manifestações.



Fonte:MILENA TEIXEIRA/METRÓPOLES - 10/07/2026

Título:Blog

DF: Porque o TRE-DF bloqueiou bens de ex-esposa de Bolsonaro


J                                                                        Justiça Eleitoral bloqueia bens de ex-esposa de Jair Bolsonaro -foto:reprodução
                                                          


A Justiça Eleitoral determinou o bloqueio de bens no valor de R$ 227,6 mil de Ana Cristina Siqueira Valle, ex-esposa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por débitos eleitorais. A decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) é referente à omissão na prestação de contas durante a campanha dela para deputada federal nas eleições de 2022.

Ana Cristina entrou no radar da Justiça eleitoral em 2022, após omitir a origem de recursos que recebeu durante a campanha. Àquela época, a campanha da então candidata informou ter arrecadado R$ 303 mil, mas apenas parte do valor teve origem e empenho detalhados por Ana Cristina.

De acordo com o TRE-DF, ela não prestou contas sobre R$ 134.482,77 de recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) que recebeu durante a campanha eleitoral.

Assim, há inconsistência nos valores pagos com dinheiro do FEFC, entre contratação de cabos eleitorais e militância, alimentação, combustível, criação de páginas na internet, impulsionamento de conteúdo, locação de bens e prestação de serviços de terceiros.

Em vários casos, segundo a decisão, havia documentação incompleta, ausência de nota fiscal, ausência de contrato, ausência de comprovante da entrega do serviço e também ausência de demonstração da finalidade eleitoral com as despesas.

O acórdão cita ainda alguns exemplos. Entre eles o gasto de R$ 3 mil em combustível, sem comprovação de vínculo com veículos da campanha. Há ainda menção a R$ 35.150 pagos à fornecedora Vyvian R. Cunha Gusmão para atividades de militância, sem elementos que comprovassem a efetiva prestação do serviço.

A mãe de Jair Renan Bolsonaro, o filho 04 de Jair Bolsonaro (PL), chegou a ser intimada em diversas ocasiões para prestar esclarecimentos sobre o empenho dos recursos, mas não compareceu em nenhuma das oportunidades.

Na decisão assinada pelo desembargador Guilherme Pupe da Nóbrega, ele determina uma série de medidas para localizar patrimônio caso os recursos financeiros para quitar os débitos não sejam localizados. São elas:

  • pesquisa de veículos via Renajud;
  • consulta às declarações de Imposto de Renda e informações imobiliárias via InfoJud;
  • se houver imóveis, registro de indisponibilidade na CNIB para impedir a venda; e a
  • inscrição da devedora no cadastro de inadimplentes por meio do SerasaJud.

O que ocorre quando o candidato não presta contas

Deixar de prestar contas de campanha impede que o candidato obtenha a certidão de quitação eleitoral por pelo menos quatro anos, ou até que regularize a situação.


Fonte: Carine Souza/Metrópoles - 10/07/2026