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segunda-feira, 21 de setembro de 2026

PF apontou R$ 8,5 bi em precatórios, mas Mendonça focou mensagens sobre Moraes

 

                                                Valter Campanato/foto:reprodução



Por Cleber Lourenço

A Polícia Federal pediu em fevereiro que fossem aprofundadas informações sobre precatórios bilionários de interesse do Banco Master. André Mendonça assumiu depois a relatoria do caso, mas essa frente não avançou. Em agosto, o ministro decidiu aprofundar outro conjunto de mensagens do celular de Daniel Vorcaro, deu 72 horas para a PF fazer a análise e a diligência levou a Alexandre de Moraes.

Documentos revelados agora mostram o que havia na primeira trilha. Ela passa por um contrato de honorários de até R$ 427 milhões relacionado a 12 processos, que somavam cerca de R$ 8,5 bilhões em créditos de interesse de Vorcaro. O escritório contratado era ligado a Camilla Ramos, mulher do desembargador Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1). Nos diálogos encontrados no celular do banqueiro, pessoas desse entorno são chamadas de “Turma do KN”, referência a Kassio Nunes Marques.

A sequência dos documentos permite reconstruir dois caminhos diferentes dentro do mesmo conjunto de investigações. No primeiro, a própria PF identificou a importância dos precatórios e escreveu que o assunto precisava ser aprofundado. No segundo, meses depois, Mendonça selecionou mensagens específicas, determinou uma apuração urgente e recebeu como resultado um relatório que identificou Moraes.

Operação investigação advogado
A PF pediu em fevereiro que fossem aprofundadas informações sobre precatórios bilionários de interesse do Banco Master (Foto: Paulo Pinto / Agência Brasil)

A trilha que a PF pediu para aprofundar

O primeiro caminho aparece em um relatório de 196 páginas concluído por quatro delegados da PF em 9 de fevereiro. A corporação analisou o celular de Vorcaro e chamou atenção para o ARE 1.327.995, processo da Destilaria Alcídia que estava no STF.

O caso discutia indenizações decorrentes da antiga política de controle de preços do setor sucroalcooleiro. Para o Master, entretanto, o julgamento tinha importância muito maior. O banco tinha interesse em uma carteira de mais de R$ 10 bilhões em precatórios que poderia ser afetada pela interpretação adotada pelo Supremo.

Uma mensagem encontrada pela PF ajuda a entender por quê. André Kruschewsky, então diretor jurídico do Master, explicou a Vorcaro que o processo Alcídia poderia servir de “paradigma para nossos casos”. Outros diálogos mostravam integrantes do banco discutindo se deveriam “se movimentar” diante do julgamento.

Ao terminar o relatório, os delegados registraram que essas informações “demandam aprofundamento analítico”. Era, na prática, a indicação de uma frente ainda incompleta da investigação: descobrir melhor como funcionava o interesse do Master nesses processos e as movimentações em torno deles.

Três dias depois, em 12 de fevereiro, Edson Fachin reuniu ministros do STF para tratar das investigações do Master. Mendonça participou remotamente. Após a saída de Dias Toffoli da condução do caso, Mendonça foi sorteado para assumir a relatoria.

A frente dos precatórios apontada pela PF não recebeu, sob sua relatoria, uma ordem de aprofundamento equivalente. Mendonça afirmou posteriormente que o relatório de fevereiro não havia sido formalmente remetido a ele e que os autos relacionados à apuração sobre Toffoli não passaram para sua relatoria.

A trilha que Mendonça decidiu aprofundar

Em agosto, Mendonça tomou uma iniciativa diferente diante de outro trecho do material extraído do celular de Vorcaro. Em vez de uma análise ampla de todas as relações encontradas no aparelho, o ministro determinou que a PF partisse de três mensagens reproduzidas em páginas específicas de um relatório anterior.

A ordem foi dada em 24 de agosto e estabeleceu prazo de 72 horas. Os investigadores deveriam identificar as pessoas relacionadas àquelas mensagens e procurar outras comunicações de Vorcaro com os mesmos interlocutores. Foi esse recorte que levou a Moraes.

Na análise forense, a PF verificou que Vorcaro, segundos depois de produzir determinadas anotações, enviava mensagens para um telefone salvo como “Alexandre de Moraes BRASILIA”. Três dias depois da ordem de Mendonça, em 27 de agosto, a corporação entregou um novo relatório, agora com 218 páginas.

A PF registrou no próprio documento que havia trabalhado dentro das balizas estabelecidas pelo relator e que aquela análise não era exaustiva. Ou seja: o relatório não representava uma investigação completa de tudo o que existia no celular de Vorcaro. Ele respondia ao recorte que Mendonça havia determinado.

É aí que está a diferença entre as duas frentes. Quando a PF apontou os precatórios bilionários e pediu aprofundamento, essa linha ficou sem avanço equivalente. Quando Mendonça selecionou as outras mensagens, estabeleceu prazo e mandou aprofundá-las, a investigação chegou a Moraes.

O que havia do outro lado

A dimensão da frente que ficou para trás começou a aparecer com mais clareza agora. Segundo documentos revelados pelo Metrópoles, o escritório Queiroga, Vieira, Queiroz & Ramos Advocacia tinha um contrato para atuar em 12 processos relacionados a créditos de interesse de Vorcaro.

A remuneração correspondia a 5% dos valores obtidos. Como as causas envolviam aproximadamente R$ 8,5 bilhões, os honorários poderiam alcançar R$ 427 milhões.

Camilla Ramos, mulher do desembargador Newton Ramos, estava ligada ao escritório. Ela e Gabriel Ramos, filho do magistrado, já haviam atuado em causas envolvendo cerca de R$ 1,6 bilhão em precatórios de interesse do Master no TRF-1.

As mensagens encontradas no celular de Vorcaro acrescentam outro elemento. Pessoas próximas ao banqueiro se referiam ao grupo como “Turma do KN”. Segundo o Metrópoles, Newton aparece em diálogos atualizando Vorcaro sobre processos e transmitindo pedidos atribuídos a Nunes Marques, inclusive um relacionado a hospedagem no hotel Fasano.

Nunes afirma que nunca trocou mensagens com Vorcaro e nunca pediu benefícios ao banqueiro. Newton já declarou que não julgou causas de interesse do Master e que se considera impedido em processos envolvendo familiares.

Nunes entrou em julgamento acompanhado pelo Master

O processo Alcídia conecta diretamente essa rede de relações aos precatórios que a PF havia destacado em fevereiro. Em fevereiro de 2024, o julgamento estava empatado em 2 a 2 na Segunda Turma do STF. Edson Fachin e Dias Toffoli tinham uma posição; André Mendonça e Gilmar Mendes, outra. Nunes Marques aparecia oficialmente como impedido.

Em 7 de março, Nunes retirou o impedimento. Disse que o registro havia sido lançado por engano no sistema e declarou-se apto a participar. Em setembro, pediu vista. Em 1º de outubro, integrou com Fachin e Toffoli a maioria de 3 a 2 que rejeitou o recurso da União.

Integrantes do Master acompanhavam o julgamento. Depois do resultado, Luiz Rennó escreveu a Vorcaro: “Ganhamos alcidia” e informou o placar. Quatro minutos mais tarde, encaminhou novamente o contato de Kevin Marques, filho de Nunes, acompanhado da frase “Dominado aqui”.

A PF não estabeleceu o significado da expressão. Nunes sustenta que o processo não era uma ação do Banco Master, mas uma disputa da Destilaria Alcídia cuja tese poderia alcançar diferentes empresas, e rejeita qualquer associação entre seu voto e interesses de Vorcaro.

O nome de Kevin aparece também em movimentações financeiras identificadas pelo Coaf. O Master transferiu R$ 6,632 milhões para a Consult Inteligência Tributária entre agosto de 2024 e julho de 2025, e a empresa repassou R$ 282 mil ao filho de Nunes. Kevin diz que o dinheiro corresponde a serviços tributários prestados à Consult, que nunca trabalhou para o Master e que nunca recebeu recursos de Vorcaro.

KN pode agora julgar a atuação de Mendonça

A diferença entre as duas frentes da investigação ganha uma consequência imediata dentro do próprio Supremo. Nunes Marques avalia participar da discussão sobre a atuação de Mendonça na condução do caso Master.

No julgamento de 15 de setembro envolvendo o procedimento sobre Moraes, Nunes declarou-se impedido. A justificativa passou por sua condição de presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e pelas possíveis repercussões político-eleitorais do caso.

Agora, interlocutores do ministro sustentam que aquele impedimento não necessariamente se estende à discussão sobre Mendonça. Nunes ainda não decidiu se participará.

Se entrar no julgamento, estará diante de uma discussão sobre a forma como Mendonça conduziu as investigações do Master depois de assumir a relatoria: uma condução em que a frente dos precatórios apontada pela PF para aprofundamento ficou para trás, enquanto o recorte escolhido em agosto recebeu prazo de 72 horas e terminou levando a investigação a Alexandre de Moraes.


Fonte: ICL NOTÍCIAS - 21/09/2026

Eleições 2026: Lula 37% e Flávio Bolsonaro 33% na nova pesquisa da Quaest no 1º turno

                                                  foto:reprodução



 Pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira (21) mostra Lula (PT) com 37% das intenções de voto no 1º turno, e Flávio Bolsonaro (PL), com 33%. O levantamento foi encomendado pela Globo e pelo jornal O Globo.


Há uma semana, Lula (PT) tinha 36%, e Flávio Bolsonaro (PL), 31%. A Quaest ouviu 2.004 pessoas de 16 anos ou mais entre os dias 17 e 20 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança de 95%. O número de registro da pesquisa é BR-06004/2026.  Informações do G1 em 21/09/2026.

Empresários de escândalo do INSS citam relação com ex-ministro de Bolsonaro para viabilizar negócio

                                                foto do dia da posse dele no ministério em 2022. 



Empresários de fraude do INSS citam relação com ex-ministro de Bolsonaro para viabilizar entidade suspeita. Em vídeo obtido pelo ‘Estadão’, suspeitos de descontos indevidos de mais de R$ 700 milhões sobre aposentados citam pedido de ajuda a José Carlos de Oliveira. O ex-ministro, indiciado pela PF pelo esquema, nega relação com empresários.⁣ 

Veja o vídeo no instagram do Estadão: https://www.instagram.com/p/DdjwQwoFEOk/

EUA: Lula diz que Trump “é um perigo para o mundo” durante entrevista à CNN americana



                                           foto:reprodução



presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou o modelo de governança adotado por Donald Trump à frente da Casa Branca em seu segundo mandato. Para Lula, o presidente dos EUA “enfraquece o multilateralismo” ao privilegiar a lei do mais forte, o que coloca o mundo todo em risco.

As declarações do presidente Lula foram dadas nesta segunda-feira (21), durante entrevista à jornalista Christiane Amanpour, da CNN americana. O petista está em Nova York, nos EUA, onde discursa na abertura da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) nesta terça-feira (22), a partir das 10h (horário de Brasília).

Para Lula, o unilateralismo defendido por Trump coloca o mundo todo em risco:

“Isso é muito perigoso porque sempre há a

 

possibilidade… o mais forte [prevalece]…

 

A melhor maneira de manter o mundo em

 

harmonia é fortalecer o multilateralismo.”

Em outro momento, o presidente brasileiro deixou claro que não concorda 

com o modelo de governo de Trump:

“Ele tem uma maneira de governar…

 

‘Eu sou o mais poderoso, eu sou o mais rico,

 

eu posso fazer tudo e todos os outros

 

têm que obedecer’… Eu não concordo com isso.”

Durante a conversa com Amanpour, Lula reforçou que Trump foi eleito para governar os EUA, e não o mundo todo:

“O presidente Trump foi eleito para ser o

 

presidente dos EUA. Ele tem o direito de

 

governar. Mas ele não tem o direito de governar

 

outros países. Ele não tem o direito de impor

 

sua vontade. Eu gosto de ser respeitado e de

 

mostrar respeito.”

Amanpour questionou Lula sobre a disputa acirrada contra Flávio Bolsonaro, e o presidente brasileiro afirmou que o país terá de escolher entre a democracia e a barbárie:

“O que está em jogo hoje é uma escolha, de que

 

ou temos democracia, ou temos barbárie […]

 

vamos vencer as eleições mais uma vez.”

Lula também criticou o sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro e a perda de soberania da Venezuela:

“É muito grave o que os EUA fizeram com

 

a Venezuela. A soberania do país acabou.

 

Isso não é bom. Não é bom para os EUA,

 

não é bom para a Venezuela e também não

 

é bom para a democracia.”

“NOSSO SENADOR”: FLÁVIO BOLSONARO MANDOU EMENDA A MILICIANO DO CASO MARIELLE


                                      foto:reprodução


Em 2023, Flávio Bolsonaro enviou no Senado uma emenda parlamentar de 200 mil reais para um projeto em área de milícia, a pedido de um dos homens presos por envolvimento no assassinato de Marielle Franco. 


A piauí teve acesso a mensagens em que Robson Calixto Fonseca, conhecido como Peixe, solicita a uma secretária parlamentar do gabinete do senador, hoje presidenciável pelo PL, dinheiro para um projeto de futebol infantil tocado por uma ONG na Zona Sudoeste do Rio, reduto eleitoral dos irmãos Brazão, condenados como mandantes do homicídio.

Peixe é um nome central do caso Marielle. Ronnie Lessa, assassino confesso da vereadora do Psol e do motorista Anderson Gomes, afirmou em sua colaboração premiada que foi Peixe quem o apresentou aos mandantes do crime, e também quem providenciou a submetralhadora HK MP5 usada nas mortes. Peixe negou tudo, mas acabou condenado, em fevereiro passado, por agir como braço operacional da organização criminosa armada dos Brazão, ao lado de Edmilson da Silva Oliveira, o Macalé. Pegou pena de nove anos de reclusão e perdeu o cargo de policial militar reformado. 

De acordo com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Rio, os cargos que Peixe ganhou de Domingos Brazão na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro e no Tribunal de Contas davam “ares de legalidade e legitimidade” ao papel que de fato exercia: o de elo entre os irmãos e os milicianos da região de Jacarepaguá, entre eles Marcos Vinícius Reis dos Santos, o Fininho. A denúncia registra que ele atua em atividades típicas de milícia, pelo menos desde 2018, na Taquara, bairro que a CPI das Milícias descreveu como território de grupos armados que extorquiam moradores. 

Os investigadores descobriram que, em setembro de 2023, Peixe teve tratativas sobre a construção de imóveis em loteamentos na Estrada da Boiúna, na Taquara. Um mês depois, ele pediu dinheiro público ao gabinete do senador Flávio Bolsonaro para o projeto social de uma ONG localizada no bairro. O pedido deu início a uma sequência de conversas que se estenderiam por cinco meses.

Dois dias depois de solicitar o aporte por emenda orçamentária, Peixe recebeu da assessora do senador um convite para uma cerimônia do gabinete no Rio de Janeiro e foi orientado a aproveitar a ocasião para reforçar pessoalmente a demanda com Flávio, levando junto o deputado Chiquinho Brazão. As conversas entre os dois se deram por cinco meses, incluíram um telefonema iniciado por ela e só terminaram dois dias antes de a Polícia Federal prender Peixe e os irmãos Brazão. No celular dele, o número da assessora estava salvo como “Fafa Flávio Bolsonaro”. 

Aprimeira da série de mensagens (que serão reproduzidas aqui em sua digitação original, sem correções) recuperada pela PF é de 24 de outubro de 2023. Às 14h43, Peixe escreveu: “Amiga vê com o nosso Senador se consegue nos ajudar.” Do outro lado está o contato que Peixe salvou em seu telefone como “Fafa Flávio Bolsonaro”, identificado nos autos da PET 15749 como Maria de Fátima Bezerra Castro, assessora parlamentar lotada no gabinete do senador Flávio Bolsonaro em Brasília. O relatório da investigação a descreve como interlocutora direta de Peixe no gabinete do senador.

Quatro minutos depois, ela respondeu: “Manda a solicitação meu amigo.” Logo em seguida, ela explicou que ele deve enviar “um e-mail ou um ofício”. Às 15h56, Peixe encaminha um documento intitulado “Ofício nº 002-2023 - Senador Flávio Bolsonaro.pdf”. A Polícia Federal recuperou o nome do arquivo, mas não o conteúdo. Às 16h41, ela pergunta: “quando vem a brasilia?” Ele responde que vai em novembro, e emenda: “será que consegue nos ajudar com alguma coisa?”

Dois dias depois, foi ela quem tomou a iniciativa. Às 12h33 de 26 de outubro, escreveu: “O deputado brazão, vc ainda tá com ele?” Peixe respondeu numa palavra: “Positivo.” Nove minutos mais tarde, Fafá orientou: “Vc vai tbm e já reforça o pedido com senador.” Em seguida, ela colou no WhatsApp o convite institucional do gabinete para uma cerimônia de entrega de 396 coletes balísticos à Polícia Militar do Rio, com os telefones do gabinete ao final. E completou: “Leva o deputado.” Naquela época, Chiquinho Brazão era deputado federal. Faltavam cinco meses para sua prisão.

O relatório da investigação destaca justamente essa sequência: o convite permitiria que Peixe reforçasse pessoalmente o pedido de recursos e, “poucos dias” depois, veio a destinação da emenda parlamentar.

Em 30 de outubro, Peixe cobrou: “Boa tarde, tudo bem, tem notícias boas?” Não há resposta registrada. Uma semana depois, às 9h56 de 6 de novembro, ele insistiu, agora com mais precisão: “Bom dia, amiga não esquece do Ifop não, vê se o Senador consegue nos agraciar, para não terminar o nosso projeto.” A resposta chega às 10h13, e são duas palavras: “Pode deixar.”

O Ifop é o Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio, com sede na Taquara. Em 29 de novembro de 2023, 23 dias depois dessa resposta, o instituto recebeu 199.999,79 reais. O dinheiro veio da Emenda Parlamentar nº 92190012-2023, de autoria de Flávio Bolsonaro, cujo valor global é de 599.128 reais. Os outros 399.128 reais foram por “Emenda Pix” ao município de Barra do Piraí. A parcela destinada ao Ifop passou pelo Ministério do Esporte e originou o Termo de Fomento nº 941246/2023, para o projeto Jogadores do Futuro.

Em 12 de dezembro, Fafá escreveu a Peixe: “Tudo bem?” Três minutos depois, complementa: “A tardinha te ligo ok.” Ele responde: “Vou ficar no aguardo.” Ela ligou no dia seguinte, às 21h56. Falaram dois minutos e dezesseis segundos.

Na manhã de 6 de janeiro de 2024, um sábado, a secretária parlamentar voltou a procurar o miliciano: “Tudo bem?” Peixe respondeu à tarde: “Tudo ótimo.” E emendou: “E vc?” Às 21h18, seis horas depois, vem o pedido: “Joinha!!! Já estou te perturbando rsrsrs será que consegue 4 ingressos pro desfile das campeãs no camarote Arpoador?”

Peixe foi atrás. Em 6 de fevereiro, procurou outro interlocutor para providenciar os convites e especificou que seriam quatro ingressos para o “Sábado das Campeãs”. Cinco dias depois, às 8h11 da manhã, agradeceu: “Bom dia, muito obrigado, entregaram ontem os 4 camarotes.”

O relatório da investigação classificou o pedido feito pela assessora como uma solicitação de “vantagem indevida”. As mensagens recuperadas mostram que Peixe providenciou quatro ingressos com as características pedidas por ela, mas não registram a entrega dos bilhetes à própria Fafá.

Enquanto isso, os 199.999,79 reais seguiam seu curso. O Relatório Técnico nº 1/2025-TCU/SEINC/ADJ, do Tribunal de Contas da União, examinou as contratações feitas com o recurso e apontou uma série de irregularidades. Uma delas estava no contrato de coordenação do projeto esportivo, firmado com um escritório de advocacia cujo responsável, José Rômulo Oliveira Alves, era o próprio presidente do Ifop. A assinatura dele consta nos dois lados do papel, como representante do contratante e do contratado. A atividade econômica registrada pela empresa na Receita Federal é a prestação de serviços advocatícios, sem relação com coordenação de projeto esportivo. 

Os técnicos do TCU classificaram a situação como “no mínimo, inusitada” e apontaram conflito de interesses: o dirigente da entidade atuava simultaneamente como gestor do dinheiro público e beneficiário indireto da contratação.

O Ifop disse à piauí que a contratação de pessoal próprio é algo previsto no marco regulatório das Organizações de Sociedade Civil (OSC) e que contestará as conclusões do TCU.

Sobre as cotações de preços, o relatório do TCU foi ainda mais incisivo. A combinação de ausência de concorrência, participação exclusiva de empresa alheia ao ramo, coincidência exata entre os preços propostos e os valores de referência e ausência de qualquer redução constitui, segundo os técnicos, evidência robusta de que o procedimento foi conduzido para conferir aparência de regularidade formal. O Ifop, registra o relatório, limitou-se a distribuir o valor total recebido entre fornecedores e prestadores, sem demonstrar qualquer preocupação com economia ou eficiência na aplicação dos recursos públicos.

No telefone de onde saíram as mensagens, apreendido na mesma ação que prendeu Peixe, há uma mensagem que diz: “Consultamos as destinações parlamentares e não tinha nada do nosso Senador, porém estamos no aguardo.”

Era a segunda vez, em cinco meses, que ele chamava Flávio Bolsonaro de “nosso Senador”.

A emenda ao Ifop não foi um episódio isolado. Segundo apuração da Polícia Federal revelada pelo jornal O Globo em maio deste ano, Peixe intermediava a captura de recursos de emendas parlamentares para uma rede de ONGs ligadas ao grupo dos Brazão, que recebeu 268 milhões de reais em emendas entre 2020 e 2024. As verbas foram depois usadas para bancar despesas do grupo, como a compra de vinte bicicletas distribuídas num evento de campanha de um sobrinho de Chiquinho Brazão e um depósito de 100 mil reais na conta de uma empresa cuja única sócia é filha de Peixe. 

Não é a primeira vez que o nome de Flávio Bolsonaro aparece ao lado do de um miliciano do Rio de Janeiro. Em 2003, então deputado estadual, ele apresentou na Assembleia Legislativa uma moção de louvor a Adriano da Nóbrega, ex-capitão da Polícia Militar. Em 2005, foi autor do Projeto de Resolução nº 1.067, que concedeu ao mesmo Nóbrega a Medalha Tiradentes, a mais alta honraria do Legislativo fluminense, aprovado em agosto daquele ano. Na ocasião, Adriano estava preso preventivamente havia cerca de um ano e meio, acusado do homicídio de um guardador de carros. Anos depois, o Ministério Público o apontaria como o líder da milícia de Rio das Pedras e Muzema e também do Escritório do Crime. Ele foi morto em fevereiro de 2020, na Bahia, após mais de um ano foragido.

A relação passou também pela folha de pagamento. Danielle Mendonça da Costa da Nóbrega, então mulher de Nóbrega, foi assessora no gabinete de Flávio na Alerj entre 2007 e novembro de 2018. Raimunda Veras Magalhães, mãe do ex-capitão, ocupou cargo no mesmo gabinete entre 2016 e novembro de 2018. Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio e antigo colega de Adriano na Polícia Militar, afirmou ter sido o responsável pelas duas indicações. Foi Queiroz quem deu nome ao caso das rachadinhas, arquivado em 2022 depois que o Superior Tribunal de Justiça e o Supremo anularam provas obtidas na investigação. 

Em agosto deste ano, já candidato, Flávio foi questionado sobre a medalha em sabatina da TV Globo com presidenciáveis, e respondeu que a homenagem era ao Bope, não ao ex-capitão, e que Adriano estava sendo falsamente acusado à época. 

Procurados pela piauí, Flávio Bolsonaro, Robson Calixto Fonseca e Maria de Fátima Bezerra Castro não responderam. 

O Ifop disse que “nunca” fez contato direto com Flávio, mas que a “assessoria especializada em gestão de projetos e apresentação” aos parlamentares esteve em “todos os gabinetes dos parlamentares, tanto do Senado, quanto da Câmara”. A entidade afirma que os recursos obtidos por emendas vêm desses projetos apresentados, e não do relacionamento com deputados e senadores específicos.

Fonte: Breno Pires, de Brasília/revista piauí/reprodução - 21/09/2026 ás

18h.

EUA: Logo vamos desvendar mistério de como Dark Horse foi financiado, diz presidente Lula a CNN


                                       Foto:reprodução


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse, em entrevista à âncora da CNN Christiane Amanpour nesta segunda-feira (21), que desvendará em breve como o longa-metragem Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), foi financiado.

"Tem dinheiro [do Brasil] que está vindo para cá e para lá e logo nós vamos desvendar esse mistério de como o Dark Horse foi financiado", afirmou o chefe do Planalto. Informações do CNN do Brasil.


EUA: 'O senhor foi nossa inspiração', diz prefeito de Nova York a Lula

 

                
                              Lula e Zohran Mamdani, prefeito de NY, trocam camisas de futebol/Imagem: Divulgação/Ricardo Stuckert


Sorridentes, o presidente brasileiro, Lula, e o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, trocaram abraços e camisas (do Corinthians e da cidade de NY) no começo da tarde de hoje, na cidade americana. "Foi uma honra mostrar a ele como foi uma inspiração para muitos de nós para defender os trabalhadores, os que vivem em dificuldade. O senhor tem sido uma fonte de inspiração para todos nós", disse Mamdani a Lula, que agradeceu ao presidente em português. "Obrigado".

Confira a reportagem completa no link abaixo do site UOL desta segunda-feira (21):

https://noticias.uol.com.br/colunas/mariana-sanches/2026/09/21/lula-se-reune-com-prefeito-de-nova-york.htm


EUA: Principais emissoras de TV boicotam cobertura de Trump após veto à CNN


                                         foto: BRENDAN SMIALOWSKI/AFP



As principais redes de televisão dos Estados Unidos decidiram suspender a cobertura conjunta da agenda do presidente Donald Trump na Casa Branca, em resposta à decisão de barrar a entrada de jornalistas da CNN, da MS NOW e do Politico na sede do governo em Washington, na última sexta-feira (18).

A decisão foi anunciada nesta segunda-feira (21) pela ABC, CBS, NBC e Fox News, que se revezavam com a CNN na produção e distribuição de imagens dos compromissos públicos do presidente. O sistema, conhecido como “pool”, permite que uma emissora escalada registre os eventos e compartilhe o material com os demais veículos.

Em comunicado conjunto, as emissoras afirmaram que o público tem interesse em receber informações independentes e precisas sobre o governo e que nenhuma administração deveria restringir uma organização jornalística por discordar de sua cobertura.

A Fox News é aliada do governo Trump. Em comunicado divulgado pela CNN Internacional e pelo jornal “The New York Times”, o chefe da emissora em Washington, Bryan Boughton, respaldou o boicote.

“Informamos que, a partir de hoje, o pool de emissoras de TV não fará a cobertura de eventos designados como cobertura em ‘pool’ do Presidente”, escreveu Boughton.

Na última sexta, o presidente acusou os três veículos de publicar o que chamou de “fake news” – sem nenhuma prova comprovada – e afirmou que outras empresas de comunicação poderiam ser alvo de medidas semelhantes.

No sábado (19), jornalistas dos três veículos tiveram as credenciais apreendidas ao tentar entrar na Casa Branca. As organizações afirmaram que a medida viola a Primeira Emenda da Constituição dos EUA, que protege a liberdade de expressão e de imprensa.

Ação na Justiça

Nesta segunda, CNN, MS NOW e Politico entraram com uma ação contra o governo Trump em um tribunal federal de Washington. Os veículos pedem uma ordem judicial temporária para recuperar o acesso à Casa Branca enquanto o processo é analisado.

Na ação, as empresas afirmam que o governo não pode determinar quais veículos podem ou não cobrir o presidente com base em suas reportagens. Os grupos também questionam a ausência de aviso prévio e de oportunidade para contestar a decisão.

Trump negou que mire a liberdade de imprensa e afirmou que sua intenção foi combater as “fake news”, que, segundo ele, são espalhadas pelos veículos de imprensa banidos da Casa Branca.

“A Casa Branca não está promovendo um ataque à imprensa livre, algo que eu valorizo. Ela está promovendo um ataque às FAKE NEWS, algo que cresceu como um câncer em nossos amados Estados Unidos da América. Elas são corruptas, intencionais, disseminadas, totalmente coordenadas e completamente fora de controle. São uma ameaça à nossa segurança nacional e precisam ser detidas, AGORA!”, afirmou Trump, em sua rede social Truth Social.

A CNN estava escalada para realizar, nesta segunda-feira, a cobertura televisiva conjunta da agenda de Trump. A emissora também acompanharia o presidente durante uma viagem a Nova York para a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).

Com o veto à CNN, a Casa Branca retirou a emissora do grupo responsável pelo compartilhamento das imagens. Sendo assim, as demais redes decidiram não assumir a função em substituição à CNN.

Ao longo do fim de semana, veículos de comunicação criticaram, em editoriais, a decisão de Trump, acusando o presidente dos EUA de cercear a liberdade de imprensa, prevista na Constituição dos Estados Unidos.

Histórico de censura

A decisão da última sexta-feira (18) não é inédita no governo Trump. Em 2025, a Casa Branca restringiu o acesso da Associated Press (AP) a eventos no Salão Oval e a voos no Air Force One, após a agência manter o uso do nome “Golfo do México”, em vez da denominação “Golfo da América” adotada por Trump.

A AP contestou a restrição na Justiça. O caso chegou a um tribunal federal de apelações, que decidiu a favor do governo Trump e manteve a possibilidade de a Casa Branca limitar o acesso da agência aos eventos presidenciais. Apesar da decisão ser questionada, o tribunal de apelações decidiu a favor de Trump.

Ainda no ano passado, o presidente chamou de ilegais e corruptos os meios de comunicação que o criticam e atacou também dois dos canais alvos da nova proibição.

“Acredito que a CNN e a MSNBC, que escrevem literalmente 97,6% de coisas ruins sobre mim, são braços políticos do Partido Democrata”, afirmou à época diante de promotores e agentes de segurança, quando ele também criticou o que chamou de perseguição.

Na ocasião, Trump classificou os veículos como “corruptos e ilegais” e afirmou que as práticas adotadas por eles seriam contrárias à lei. O presidente também acusou os veículos de exercer influência sobre juízes, alegando que essa atuação estaria interferindo na legislação.

Segundo o republicano, os meios de comunicação “estão mudando a lei, e simplesmente não pode ser legal. Não creio que seja legal. E o fazem em total coordenação entre si”, declarou.

Trump mantém um histórico de confrontos com a imprensa desde seu primeiro mandato, entre 2017 e 2021. Na época, o republicano atacou repetidamente jornalistas e veículos de comunicação, chegando a classificá-los como “inimigos do povo” e acusá-los de produzir “fake news”.

Após retornar à Casa Branca, em 2025, Trump passou a interferir diretamente na definição dos jornalistas que têm acesso ao presidente, rompendo com um modelo que, durante anos, ficou sob responsabilidade de uma associação independente de correspondentes. Tradicionalmente, a entidade organizava um sistema rotativo para garantir que diferentes veículos pudessem acompanhar a agenda presidencial. A nova administração modificou esse formato e reservou também um espaço na sala de coletivas para as chamadas “novas mídias”, como podcasts, newsletters e veículos digitais.

A mudança foi apresentada pela Casa Branca como uma forma de atualizar a cobertura presidencial diante das novas tecnologias. Críticos, porém, questionaram o novo modelo por considerar que ele poderia ampliar a influência do governo sobre a escolha dos veículos autorizados a participar dos eventos presidenciais, que naturalmente, são favoráveis ao seu governo.


Fonte: ICL NOTÍCIAS - 21/09/2026