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terça-feira, 16 de junho de 2026

Banco Master: Vorcaro pagou R$ 11 milhões a ex-ministro de Bolsonaro, diz Intercept


                            Ronaldo Vieira substituiu João Roma em 2022        FOTO:REPRODUÇÃO



247 - O Banco Master, à época controlado por Daniel Vorcaro, transferiu R$ 11 milhões nos últimos dois anos ao ex-ministro da Cidadania Ronaldo Vieira Bento e a empresas ligadas a ele, segundo dados analisados a partir da declaração de Imposto de Renda da instituição financeira enviada pela Receita Federal à CPI do Crime Organizado do Senado. 

De acordo com o Intercept Brasil, Bento, que comandou o Ministério da Cidadania entre março e dezembro de 2022, deixou o governo Jair Bolsonaro (PL) e passou a atuar na iniciativa privada em empresas relacionadas ao mercado de crédito consignado, modalidade diretamente impactada por decisões tomadas durante sua passagem pela pasta.

Bento é advogado, ex-agente da Polícia Federal e filiado ao Republicanos desde 2023. Em 2022, durante o governo Bolsonaro, participou da implementação da autorização para empréstimos consignados destinados a beneficiários do Auxílio Brasil, programa que havia substituído o Bolsa Família. Esse tipo de operação permite a concessão de crédito com desconto automático das parcelas na folha de pagamento ou no benefício recebido.

Depois de deixar o Ministério da Cidadania, atual Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, o ex-ministro assumiu cargos em empresas vinculadas ao ambiente de negócios do Banco Master. Entre elas estavam o Banco Pleno e a Mettacard Administradora de Cartões, companhias relacionadas ao conglomerado investigado pela Polícia Federal na Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de fraudes financeiras.

Repasses do Master a Bento e empresas ligadas a ele

Do total de R$ 11 milhões transferidos pelo Banco Master, R$ 773,3 mil foram pagos diretamente a Ronaldo Vieira Bento como pessoa física. O restante foi destinado a empresas nas quais ele era administrador ou mantinha algum tipo de ligação societária.

A maior fatia dos repasses foi para a Meta Consultoria, empresa da qual Bento é sócio. Criada em junho de 2023 e sediada em um edifício na Asa Sul, em Brasília, a companhia recebeu R$ 6,2 milhões do Master em 2025. A empresa declara atuar com consultoria em gestão empresarial, preparação de documentos e outros serviços administrativos especializados.

Em novembro de 2024, a Meta Consultoria se uniu à CLT Participações para criar a Beta Serviços Financeiros, encerrada em março deste ano. Durante o período em que a sociedade esteve ativa, a CLT recebeu R$ 1,2 milhão do Banco Master.

A Mettacard, empresa licenciada pelo Master e voltada à oferta de cartão de benefícios consignado para servidores públicos, aposentados e pensionistas, recebeu R$ 2,98 milhões no período em que Ronaldo Vieira Bento atuou como administrador. Ele foi eleito para o cargo em agosto de 2024 e renunciou em 10 de dezembro do mesmo ano, menos de um mês após a deflagração da primeira fase da Operação Compliance Zero, quando Daniel Vorcaro foi preso no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos.

Banco Pleno, Mettacard e crédito consignado

O Banco Pleno era o antigo Banco Voiter, adquirido pelo Master em fevereiro de 2024 e vendido em julho de 2025 ao empresário Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro. Bento assumiu a diretoria-presidência do Pleno nesse intervalo.

Em fevereiro deste ano, o Banco Central determinou a liquidação extrajudicial do Banco Pleno por comprometimento financeiro, deterioração de liquidez, quebra de normas e descumprimento de decisões. A medida também levou à indisponibilidade dos bens de Ronaldo Vieira Bento, além de controladores e outros ex-administradores da instituição.

A Mettacard oferecia um cartão de benefícios consignado, modalidade semelhante a um cartão de crédito por permitir compras e saques, mas com cobrança de juros menores e desconto automático da parcela mínima do saldo devedor na folha de pagamento.

A empresa anunciava convênios com prefeituras de sete municípios, além do Instituto de Previdência do Município de São Gonçalo, da Macapá Previdência, do Tribunal de Contas do Estado do Paraná e do governo do Paraná.

Em 24 de novembro do ano passado, o governo paranaense bloqueou o lançamento de novos descontos em folha relacionados aos cartões da Mettacard e da Credcesta, outra empresa licenciada pelo Banco Master. O objetivo declarado era proteger servidores contra suspeitas de fraude e descontos indevidos, no contexto das investigações da Polícia Federal.

O Sindicato Estadual dos Servidores Públicos da Agricultura, Meio Ambiente, Fundepar e Afins, o Sindiseab, denunciou o caso de um servidor que tomou empréstimo de R$ 1,2 mil e passou a dever cerca de R$ 8 mil. Em nota publicada em dezembro do ano passado, a entidade afirmou: “Os cartões de benefícios foram oferecidos aos servidores, há um tempo atrás, e muitos aderiram, principalmente, os servidores que recebem os menores salários”.

Um ex-administrador da Mettacard disse, sob anonimato, que a empresa teria baixa atividade em comparação com a Credcesta, apontada como mais capilarizada e com maior carteira de clientes. Segundo essa avaliação, o cartão da Mettacard funcionaria como uma espécie de “plano B” do Master, a depender da estratégia de mercado.

Ex-ministro passou sem escrutínio em comissões do Congresso

Ronaldo Bento foi citado mais de uma vez na CPMI do INSS e na CPI do Crime Organizado, mas os pedidos para aprofundar a investigação sobre sua atuação não avançaram. Requerimentos envolvendo o ex-ministro acabaram sem efeito prático nas comissões do Congresso.

Na CPMI do INSS, o deputado federal Rogério Correi (PT-MG) apresentou um requerimento para convocar Bento. A comissão, inicialmente voltada à apuração de descontos indevidos em aposentadorias e pensões, ampliou seu foco para incluir empréstimos consignados e suspeitas envolvendo o Banco Master. O pedido, apresentado em dezembro do ano passado, não foi apreciado pela mesa diretora.

A CPMI foi encerrada em março deste ano sem aprovação de relatório final. Rogério Correia afirmou: “Ronaldo Bento foi um ministro tampão. Foi escolhido a dedo para fazer um trabalho sujo na véspera das eleições, que foi colocar milhões [de reais] à disposição de quem era beneficiário do Bolsa Família para fazer empréstimo consignado, endividando essas famílias, e buscando com isso angariar votos para Jair Bolsonaro”.

Na CPI do Crime Organizado, o senador Randolfe Rodrigues (PT-AP) apresentou um requerimento para convocar Ronaldo Bento. O pedido chegou a ser aprovado, mas a comissão terminou em abril deste ano sem ouvi-lo e também sem aprovar relatório final.

Em 18 de março, durante reunião da CPI, o senador Humberto Costa (PT-PE) apresentou um requerimento para acessar os sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático do ex-ministro da Cidadania. O pedido, porém, foi retirado na mesma reunião. A assessoria de imprensa de Humberto Costa informou que a retirada foi “fruto de um acordo entre governo e oposição, com anuência do presidente e do relator”. A equipe do senador acrescentou: “Vários requerimentos foram retirados da pauta nesse dia”. Questionada sobre o acordo, a assessoria respondeu que se tratou de um “acordo verbal” e afirmou: “Não tem acordo em relação a uns, não tem acordo em relação a outros, centra-se numa pauta comum e retiram-se as divergências para posterior discussão. Rotina nas Casas”.

Auxílio Brasil e a expansão do crédito consignado

A autorização para empréstimos consignados vinculados ao Auxílio Brasil foi feita por meio da medida provisória nº 1.106/22, apresentada por Bolsonaro em março de 2022, durante a gestão de João Roma no Ministério da Cidadania. A regulamentação e a operação da modalidade ocorreram depois, já sob Ronaldo Vieira Bento, após a transformação da MP na lei nº 14.431/22, sancionada por Bolsonaro em agosto daquele ano.

Na época, Bento defendia a medida como forma de ampliar o acesso ao crédito para pessoas em situação de vulnerabilidade. Em setembro de 2022, no programa A Voz do Brasil, ele declarou: “O empréstimo consignado chega para se somar às demais políticas sociais como mecanismo de superação da pobreza para população em situação de extrema pobreza ou de pobreza no nosso país”.

Um relatório de avaliação da CGU (Controladoria-Geral da União), de agosto de 2023, identificou R$ 8,4 milhões em descontos indevidos do Auxílio Brasil ao analisar apenas contratos firmados com a Caixa Econômica Federal entre novembro de 2022 e março de 2023.

Segundo o documento, 93% dos contratos de empréstimo consignado vinculados ao programa social foram fechados em outubro de 2022, durante a gestão de Bento e antes do segundo turno das eleições. O então Ministério da Cidadania era responsável por habilitar as instituições financeiras autorizadas a operar esse tipo de crédito.

À época, mais de 21,6 milhões de pessoas recebiam o Auxílio Brasil, o equivalente a cerca de um terço das famílias brasileiras. A justificativa do governo era oferecer crédito com taxa máxima de juros de 3,5% ao mês a famílias já endividadas. De acordo com a CGU, 3,6 milhões de pessoas contrataram empréstimos nessa modalidade.

Defesa de Bento nega irregularidade

O Intercept informou que procurou Ronaldo Vieira Bento por ligações e mensagens de texto, inicialmente sem resposta. Nove dias depois, após nova tentativa, a assessoria de imprensa do ex-ministro enviou uma nota afirmando que os pagamentos mencionados pela reportagem se referem à remuneração pelo trabalho de Bento na assessoria da instituição financeira.

“A remuneração, devidamente declarada ao fisco, é compatível com os valores do mercado. Não há qualquer irregularidade nas operações citadas”, informou a assessoria do ex-ministro.

A reportagem também procurou a assessoria de Jair Bolsonaro, a Mettacard, a CLT Participações e a Meta Consultoria por e-mail e mensagens, mas não recebeu retorno até a publicação. A assessoria de Daniel Vorcaro informou que ele não iria se manifestar sobre o tema.


Fonte:BRASIL 247 16/06/2026

DF: Médicos que atenderam apenas Bolsonaro por dois meses relatam calote

                                                Foto:reprodução



 Pelo menos três médicos que prestaram atendimento exclusivo ao ex-presidente Jair Bolsonaro durante sua prisão no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal (19º BPM), conhecido como Papudinha, afirmam que ainda não receberam pelos plantões realizados entre janeiro e março deste ano. Segundo os profissionais, os pagamentos deveriam ter começado a ser efetuados em fevereiro, mas, passados mais de quatro meses, nenhum valor foi depositado.

Os servidores da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) foram convocados para atuar em regime de Trabalho por Período Definido (TPD), modalidade de jornada extra remunerada utilizada para suprir déficits de pessoal e reforçar atendimentos. A convocação ocorreu após determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, que ordenou assistência médica 24 horas ao ex-presidente.

Dois meses com Bolsonaro

De acordo com os relatos, os profissionais permaneceram por cerca de dois meses atendendo exclusivamente Bolsonaro, sem prestar assistência a outros pacientes durante os plantões. Um dos médicos, que pediu para não ser identificado, afirmou ter realizado oito plantões de 12 e 24 horas, incluindo períodos noturnos e fins de semana, acumulando aproximadamente R$ 15 mil a receber.

Os profissionais relatam que a rotina envolvia acompanhamento constante do ex-presidente ao longo dos 57 dias em que ele permaneceu preso na unidade militar. Segundo um dos médicos, a equipe realizava pelo menos três avaliações diárias e também monitorava Bolsonaro durante a noite.

“A gente atendia ele pelo menos três vezes por dia e até durante a noite, enquanto ele dormia. Inclusive, a gente caminhava com ele por medo de ele cair”, relatou o servidor. Além dos médicos, a equipe contava com um técnico de enfermagem.

Os atendimentos prestados ao ex-presidente chegaram a ser mencionados em despacho de Alexandre de Moraes que detalhava a rotina de Bolsonaro durante o período de custódia.

Problemas no registro da frequência

Segundo os médicos, a Secretaria de Saúde informou inicialmente que os plantões seriam pagos por meio do sistema TPD. No entanto, surgiram problemas no registro da frequência, já que os profissionais não tinham acesso aos mecanismos habituais de controle de ponto da pasta enquanto atuavam no batalhão.

“Eles informaram que o plantão seria no formato TPD, mas nesse formato a gente tem que bater ponto na SES. Lá no batalhão não tinha como. A gente assinava um caderno na passagem de plantão com o ex-presidente”, afirmou um dos profissionais.

Ao perceberem que os valores não haviam sido incluídos nos contracheques, os médicos procuraram esclarecimentos e foram orientados pela Subsecretaria de Gestão de Pessoas (SUGEP) a protocolar a documentação no Sistema Eletrônico de Informações (SEI). Mesmo após seguirem todas as orientações, os pagamentos continuaram sem ser efetuados.

Procedimento incorreto


Posteriormente, segundo os relatos, a SES-DF informou que o procedimento havia sido realizado de forma incorreta. Os profissionais contestam a justificativa e afirmam que apenas seguiram as orientações recebidas da própria secretaria.

“Não temos nada a ver com o erro. A gente só foi trabalhar porque eles falaram que iam pagar como TPD; se fosse só por banco de horas, ninguém iria”, disse um dos médicos.

Os plantões foram encerrados em 26 de março, quando Alexandre de Moraes concedeu prisão domiciliar a Bolsonaro. Desde então, os profissionais aguardam o recebimento pelos serviços prestados.

Procurada para comentar as denúncias, a Secretaria de Saúde do Distrito Federal ainda não havia se manifestado até a publicação desta reportagem.

Diante da demora, os médicos afirmam que estudam ingressar com medidas judiciais para garantir o pagamento dos plantões realizados durante o período em que ficaram responsáveis exclusivamente pelo atendimento ao ex-presidente. As informações são do Metrópoles.


Fonte:Revista Fórum - 16/06/2026

STF: Moraes dá 24 horas para Bolsonaro explicar pistola 9mm apreendida com Sargento ligado a segurança


                                        Alexandre de Moraes , Jair Bolsonaro - Valter Campanato/Agência Brasil e Pedro Ladeira/Folhapress



ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, deu 24 horas para Jair Bolsonaro explicar a pistola apreendida com um sargento do Exército ligado à segurança do ex-presidente. A cobrança mira a origem da arma, as circunstâncias da apreensão e a relação do armamento com Bolsonaro.

A decisão foi tomada depois que a Polícia Civil do Distrito Federal informou o STF sobre a ocorrência. A arma foi apreendida na segunda-feira (15), durante uma blitz da Polícia Militar do Distrito Federal em Taguatinga, no Distrito Federal.

Confira íntegra do despacho aqui 

Moraes cobra Bolsonaro sobre arma apreendida com sargento

Na decisão, Moraes determinou que a defesa de Bolsonaro se manifeste em 24 horas. O ministro quer esclarecimentos sobre a razão de o ex-presidente manter uma arma de fogo em casa, com carregador sobressalente, e sobre o motivo de o armamento ter sido entregue para reparo.

O caso ganhou peso porque ocorre no momento em que Moraes ainda analisa desdobramentos ligados à prisão domiciliar de Bolsonaro. Em reportagem publicada nesta terça-feira (16), a Fórum mostrou que a apreensão da arma pode abrir debate sobre eventual revogação da domiciliar, segundo avaliação de criminalista ouvido pela reportagem.

Pistola estava com militar da segurança de Bolsonaro

A pistola foi encontrada com um sargento do Exército identificado como Estácio, ligado à estrutura de segurança do ex-presidente. Ele estava em um veículo oficial quando foi abordado pela PMDF no Pistão Norte, em Taguatinga.

Segundo o registro policial, o militar afirmou que o armamento pertenceria a Bolsonaro e teria sido levado para conserto por apresentar falha mecânica. A arma e um carregador foram apreendidos, e o sargento foi levado à 21ª Delegacia de Polícia, no Pistão Sul, para prestar esclarecimentos.

O episódio se soma a uma sequência de decisões de Moraes sobre a rotina de Bolsonaro em prisão domiciliar. Em março, a Fórum mostrou que o ministro impôs novas regras ao ex-presidente após conceder a domiciliar.

Segurança de Bolsonaro já era alvo de questionamentos

A estrutura montada ao redor de Bolsonaro já havia sido questionada por especialistas. Em abril, a Fórum publicou crítica do jurista Pedro Serrano ao pelotão com 11 militares do Exército destacado para fazer a segurança do ex-presidente.

Também em março, Moraes determinou medidas para controlar o entorno da casa de Bolsonaro. A Fórum noticiou a ordem para que a Polícia Militar derrubasse drones que sobrevoassem a residência do ex-presidente.

Defesa terá de responder em 24 horas

Com a nova decisão, a defesa de Bolsonaro terá de explicar ao STF quem mantinha a posse da pistola, por que a arma estava fora da residência do ex-presidente e qual era a finalidade do transporte feito pelo militar.

A resposta pode orientar os próximos passos de Moraes na execução penal de Bolsonaro. Até aqui, a decisão não julga o mérito da conduta, mas cobra esclarecimentos formais sobre a arma, o carregador e a atuação do sargento no episódio.

Fonte: Revista Fórum - 16/06/2026

G-7: Como convidado, Lula manda recado a Trump em discurso na França

                                     Foto:reprodução



O presidente Luiz Inácio Lula da Silva usou o seu discurso no G7, nesta terça-feira, para mandar uma mensagem ao presidente Donald Trump. Para ele, a ação contra o crime organizado não pode violar a soberania de países e medidas protecionistas unilaterais abalam o combate contra a pobreza.

Lula participa como convidado da reunião em Evian, na França, e apesar de não citar o nome do presidente dos EUA, fez as duras críticas diante do republicano e dos demais líderes dos países ricos. Sua fala ocorreu no momento em que alas da extrema direita brasileira se aliam aos representantes da Casa Branca para usar o crime organizado como arma de uma ingerência nas eleições brasileiras.

De acordo com Lula, um dos desafios a ser enfrentado pela comunidade internacional é o crime organizado, “que aterroriza comunidades e desvia recursos públicos que deveriam ser direcionados para a construção de escolas, hospitais e estradas”.

Mas alertou: “Esse esforço (de ação internacional) deve levar em conta do respeito à soberania dos Estados”.

O recado foi dado dias depois de Trump classificar o PCC e o CV como grupos terroristas. Na América Latina, a Casa Branca ainda tem usado o tema do combate ao narcotráfico para fazer ataques em diferentes territórios e justificar sanções.

Lula indicou que a Declaração de Líderes do G7 sobre o Combate ao Tráfico de Drogas é um “passo positivo”. Nela, conforme o ICl Notícias antecipou, não há uma referência à classificação desses grupos como terroristas.

“Mas o enfrentamento ao narcotráfico não pode ser dissociado de outros ilícitos como a lavagem de dinheiro e o tráfico de armas”, afirmou Lula.

Segundo ele, “valorizar o diálogo e a cooperação institucional, inclusive por meio da INTERPOL, contribuirá para a localização de ativos e indivíduos vinculados a essas atividades criminosas”.

Lula com Interpol

Lula ainda aproveitará a viagem para a França para se reunir com a cúpula da Interpol. O encontro deve ocorrer nesta quarta-feira, em Genebra, após a reunião dos presidentes do G7. Entre os membros da comitiva do governo está o chefe da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

A reunião entre Lula e a Interpol ocorre num momento em que o governo vem sendo pressionado tanto por Trump como pelos bolsonaristas diante da designação do PCC e do CV como grupos terroristas. Brasília já deixou claro que é contra essa classificação e alerta que a mudança na postura dos EUA pode inclusive abalar a cooperação entre os dois países.

Lula, porém, quer dar uma sinalização de que está comprometido com a luta contra o crime organizado e blindar o país de qualquer ação que possa criar uma desestabilização. Uma ação, mesmo que seja na fronteira, seria considerada como uma ingerência em assuntos domésticos. Outro temor é de que o sistema financeiro seja atingido por sanções.

A mensagem de Lula é de que, para atacar os grupos do narcotráfico, é necessário que a operação de repressão ocorra no “andar de cima” e uma cooperação internacional. Ou seja, no combate contra aqueles que lideram as facções, na lavagem de dinheiro, tráfico de armas e estrutura financeira.

Na pauta, na quarta-feira, estará o combate ao crime organizado em geral, os avanços feitos pela Interpol e a possibilidades de ampliar cooperação.

Tarifaço

No mesmo discurso, nesta terça-feira, Lula usou a reunião do G7 para criticar medidas protecionistas, o neoliberalismo e os gastos militares que estariam desviando dinheiro do combate à pobreza.

O brasileiro se queixou de que as cúpulas não têm conseguido construir “respostas coletivas e duradouras”.  “Ficamos aprisionados em dogmas que defendem desregulamentação de mercados, Estado mínimo e austeridade fiscal como fins em si mesmos”, disse.

Lula ainda atacou o atual modelo econômico. “O neoliberalismo agravou a desigualdade econômica e a crise política que hoje assolam as democracias”, disse.

Outro recado de Lula foi às barreiras criadas por diferentes governos, principalmente os EUA. “Agora, o protecionismo e o unilateralismo ressurgem como respostas falaciosas para a complexidade dos nossos problemas”, alertou.

A frase ecoou, semanas depois de a Casa Branca anunciar a intenção de aplicar duas tarifas contra os bens brasileiros, no total de 37,5%.

Terras raras

O discurso ainda foi marcado por outras mensagens aos países ricos. Para Lula, “outro desafio que não pode permanecer excluído do debate sobre parcerias para o desenvolvimento é o acesso a tecnologias de ponta, como a Inteligência Artificial”.

“As transições energética e digital não podem reproduzir padrões históricos que concentram benefícios econômicos em poucos atores”, insistiu.

“Os países detentores de minerais críticos devem participar das etapas de maior valor agregado da cadeia, por meio da industrialização, da transferência de tecnologia e da formação de capacidades, conforme suas necessidades nacionais”, completou.

Pobreza e gasto com armas

Segundo Lula, a” distância que separa a prosperidade de Évian da realidade enfrentada por bilhões de pessoas no Sul Global não está diminuindo”.

“Nos últimos anos, a desigualdade entre países ricos e pobres tem aumentado”, insistiu. “O primeiro trilionário do mundo é mais rico do que os 46% mais pobres da população mundial. A extrema concentração de riqueza decorre de décadas de políticas pró-bilionários”, disse.

Segundo ele, o mundo caminha na contramão da Agenda 2030. “Faltam 4 trilhões de dólares por ano para cumprir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. A COP-30 voltou a evidenciar a distância entre os compromissos assumidos pelos países desenvolvidos e os recursos efetivamente mobilizados para cumpri-los”, disse.

Ele ainda alertou que, para acelerar a implementação do Acordo de Paris, é preciso ampliar o financiamento climático para, pelo menos, um trilhão e trezentos bilhões de dólares.

“Os desafios se multiplicam, mas a solidariedade internacional encolhe”, criticou. “No ano passado, registramos queda histórica de 23% na Ajuda Oficial ao Desenvolvimento”, afirmou Lula.

Segundo ele, o Programa Mundial de Alimentos perdeu cerca de 40% de seu financiamento.
A Organização Mundial da Saúde e o UNICEF reduziram seus orçamentos em mais de 20%.
“Não são cifras abstratas”, disse.

“Elas impactam diretamente o cotidiano dos habitantes de países em desenvolvimento. São milhões de pessoas sem acesso à alimentação adequada; crianças sem frequentar a escola; mulheres privadas de proteção; e comunidades vulneráveis diante de doenças que podem ser prevenidas”, afirmou.

Para Lula, guerras e conflitos também continuam desviando o foco da agenda do desenvolvimento.  “Os gastos militares anuais somam quase 3 trilhões de dólares. Nossa tarefa é corrigir as desigualdades de um sistema que produz riqueza em abundância, mas que distribui oportunidades de forma profundamente assimétrica”, afirmou.

Lula ainda insistiu sobre a dívida dos países mais pobres. “O mundo em desenvolvimento transfere 1,4 trilhão de dólares por ano em serviço da dívida, valor sete vezes superior à ajuda recebida dos países ricos”, disse.

Para ele, a ajuda ao desenvolvimento segue sendo responsabilidade primordial dos estados e não pode ser repassado ao setor privado e doações. “Precisamos de um sistema financeiro no qual os países não sejam obrigados a escolher entre pagar credores e alimentar suas crianças”, defendeu.

Lula não adere a declarações do G7 sobre parcerias

As críticas do Brasil ainda vieram acompanhadas por uma decisão de não aderir a pelo menos dois documentos negociados pelo G7. Como país convidado para a cúpula, o Brasil não teria possibilidade de influenciar no texto ou vetar trechos. Ainda assim, as autoridades nacionais tinham a possibilidade de aderir aos projetos.

Para o Palácio do Planalto, porém, os documentos não convergem com a posição do país. Num deles, sobre o Ebola, os países do G7 se recusaram a citar o papel da OMS (Organização Mundial da Saúde). O gesto foi adotado para garantir que Donald Trump também assinasse a declaração.

O Brasil tampouco aderiu ao texto que fala de parcerias internacionais. Para o governo Lula, o documento é desequilibrado e não lida com os principais desafios, como o protecionismo dos países ricos e a falta de compromisso dos governos em garantir que 0,7% de seus PIBs sejam destinados para a ajuda internacional.

No documento, os governo do G7 “reafirmam o compromisso com a cooperação internacional em matéria de desenvolvimento e financiamento de investimentos como motor da prosperidade partilhada e destacam a nossa disponibilidade para prestar apoio aos mais vulneráveis”.

Entre os convidados para a reunião, apenas Quênia e República da Coreia apoiaram a declaração. Para o G7, a arquitetura de financiamento do desenvolvimento internacional tem “servido os mais vulneráveis ​​durante décadas”.


Fonte: JAMIL CHADE/ICL NOTÍCIAS - 16/06/2026

Eleições 2026: Lula abre 12,5 pontos de vantagem sobre Flávio Bolsonaro no 2º turno


                           foto:Lula e Flávio Bolsonaro (Foto: Ricardo Stuckert/PR I Andressa Anholete/Agência Senado )
                                    


247 - Lula abre 12,5 pontos de vantagem sobre Flávio Bolsonaro no 2º turno, segundo a 168ª Pesquisa CNT de Opinião, realizada pelo Instituto MDA. No cenário estimulado para uma eventual disputa presidencial entre os dois, o presidente aparece com 49,3% das intenções de voto, contra 36,8% do senador.

De acordo com a Pesquisa CNT de Opinião, brancos e nulos somam 11,2%, enquanto 2,7% dos entrevistados se declararam indecisos. O resultado indica vantagem numericamente ampla de Lula sobre o principal nome testado da oposição no cenário de segundo turno.

O levantamento também mostra que Lula vence todas as simulações de segundo turno apresentadas. Além de Flávio Bolsonaro, foram testados Romeu Zema, Ronaldo Caiado, Renan Santos, Augusto Cury, Joaquim Barbosa e Michel Temer. Em todos os casos, o presidente aparece à frente.

No comparativo direto com Flávio Bolsonaro, Lula reúne quase metade do eleitorado pesquisado. A distância de 12,5 pontos percentuais entre os dois reforça o peso do presidente em uma eleição ainda marcada pela polarização, mas com sinais de redução da adesão ao bolsonarismo, segundo a síntese da própria pesquisa.

O diretor do Instituto MDA, Marcelo Souza, afirma no relatório: “Lula mantém vantagem eleitoral e vence todos os cenários de segundo turno, mas governa em ambiente de opinião pública equilibrado, com aprovação e desaprovação próximas. Flávio Bolsonaro é o adversário mais competitivo entre os nomes testados, ao mesmo tempo em que enfrenta rejeição elevada.”

Dados técnicos: a pesquisa ouviu 2.002 pessoas entre 10 e 14 de junho de 2026. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. A coleta foi presencial domiciliar, e o levantamento está registrado no TSE sob o número BR-04256/2026. 

pesquisa-cnt-mda
Pesquisa CNT/MDA(Photo: Gerado por IA)Gerado por IA


Fonte: BRASIL 247 - 16/06/2026

COPA 2026: CONFIRA OS JOGOS DESTA TERÇA-FEIRA (16)



                                             imagem:reprodução



 CONFIRA OS JOGOS E HORÁRIOS DOS JOGOS DESTA TERÇA-FEIRA (16)

Grupo I
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Grupo I
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