Rafaela Felicciano/Metrópoles
O advogado Willer Tomaz apostou R$ 4,8 milhões na Bet7K, operada pelo grupo Ana Gaming, que foi alvo da Polícia Federal por suspeita de lavar dinheiro do PCC. A Operação Narco Bet aconteceu em novembro de 2025.
Dados do Ministério da Fazenda obtidos pela coluna mostram que Willer depositou inicialmente R$ 1,3 milhão. O dinheiro se tornou movimentação de R$ 4,3 milhões com jogos eletrônicos on-line na Bet7K. Ele sacou R$ 426 mil desse valor. A Bet7K foi patrocinadora do Santos Futebol Clube.
Segundo a investigação, Rodrigo de Paula Morgado, apontado como contador do PCC, articulou o fluxo financeiro que resultou no pagamento de licenças para a Bet7K operar.
Os investigadores identificaram transferências milionárias em criptomoedas, “às margens do sistema financeiro oficial”, envolvendo o contador, a Ana Gaming e Gustavo Afonso Ribeiro e Lacerda, conhecido como “Feio” e “Brabo”, que, segundo a Polícia Federal, é ligado à casa de apostas.
Willer Tomaz é investigado por transações de R$ 1,4 bilhão com apostas
O advogado ligado a Flávio Bolsonaro é investigado pela Polícia Federal por transações de R$ 1,4 bilhão na casa de apostas Blaze.
Os investigadores suspeitam que apostas feitas no site e transferências entre diferentes contas ligadas a Willer tenham sido utilizadas como mecanismo para ocultar a origem e o destino dos recursos.
O advogado alegou na Justiça que tem ludopatia, doença conhecida como vício em apostas, e apontou falhas no funcionamento da Blaze. A justificativa foi apresentada em um processo no qual ele pediu a devolução de R$ 163 milhões da casa de apostas. O caso foi revelado pelo Metrópoles, na coluna de Demétrio Vecchioli.
Na sexta-feira (16/10), a Justiça de São Paulo negou o pedido de devolução do valor. Responsável pela análise do caso, o juiz Guilherme Madeira Dezem, da 44ª Vara Cível de São Paulo, destacou que o próprio advogado teria solicitado condições especiais para realizar apostas de alto valor, incluindo a criação de mesas exclusivas de blackjack.
Em nota à coluna, a defesa de Willer Tomaz disse:
“É leviana e ofensiva a tentativa de associar o advogado Willer Tomaz ao crime organizado pelo simples fato de ter jogado, como cliente, em uma plataforma autorizada pelo Ministério da Fazenda e frequentada por milhões de brasileiros. Ele usou dinheiro próprio e declarado e jamais manteve qualquer vínculo societário ou comercial com a empresa ou com seus controladores. Se há suspeitas sobre a operadora, cabe às autoridades apurá-las. Transferir ao apostador a responsabilidade por eventuais atos da casa de apostas não é jornalismo, é ilação.
A própria reportagem mostra que os “R$ 4,8 milhões” não correspondem a valores aportados. Os números foram extraídos de informações fiscais e financeiras protegidas por sigilo, cuja exposição é ilegal. Willer não admitirá que seu nome seja vinculado a facção criminosa e adotará as medidas judiciais cabíveis.”
Em nota à coluna, a Ana Gaming, responsável pela marca 7K, afirmou:
“A Ana Gaming, responsável pela marca 7K, não se manifesta sobre clientes nem sobre as operações deles. Os dados de apostadores são protegidos por sigilo e pela Lei Geral de Proteção de Dados. Eventuais comunicações ao Coaf também são sigilosas: a Lei nº 9.613/1998 proíbe dar ciência delas a qualquer pessoa, inclusive àquela a quem se referem.
A Ana Gaming reafirma que sempre atuou de acordo com a legislação, com política clara sobre jogo responsável e a regulamentação do setor de apostas. A empresa segue à disposição das autoridades.”
fonte:Tácio Lorran/Metrópoles - 20/10/2026









