247 – A presidente do México, Claudia Sheinbaum, defendeu que os brasileiros possam escolher livremente seus representantes nas eleições de 2026 e afirmou que o processo eleitoral deve transcorrer sem interferência estrangeira. Ao abordar a disputa, ela ressaltou que a decisão tomada pela população brasileira nas urnas precisa ser respeitada.
Ao comentar o cenário brasileiro, Sheinbaum citou a autodeterminação dos povos e a solução pacífica de conflitos entre os princípios que orientam a política externa mexicana.
Sheinbaum defende autodeterminação dos brasileiros
“Que brasileiras e brasileiros decidam livremente, e que se respeite o que o povo decidir”, afirmou Sheinbaum, segundo o El Universal.
A manifestação ocorre na reta final da eleição presidencial brasileira. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro, quando os eleitores também escolherão governadores, senadores e deputados federais, estaduais e distritais. Um eventual segundo turno ocorrerá em 25 de outubro.
A defesa da soberania eleitoral feita pela presidente mexicana coincide com um tema que ganhou destaque no discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na Assembleia Geral das Nações Unidas, na terça-feira (22).
Na ONU, Lula afirmou que o Brasil terá uma eleição “transparente e competitiva” e declarou que seu governo não permitirá que agentes internos ou externos atentem contra a vontade dos eleitores. O presidente também afirmou que “o Brasil não cabe no quintal de ninguém” ao abordar o que classificou como ingerências estrangeiras em processos eleitorais.
Presidente mexicana elogia Lula
Além de defender a autonomia dos brasileiros para decidir a eleição, Sheinbaum fez elogios à gestão de Lula, especialmente em relação às políticas sociais e às medidas de enfrentamento à pobreza e à fome.
A presidente mexicana afirmou considerar Lula um “muito bom presidente” e destacou os resultados que atribuiu às políticas adotadas pelo governo brasileiro para reduzir a insegurança alimentar.
Segundo Sheinbaum, Lula conseguiu alcançar novamente o objetivo de combater a fome pouco mais de um ano depois de retornar à Presidência da República.
Redes sociais e IA entram no alerta
Sheinbaum também chamou a atenção para a influência que as plataformas digitais e as novas tecnologias podem exercer sobre processos eleitorais.
A presidente mexicana alertou especificamente para o papel das redes sociais e da inteligência artificial, tecnologias que ampliaram a capacidade de produção e circulação de conteúdos durante campanhas eleitorais.
O tema está no centro das preocupações envolvendo a eleição brasileira de 2026. O Tribunal Superior Eleitoral estabeleceu regras para o uso de inteligência artificial durante a campanha, enquanto O tema está no centro das preocupações envolvendo a eleição brasileira de 2026. O Tribunal Superior Eleitoral estabeleceu regras para o uso de inteligência artificial durante a campanha, enquanto empresas do setor adotaram medidas específicas voltadas à integridade do processo eleitoral.
A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta quarta-feira (23), a segunda fase da Operação Disco de Ouro, que investiga a suspeita de que uma empresa do cantor Alexandre Pires tenha recebido R$ 2,5 milhões oriundos de um esquema de lavagem de dinheiro. A estimada é de quase US$ 50 milhões (cerca de R$ 257 milhões na cotação atual), estaria vinculada à exploração e ao garimpo ilegal de cassiterita na Terra Indígena Yanomami, em Roraima.
Ao todo, os agentes cumpriram 12 mandados de busca e apreensão e 17 ordens judiciais de sequestro de bens e valores. Segundo nota oficial divulgada pela corporação, "as medidas visam à obtenção de provas, à interrupção das atividades ilícitas e à recuperação de ativos supostamente vinculados aos fatos investigados".
De acordo com informações da Folha de S. Paulo, a organização criminosa atuava na ocultação de mais de US$ 48 milhões por meio de empresas brasileiras e estrangeiras. O grupo utilizava transferências internacionais, contas de terceiros, fracionamento de recursos em diferentes operações e uso de documentação falsa para conferir aparência de legalidade às movimentações financeiras.
A PF aponta ainda que o minério explorado ilegalmente na Terra Indígena Yanomami era declarado falsamente como originário de um garimpo regular localizado no rio Tapajós, em Itaituba (PA), sendo posteriormente transportado para Roraima para tratamento.
A Operação Disco de Ouro teve início em dezembro de 2023. Na ocasião, um inquérito indicou que Alexandre Pires teria recebido R$ 1 milhão de uma mineradora investigada.
Matheus Possebon, então empresário do artista, também foi alvo da nova fase deflagrada nesta quarta-feira. Ele chegou a ser preso preventivamente em 2023, ocasião em que negou qualquer envolvimento com o esquema. A reportagem não conseguiu localizar a defesa de Possebon para manifestação.
Em nota, a defesa de Alexandre Pires negou a participação do cantor em qualquer prática ilícita e esclareceu que o vínculo entre o artista e Matheus Possebon esteve estritamente restrito à intermediação de vendas de shows.
"Não houve qualquer outra relação jurídica ou comercial entre Alexandre Pires e Matheus Possebon além daquela diretamente ligada à atividade artística do cantor", declarou a defesa. Os advogados ressaltaram que eventuais atos investigados pela Polícia Federal dizem respeito a condutas do empresário praticadas fora desse âmbito profissional, acrescentando que "o cantor segue com tranquilidade sua vida pessoal e profissional, confiante no esclarecimento dos fatos e certo de que a verdade será devidamente demonstrada".
A Meta retirou do ar, na manhã desta quarta-feira (23), o perfil oficial da série jornalística “Revelando” no Instagram. A medida ocorreu dois dias após a publicação do episódio “Grandes Igrejas, Master Negócios”, apresentado por Fábio Porchat, que aborda relações entre o Banco Master, a Igreja Batista da Lagoinha e personagens da política brasileira.
Segundo a equipe responsável pela produção, a plataforma informou apenas que o conteúdo “não segue os padrões” do Instagram, sem indicar qual regra teria sido violada. A Meta foi procurada, mas não apresentou, até o momento, uma justificativa detalhada para a retirada.
O perfil foi restabelecido ainda nesta quarta-feira, após permanecer temporariamente fora do ar. A equipe do “Revelando” afirmou que aguardava uma explicação da empresa sobre a suspensão.
“O melhor remédio contra as tentativas de censura somos nós mesmos”, disse Porchat em vídeo publicado sobre o ocorrido. “Vídeo não era campanha, calúnia ou achismo, era uma lista de fatos”, disse. “Depois de muita pressão, a página voltou pro ar, mas a gente não sabe por quanto tempo”, relatou Porchat.
Episódio teve grande repercussão
Publicado na segunda-feira (21), o segundo episódio da série investiga conexões entre o empresário Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, o pastor André Valadão, o empresário e pastor Fabiano Zettel e figuras políticas como Flávio Bolsonaro e Nikolas Ferreira.
A produção parte de relações familiares e religiosas para abordar negócios e conexões políticas relacionadas ao caso Master. O episódio continua disponível no YouTube.
De acordo com os responsáveis pelo projeto, o vídeo chegou ao primeiro lugar do ranking Hype do YouTube em menos de 24 horas. O teaser divulgado anteriormente no Instagram havia acumulado cerca de 6 milhões de visualizações antes da retirada do perfil.
A série “Revelando” é uma iniciativa do podcast Calma Urgente, com apoio de distribuição do ICL Notícias, Mídia Ninja e 342 Artes. O conteúdo é produzido por uma equipe de jornalistas e pesquisadores e reúne informações sobre temas de interesse público.
Durante um ano e meio, Lídia Maria Figueiredo Mazelli, 61 anos, trabalhou no escritório do advogado Willer Tomaz, amigo próximo do senador Flávio Bolsonaro (PL). Desde que deixou o emprego, em setembro de 2020, passou a responder, ao menos no papel, como dirigente de 14 empresas ligadas ao antigo patrão, conforme levantamento do Núcleo Investigativo do ICL Notícias e da newsletter Noites Húngaras.
Os negócios incluem uma mansão avaliada em R$ 10 milhões, em Angra dos Reis (RJ), que foi alvo de disputa judicial com o jogador Richarlison; uma ilha anunciada por R$ 17 milhões, também em Angra; um hangar de luxo em Brasília e a companhia responsável por processar os pagamentos das bets credenciadas pelo governo do Rio de Janeiro.
Em agosto, Willer Tomaz foi alvo da Operação Sem Desconto, da Polícia Federal (PF), que investiga suspeitas de lavagem de dinheiro no esquema de fraudes contra aposentados e pensionistas do INSS. Amigo próximo de Flávio Bolsonaro, o advogado emprestou dois imóveis recentemente ao senador: uma casa em Angra dos Reis, onde Flávio comemorou o aniversário da filha em fevereiro, e um apartamento em São Paulo usado durante a campanha presidencial. Os imóveis também têm conexões com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, conforme revelaram o ICL Notícias e a revista Piauí.
Apesar de constar como diretora e presidente das empresas de Willer Tomaz, Lídia leva uma vida distante do padrão normalmente associado a executivos. Localizamos ela em um prédio no Riacho Fundo, região administrativa do Distrito Federal, cerca de 20 quilômetros do centro do plano piloto de Brasília. O prédio de três andares está localizado em uma área comercial, e sobre uma loja de móveis.
Prédio onde mora Lídia, que aparece como presidente das empresas investigadas. Foto: ICL Notícias
Ao ser abordada, Lídia disse que trabalha no local como doméstica, negou conhecer Willer Tomaz e afirmou não saber que seu nome aparece à frente das empresas do advogado. “Acho que teve alguma confusão aí. Eu nem trabalho lá. Eu sou doméstica aqui”, ressaltou.
Ao ser questionada se seus dados poderiam ter sido usados sem autorização, Lídia respondeu que não sabia. “Então, não sei. Porque eu não conheço [Willer Tomaz]. Não tenho nenhum problema, não. Eu tenho trabalhado aqui, na casa de uma moça”, afirmou.
Lídia também negou ser Lídia Maria Figueiredo Mazelli. Uma encomenda recebida por ela quando estávamos na entrada do prédio, porém, trazia esse nome completo. A identificação foi ainda corroborada pela reportagem por meio da comparação da entrevistada com a fotografia de um documento de identidade de Lídia Maria Figueiredo Mazelli apresentado por ela a envolvidos na disputa pela mansão em Angra dos Reis.
Procurado, Willer Tomaz negou, em uma primeira resposta, por meio de nota, que a pessoa encontrada pela reportagem fosse a administradora de suas empresas. “Se a reportagem falou com alguém que disse isso, falou com outra pessoa”, afirmou. Depois de ser confrontada com as provas levantadas pelo ICL Notícias, porém, a assessoria do advogado mudou a versão. Em um segundo momento, por meio de ligação telefônica, informou que a mulher abordada era, de fato, Lídia e afirmou que ela teria ficado com medo durante a abordagem, razão pela qual teria dado respostas evasivas e se retirado do local.
Em nota, o advogado afirmou ainda que Lídia Maria Figueiredo Mazelli “é administradora de empresas, graduada há mais de 20 anos, e tem longa experiência em cargos de gestão em grandes empresas”, além de ter ocupado cargos de direção em empresas do grupo. Diante da afirmação, a reportagem pediu que a assessoria apresentasse qualquer tipo de comprovação da graduação mencionada e da formação alegada para o exercício desses cargos. Não houve resposta a esse pedido até a publicação desta reportagem.
Sobre a Operação Sem Desconto, Willer afirmou que “não é investigado em desvios de aposentados, e a própria PGR se manifestou contra a diligência por falta de qualquer ligação com o caso”.
Fotos: Reprodução
De funcionária a presidente dos negócios de Willer Tomaz
O advogado Willer Tomaz representou Lídia na Justiça enquanto ela trabalhava como funcionária dele. Em junho de 2019, ele assumiu sua defesa no inventário aberto para a partilha dos bens deixados pela mãe. Nos autos, Lídia afirmou não ter condições de pagar as custas e os honorários sem comprometer o próprio sustento e declarou ser “pessoa pobre na acepção jurídica do termo”.
Registros trabalhistas consultados pelo ICL Notícias mostram que ela teve vínculo formal no escritório Willer Tomaz Advogados entre 25 de março de 2019 e 1º de setembro de 2020. Quatro dias depois do fim do contrato, em 5 de setembro, Lídia já aparecia como dirigente da Jet Line Locação e Serviços Aéreos. Na mesma época, ela assumiu a diretoria da WT Administração de Imóveis e Bens. Lídia deixou as empresas em agosto e julho de 2024, respectivamente.
Seu nome também passou pelo quadro de diretoria de companhias dos setores de comunicação, mineração, imóveis, investimentos e meios de pagamento. São elas: Difusora Comunicação, Embrasis, Jota Comunicação e Rádio Caxias. Mais tarde, seu nome apareceu nos registros da Carbon Cer, Alcazar, RioPag, Friponor, Capital Pretium, Neoverde e a Ícaro Aviation, que opera um hangar de luxo para jatos executivos em Brasília.
Lídia, Tomaz, Flávio e a disputa polêmica pela mansão de Angra
Como diretora-presidente da WT Administração de Imóveis e Bens, Lídia assinou documentos relacionados à disputa pela posse da mansão na Ilha Comprida, em Angra dos Reis. A casa foi comprada em 2020 pela Sport 70, empresa ligada ao jogador Richarlison. Dois anos depois, uma decisão judicial transferiu a posse do imóvel para a firma de Willer Tomaz. O processo foi encerrado em junho de 2025, com desfecho favorável ao advogado.
Apesar de não ser parte da ação, Flávio Bolsonaro foi arrolado como testemunha pelos advogados ligados ao jogador de futebol, conforme revelou em setembro de 2022, o portal Metrópoles. O senador esteve na mansão duas vezes antes de a empresa de Tomaz conseguir a posse.
Mansão ligada ao investigado na fraude do INSS e à empresa presidida por Lídia. Foto: Reprodução
O empresário Antônio Marcos da Silva, antigo dono do imóvel e responsável por vendê-lo ao grupo ligado a Richarlison, disse à Folha de S. Paulo que Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz se tratavam como sócios durante a visita à mansão. Ao ICL Notícias, Marcos contou que Flávio lhe apresentou o advogado dizendo: “Temos vários negócios juntos”.“Flávio dizia, ‘ô sócio, vamos comprar essa casa’”, recorda Marcos. “Eles também comentavam entre si que iam fazer uma casa compartilhada”, destacou.
Willer e Flávio Bolsonaro em registro conjunto – Foto: Reprodução
Anos depois, em fevereiro de 2026, Flávio Bolsonaro comemoraria o aniversário da filha caçula justamente em uma mansão compartilhada que também fica na Ilha Comprida, e que tem Willer entre seus cotistas. Conforme mostrou o ICL Notícias, a propriedade é gerida pela Prime You, empresa especializada no compartilhamento de bens de luxo ligada ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master.
A credibilidade do relato de Marcos foi questionada pela assessoria de Willer Tomaz, uma vez que o empresário foi condenado por estelionato em abril deste ano. Marcos afirmou que a decisão foi em primeira instância, que está recorrendo e é inocente. Ele destacou ainda que o processo nada tem a ver com o negócio de Angra dos Reis.
“Todas as decisões judiciais foram favoráveis ao Dr. Willer, inclusive no Superior Tribunal de Justiça, e já transitaram em julgado. A pessoa apresentada pela reportagem como ‘ex-dono’ nunca foi proprietária do imóvel: ocupava-o como posseiro, sem qualquer título, e foi denunciada por estelionato. A afirmação de que o senador Flávio Bolsonaro seria sócio do Dr. Willer ou participaria da compra é falsa. O senador não participou da aquisição e não tem qualquer participação no imóvel”, destacou em nota a assessoria de Willer Tomaz.
Flávio Bolsonaro foi procurado, mas não retornou às tentativas de contato da reportagem.
Lídia Mazelli presidiu empresa dona de ilha em Angra dos Reis
Além da mansão disputada com o jogador Richarlison, a WT Administração de Bens e Imóveis possui o direito de ocupação de outras três propriedades na Ilha Comprida, de acordo com levantamento da Secretaria do Patrimônio da União. A rede de negócios em nome de Lídia também chega a uma ilha particular em Angra dos Reis: a Ilha do José André. Com área de 56 mil metros quadrados, ela chegou a ser anunciada por R$ 17 milhões em um site de imóveis de luxo.
Ilha do José André, em Angra dos Reis, que chegou a ser anunciada por R$ 17 milhões – Foto: Reprodução Villasinbrazil
Lídia assumiu a presidência da Friponor Brasil Turismo, empresa responsável pela Ilha do José André, em novembro de 2023. Um ano e meio depois, foi ela quem assinou um pedido ao Instituto Estadual do Ambiente (Inea) para saber quanto da ilha poderia ser ocupada por um empreendimento turístico. A empresa queria descobrir se poderia construir em até 10% ou 20% da área.
Em agosto, durante ato de campanha em Angra dos Reis, Flávio Bolsonaro defendeu mudanças para facilitar o licenciamento de condomínios, grandes empreendimentos e resorts na região, proposta que poderia beneficiar os interesses do amigo.
Ilha em Angra dos Reis – Foto: Reprodução
Empregada doméstica ‘participou’ de administração de empresa de apostas
Entre as empresas que tiveram Lídia Maria Figueiredo Mazelli em sua administração também está a Pixs Cobrança e Serviços em Tecnologia, atual RioPag S/A. A companhia foi contratada pela Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj) para processar depósitos, pagamentos e saques das casas de apostas credenciadas pelo governo estadual.
O contrato, estimado em R$ 32 milhões e com duração de cinco anos, colocou a ex-empregada doméstica de Willer Tomaz no comando formal de uma empresa responsável por movimentar o dinheiro das bets autorizadas pelo estado.
A contratação foi cercada de questionamentos. Conforme revelou a Folha de S.Paulo, apenas duas empresas participaram da licitação. A Idea Maker, que ofereceu repassar 26% das receitas ao estado, foi desclassificada porque registrou o percentual com duas casas decimais, “26,00%”, e não com as três exigidas pelo edital.
Com a eliminação da concorrente, a Pixs, cuja proposta inicial previa um repasse menor, de 20%, permaneceu sozinha na disputa. Posteriormente, a Loterj acertou com a empresa uma taxa de 26,455%. Depois de vencer a licitação, a Pixs transferiu sua sede do Paraná para o Rio de Janeiro e passou a ter Lídia em sua direção. O negócio foi fechado durante o governo de Cláudio Castro, aliado de Willer e de Flávio Bolsonaro. A Loterj acusa a Riopag de sumir com R$ 20,9 milhões do estado.
Os elos entre Flávio e Willer
A amizade entre Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz é pública desde 2021. Durante a CPI da Covid, o senador saiu em defesa do advogado e se referiu a ele como “meu amigo Willer Tomaz”. No ano seguinte, Flávio tentou emplacar o nome de Willer em uma vaga no Conselho Nacional de Justiça, mas a indicação não avançou.
A relação se estreitou ainda mais nos anos seguintes. SegundoO Globo, a Polícia Federal identificou ao menos cinco viagens internacionais feitas pelos dois no primeiro semestre de 2025. Em uma delas, Flávio e Willer viajaram com as famílias para a África do Sul e participaram de um safári ao lado do senador Weverton Rocha, também investigado no escândalo do INSS.
Na foto estão o advogado Willer Tomaz, o empresário Carlos Alberto de Sá, e os senadores Weverton Rocha e Flávio Bolsonaro – Foto: Reprodução
Apesar de negarem sociedade ou negócios em comum, Flávio e Willer assinam a defesa de um mesmo cliente em uma disputa de R$ 159 milhões no Superior Tribunal de Justiça. A ação começou em 2021, ano em que, segundo Antônio Marcos da Silva, Willer passou a se movimentar para assumir a mansão de Angra dos Reis, disputada com o jogador Richarlison.
Também em 2021, Flávio abriu seu escritório de advocacia em Brasília. Em entrevista à Agência Pública, Letícia Caetano dos Reis afirmou ter sido indicada por Willer para administrar o negócio do senador. O advogado negou a informação à época.
A indicação abre outro caminho nessa rede de relações. Letícia é irmã de Alexandre Caetano dos Reis, sócio de Antonio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”. Alexandre também é dono da Voga Serviços Contábeis, responsável pela contabilidade das empresas de Flávio.
OICL Notícias revelou que a Bravo Grafeno, fabricante de capacetes da qual o senador é sócio, divide uma sala em Brasília com pelo menos 16 empresas ligadas ao Careca do INSS. As companhias também usam o mesmo escritório de contabilidade.
Resposta de Willer
A nota abaixo divulgada pela assessoria de Willer Tomaz traz informações que foram contestadas pela reportagem, como mostra o texto acima:
Em resposta às perguntas enviadas pelo ICL Notícias, o advogado Willer Tomaz esclarece:
A premissa da reportagem é falsa. A Sra. Lídia Maria Figueiredo Mazelli, que ocupou cargos de direção em empresas do grupo, é administradora de empresas, graduada há mais de 20 anos, e tem longa experiência em cargos de gestão em grandes empresas. Ela nunca trabalhou como empregada doméstica no escritório Willer Tomaz Advogados nem em qualquer outra empresa do grupo.
Consultada hoje, a Sra. Lídia negou ter dito a qualquer jornalista que é empregada doméstica, que não conhece o Dr. Willer ou que não sabia que era dirigente das empresas. Se a reportagem falou com alguém que disse isso, falou com outra pessoa.
A remuneração da profissional é informação privada e não será divulgada.
Pedimos que a reportagem informe quais “registros trabalhistas” consultou, pois, nos nossos registros, ela sempre figurou em cargos de gestão.
Quanto ao imóvel de Angra dos Reis, todas as decisões judiciais foram favoráveis ao Dr. Willer, inclusive no Superior Tribunal de Justiça, e já transitaram em julgado. A pessoa apresentada pela reportagem como “ex-dono” nunca foi proprietária do imóvel: ocupava-o como posseiro, sem qualquer título, e foi denunciada por estelionato. A afirmação de que o senador Flávio Bolsonaro seria sócio do Dr. Willer ou participaria da compra é falsa. O senador não participou da aquisição e não tem qualquer participação no imóvel.
O Dr. Willer não é investigado em desvios de aposentados, e a própria PGR se manifestou contra a diligência por falta de qualquer ligação com o caso.
Apenas uma informação a ser acrescentada: consta em nossos registros que a Sra. Lídia é graduada em administração de empresas, com larga experiência.
A Meta derrubou, na manhã desta quarta-feira (23/9), o perfil no Instagram “Revelando Brasil”, que publicou nesta semana, sob a apresentação do humorista Fabio Porchat, explicações sobre a ligação entre o Banco Master, a Igreja Batista da Lagoinha e políticos, como Flávio Bolsonaro (PL).
A produção explica a ligação do pastor André Valadão com Fabiano Zettel e Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master e responsável por um dos maiores rombos financeiros da história dos cofres públicos e privados do Brasil.
Até que se chega a ligações dos três principais personagens com políticos, como o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), o senador Flávio Bolsonaro e a advogada Viviane Barci de Moraes, casada com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Horas depois, no entanto, o perfil @revelando.brasil foi restabelecido e agora já pode ser acessado normalmente. O projeto especial é apoiado pelo podcast Calma Urgente, bem como o ICL Notícias, Mídia Ninja e 342 artes.
O STF (Supremo Tribunal Federal) concluiu o julgamento hoje que definiu que todas as mães, biológicas ou adotivas, têm direito à licença-maternidade, em prazos iguais de 120 dias. A medida é válida para quem trabalha sob o regime da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) e também servidores públicos federais.
Confira a reportagem completa no link abaixo do site UOL desta Quarta-feira (23):
247 – O jornal O Estado de São Paulo afirmou em editorial publicado nesta quarta-feira (23) que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro (PL) na eleição presidencial representaria o risco de integrantes ou pessoas ligadas às milícias alcançarem influência no mais alto nível do poder da República. O texto, intitulado “Flávio e a sombra dos milicianos”, resgata episódios da trajetória política do senador e cobra explicações sobre sua relação com personagens associados a organizações criminosas do Rio de Janeiro.
No editorial, o Estadão parte de reportagem publicada pelo próprio jornal segundo a qual, em 2023, uma assessora de Flávio negociou com Robson Calixto Fonseca, conhecido como “Peixe”, a destinação de quase R$ 200 mil em recursos de emenda parlamentar. Segundo a publicação, a negociação teria envolvido a busca por vantagens indevidas.
“É extremamente preocupante, para dizer o mínimo, que um candidato à Presidência da República tenha mantido vínculo tão próximo com um criminoso de sangue até pouco tempo atrás”, afirma o editorial.
Em fevereiro deste ano, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou Peixe por integrar organização criminosa armada. Segundo a Corte, ele fazia parte de uma estrutura composta por milicianos e ligada aos irmãos Domingos e Chiquinho Brazão, condenados no mesmo julgamento como mandantes dos assassinatos da vereadora Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes, ocorridos em março de 2018.
De acordo com os registros oficiais do STF, Peixe recebeu pena pelo crime de organização criminosa. Domingos e Chiquinho Brazão, por sua vez, foram condenados pelos homicídios e por participação na organização criminosa.
Editorial cobra explicações de Flávio
Procurado sobre a destinação dos recursos, Flávio Bolsonaro afirmou, segundo o editorial, que “a emenda foi destinada dentro da legislação vigente” e que a responsabilidade pela prestação de contas caberia ao destinatário do dinheiro.
Para o Estadão, porém, a resposta não esclarece a relação política existente entre integrantes do gabinete do senador e Peixe.
“Sobre o fato mais escabroso – a proximidade entre o senador e um miliciano condenado –, Flávio não deu uma satisfação sequer aos eleitores”, afirma o jornal.
O editorial sustenta que o episódio não seria isolado e relembra manifestações feitas por Flávio Bolsonaro desde seu período como deputado estadual no Rio de Janeiro.
Declarações favoráveis às milícias
O jornal recorda que, em 2007, Flávio defendeu na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) as milícias como um “novo tipo de policiamento” e classificou crimes cometidos por integrantes desses grupos como “casos isolados”.
Em outro discurso citado pelo editorial, o então deputado estadual afirmou que “não se importaria” em pagar mensalidades de “R$ 30 ou R$ 40” a grupos dessa natureza para “ter mais segurança”.
O texto também recupera a relação do gabinete de Flávio na Alerj com familiares de Adriano da Nóbrega, ex-policial militar apontado como uma das principais lideranças do Escritório do Crime.
Adriano morreu em 2020, durante uma operação policial na Bahia. Segundo o editorial, sua trajetória e as conexões políticas construídas no Rio integram um histórico que precisa ser considerado diante da candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.
“Sombra dos milicianos”
Ao reunir os episódios, o Estadão afirma que a relação de Flávio Bolsonaro com personagens ligados às milícias acompanha sua carreira desde o início de sua passagem pela Alerj, em 2003.
“A ligação entre Flávio e ‘Peixe’, por mais problemática que seja, não é um desvio pontual”, diz o editorial.
O jornal argumenta ainda que o tema ganha maior dimensão devido à proximidade da eleição presidencial e à possibilidade de o senador chegar ao Palácio do Planalto.
Na conclusão, o editorial afirma que cabe aos eleitores decidir entre os candidatos registrados, mas sustenta que o histórico político do senador deve fazer parte da avaliação pública sobre sua candidatura.
“Cada eleitor tem a liberdade assegurada pela Constituição para dar seu voto a qualquer candidato regularmente registrado na Justiça Eleitoral”, diz o texto.
Em seguida, o Estadão apresenta sua avaliação mais contundente: “Mas que todos estejam cientes de que, dado o histórico, a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro embute o risco da ascensão das milícias ao topo do poder da República”.
O preço da comida voltou ao centro da disputa presidencial. Depois de Flávio Bolsonaro (PL) transformar visitas a supermercados em uma das vitrines de sua campanha contra o governo Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) entrou diretamente na discussão nesta terça-feira (22).
“Falar é discurso, fazer é resultado”, escreveu Alckmin ao divulgar uma sequência de dados sobre o comportamento dos preços dos alimentos.
Na publicação, o vice-presidente contrapõe a situação atual ao período de Jair Bolsonaro e atribui a desaceleração da inflação dos alimentos a medidas de apoio aos produtores e a políticas públicas adotadas pelo governo Lula.
Comida subiu quatro vezes mais no governo Bolsonaro
Um dos dados levados para a disputa é uma comparação da inflação de alimentação no domicílio, calculada a partir de números do IBGE.
No recorte divulgado pela campanha de Lula, a inflação média anual dos alimentos ficou em 13,2% entre 2020 e 2022, durante o governo Bolsonaro. Entre 2023 e 2025, nos três primeiros anos do atual governo Lula, a média ficou em 3% ao ano.
O dado se refere à diferença entre as taxas médias anuais de inflação nos dois períodos. Os números anuais ajudam a entender o cálculo. No recorte utilizado, a alimentação no domicílio registrou altas de 18,1% em 2020, 8,2% em 2021 e 13,2% em 2022. Sob Lula, houve queda de 0,5% em 2023, seguida de altas de 8,2% em 2024 e 1,4% em 2025.
Supermercado vira palco da campanha
A resposta de Alckmin ocorre depois de Flávio intensificar o uso de vídeos gravados em supermercados para questionar o custo dos alimentos durante o governo Lula.
Ao entrar na discussão, o vice-presidente tenta deslocar o debate dos preços encontrados nas prateleiras para a evolução da inflação ao longo dos dois governos.
A troca de ataques mostra como o preço da comida deve ocupar espaço importante na campanha de 2026. Flávio tenta associar o atual governo ao custo de vida, enquanto Lula e seus aliados respondem comparando indicadores de inflação e medidas econômicas adotadas nas duas gestões, e desmentindo o supermercado fake de Flávio.