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sábado, 25 de abril de 2026

Senadora Soraya diz que Frei Gilson é um "falso profeta" e o acusa de misoginia


                                              foto:reprodução/facebook/ oficial


A senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) reagiu com duras críticas às declarações do Frei, após a circulação de um vídeo nas redes sociais. Em publicação feita na quarta-feira (22), a parlamentar classificou o religioso como “falso profeta” e o acusou de misoginia.


O conteúdo foi compartilhado por Soraya na rede X (antigo Twitter) e mostra um trecho de um sermão em que o frei aborda temas como empoderamento feminino e liderança masculina. Durante a fala, ele cita a passagem bíblica de Gênesis 2:18 — “Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea” — ao discutir o papel de homens e mulheres nas relações.

"Ao repercutir o vídeo, a senadora contestou a interpretação apresentada e também recorreu à Bíblia para rebater o discurso. “Mais um falso profeta. São freis, padres, pastores, pais de santo, políticos e etc. usando o nome de Deus em vão. Apesar da nossa laicidade, não posso deixar de destacar que eles infringem diuturnamente a própria fé que propagam, norma disposta no 3º mandamento (Êxodo 20:7). Haja fé para sobrevivermos nestes tempos…”, escreveu.

Em outro comentário na mesma publicação, Soraya reforçou sua ligação com a Igreja Católica e cobrou providências. “Nasci em berço católico e posso dizer que esse frei não me representa. Ele já passou de todos os limites possíveis de intolerância religiosa, misoginia, etc. Espero que nossa Igreja Católica tome severas providências”, afirmou. A postagem rapidamente ganhou repercussão, acumulando mais de 2,3 mil comentários e cerca de 350 mil visualizações. Até o momento, o frei não se manifestou sobre o caso.

No vídeo, o religioso critica o conceito de empoderamento feminino, que associa a uma “ideologia dos tempos atuais”, e defende a liderança masculina dentro da família. Em sua fala, ele afirma que o homem seria o “chefe do lar” conforme a Bíblia, enquanto atribui às mulheres um suposto “desejo de poder”. Ao citar novamente a passagem de Gênesis, sustenta que a mulher teria sido criada para “auxiliar” o homem, interpretação que gerou forte reação nas redes.



Fonte:BNews/instagram - 25/04/2026

DF: Governadora Celina decreta corte de até 25% dos contratos e suspende reajustes

                            A governadora do DF - Celina Leão, foto:reprodução/Breno Esaki/Metrópoles (@brenoesakifoto)




 A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), decretou corte de até 25% no valor dos contratos, na noite dessa sexta-feira (24/4). As exceções são os serviços públicos descritos como “críticos”, como saúde, mobilidade, limpeza, assistência e segurança, de forma que é verdade a interrupção ou “degradação”.

decreto 48.509/2026 determina aos órgãos e entidades da administração direta e indireta que façam, em 60 dias, “a revisão, renegociação e racionalização dos contratos administrativos e instrumentos congêneres que impliquem dispêndio de recursos públicos, tais como locações de imóveis e veículos, terceirização, contratos de informática, eventos, patrocínios e demais despesas de custeio”.

A revisão deverá abranger o escopo contratual, quantitativos, níveis de serviços, índices e fórmulas de reajuste, além da possibilidade de consolidação de contratos semelhantes ou sobrepostos.

O objetivo de renegociação é a “supressão de até 25% do valor global atualizado dos contratos”, “sempre que tecnicamente viável e observada a vantajosidade da contratação”.

Se não for possível reduzir o valor, segundo a norma, o órgão deverá apresentar à Secretaria de Economia as medidas alternativas de compensação de redução de despesas.

A tesourada é justificada, no decreto, pelo crescimento das despesas obrigatórias e o “impacto sobre a capacidade de financiamento das políticas públicas”, além da necessidade de “assegurar a sustentabilidade fiscal do Distrito Federal”.

Reajustes

O novo decreto de corte de despesas também afeta as negociações para reajuste salarial ao suspender medidas que impliquem no aumento de despesa com pessoal, incluindo concessão de aumento e reestruturações remuneratórias, exceto as já aprovadas por lei com impacto financeiro após a publicação do decreto.

A norma enfatiza que até as nomeações para cargos efetivos e em comissão estão suspensas, “ressalvadas aquelas destinadas à reposição de vacâncias devidamente justificadas e condicionadas à autorização da Secretaria de Estado de Economia do Distrito Federal”.

O órgão que fizer a nomeação dentro da exceção prevista ainda deve demonstrar “a imprescindibilidade da medida, a inexistência de medida alternativa e a compatibilidade com os limites fiscais e orçamentários”.

Um comitê formado pelo gabinete da governadora, Controladoria-Geral do Distrito Federal e Secretaria de Economia – que também presidirá o colegiado – vai acompanhar a execução das medidas determinadas no decreto e o “equilíbrio fiscal do Distrito Federal”.

Ao assumir o cargo de secretário de Economia do DF, no início de abril, Valdivino Oliveira chamou o DF de “máquina desgovernada”, em entrevista à CBN Brasília. O gestor afirmou ter encontrado déficit que ultrapassa R$ 2,7 bilhões.

Benefícios sociais e aposentados


A governadora também determinou a revisão e o aperfeiçoamento dos programas sociais para “assegurar a adequada focalização dos benefícios, identificar e corrigir eventuais inconsistências cadastrais, prevenir pagamentos indevidos e garantir a sustentabilidade fiscal dos programas”.

“As medidas deverão observar a legislação vigente, os princípios da dignidade da pessoa humana e a proteção dos beneficiários em situação de vulnerabilidade”, diz o decreto.

O decreto do corte de gastos alcança o Instituto de Previdência dos Servidores Públicos do Distrito Federal (Iprev-DF), que deverá fazer prova de vida periódica, cruzamento de dados e revisão de benefícios “com indícios de inconsistências”.


fonte: GRANDE ANGULAR/METRÓPOLES - 25/04/2026

DF: Fachin derruba liminar e autoriza governo a usar bens para socorrer o BRB


                                         foto: reprodução


O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, derrubou a liminar que havia suspendido trechos da lei de socorro ao Banco de Brasília (BRB) que autoriza uso de bens móveis e imóveis públicos para reforço patrimonial da instituição financeira.

Em decisão monocrática, proferida nesta sexta-feira (24/4), Fachin deferiu o pedido do Governo do Distrito Federal (GDF) para suspender os efeitos da liminar que paralisava a aplicação da Lei Distrital nº 7.845/2026.

Ao analisar o caso, o ministro ressaltou que a suspensão de liminar não tem como objetivo discutir o mérito da constitucionalidade da norma, mas sim evitar danos imediatos de maior gravidade.

Nesse contexto, Fachin considerou plausíveis os argumentos apresentados pelo Distrito Federal, especialmente no que se refere à existência de risco à ordem administrativa, já que a decisão judicial anterior interferia na execução de políticas públicas definidas pelos Poderes Executivo e Legislativo locais.

A decisão de Fachin foi proferida no mesmo sentido da decisão do desembargador Roberval Belinati ao suspender as liminares que proibiam o GDF de utilizar imóveis do DF para tentar salvar o BRB.

O ministro também apontou a possibilidade de impactos negativos à ordem econômica, destacando o papel central do BRB no pagamento de servidores públicos, na gestão de depósitos e na concessão de crédito.

“O Banco de Brasília desempenha papel central no sistema financeiro do Distrito Federal, sendo responsável pela operacionalização de programas sociais relevantes, pelo pagamento de servidores públicos, pela gestão de volumes expressivos de depósitos — inclusive judiciais — e pela concessão de crédito em escala significativa à economia local”, alegou.

 Além disso, o ministro apontou que a decisão impugnada, ao inviabilizar monocraticamente a adoção das principais medidas destinadas ao reforço patrimonial da instituição e à recomposição de seus índices de capital e liquidez, impacta diretamente a percepção de risco associada ao banco, com potencial reflexo negativo sobre a confiança do mercado, a estabilidade de suas operações e o valor de seus ativos.

Fachin entendeu, também, que havia risco ao interesse público, uma vez que a interrupção das ações de recuperação do banco poderia prejudicar a continuidade de serviços essenciais e a execução de políticas públicas.

A decisão ainda será submetida ao plenário virtual do STF, entre os dias 8 e 15 de maio, enquanto o processo original segue em tramitação no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios.

O ministro ainda determinou a abertura de prazo para manifestação das partes envolvidas e da Procuradoria-Geral da República, que deverão se pronunciar no prazo de 72 horas.

Fonte: MANOELA ALCANTARA/METRÓPOLES - 25/04/2026

 

sexta-feira, 24 de abril de 2026

Sorocaba: Prefeitura é acusada de abrir vala para vídeo de prefeito Rodrigo Manga


                                            foto:reprodução


A Prefeitura de Sorocaba é alvo de questionamentos após uma obra em via pública ter sido, supostamente, realizada apenas para servir de cenário a um vídeo publicado nas redes sociais do prefeito Rodrigo Manga.

 

De acordo com informações do portal g1, equipes do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) e de empresas terceirizadas foram mobilizadas no dia 9 de abril, no bairro Jardim Leocádia, para abrir e fechar um buraco na via sem necessidade técnica.

 

A intervenção coincidiu com a gravação de um vídeo de 19 segundos em que o prefeito, conhecido como “prefeito tiktoker”, empurra um personagem para dentro de uma vala com água escura, antes de divulgar ações de recapeamento e encerrar com um bordão sobre a cidade. O conteúdo alcançou milhões de visualizações.

 

Documentos internos indicam que ordens de serviço teriam sido elaboradas para justificar a intervenção, mencionando vazamento de água, afundamento do solo e manutenção de rede de esgoto. No entanto, servidores afirmam que não havia sinais desses problemas no local antes da obra. Imagens registradas momentos antes dos trabalhos também não mostram indícios de água na pista, esgoto exposto ou deformações no asfalto.

 

As denúncias foram encaminhadas ao Ministério Público, incluindo uma representação feita pelo vereador Raul Marcelo (PSOL). O órgão confirmou que os casos estão sob análise.


Em nota, a prefeitura negou irregularidades e afirmou que a vala foi aberta por equipe do Saae para manutenção na rede de esgoto, com substituição de uma abraçadeira danificada e recomposição do pavimento no mesmo dia, seguindo os protocolos internos e com registro formal da solicitação.

Fonte: BN -24/04/2026

Câmera: Hilton diz que PL apoiou PEC 6×1 por não ter desculpa ao trabalhador



                                          Foto:reprodução



A deputada Erika Hilton (PSol-SP) disse, nesta sexta-feira (24/4), que o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), votou a favor da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que põe fim à escala 6×1 — seis dias de trabalho para um de folga — por não ter justificativa para apresentar ao trabalhador caso votasse contra o texto.

“Eles não votaram porque querem fazer a discussão, votaram porque ainda não conseguiram encontrar uma justificativa para explicar ao trabalhador brasileiro (…) por que o PL e parte do Centrão são contrários a essa matéria”, declarou Erika.

A deputada é uma das autoras da proposta, cuja admissibilidade — ou seja, a análise sobre se o texto está de acordo com a Constituição — foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa nessa quarta-feira (22/4).

Mais cedo, Sóstenes também concedeu entrevista ao Contexto e disse que o partido poderá votar favoravelmente ao texto “lá na frente”. O líder votou favoravelmente à PEC na CCJ.

O bolsonarista defendeu o debate da proposta para aprimorá-la. A PEC de Hilton foi apensada à do deputado federal Reginaldo Lopes (PT-MG), por tratarem de temas correlatos. O projeto de Erika foi classificado por Sóstenes como “horroroso”.


Fonte: METROPLES- 24/04/2026

Quem é o secretário de Trump que chamou brasileiras de “putas e raça maldita”


                                                foto:reprodução/X


O nome do enviado especial para assuntos globais de Donald Trump, Paolo Zampolli, chamou atenção nesta semana após fazer declarações machistas e xenofóbicas contra mulheres brasileiras, em uma entrevista à emissora italiana RAI.

Zampolli disse que “mulheres brasileiras são programadas para causar problemas” ao falar sobre sua ex-mulher, a modelo brasileira Amanda Ungaro, com quem foi casado por quase 20 anos.

Em um momento em que acreditava não estar sendo gravado, o secretário de Trump afirmou que “as brasileiras são todas iguais” ao se referir a outra mulher chamada Lídia.

“É uma dessas putas brasileiras, essa raça maldita de brasileiras, são todas iguais”, declarou.

No ano passado, Amanda foi deportada dos Estados Unidos pelo Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) do Governo Trump. Segundo o jornal New York Times, Zampolli teria exercido pressão junto ao ICE para o detimento e deportação da brasileira.

Quem é Zampolli

Paolo Zampolli, de 56 anos, é um empresário ítalo-americano nascido em uma família rica de Milão. Aos 18 anos, herdou uma empresa de brinquedos após a morte do pai, no entanto, logo vendeu a empresa e decidiu se mudar para os Estados Unidos para ingressar no mundo da moda.

Em 1990, ele fundou uma agência de modelos em Nova York e ficou conhecido por ter apresentado a atual primeira-dama, Melania Trump, ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

A carreira sua carreira política começou em 2017, quando assumiu o cargo de embaixador da Dominica junto à ONU. Em março de 2025, ele assumiu o cargo de enviado especial de Trump para assuntos globais.

Também nesta semana o nome de Zampolli veio à tona após ele sugerir à FIFA trocar o Irã pela Itália na Copa do Mundo de futebol, que será realizada em junho nos Estados Unidos, Canadá e México.


Fonte: /Metrópoles - 24/04/2026

Justiça determina suspensão de processo eleitoral e afastamento do presidente da Fecomércio-BA



                                                 Foto: Reprodução / Instagram / Kelsor Fernandes


A 20ª Vara do Trabalho de Salvador concedeu, nesta quinta-feira (23), uma tutela de urgência determinando a suspensão imediata do processo eleitoral da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado da Bahia (Fecomércio-BA) para o quadriênio 2026-2030. A decisão, proferida pela juíza Alice Catarina de Souza Pires, também estabeleceu o afastamento cautelar e provisório de Kelsor Fernandes de suas funções como presidente da entidade até o julgamento definitivo.

 

A medida judicial responde a uma ação anulatória proposta pelos empresários Ruy Argeu do Amaral Andrade e Luiz Gonzaga do Amaral Andrade. Os autores da ação sustentam a existência de vícios procedimentais e fraude no processo sucessório, argumentando que o atual presidente, na dupla condição de condutor do pleito e candidato à reeleição pela Chapa 01, teria cometido abusos para inviabilizar a fiscalização da sua própria candidatura.

 

Conforme detalhado na petição inicial, o Regulamento Eleitoral da federação estabelece um prazo de cinco dias para que a diretoria julgue impugnações contra o registro de chapas. Entretanto, os autores alegam que houve a retenção indevida do procedimento por 18 dias. A peça aponta ainda uma inversão na ordem das deliberações ocorridas no dia 27 de fevereiro de 2026: o recurso que excluiu a Chapa 02 (dos autores) teria sido pautado para uma sessão às 8h, enquanto a impugnação contra a Chapa 01 foi analisada em reunião posterior da diretoria, na mesma manhã.

 

Essa cronologia, segundo a argumentação acolhida preliminarmente, teria provocado a chamada ilegitimidade superveniente dos autores. Ao excluir a Chapa 02 minutos antes de apreciar as denúncias contra a Chapa 01, o processo de impugnação foi arquivado sem a análise do mérito das irregularidades apontadas, sob o fundamento de que os impugnantes não eram mais candidatos.

 

O documento inicial elenca uma série de inelegibilidades que teriam sido suprimidas desse controle. Entre os pontos mencionados estão candidatos com empresas baixadas, falta de tempo mínimo de atividade comercial ou sindical exigido pelo estatuto, e até a inclusão de nomes sem consentimento formal. Um dos casos citados refere-se a um candidato que estaria sob interdição e curatela provisória por incapacidade civil.

 

Em sua fundamentação, a magistrada Alice Catarina de Souza Pires destacou que os requisitos para a concessão da tutela — a probabilidade do direito e o perigo de dano — foram preenchidos. A juíza ressaltou que o condutor do procedimento que resultou na exclusão da chapa opositora é o atual presidente e interessado direto no resultado. Além disso, considerou que a manutenção da eleição, designada para o dia 29 de abril de 2026, sob tais condições, traria risco de instabilidade jurídica.


Fonte:BN - 24/04/2026

No governo Bolsonaro: Abin monitorou pandemia além da saúde e apontou atuação da extrema direita


                                             foto:reprodução



 Por Cleber Lourenço

A análise de 11 relatórios de inteligência produzidos pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin) entre janeiro e maio de 2020 mostra que o órgão monitorou a pandemia de Covid-19 muito além da dimensão sanitária. Os documentos, classificados como reservados à época, indicam que a agência acompanhou riscos relacionados ao abastecimento de insumos médicos, tensões sociais, uso de tecnologias de vigilância, movimentações de grupos extremistas de direita e impactos no crime organizado.

Os relatórios também revelam que parte desses cenários foi identificada antes de se consolidar no Brasil, incluindo o risco de desabastecimento de equipamentos de proteção individual (EPIs), reorganização de rotas do tráfico e a possibilidade de conflitos sociais em regiões vulneráveis.

Alerta precoce e incerteza sobre o vírus

Um dos primeiros documentos analisados, datado de 20 de janeiro de 2020, já indicava preocupação com o potencial de disseminação internacional do vírus.

“O potencial de propagação da doença e o aumento do fluxo de chineses, em razão do feriado do Ano Novo Chinês, fez com que alguns países […] reavaliassem os riscos”, aponta o relatório.

O mesmo documento registra ainda incertezas sobre a transparência das informações:

“A falta de transparência e a demora no repasse de informações pelo governo chinês compromete a reavaliação do risco de propagação internacional do vírus.”

Apesar disso, um relatório posterior, de fevereiro, indicava uma possível redução do risco global, apontando que a circulação do vírus poderia diminuir com as medidas de quarentena adotadas na China.

Risco de desabastecimento foi antecipado

Um dos pontos mais sensíveis identificados pela Abin aparece em relatório de 6 de março de 2020, que trata dos impactos da epidemia no abastecimento de produtos da área de saúde no Brasil.

O documento afirma:

“Há perspectiva de disseminação global da COVID-19 […] o que poderá afetar negativamente a cadeia de suprimentos médicos, tais como equipamentos de proteção individual, produtos medicinais, insumos e preparações farmacêuticas.”

A análise aponta ainda a dependência externa do Brasil:

“No Brasil, há crescente dependência de importações de produtos médico-hospitalares, sobretudo de alta tecnologia.”

O relatório também registra dificuldades concretas na tentativa de ampliar estoques:

“O Ministério da Saúde planejava a compra do triplo da média de consumo de EPIs para noventa dias […] Parte da compra, no entanto, não pôde ser concretizada, por falta de oferta.”

Pandemia como fator de tensão social

Outro eixo relevante dos documentos trata do impacto social da pandemia, especialmente em regiões de maior vulnerabilidade.

Relatório de 19 de março de 2020 aponta risco de aumento de tensões em Roraima, no contexto da migração de venezuelanos.

“A pandemia de Covid-19 […] pode agravar o cenário de crise econômica […] e a precariedade do sistema de saúde local e a possibilidade de conflito envolvendo comunidades e imigrantes.”

O documento também registra condições estruturais críticas:

“Os imigrantes são alojados em abrigos com falta de higiene adequada, onde a propagação do vírus ocorre de maneira acelerada.”

Além disso, há menção a episódios anteriores de violência:

“Há histórico de episódios de agressão física contra imigrantes venezuelanos.”

Uso de vigilância e debate sobre controle estatal

Os relatórios também mostram que a Abin monitorou o uso de tecnologias de vigilância em outros países como resposta à pandemia.

Documento de 2 de abril de 2020 aponta que diferentes governos passaram a utilizar dados de geolocalização, câmeras de segurança e registros de telecomunicações para rastrear infectados.

“Agências governamentais estariam utilizando câmeras de segurança, geolocalização de aparelhos celulares e registros de transações para reconstruir os movimentos de indivíduos contaminados.”

O relatório também discute limites legais no Brasil:

“Não há legislação que discipline o uso de metadados para fins de segurança pública […] e a legislação antiterrorismo não permite a configuração do tipo legal sem que tenha havido motivação específica.”

Extremismo de direita e pandemia como oportunidade para radicalização

Os documentos revelam que a Abin identificou, ainda nos primeiros meses da crise sanitária, a atuação de grupos de extrema direita que tentavam explorar a pandemia como vetor de radicalização e mobilização.

Relatório de 6 de abril de 2020 aponta:

“Conversas criptografadas […] revelaram a discussão de neonazistas sobre como a situação de pandemia de Covid-19 pode ser benéfica para a causa defendida por eles.”

O documento descreve que esses grupos não apenas debatiam o tema, mas também produziam conteúdo de intimidação e propaganda violenta:

“Fotos de neonazistas vestidos com roupas militares, portando fuzis e convocando demais para ações violentas diretas […] foram postadas com legendas em inglês e ucraniano.”

A análise indica que a pandemia foi incorporada ao discurso ideológico desses grupos como justificativa para ações extremistas:

“Para esses grupos, […] seria o momento de ‘vingança’ e ‘resistência’, com incentivo a ações violentas contra a sociedade.”

Os relatórios apontam que esses atores passaram a utilizar o ambiente digital como espaço de articulação, com circulação de conteúdos em canais fechados e criptografados, além da tentativa de mobilização de simpatizantes.

Há também menção ao uso da pandemia como ferramenta política e narrativa de conflito:

“Grupos extremistas têm usado a pandemia de Covid-19 para legitimar […] ideologias de cunho radical, convocando ativistas para atos de vandalismo e sabotagem durante o período de quarentena.”

Embora o documento indique que, no Brasil, essas movimentações ainda eram incipientes naquele momento, a avaliação de inteligência já apontava risco de escalada.

Crime organizado: pandemia não parou o tráfico e alterou rotas

Os relatórios mostram que a pandemia não interrompeu o funcionamento do crime organizado, mas provocou adaptações operacionais relevantes, especialmente no tráfico de drogas.

Documento de maio de 2020 aponta:

“As medidas de combate à COVID-19 dificultaram o tráfico de drogas […] no entanto, não há relatos de desabastecimento de entorpecentes em nenhum dos estados brasileiros.”

Apesar da manutenção da oferta, a Abin identificou efeitos econômicos imediatos:

“Já se têm notícias a respeito de aumento no valor da droga, o que parece decorrer da menor quantidade disponível.”

O relatório também destaca o volume expressivo de apreensões, indicando manutenção da atividade criminosa em larga escala:

“Mais de 90 toneladas de drogas […] foram interceptadas nas estradas brasileiras nos primeiros meses de 2020.”

Outro ponto central identificado é a reorganização geográfica das rotas do tráfico em razão das restrições de mobilidade internacional:

“Com o aumento nas restrições de trânsito entre Peru e Bolívia é possível que parte das drogas […] seja direcionada para a região norte do Brasil, especialmente pelas fronteiras terrestres e fluviais.”

A análise indica que estados da Região Norte passam a ganhar relevância estratégica no escoamento:

“Nesse contexto, o Estado do Acre evidencia-se como hub (centro de distribuição) para o resto do país.”

Os relatórios também observam que o ambiente de restrições sanitárias não eliminou conflitos entre facções, mas alterou sua dinâmica:

“O conflito entre Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) […] continua a reverberar nos confrontos entre facções em diversos estados, embora menos agudo.”

Além disso, há indícios de reorganização interna das organizações criminosas em áreas de fronteira:

“Indicam momento de reorganização do grupo criminoso na região, onde busca consolidar sua influência, aumentar o fluxo do tráfico de drogas e conter a expansão de grupos locais rivais.”

O documento também registra que, mesmo com restrições no sistema prisional, as organizações mantiveram sua capacidade de articulação:

“No cenário prisional […] as organizações criminosas, em geral, seguem adotando conduta favorável ao isolamento”, sem prejuízo da continuidade de suas atividades.

Segurança pública e risco de paralisações

Outro relatório indica preocupação com a possibilidade de mobilizações de forças de segurança pública.

“Após a superação da presente crise de saúde pública, […] é provável que ocorram paralisações dos órgãos de segurança pública nas Unidades da Federação.”

As demandas estavam relacionadas principalmente a condições de trabalho, exposição ao vírus e fornecimento de equipamentos de proteção.

Pandemia e disputas tecnológicas

A pandemia também foi analisada sob a ótica tecnológica, com destaque para os impactos na implementação do 5G.

Relatório de maio de 2020 aponta:

“A pandemia de COVID-19 tem impactado a implementação das redes 5G […] com atrasos em processos regulatórios e cadeias produtivas.”

Ao mesmo tempo, o documento indica oportunidade:

“O atual cenário permite ao Brasil assumir posição de liderança […] entre países emergentes.”

Monitoramento ampliado do Estado

O conjunto dos documentos indica que a pandemia foi tratada pela Abin como um fenômeno multidimensional, com impactos simultâneos na saúde, economia, segurança pública, relações internacionais e estabilidade social.

Os relatórios foram distribuídos a diferentes órgãos do governo federal, incluindo estruturas ligadas à Presidência da República e áreas de segurança institucional, o que indica que essas avaliações estavam disponíveis para a tomada de decisão no início da crise sanitária.

Ao longo dos documentos, a pandemia aparece não apenas como um evento sanitário, mas como um vetor de instabilidade com potencial de afetar diversas áreas do Estado brasileiro.


Fonte: ICL NOTÍCIAS - 24/04/2026