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sábado, 19 de julho de 2025

Mundo: Israel abre fogo perto de centro de ajuda em Gaza, e hospital fala em 32 mortos


                                            foto:reprodução/internet


Tiros de soldados israelenses mataram pelo menos 32 pessoas que se dirigiam a um posto de distribuição de ajuda humanitária na Faixa de Gaza na madrugada deste sábado (19), segundo o Ministério da Saúde do território palestino, controlado pelo Hamas, e o Hospital Nasser, em Khan Younis.

 

Casos do tipo viraram rotina desde que a FHG (Fundação Humanitária de Gaza), sistema de distribuição de ajuda apoiado por Israel e Estados Unidos, começou a operar, em maio.
 

Na última terça-feira (15), o escritório de direitos humanos da ONU em Genebra informou ter registrado pelo menos 875 assassinatos nas últimas seis semanas nos arredores dos pontos de ajuda em Gaza -a maioria deles perto de locais de distribuição da FHG.
 

Israel diz ter feito tiros de advertência contra suspeitos que se aproximaram de suas tropas após elas não atenderem a chamados para parar, a cerca de um quilômetro de um posto que não estava ativo naquele momento.
 

Um morador de Gaza, Mohammed al-Khalidi, contesta a versão. Ele disse à agência de notícias Reuters que estava no grupo que se aproximava do local e não ouviu nenhum aviso antes do início dos disparos. "Pensamos que eles tinham vindo para nos organizar para que pudéssemos obter ajuda, mas de repente vi os jipes vindo de um lado e os tanques do outro e eles começaram a atirar em nós", afirmou.
 

Outra testemunha contou à agência de notícias AFP que, antes do amanhecer, seguia com cinco parentes a um desses centros no sul de Khan Younis para buscar comida quando soldados israelenses começaram a atirar. "Meus familiares e eu não conseguimos nada", disse Abdul Aziz Abed, 37. "Todos os dias vamos lá e só recebemos balas."
 

Já a FHG afirmou que não houve incidentes ou mortes no local no sábado e que tem alertado repetidamente as pessoas para não se deslocarem aos seus pontos de distribuição à noite. O Exército disse estar revisando o incidente.
 

A fundação, que utiliza empresas privadas de segurança e logística dos EUA para levar suprimentos a Gaza, começou a distribuir alimentos para os palestinos no fim de maio, quando já enfrentava críticas a respeito de seus procedimentos. Às vésperas do início da operação, o próprio chefe da fundação naquele momento, Jake Wood, abandonou o cargo sob a justificativa de que a organização não conseguiria aderir aos "princípios humanitários de humanidade, neutralidade, imparcialidade e independência".
 

O caos na entrega de alimentos foi previsto pela ONU e por outras entidades que atuam no território palestino e que se recusaram a colaborar com o órgão devido ao seu modo de funcionamento, considerado pouco transparente.
 

Antes da operação, autoridades israelenses disseram que iriam verificar se as famílias atendidas tinham envolvimento com o Hamas antes de distribuir a comida -Tel Aviv afirma que o sistema anterior, liderado pelas Nações Unidas, permitiu que membros do grupo terrorista saqueassem carregamentos de ajuda humanitária destinados a civis, o que a facção nega.
 

Devido às restrições impostas por Israel no território palestino, a imprensa internacional não consegue verificar as informações de forma independente.
 

Resoluções da Assembleia-Geral da ONU determinam que a ajuda deve se guiar apenas pela necessidade das pessoas afetadas, sem qualquer distinção religiosa, política ou ideológica, e deve ser supervisionada por uma parte neutra.
 

De acordo com projeção da Classificação Integrada da Fase de Segurança Alimentar (IPC), iniciativa apoiada pela ONU, 100% da população em Gaza está em risco de insegurança alimentar, e 470 mil estão em "níveis catastróficos" de fome. No primeiro semestre deste ano, o território foi submetido a 11 semanas de bloqueio total por Israel.
 

"Alertamos que centenas de pessoas, cujos corpos estão completamente emagrecidos, estão agora em perigo iminente de morte", disse Sohaib Al-Hums, médico e diretor do hospital de campanha do Kuwait na área de Al Mawasi, em Khan Yunis. Ele afirmou que suas equipes atendem casos de "exaustão extrema" e "desnutrição grave" devido à privação prolongada de alimentos.
 

Além das mortes perto dos centros de distribuição, pelo menos mais 18 pessoas foram mortas em outros ataques israelenses em Gaza neste sábado, disseram autoridades de saúde do território. O Exército afirmou ter atingido depósitos de armas e postos de tiro de militantes em alguns locais do enclave.
 

A guerra começou após um ataque terrorista liderado pelo Hamas no sul de Israel que matou 1.200 pessoas e fez 251 reféns em outubro de 2023. A guerra de retaliação já matou cerca de 58 mil palestinos, segundo autoridades de Gaza, controlada pelo Hamas, deslocou quase toda a população e mergulhou o território em uma crise humanitária sem precedentes, deixando grande parte da região em ruínas.


FONTE: Por Folhapress 19/07/2025

R$ 2 mi enviados por Bolsonaro estão ligados a ações de Eduardo nos EUA, diz PF

 

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cumprimenta deputado federal Eduardo Bolsonaro durante visita à Casa Branca em agosto de 2019, ainda no primeiro mandato do republicano - Imagem: Joyce N. Boghosian/Casa Branca.


A nova investigação da Polícia Federal que resultou nesta sexta-feira, 18, em medidas contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) apontou que ele incentivou articulações nos Estados Unidos para que Donald Trump impusesse sanções ao governo brasileiro por causa da ação penal do golpe, na qual Bolsonaro é réu. 

Já a Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a imposição de medidas restritivas em razão da "possibilidade concreta de fuga" do ex-presidente.

Confira a reportagem completa no link abaixo do site UOL deste sábado (19) conforme reportagem do Estadão.

https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2025/07/19/pf-ve-incentivo-a-sancoes-em-troca-de-anistia-pgr-cita-possibilidade-concreta-de-fuga.htm


EUA: Alvo de ação bilionária de Trump, jornal promete responder 'vigorosamente'

 

Reportagem do Wall Street Journal diz que Donald Trump enviou carta obscena a Jeffrey Epstein, acusado de crimes sexuais e com quem republicano mantinha relação entre os anos 90 e 2000.Imagem: Reprodução/Netflix


Alvo de um processo bilionário movido ontem por Donald Trump, o Wall Street Journal anunciou que se defenderá "vigorosamente" da ação do presidente norte-americano.

Confira a reportagem completa no link abaixo do site UOL deste sábado (19): 


https://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2025/07/19/jornal-promete-se-defender-vigorosamente-contra-acao-bilionaria-de-trump.htm


Tornozeleira de Bolsonaro é correta e Eduardo deveria ir para lista da Interpol, diz Jurista


                                     foto:TV Justiça/reprodução

O Fórum Onze e Meia desta sexta-feira (18) recebeu o jurista Pedro Serrano para comentar sobre a operação de busca e apreensão da Polícia Federal (PF) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), réu no Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado, e a determinação do uso de tornozeleira eletrônica

Serrano destacou que sempre foi contra o "uso abusivo" de medidas cautelares na área penal no Brasil, em especial da prisão preventiva, devido ao fato de o país ter a terceira maior população aprisionada do mundo e 40% dela estar em prisão preventiva sem ter tido direito à defesa. No entanto, o jurista esclareceu que o caso de Bolsonaro é "absolutamente excepcional" que se justifica medidas cautelares.

"A decisão do ministro Alexandre é muito correta tecnicamente. De um lado, precisa preservar a eficácia do processo, que quer dizer o quê? Se alguém for condenado, que a pessoa sofra as consequências da condenação, que dê eficácia ao processo. O réu fugir é uma das condições explícitas na lei como razão para você inclusive poder aprisioná-lo, porque ele ameaça a eficácia do processo com a tentativa de fuga, com a possibilidade de fuga", explicou Serrano.

O jurista destacou, no entanto, que, no caso de Bolsonaro há outro fator que justifica a aplicação de medidas cautelares, que é quando há ameaça à ordem econômica. "É exatamente a situação que nós estamos", disse Serrano, se referindo ao tarifaço de Donald Trump contra o Brasil em defesa de Bolsonaro. "Trump reivindica para Bolsonaro o tratamento de aristocrata, de imperador. Acima do bem e do mal", afirmou o jurista. 


"Mas, independentemente disso, a realidade é que há ali uma conduta coativa do Supremo, ou seja, se pratica um crime no Brasil que é coação no curso do processo. Os agentes que estimularam a produção desse ato, assumidamente, como Eduardo Bolsonaro, Flávio Bolsonaro, e há fortes indícios em favor de Jair Bolsonaro também, esses agentes estimularam a prática de um ato destruidor da nossa ordem econômica para coagir o Supremo a decidir de determinada forma, o que é crime", explicou o jurista. 

Além disso, há a evidência dos crimes de interferência indevida no curso das investigações e do processo e associação criminosa. Esses fatos deveriam ser motivos para a prisão dos três envolvidos, de acordo com Serrano. "Você tem a intervenção indevida no curso da investigação, a obstaculização da investigação e do processo, você tem coação no curso do processo, associação criminosa, são crimes graves que foram praticados e estão aqui. E a prática cotidiana deles, a cada dia que eles falam na mídia, estão realizando condutas que ofendem brutalmente a nossa ordem econômica. Isso já é motivo para prender os três. Vamos ser aqui objetivos", analisou. 

Nesse sentido, Serrano defendeu que faltaram medidas cautelares também contra o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e explicou que já existe precedente no Supremo de aplicação até de prisão contra parlamentares sem autorização do parlamento. O jurista ainda acrescentou que gostaria de ver se o Congresso seria contra a adoção de medidas contrárias nesse caso. "Eu quero ver o Congresso assumir que está em favor de destruir a ordem econômica brasileira. Eu creio que não faria isso. Então, acho que é o caso de pedir autorização para o Congresso e realizar a adoção de medidas cautelares em relação a esses outros também. Acho que ficou faltando os filhos de Bolsonaro nessa decisão. É a única crítica que eu posso ter. No conteúdo, é uma decisão tecnicamente muito correta", finaliza Serrano. 

Eduardo Bolsonaro na lista da Interpol

Em relação a Eduardo Bolsonaro, Serrano afirmou que deveria ser emitida uma ordem de prisão preventiva com base no fato de o deputado ter saído do Brasil para não sofrer as consequências de decisões da justiça brasileira, como ele próprio declarou à mídia. Além disso, ele cometeu graves ofensas contra a ordem econômica ao se alinhar com Trump para aplicar sanções ao Brasil, de acordo com o jurista. 

"Deveria soltar uma ordem de prisão preventiva do Eduardo. Um pouco mais radical que a do pai, porque, na realidade, há uma ofensa grave à ordem econômica, e a lei é clara. Ofensa à ordem econômica é razão para prisão preventiva. Está inscrito na lei, não é uma questão de grande interpretação, não", esclareceu Serrano.

Além disso, o jurista destacou que deveria ser emitido alerta vermelho da Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol) contra o deputado. "O Brasil é subscritor do Tratado Internacional do Alerta Vermelho, e poderia estabelecer esse alerta vermelho em relação a ele", disse Serrano. 

O jurista ainda ressaltou os três motivos que o Supremo teria para decretar a prisão preventiva tanto de Eduardo quanto de Flávio e do ex-presidente, que são: ordem econômica, instrução criminal e aplicação da lei penal


Fonte: Revista Fórum - 19/07/2025

Bahia: Colisão entre veículos deixa dois mortos e cinco feridos na BA-120, trecho entre Valente e Santa Luz


                                               foto:reprodução/ CN Santa Luz


Dois homens morreram e outras cinco pessoas ficaram feridas em um acidente ocorrido na manhã deste sábado (19), no KM 348 da BA-120, a cerca de cinco quilômetros da sede do município de Valente, nas proximidades do acesso à comunidade Tanque do Anjo, por volta das 05h15.

Segundo o Calila Noticias apurou junto a Polícia Rodoviária Estadual (PRE) as vítimas fatais estavam em uma picape Fiat Strada com placa de Itupeva-SP e foram identificadas como Altemir Martins Silva, de 41 anos, condutor do veículo e o carona Roque dos Santos Estrela, de 48.

Estrela, de 48.

Reprodução Noticias de Santaluz

O outro veículo envolvido foi um Chevrolet Cruze, licença de Queimadas, onde estavam os cinco feridos. Eles foram socorridos por equipes do Samu e encaminhados para os hospitais de Santaluz e Valente no território do sisal e foram identificados como: Albert Hugo Gomez Mascarenhas, 29 anos, (condutor), Samuel da Silva Pereira, 30, Raquel da Silva, 28, Felipe Silva Oliveira, 30, e Larissa da Silva Almeida, 19 anos, todos residentes em Conceição do Coité.

A suspeita inicial é de que o Cruze tenha atingido a traseira da Strada, mas as causas do acidente ainda serão investigadas. Equipes da Polícia Rodoviária Estadual e do Departamento de Polícia Técnica foram acionadas para realizar a perícia no local e esclarecer as circunstâncias da colisão.

Segundo o Calila Noticias apurou, os dois veículos retornavam de Santaluz onde acontece a Festa de 90 anos de emancipação política, que os ocupantes do Fiat Strada estavam indo para o Distrito Santa Rita de Cássia, em Valente.

Informações de populares dão conta que Altemir é natural de Santa Rita de Cássia, porém, residia em São Paulo, estava de férias e deste o São João estava na terra natal visitando os familiares.

Diante desta tragédia, um evento esportivo que aconteceria neste fim de semana, foi adiado.


CN | Notícias de Santaluz

STF: Moraes reage e manda juntar entrevistas e posts de Eduardo a ação


                                        foto:reprodução


O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou, neste sábado (19/7), que sejam juntadas aos autos do Inquérito 4.995 as postagens nas redes sociais e as entrevistas do deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL) realizadas após o STF determinar medidas restritivas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O inquérito apura suposta obstrução de Eduardo em relação à investigação de organização criminosa e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

Na decisão, Moraes destaca que, após a imposição de medidas restritivas a Jair Bolsonaro, Eduardo intensificou seus ataques ao STF.

“Após a adoção de medidas investigativas de busca e apreensão domiciliar e pessoal, bem como a imposição de medidas cautelares em face de Jair Messias Bolsonaro, o investigado Eduardo Bolsonaro intensificou as condutas ilícitas objeto desta investigação, por meio de diversas postagens e ataques ao STF nas redes sociais.”

Entre as publicações juntadas aos autos, consta uma foto compartilhada pelo parlamentar licenciado, na qual Moraes aparece com orelhas de Mickey Mouse. Trata-se de uma ironia de Eduardo às sanções dos EUA, que suspenderam os vistos do ministro e de outros integrantes do STF. “Talvez o Moraes não sabe se o Filipe Martins foi ou não aos EUA, mas agora todo mundo sabe que o Moraes não vai”, disse Eduardo no post.

EUA x STF

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, anunciou nas redes sociais, nessa sexta-feira (18/7), que mandou suspender o visto do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, de seus aliados na Corte e de familiares próximos de todos eles.

“A caça às bruxas política do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, contra Jair Bolsonaro criou um complexo de perseguição e censura tão abrangente que não apenas viola direitos básicos dos brasileiros, mas também se estende além das fronteiras do Brasil, atingindo os americanos. Portanto, ordenei a revogação dos vistos de Moraes e seus aliados na corte, bem como de seus familiares próximos, com efeito imediato”, afirmou Rubio.

O Departamento do Estado explicou que a política de restrição de visto está de acordo com a Seção 212(a)(3)(C) da Lei de Imigração e Nacionalidade, que autoriza o secretário de Estado a tornar inadmissível qualquer estrangeiro cuja entrada nos Estados Unidos “possa ter consequências adversas potencialmente graves para a política externa”.

O secretário destaca que a decisão decorre da determinação do ministro Alexandre de Moraes que impôs ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) o uso de tornozeleira eletrônica e a proibição de acessar as redes sociais.

Fonte:METRÓPOLES - 19/07/2025

Cultura: Cantora Vanessa da Mata critica desvalorização de artistas brasileiros


                                               foto:reprodução


Vanessa da Mata, 49, não se conforma com o apagamento cultural que, segundo ela, ainda marca o Brasil. Em entrevista à reportagem após sua apresentação com a Orquestra Sinfônica Heliópolis, na quarta-feira (23), em São Paulo, a cantora fez um desabafo sobre a forma como o país costuma tratar seus próprios artistas.

 

"A gente tem uma autoestima muito ruim. O brasileiro ainda segue uma construção de padrão colonizado. Uma mania de valorizar só o que é de fora ". Para ela, essa visão ainda afeta diretamente o modo como o público consome arte no seu dia a dia. "Em shows, muitas vezes, me falavam que achavam que minhas letras eram escritas por outro artista, de fora. É constrangedor", diz.
 

A apresentação no Teatro Bradesco reuniu sucessos do repertório de Vanessa, acompanhados por músicos da periferia de São Paulo. Ela conta que a experiência de dividir o palco com a orquestra trouxe um significado especial. "Eu me senti um pouco parte deles", afirma, ao lembrar da própria trajetória.
 

"Vim de uma cidade muito pequena, no Mato Grosso, sem nenhuma perspectiva. Construí minha carreira sozinha. Sei exatamente o que é ter poucas oportunidades." Vanessa também destaca que enxergar o talento desses jovens e estar ao lado deles foi como reviver o início da própria caminhada na música.
 

A artista também comenta a pressão que sente para se adaptar aos formatos das redes sociais, especialmente o TikTok, que valoriza conteúdos curtos e de consumo imediato.
 

Para ela, essa lógica vai na contramão de sua essência como compositora. "Eu não sei fazer música curta. Talvez até saiba, mas não quero compor só para surfar na onda da galera. Não tenho interesse nisso".
 

Ela diz que seu processo criativo está ligado à narrativa, ao desenvolvimento de ideias e sentimentos em cada canção. "Sou muito faladora. Minhas letras são longas porque gosto de contar histórias. Se deixassem, eu faria de cada música um livro."
 

Vanessa conta que entende as mudanças do mercado, mas se recusa a moldar sua arte apenas para atender a algoritmos. "A música precisa continuar sendo espaço de profundidade, não só de performance."
 

Falando sobre sua trajetória como mulher, a cantora também revela sobre o que chama de um "legado feminino difícil". Ela conta que carrega marcas profundas de um histórico familiar delicado, tanto em sua própria vivência quanto na história de sua família. "O histórico é muito pesado", afirma, sem entrar em detalhes.
 

Essa bagagem, diz, a impulsiona a lutar contra injustiças e desigualdades. "Tudo o que envolve mulheres me atravessa. Eu sou inquieta, não consigo parar."
 

Essa inquietude também vem à tona quando o assunto é o papel político dos artistas. Vanessa acredita que cada pessoa se posiciona à sua maneira, mas ressalta seu próprio envolvimento. "Estou o tempo todo defendendo a Palestina, por exemplo. Vi hoje uma cena horrorosa, medonha. Nem todo mundo consegue falar sobre política, mas eu tento sempre agir conforme o que acredito."



Fonte: Por Adrielly Souza | Folhapress - 19/07/2025

Quem é o homem que comemorou a tornozeleira de Bolsonaro durante a entrevista coletiva: 'a forma como ele lidou com a pandemia é uma coisa que causou muita revolta'

 

                                     foto:reprodução


Por Chico Alves

À saída da unidade da Polícia Federal, em Brasília, onde instalou a tornozeleira eletrônica por ordem do ministro Alexandre de Moraes, Jair Bolsonaro dava entrevista aos jornalistas, nesta sexta-feira (18), com expressão fechada. Falava em “suprema humilhação”, elogiava Donald Trump e repetia a habitual ladainha sobre anistia aos golpistas do 8 de Janeiro. No grupo aglomerado em torno do ex-presidente, o clima era de tensão.

Apenas uma pessoa destoava dos demais.

Quem acompanhou a entrevista de Bolsonaro na TV ou no canal de YouTube do ICL Notícias foi surpreendido pelos gestos de comemoração de um homem postado bem atrás do ex-presidente. Em contraste com a seriedade do momento, ele abria os braços, fazia dancinhas e sorria olhando para as câmeras, expressando satisfação com a punição determinada pelo Supremo Tribunal Federal.

A cena inusitada viralizou. Imediatamente vários cortes do vídeo circularam pelas redes sociais.

“Me surpreendi com a repercussão”, admitiu o servidor público Igor Chianca, de 43 anos, em entrevista ao ICL Notícias. Boa parte das mensagens recebidas por ele não tinham o tom de humor, que é comum nas redes. “Teve muitos depoimentos de pessoas que perderam parentes na pandemia, se sentindo muito representados”.

Chianca está acostumado a embates políticos: é diretor do Sindicato dos Servidores da Carreira Pública de Desenvolvimento e Assistência Social e prepara assembleia da categoria para o dia 5 de agosto. Mas o protesto contra Bolsonaro não foi planejado — até porque ninguém sabia que ele pararia naquele local.

“Eu comecei a brincar ali de uma maneira ingênua”, explica.

Leia a entrevista a seguir.

Bolsonaro

Igor Chianca, à frente do local onde Jair Bolsonaro dava entrevista

ICL Notícias – Como você foi parar ali, no local da entrevista de Jair Bolsonaro?

Igor Chianca – Eu trabalho na Secretaria de Justiça do Distrito Federal, que fica ali exatamente do lado da Polícia Penal, de onde ele foi saindo. Eu estava trabalhando e o pessoal falou “o Bolsonaro vai ser preso”, “vão colocar a tornozeleira eletrônica”. No primeiro momento eu achei até que era brincadeira, mas quando fui lá fora estava cheio de repórter. Aí a gente ficou ali do lado, esperando, pra ver se ele ia sair. Quando ele saiu da garagem a gente foi lá e ele saiu o carro. Eu não imaginei que fosse parar, sair e dar entrevista, né? E aí eu comecei a brincar ali de uma maneira ingênua. Em nenhum momento imaginei que ia ter repercussão que está tendo.

O que te levou a fazer essa “comemoração”? Quais grandes males considera que Bolsonaro tenha feito para levar você a comemorar essa punição da Justiça?

São tantas coisas que eu não conseguiria enumerar, todas as coisas que causam revolta nas pessoas. Sem dúvida nenhuma, a forma como ele lidou com a pandemia é uma coisa que causou muita revolta, o movimento antivacina, o deboche que ele fez em relação às vítimas. Perdi muita gente que eu conhecia. Inclusive vi famílias sendo dizimadas, amigos da família.

Tem outros motivos… Idolatria a torturadores, esse flerte com a ditadura, esse golpe de Estado que ele tentou dar. E tantas e tantas outras frases polêmicas, né? A antieducação com seus seis ministros (da Educação), a anticiência… Tem tantas coisas que eu não conseguiria lembrar todas. Mas essas são algumas delas que a gente poderia sintetizar. Precisaria ter um um longo diálogo com você pra enumerar todas as situações.

Não teve receio da reação de apoiadores e Bolsonaro?

Não pensei em tripudiar, nem nada. Eu acho que foi tudo tão espontâneo que não pensei racionalmente ali no que eu estava fazendo ou o que eu estava deixando de fazer. Foi tudo de uma maneira natural, mesmo. Eu estava ali brincando atrás das câmeras, imaginei que alguém depois fosse falar “te vi”…, mas não essa repercussão toda. O sentimento maior foi comemorar que a justiça estava sendo feita.

Gravei um vídeo que botei no meu perfil do Instagram em que dá pra ver eles tentando me agredir. Mas eu me mantive muito calmo. Recebi ali uma cotovelada e uns empurrões. Mas se limitou a isso. Dá pra ver lá no vídeo que eles tentam me intimidar, empurram, tentam fazer uma pressão, mas eu fiquei muito tranquilo.

Quando você percebeu que a repercussão dos seus gestos tinha sido grande?

Quando eu voltei para o trabalho, o pessoal já falou “Igor, tu está viralizado no Twitter, no Instagram”. E aí quando eu fui ver começaram a chegar as mensagens pra mim, primeiro no WhatsApp, dos amigos, das pessoas que eu conheço. E aí comecei a ver uma movimentação intensa no Instagram. De uma hora pra outra apareceram ali dez mil seguidores. Esse movimento foi bem intenso.

Qual o teor das mensagens?

Uma coisa bem emocionante, porque teve muitos depoimentos de pessoas que perderam parentes na pandemia, se sentindo muito representados. Teve mensagens desse tipo assim que me sensibilizaram bastante.

Foram praticamente 100% de coisas positivas até o momento, mensagens que tocaram bastante.

Como você espera que termine esse impasse causado pela família Bolsonaro, que gerou tarifaço e sanções por parte do governo de Donald Trump?

A história da diplomacia brasileira é de paz com todos os países, né? A nossa história mostra que a gente sempre foi muito pacífico, então esse é um momento que a gente nunca tinha vivido. E diplomaticamente é óbvio que a gente tem que tentar ser muito responsável, porque a gente sabe do impacto que isso pode causar no nosso país. Então, a diplomacia brasileira que sempre foi exemplo, precisa tentar pacificar essa ação que está acontecendo a partir do Trump. Mas obviamente que a gente vai ter que se defender se isso persistir.  A gente está lidando com um presidente americano que não tem precedentes, dependendo da forma como ele acordar pode falar ou fazer alguma maluquice. Então, cabe a nós ter muita serenidade pra tratar da melhor maneira possível

Mas esse movimento que  Eduardo Bolsonaro está fazendo é crime. Está atentando contra a soberania do nosso país. Isso aí em nenhum momento a gente vai poder permitir. A soberania do nosso país deve ser mantida acima de tudo, a última linha não pode ser rompida. Nesse caso teria a questão da reciprocidade e aí dentro da questão jurídica nós temos leis que classificam isso como crime. Ele está tramando contra o nosso país, e esse crime está previsto na nossa Constituição. Eles devem ser julgados por isso também.

FONTE:ICL - NOTÍCIAS  19/07/2025

 

sexta-feira, 18 de julho de 2025

Tarifaço de Trump: Alckmin diz que operação contra Bolsonaro não pode e não deve comprometer negociações

                                    foto:reprodução


A operação desta sexta-feira (18) da Polícia Federal a mando do STF (Supremo Tribunal Federal) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) não pode e não deve comprometer as negociações tarifárias com os Estados Unidos, disse o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin.

 

Ele destacou que a operação contra Bolsonaro cabe ao Poder Judiciário e ressaltou que a soberania do país é inegociável.
 

"Não pode e não deve [comprometer a negociação], porque a separação dos Poderes é a base do Estado de Direito, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos", disse.
 

"Não há relação entre uma questão política ou jurídica e tarifa. É até um precedente muito ruim essa relação entre política tarifária, que é regulatória, e questões de outro Poder."
 

Ao anunciar uma tarifa de importação de 50% sobre todos os produtos brasileiros importados pelos EUA a partir de 1º de agosto, o presidente Donald Trump vinculou a decisão, entre outros pontos, ao tratamento dado a Bolsonaro, que é julgado no STF pela trama golpista.
 

Na entrevista, Alckmin evitou avaliar o mérito da operação contra Bolsonaro, argumentando que a parte que cabe ao governo federal é continuar negociando para reverter a tarifa.
 

Ele ponderou que a carta enviada pelo governo brasileiro aos EUA em busca de negociação ainda não foi respondida.
 

Perguntado sobre a possibilidade de o governo brasileiro buscar a OMC (Organização Mundial do Comércio) contra a tarifa, o vice-presidente respondeu que só é possível acionar o órgão após um fato concreto. Portanto, segundo ele, como a tarifa seria implementada apenas em agosto, o governo não discute esse tema no momento.
 

Na noite de quinta-feira (17), em pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão, o presidente Luis Inácio Lula da Silva disse que a decisão de Trump de taxar o país é uma chantagem inaceitável. O petista também criticou políticos favoráveis à sobretaxa, chamados por ele de "traidores da pátria", e disse que todas as empresas, nacionais ou estrangeiras, devem cumprir as regras do país.
 

No cenário externo, Trump voltou a ameaçar nesta sexta (18) impor tarifas aos membros do Brics e disse que o grupo acabaria "muito rapidamente" se algum dia eles se formassem de modo significativo.
 

"Quando ouvi sobre esse grupo do Brics, seis países, basicamente, eu os ataquei com muita, muita força. E se algum dia eles realmente se formarem de modo significativo, isso acabará muito rapidamente", disse Trump, sem mencionar os nomes dos países.
 

A Policia Federal cumpriu nesta sexta (18) mandados na casa de Jair Bolsonaro e no escritório do PL. Foram apreendidos cerca de US$ 14 mil e R$ 8.000 na operação, além de um pen drive. O celular dele também foi recolhido pelos agentes.
 

O ex-presidente usa a partir de agora uma tornozeleira eletrônica e será monitorado 24 horas por dia por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal).
 

Bolsonaro foi ainda proibido pelo magistrado de acessar redes sociais e de falar com seu filho Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que se licenciou do mandato e está nos EUA atuando para que o país aplique sanções a Moraes.
 

Terá que cumprir recolhimento domiciliar noturno, das 19h às 7h, e também nos fins de semana, em tempo integral; não poderá se comunicar com embaixadores e diplomatas estrangeiros nem se aproximar de embaixadas.



Fonte: FOLHAPRESS - 18/07/2025