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O dólar sobe nesta quinta-feira (22), com investidores à espera da pesquisa Datafolha para o segundo turno da eleição presidencial, que será divulgada nesta noite, e mais cautelosos diante de um cenário de disputa tecnicamente empatada.
A alta do petróleo também preocupa os investidores, diante do risco de pressão inflacionária e de seus possíveis efeitos sobre a curva de juros.
Às 14h35, a moeda norte-americana subia 0,39%, cotada a R$ 5,046. No mesmo horário, os juros futuros também avançavam, com a taxa DI para 2028 subindo 12,94%, alta de 17 pontos-base, e a taxa DI para 2030 avançando 16 pontos-base, a 12,745%.
A Bolsa, por outro lado, recuava 1,18%, a 204.040 pontos, com setores varejistas e bancários no negativo.
No cenário doméstico, a disputa pela Presidência se mantém no radar dos investidores com a proximidade do segundo turno, marcado para domingo (25). Uma nova pesquisa Datafolha está prevista para esta quinta-feira.
Os levantamentos têm apontado uma redução da diferença entre Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT). Na véspera, a pesquisa Quaest mostrou o senador com 45%, ante 44% do presidente. Os dois estão tecnicamente empatados.
A margem de erro é de dois pontos percentuais. Na semana passada, Flávio tinha 46%, e Lula, 44% das intenções de voto. O último levantamento antes do segundo turno, marcado para domingo (25), será publicado no sábado (24).
A candidatura de Flávio é associada à perspectiva de um ajuste fiscal mais rigoroso, um dos fatores apontados para a valorização recente da Bolsa e do real.
A expectativa de maior controle da dívida pública tende a reduzir o prêmio de risco exigido pelos investidores para financiar o governo, aliviando a curva de juros futuros. Taxas menores, por sua vez, podem reduzir o custo do crédito para as empresas e melhorar as perspectivas de lucro, favorecendo o mercado acionário.
No pregão seguinte ao primeiro turno, o Ibovespa superou pela primeira vez a marca dos 200 mil pontos. O dólar recuou para menos de R$ 5, e os juros futuros caíram mais de 100 pontos-base ao longo da semana seguinte à votação.
Os últimos pregões, contudo, mostram uma reversão desse otimismo. Apesar de Flávio ainda aparecer numericamente à frente, a redução da diferença para Lula tem levado investidores a reavaliar o cenário eleitoral. "A proximidade do segundo turno e a expectativa por novas pesquisas eleitorais reforçam a cautela e a realização de lucros", afirma Leonardo Mendes, economista e consultor financeiro da Manchester Investimentos.
Para Mendes, o desempenho do mercado brasileiro também reflete riscos internacionais e a perspectiva de uma mudança na condução econômica. "Nos EUA, há maior pressão sobre as empresas de tecnologia, diante dos questionamentos sobre o retorno dos investimentos bilionários em inteligência artificial. Em paralelo, a alta do petróleo reacende preocupações inflacionárias e pode dificultar o processo de flexibilização monetária americana".
Durante o pregão desta quinta-feira, o petróleo volta a ser destaque após ataques ao aeroporto de Dammam, no leste da Arábia Saudita, deixarem dois mortos e oito feridos, segundo autoridades do país.
A esse episódio soma-se uma orientação da petrolífera estatal saudita Aramco para que seus funcionários deixem a sede da empresa, em Dhahran. A informação foi obtida pela Reuters.
Um porta-voz militar houthi também afirmou que o grupo havia lançado ataques contra instalações da Aramco em Yanbu, no Mar Vermelho, e contra o Ministério da Defesa saudita, na capital, Riad. As autoridades sauditas não confirmaram as ofensivas.
Por volta das 14h40, o petróleo Brent avançava a US$ 112,50 (em alta de 3,38%). Na máxima, o preço da commodity chegou a US$ 112,68, no maior valor desde maio.
Para Bruno Cordeiro, analista de inteligência de mercado da StoneX, a movimentação reforça as expectativas de uma possível escalada das tensões entre Irã, Estados Unidos e Arábia Saudita nas próximas semanas, o que impulsiona os preços. "As cotações reagem ao risco de danos à infraestrutura logística e produtiva de petróleo na região".
A guerra no Oriente Médio já provoca a interrupção parcial do fluxo da commodity pelo estreito de Hormuz. Antes do conflito, a passagem concentrava cerca de 20% do consumo mundial de petróleo.
Os novos episódios ampliam os temores de que o abastecimento regional sofra novas restrições. Esse cenário pressiona a inflação e preocupa os bancos centrais, que avaliam os efeitos da guerra sobre a política monetária.
Juros mais altos tendem a favorecer ativos de renda fixa, considerados mais seguros, e a reduzir a atratividade das ações. A maior aversão ao risco também prejudica os mercados emergentes.
Por outro lado, a alta do petróleo favorece as receitas e a rentabilidade das petroleiras, o que pode beneficiar as ações dessas empresas e dar sustentação ao mercado brasileiro.
Tanto o cenário eleitoral quanto a alta do petróleo influenciam os juros futuros e pressionam as taxas. A perspectiva de manutenção da atual condução econômica, associada por analistas à candidatura de Lula, eleva a percepção de risco fiscal. Já o encarecimento da commodity aumenta as preocupações com a inflação e pode limitar o espaço para cortes na taxa básica de juros.
fonte:Folhapress - 22/10/2026