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quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Master pagou R$ 19 milhões a empresa de sócio de ex-ministro João Roma


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 Ex-ministro da Cidadania no governo de Jair Bolsonaro (PL) e candidato ao Senado Federal, João Roma é sócio do empresário Alfredo Pacheco Pereira Neto, dono de corretora que firmou, em 2021, contratos milionários com o Banco Master.

Roma divide com Pacheco, também desde 2021, a sociedade na Prata da Chapada, empreendimento ligado a uma fazenda produtora de bananas. A parceria foi firmada quando o candidato ao Senado ainda ocupava o Ministério da Cidadania.

À Justiça Eleitoral, João Roma afirmou possuir inclusive 50% das cotas do negócio, avaliadas em R$ 100 mil, segundo sua declaração.

Com o Master, a corretora de Alfredo, a AB Serviços de Corretagem Financeira, firmou ao menos R$ 19,7 milhões em contratos, nos últimos anos, conforme reportagem da Folha de S.Paulo.

O quadro societário da AB Serviços também inclui o advogado Bruno Martinez Carneiro Ribeiro Neves, atual superintendente do Ibama na Bahia.


RJ: Governo Bolsonaro liberou em um dia transferência de imóvel disputado pelo jogador Richarlison

 

                                          


Por Cleber Lourenço

O governo Jair Bolsonaro abriu e concluiu no mesmo dia um procedimento especial para liberar a transferência dos direitos de ocupação de um imóvel em Angra dos Reis (RJ) envolvido em uma disputa que alcançou o jogador Richarlison e o advogado Willer Tomaz, ligado a Flávio Bolsonaro.

Documentos obtidos pelo deputado federal Rogério Correia (PT-MG) por meio da Lei de Acesso à Informação, aos quais o ICL Notícias teve acesso, mostram que a Secretaria do Patrimônio da União (SPU) adotou a medida em 11 de julho de 2022 após um “impedimento no sistema”.

A velocidade chama atenção quando comparada à tramitação de outro requerimento relacionado à área. Um primeiro pedido de regularização havia sido apresentado em 20 de setembro de 2021 e não foi concluído. Já outro requerimento, protocolado em 11 de maio de 2022, foi encerrado cerca de dois meses depois. No meio dessa tramitação, a SPU abriu o procedimento especial que permitiu emitir, em apenas um dia, a certidão necessária para a transferência.

O caso envolve um terreno na Ilha Comprida, em Angra dos Reis. Para entender a disputa, é preciso fazer uma distinção: não se trata de uma simples decisão do governo sobre quem seria o proprietário de uma mansão. A área está submetida ao regime de ocupação de terreno da União.

Na prática, a União é dona do terreno e mantém um cadastro de quem possui direitos de ocupação sobre ele. Esses direitos podem ser negociados entre particulares, mas a mudança precisa cumprir determinadas exigências para ser reconhecida pelo governo. A própria SPU ressalta que seu histórico de ocupantes “não se confunde, necessariamente, com a propriedade registrada em cartório”.

A disputa pelo imóvel já havia sido revelada pela coluna Reserva Exclusiva, da revista Liberta, que mostrou em março que o caso envolvia Richarlison, seus sócios e Willer Tomaz, advogado associado a Flávio Bolsonaro. Os documentos obtidos agora por Correia e analisados pelo ICL Notícias permitem avançar sobre outro ponto da história: como os pedidos relacionados ao terreno tramitaram dentro da Secretaria do Patrimônio da União durante o governo Bolsonaro.

Um pedido sem conclusão e outro resolvido em dois meses

O primeiro processo localizado pela SPU foi aberto em 20 de setembro de 2021, a partir do requerimento RJ05936/2021, apresentado para regularizar a utilização de um imóvel da União.

Ao responder ao pedido feito por Rogério Correia via Lei de Acesso à Informação, o Ministério da Gestão informou que os dados apresentados naquele requerimento não permitiram identificar de imediato se o imóvel estava corretamente cadastrado nem vinculá-lo ao Registro Imobiliário Patrimonial (RIP) 58010000575-64.

O resumo dado pelo próprio governo para o destino daquele processo é direto: “Não foi concluído.”

Os documentos administrativos acrescentam um detalhe relevante. Ao voltar a examinar o caso em agosto de 2026, a própria administração registrou que o processo havia sofrido uma “solução de continuidade”. Em outras palavras, sua tramitação foi interrompida e o pedido atravessou os anos sem uma decisão definitiva.

Enquanto esse procedimento permanecia sem solução, outro requerimento chegou à SPU.

Em 11 de maio de 2022, foi protocolado o processo 10154.125086/2022-04. A resposta oficial do governo descreve seu objeto também como um pedido para “regularizar a utilização de imóvel da União”.

Nesse caso, porém, a tramitação foi bem mais rápida: o processo foi concluído em 12 de julho de 2022, cerca de dois meses depois de sua abertura.

Foi justamente na véspera do encerramento que ocorreu uma das etapas mais rápidas reveladas pelos documentos.

Em 11 de julho de 2022, a SPU abriu um terceiro processo, de número 10154.139524/2022-11, exclusivamente para permitir a emissão de uma CAT, sigla para Certidão Autorizativa para Transferência.

Em termos simples, tratava-se da autorização necessária para que a transferência dos direitos de ocupação pudesse avançar perante a União.

A resposta oficial informa que foi necessário recorrer a uma “modalidade especial, devido a impedimento no sistema”.

O problema não provocou demora. O processo foi aberto e concluído no próprio dia, com a emissão da CAT nº 005173305-63. Segundo a SPU, a autorização foi concedida “conforme orientação da Coordenação-Geral de Cobrança da Diretoria de Receitas Patrimoniais”.

A própria certidão anexada aos processos registra ainda uma orientação interna datada de 7 de julho de 2022, quatro dias antes da transferência, identificada como “Comunicado CGCOB/DEREP/SPU 07/07/2022 (Cá entre nós)”.

A existência dessa orientação não demonstra, por si só, que tenha havido favorecimento ou que ela tenha sido produzida especificamente para aquela operação. Os documentos mostram, porém, que diante de um impedimento no sistema a administração adotou um procedimento que permitiu emitir a autorização no mesmo dia.

Também em 11 de julho de 2022, foi lavrada no 1º Ofício da Comarca de Angra dos Reis uma escritura pública de compra e venda e cessão dos direitos de ocupação.

Foi com base nesse documento, segundo a própria SPU, que o cadastro federal foi posteriormente alterado: saiu a M. Locadora de Veículos e Transportes Turísticos Ltda. e entrou a WT Administração de Imóveis e Bens S.A., que permanece registrada como atual titular dos direitos de ocupação.

Documentos anexados ao processo registram ainda o pagamento de R$ 57.327,19 em laudêmio, cobrança feita pela União em determinadas operações de transferência envolvendo esse tipo de terreno.

A comparação das datas está no centro das suspeitas levantadas por Rogério Correia.

“Em dois meses ele tinha, em tempo recorde, a concessão”, afirmou o deputado em vídeo ao se referir a Willer Tomaz. Sobre o requerimento anterior, disse: “Isso ficou sem análise. Está engavetado lá até hoje.”

Os documentos confirmam as datas, a falta de conclusão do primeiro processo e a rapidez dos procedimentos realizados em 2022. Eles não comprovam, sozinhos, que tenha ocorrido interferência política para beneficiar Willer ou a WT. Essa é uma suspeita levantada pelo parlamentar e que ele pretende levar à Polícia Federal.

Deputado quer levar documentos à PF

Correia atribui papel central no episódio ao então superintendente da SPU no Rio de Janeiro, Paulo da Silva Medeiros.

A resposta à Lei de Acesso à Informação confirma que Medeiros comandou a superintendência fluminense entre 13 de fevereiro de 2019 e 31 de dezembro de 2022. Ele estava, portanto, à frente do órgão tanto quando o primeiro requerimento foi apresentado, em setembro de 2021, quanto durante os procedimentos concluídos em julho de 2022.

Medeiros também aparece diretamente nos processos. Em outubro de 2021, participou da tramitação do primeiro requerimento. Já em 12 de julho de 2022, assinou o encerramento do processo aberto em maio, que terminou com “deferimento do pleito”.

Correia acusa o então superintendente de ter favorecido a operação e relaciona sua atuação ao entorno político de Flávio Bolsonaro. No vídeo em que divulgou os documentos, o deputado afirmou que pretende pedir à PF uma investigação sobre a sequência de decisões administrativas.

“Eu vou entregar à Polícia Federal, pedir pra que abra um processo urgente”, afirmou.

O parlamentar faz acusações mais duras no vídeo. Afirma que Richarlison teria sido “roubado”, diz que a mansão teria sido tomada “na mão grande” e sustenta que a estrutura da SPU foi utilizada para favorecer Willer. As acusações são de Correia e não estão, por si só, comprovadas pelos documentos administrativos analisados pelo ICL Notícias.

A SPU apresenta uma versão diferente sobre a regularidade dos procedimentos. Questionado via LAI, o órgão informou que não instaurou um processo administrativo específico para investigar possíveis irregularidades nas transferências porque, segundo a unidade técnica, nenhum problema foi identificado durante a análise.

“As alterações cadastrais tiveram como fundamento os documentos pessoais e cartoriais apresentados nos respectivos processos”, informou a SPU. O órgão acrescentou que os negócios realizados entre particulares não produzem automaticamente uma mudança no cadastro da União: o reconhecimento dos novos direitos de ocupação depende do cumprimento das exigências administrativas.

O imóvel, porém, já apareceu em uma investigação da Polícia Federal.

Em 5 de junho de 2024, foi aberto na SPU um processo para responder a uma solicitação da PF destinada a instruir o inquérito policial nº 2024.0002098-DPF/ARS/RJ. A secretaria enviou as informações à corporação no mês seguinte.

O ofício da PF mostra que aquela investigação tratava de suspeitas de que Alencar Magalhães da Silveira Junior e Renato da Rocha Velasco teriam ocupado e negociado ilegalmente, por meio de empresas, terreno de marinha na Ilha Comprida que já estaria sob regime de ocupação da M. Locadora. A existência desse inquérito não significa que a PF tenha concluído pela existência de fraude na transferência para a WT nem que Willer ou Flávio Bolsonaro tenham sido responsabilizados.

A documentação entregue agora ao deputado apresenta ainda diferenças nos próprios registros administrativos sobre a dimensão do terreno.

Na resposta atual, a SPU informa que o imóvel de RIP 5801000057564 possui 2.164,80 metros quadrados. Um cadastro da própria secretaria anexado aos processos de 2022, porém, registrava 1.435,50 metros quadrados para o mesmo RIP.

Há também uma questão que a própria administração ainda não solucionou de forma definitiva: se toda a área descrita no requerimento de setembro de 2021 corresponde exatamente ao imóvel posteriormente cadastrado em nome da WT.

Ao responder à LAI, a SPU afirmou que as informações daquele primeiro requerimento não permitiam estabelecer imediatamente essa vinculação. Por isso, os documentos não permitem afirmar que o governo recebeu dois pedidos idênticos pelo mesmo terreno e simplesmente escolheu um deles.

O que a documentação oficial permite estabelecer é a diferença na tramitação: um pedido apresentado em setembro de 2021 permaneceu sem conclusão; outro, protocolado em maio de 2022, foi encerrado cerca de dois meses depois; e, no caminho para essa segunda operação, um procedimento especial aberto após um “impedimento no sistema” foi iniciado e concluído em um único dia.

É essa sequência de atos administrativos que Correia pretende agora entregar à Polícia Federal para pedir que as circunstâncias da transferência sejam investigadas.


Fonte: ICL NOTÍCIAS - 13/08/2026

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

PF mira venda de diplomas falsos de medicina no oeste da Bahia e em Minas; 45 'médicos' teriam comprado


                               A cidade de LEM, no oeste da Bahia  Foto: reprodução    


A Polícia Federal (PF) está nas ruas cumprindo mandados em Luís Eduardo Magalhães (LEM) e Barreiras. Trata-se da Operação Canudo, deflagrada para desarticular uma organização criminosa especializada na venda de diplomas falsos, históricos escolares e fraudes para o ingresso e transferência em cursos de Medicina, além da obtenção ilegal de registros nos Conselhos Regionais de Medicina (CRMs).
Detalhes das Ações na Bahia e em Minas Gerais
  • Locais dos mandados: As ações de busca e apreensão e prisões ocorrem em Barreiras (BA), Luís Eduardo Magalhães (BA), Montes Claros (MG) e Bocaiuva (MG). 
  • Mandados judiciais: Ao todo, a operação cumpre 4 mandados de busca e apreensão, 2 mandados de prisão preventiva e 1 de prisão temporária. 
  • Médicos falsos identificados: As investigações apontam que pelo menos 45 pessoas cadastradas como médicas nos CRMs pagaram ao grupo criminoso para obter os documentos falsificados.
Como Funcionava o Esquema
  • Fraude em Transferências: O grupo criava históricos acadêmicos falsos para simular que o comprador já cursava Medicina em outra instituição. Isso permitia que o cliente entrasse diretamente nos períodos finais da graduação de uma nova faculdade. 
  • Diplomas Diretos: Também falsificavam diplomas e papéis acadêmicos do zero para que pessoas que nunca cursaram a faculdade pudessem solicitar diretamente o registro profissional de médico. 
  • Origem do Caso: O caso começou a ser investigado após o Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (Cremers) flagrar e apreender um diploma de Medicina falso apresentado para registro profissional. 
  • Líder reincidente: O principal investigado comandava o esquema e já havia sido alvo da PF por fraudes no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). 
  • FONTE:CNN BRASIL - 12/08/2026

DF: Preso, ex-casal de Águas Claras transformou anabolizantes em negócio milionário



                                   FOTO:REPRODUÇÃO


Uma teia criminosa que transformou a busca pelo corpo perfeito em um negócio milionário e altamente perigoso foi desmantelada nas primeiras horas desta quarta-feira (12/8). A Divisão de Defesa do Consumidor da Coordenação de Repressão aos Crimes contra o Consumidor, a Propriedade Imaterial e a Fraudes (Corf), da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), deflagrou a Operação Narciso, considerada a maior ação do ano contra o comércio ilegal de anabolizantes e substâncias proibidas no país.

No centro desse esquema com conexões em Águas Claras, está o ex-casal formado pela influenciadora digital Ana Luiza de Nazaré Lima, que ostenta mais de 150 mil seguidores no ramo fitness, e seu ex-marido, Alam Manoel Lima, que desempenhava papel estratégico na distribuição de substâncias nocivas. Ambos foram presos preventivamente na operação.

Enquanto Ana Luiza utilizava sua imagem para promover o produto clandestino “Yellow B” e uma linha à base de testosterona — prometendo emagrecimentos milagrosos de até sete quilos em uma semana —, Alam era o responsável por toda a logística de produção e entrega do produto clandestino.

O esquema utilizava um restaurante japonês de propriedade da dupla, em Ceilândia, como ponto físico de distribuição e apoio para envios efetuados via Correios e motoboys. nas redes

A ostentação exibida nas redes sociais por Ana Luiza e Alam, com viagens internacionais, veículos importados de luxo e um alto padrão de vida alimentado pela venda ilícita, escondia um perigo mortal para a saúde pública.

O famoso produto “Yellow B”, anunciado há pelo menos quatro anos pela influenciadora, contém uma combinação nefasta de substâncias banidas ou de uso controlado pela Agência Nacional de ianitária (Anvisa).

Entre os componentes ocultados do consumidor estão a sibutramina, potente inibidor de apetite que provoca graves efeitos colaterais, como ansiedade extrema, arritmias cardíacas, aumento vertiginoso da pressão arterial e risco elevado de AVC —, além de fluoxetina, bupropiona e clembuterol, um medicamento de uso estritamente veterinário voltado para equinos.

Sobrecarga renal

Relatos de clientes expostos pela própria influenciadora celebravam a perda de peso rápida e o efeito diurético intenso, ignorando que tais reações eram sinais evidentes de intoxicação e sobrecarga renal causadas pelas substâncias ocultas na fórmula.

A investigação da PCDF revelou que a engrenagem operada pelo casal em Águas Claras era apenas uma das ramificações de uma estrutura underground bem maior, com conexões espalhadas por oito estados e produção clandestina no Paraguai.

De acordo com o delegado Rodrigo Carbone, o coração da organização funcionava no esquema conhecido como “cozimento”: a manipulação artesanal de injetáveis e orais em fundos de quintal e cozinhas residenciais sem qualquer assepsia.Insumos importados da China, da Índia e do Paraguai eram misturados a óleo de cozinha comum e óleos de semente não estéreis para maximizar os lucros. Essa ausência de controle técnico resultou em contaminações severas, abscessos, embolias, infecções generalizadas e mortes pelo país.

Classificados pelo delegado como verdadeiros traficantes de drogas, os envolvidos contavam com o apoio de nutricionistas, veterinários, biomédicos e donos de gráficas. A Operação Narciso cumpriu 43 mandados de prisão, 64 de busca e apreensão, bloqueou R$ 32 milhões em ativos financeiros, apreendeu 10 veículos de luxo e retirou do ar mais de 30 sites ilegais, interrompendo a circulação do veneno camuflado de promessa estética.


FONTE: CARLOS CARONE/METRÓPOLES - 12/08/2026

Eleições 2026: Campanha de Flávio Bolsonaro cita pós-graduação que ele não fez


                           Prédio da Reitoria da UFRJ -foto:reprodução



247 – Informações biográficas publicadas em páginas oficiais e perfis ligados a Flávio Bolsonaro (PL) incluíram uma pós-graduação em Ciências Políticas na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), mas a instituição afirmou não haver registro de que o senador tenha sido aluno da universidade. As informações são do G1.

A campanha de Flávio Bolsonaro declarou, nesta quarta-feira (12), que a menção ao curso não realizado decorreu de “erros ou equívocos, possivelmente extraídos de páginas como a Wikipedia”. A informação aparecia em registros públicos e perfis do parlamentar, mas não foi acompanhada de documentação que comprovasse a formação.

Em nota enviada à reportagem, a assessoria do senador afirmou: “O senador Flávio Bolsonaro é graduado em Direito pela Universidade Cândido Mendes, pós-graduado em Políticas Públicas pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (IUPERJ) e tem MBA em Empreendedorismo pela FGV, conforme consta no seu site oficial: flaviobolsonaro.net”.

A equipe acrescentou: “Eventuais registros diferentes desses tratam-se de erros ou equívocos, possivelmente extraídos de páginas como a Wikipedia. A equipe do parlamentar já solicitou as correções junto à plataforma”.

A UFRJ, porém, informou não ter encontrado matrícula de Flávio Bolsonaro em seus sistemas. Em nota, a universidade afirmou: “Pelo Sistema Integrado de Gestão Acadêmica (SIGA), não há registro referente ao sr. Flávio Nantes Bolsonaro como discente [aluno] na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Consta o nome de Eduardo Nantes Bolsonaro, como concluinte em Direito”.

A instituição explicou ainda que o SIGA, criado em 2001, passou a centralizar dados acadêmicos da universidade, substituindo sistemas anteriores e se tornando a principal plataforma web para alunos e professores.

O professor Valter Duarte, que integrou o Departamento de Ciência Política da UFRJ entre a década de 1970 e 2021 e coordenou o departamento entre 2004 e 2009, também negou que Flávio tenha cursado a área na instituição. “Posso garantir que ele nunca fez curso de Ciência Política na UFRJ. Nem no começo dos anos 2000 nem depois, quando o pai dele era presidente”, afirmou.

A menção à pós-graduação em Ciências Políticas na UFRJ constava, até esta quarta-feira (12), em uma página da Wikipedia sobre o senador, de onde foi retirada após edição. A mesma informação também aparecia em um perfil no LinkedIn mantido pela assessoria de Flávio Bolsonaro, que saiu do ar.

Além disso, em 27 de julho, a assessoria do candidato havia enviado ao g1 uma nota biográfica que também atribuía a ele a pós-graduação na UFRJ.

Nesta quarta-feira (12), a equipe do senador encaminhou diplomas digitalizados à reportagem. Os documentos mostram que Flávio se formou em Direito em 2006, concluiu especialização em Políticas Públicas em 2012 e obteve MBA em Empreendedorismo em 2015. Não foram enviados documentos que comprovassem a pós-graduação em Ciências Políticas.

A informação sobre o curso na UFRJ também aparece em um perfil publicado no site da Agência Senado, datado de 18 de janeiro de 2019, ano em que Flávio iniciou o mandato como senador.

Flávio Bolsonaro tem 45 anos, atua como advogado e iniciou sua trajetória política aos 21, quando foi eleito deputado estadual no Rio de Janeiro, em 2002. Ele exerceu quatro mandatos consecutivos na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) antes de chegar ao Senado, em 2018.

O levantamento do g1 também examinou informações acadêmicas de outros presidenciáveis mais bem colocados nas pesquisas, com base em páginas mantidas pelos próprios candidatos e por órgãos públicos.

No caso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, o currículo disponível no site oficial da Presidência informa que ele fez curso de torneiro mecânico por três anos no Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai). O Senai orientou a reportagem a consultar a assessoria do presidente. A equipe de Lula, por sua vez, respondeu que a confirmação deveria ser feita diretamente com o Senai e não respondeu às demais tentativas de contato.

A assessoria de Lula já publicou em redes sociais fotografias do presidente ao lado de antigos colegas, afirmando que a imagem foi registrada durante o período em que ele integrou a turma do curso.

A UFRJ confirmou ao g1 que Ronaldo Caiado, ex-governador de Goiás e candidato pelo PSD, cursou Medicina na instituição entre 1975 e 1979. Já Renan Santos, candidato do Missão, não concluiu o curso de Direito na Faculdade do Largo de São Francisco, da Universidade de São Paulo (USP), segundo confirmação da própria universidade.

Romeu Zema, do Novo, informa em sua página no LinkedIn que se formou em Administração de Empresas pela FGV e que frequentou as aulas entre fevereiro de 1983 e dezembro de 1986. A assessoria do ex-governador de Minas Gerais disse ao g1 que não conseguiu enviar documento de comprovação porque Zema estava em viagem de campanha pelo país. Segundo a equipe, a documentação será encaminhada quando ele estiver em sua casa, em Araxá (MG). A FGV não respondeu aos questionamentos da reportagem.


Fonte: BRASIL 247 -12/08/2026

Política: Lula e presidente do Senado se reúnem, e ministro fala em retomada de diálogo


                                              foto: Vinicius Schmidt/ Metrópoles


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu o presidente Davi Alcolumbre (União-AP) no Palácio da Alvorada, residência oficial do petista, em Brasília, na manhã desta quarta-feira (12/8), na primeira reunião de trabalho entre os dois após meses de tensão na relação entre os líderes do Executivo e Legislativo.

O objetivo da conversa, que durou cerca de duas horas, foi destravar pautas consideradas importantes pelo governo no Senado antes das eleições de outubro.

Também participaram da reunião o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, e a líder do governo no Senado, senadora Teresa Leitão (PT-PE).

Segundo Guimarães, Lula e Alcolumbre deram continuidade à conversa iniciada na semana passada, quando os dois se encontraram em um jantar na casa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, em Brasília, no dia 4 de agosto.

“Nessa reunião, o presidente deu continuidade à conversa que havia tido na semana passada com o presidente do Congresso. O diálogo foi retomado a partir daquela reunião anterior e hoje nós aprofundamos esse diálogo com as duas figuras importantes do governo, que é a líder no Senado e o ministro das Relações Institucionais. Esta reunião com o presidente foi uma reunião descontraída, tranquila, sem estresse, em que nós discutimos todas as pautas do Brasil, todas”, relatou o chefe da articulação política do governo após a reunião.

De acordo com o ministro, o diálogo representa um “passo gigantesco” para destravar as pautas de interesse do governo que estão paradas no Congresso Nacional, principalmente no Senado, e que “está tudo destravado”.

Nesta semana, as Casa Legislativas passam por um período de esforço concentrado, com sessões presenciais para deliberações e votações. Depois, deputados e senadores terão apenas mais um período deste tipo até as eleições gerais deste ano: entre 31 de agosto e 3 de setembro.

Guimarães afirmou que a relação entre o governo e Alcolumbre está retomada e que haverá novos encontros até o fim de semana. “A ideia é a gente consolidar esse diálogo que na Câmara já está 100% e nós queremos que, sob a liderança da senadora Teresa, também no Senado, fique 100%, como está na Câmara”, disse.

Entre as pautas prioritárias do governo, estão a instalação de comissões especiais para analisar seis medidas provisórias (MPs). Entre elas, está o texto que zera a chamada “taxa das blusinhas”, imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50. A taxação poderá voltar a ser cobrada no Brasil a partir de 9 de setembro caso o Congresso não aprove a MP que autorizou o governo a acabar com a alíquota.

Segundo Teresa Leitão, as seis comissões especiais serão instaladas ainda nesta quarta-feira por Alcolumbre.

“Nós estamos negociando isso com o presidente Alcolumbre e com o presidente [da Câmara dos Deputados] Hugo Motta, porque as medidas provisórias englobam as duas Casas. E as referidas comissões serão instaladas hoje, a partir das 14h30. A que tem a caducidade mais próxima é justamente a das ‘blusinhas’, que vence no dia 8 de setembro. As outras têm um prazo maior”, declarou a senadora.


Fonte: /Metro´poles - 12/08/2026

Agência determina que Discord suspenda transmissões ao vivo após morte de adolescente no MS

                                                   foto:reprodução


A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) determinou, nesta quarta-feira (12/8), que o Discord suspenda a função de transmissões de lives no Brasil. A medida preventiva concede à plataforma um prazo de três dias úteis para cumprimento da ordem.

A suspensão havia sido antecipada pelo Metrópoles, na coluna de Andreza Matais.

A ordem atual bloqueia apenas lives e recursos de vídeo, mantendo o Discord funcionando no país. 

A decisão ocorre após a morte de uma adolescente de 13 anos durante transmissão na plataforma. Após o caso, a primeira-dama Janja defendeu publicamente a retirada do Discord do ar.

A determinação atinge apenas a ferramenta de transmissões ao vivo e permanecerá em vigor até que o Discord comprove ter adotado medidas efetivas para proteger crianças e adolescentes durante o uso da plataforma.

A agência poderá aplicar multa de até R$ 50 milhões e ter seus serviços suspensos em caso de descumprimento das medidas impostas.

Morte de menina em live

Uma operação conjunta das polícias civis de cinco estados cumpriu, no dia 4 de agosto, mandados contra suspeitos de participação na morte de uma adolescente de 13 anos que tirou a própria vida durante uma transmissão ao vivo na plataforma.

A investigação aponta que a vítima teria sido induzida, coagida e ameaçada por integrantes do grupo até cometer o ato.

A vítima morava em Naviraí (MS) e morreu em 22 de julho. Segundo o coordenador do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), Alessandro Barreto, a adolescente foi submetida a uma sequência de desafios antes da morte.

“Eles deram a ela a missão de matar um animal. Como ela não conseguiu cumprir essa determinação, foi obrigada a escrever uma carta de despedida e tirar a própria vida”, afirmou.

A adolescente permaneceu mais de 45 minutos se automutilando durante a transmissão, enquanto outros participantes acompanhavam a cena em tempo real por meio da plataforma Discord.

A jovem foi encontrada sem vida pela mãe, na varanda da residência onde morava com a família.


fonte:Giovana Alves/Metrópoles - 12/08/2026