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A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que autorizou novas medidas na Operação Compliance Zero revela detalhes sobre a estrutura de atuação do grupo investigado no caso envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro. No documento, o relatório da Polícia Federal descreve a existência de um núcleo paralelo dentro da organização criminosa que atuaria na obtenção de informações sigilosas e na intimidação de adversários.
Segundo a decisão, as investigações identificaram que integrantes do grupo tinham acesso a informações sensíveis provenientes de órgãos de investigação brasileiros e até de organismos internacionais. O relatório policial citado no despacho menciona que circulavam entre investigados dados provenientes da própria Polícia Federal, do Ministério Público Federal e também de instituições estrangeiras.
“Há indícios de circulação de informações sensíveis provenientes da própria Polícia Federal, do Ministério Público Federal e até mesmo de organismos internacionais, tais como FBI e Interpol”, registra o documento citado na decisão.
Para os investigadores, o acesso antecipado a esse tipo de informação poderia permitir ao grupo antecipar diligências, monitorar o andamento de investigações e interferir na coleta de provas.
A decisão também descreve que o grupo mantinha uma estrutura própria voltada à proteção dos interesses do conglomerado financeiro investigado. O relatório da Polícia Federal aponta que o núcleo atuaria de forma organizada para coletar informações e pressionar pessoas consideradas adversárias.
“O grupo criminoso mantinha estrutura de vigilância e coerção privada destinada à obtenção ilegal de informações e à intimidação de críticos”, aponta o relatório policial mencionado na decisão.
Segundo os investigadores, esse núcleo teria atuação que remete a práticas típicas de milícia privada. A decisão menciona que o modus operandi identificado apresenta características de atuação miliciana voltadas à proteção do grupo investigado.
Em outro trecho, o relatório policial citado no despacho afirma que Daniel Vorcaro mantinha uma rede de colaboradores voltada à coleta de informações e à neutralização de opositores.
“Os elementos colhidos indicam a existência de um grupo estruturado que atuava na obtenção de informações e na intimidação de adversários, funcionando como uma espécie de milícia privada a serviço dos interesses do investigado”, descreve o documento citado na decisão.
Esse núcleo é associado nas investigações a um círculo restrito de pessoas próximas ao banqueiro que aparece nos autos sob a denominação de “A Turma”. Segundo os investigadores, o grupo atuaria paralelamente às operações financeiras investigadas, funcionando como um braço de proteção e monitoramento.
Entre as atividades atribuídas a esse grupo estão o acompanhamento de pessoas consideradas adversárias, a coleta irregular de informações sensíveis e o uso desses dados para pressionar ou intimidar indivíduos ligados ao caso.
Para a Polícia Federal, a existência dessa estrutura representaria risco direto ao andamento das investigações. A possibilidade de acesso antecipado a dados de apurações nacionais e internacionais foi apontada como um dos fatores que justificaram a adoção de medidas cautelares no caso.
A Operação Compliance Zero investiga suspeitas de crimes contra o sistema financeiro, organização criminosa, lavagem de dinheiro e obstrução de justiça relacionados ao funcionamento do Banco Master e a operações financeiras conduzidas por empresas ligadas ao grupo investigado.
Fonte: ICL NOTICIAS - 04/03/2026