Por Leandro Demori e Jamil Chade
Um brasileiro prestou depoimento ainda em 2016 sobre Jeffrey Epstein, alertando à Justiça sobre a presença de “jovens meninas” relacionadas com o financista. A informação foi revelada pelo próprio Epstein, num email que ele envia para um colecionador de artes.
O empresário seria preso apenas em 2019 e, aguardando por seu julgamento, foi encontrado morto em sua cela, em 10 de agosto daquele ano.
Nas mais de 3 milhões de páginas publicadas pelo Departamento de Justiça dos EUA, na semana passada, uma delas aponta para o caso de um depoimento.
Em 13 de junho de 2016, Epstein escreveu para Glenn Dubin com um aviso.
“Renaldo (sic) prestou depoimento e disse que eu levei jovens meninas em várias ocasiões para North Salem. Sem sentido, mas eu achei que você deveria saber”, escreveu.
“Renaldo” foi a grafia que, em diferentes conversas, Epstein se referia ao brasileiro Reinaldo Avila da Silva, marido do político britânico Peter Mandelson e epicentro de uma crise por conta de seu envolvimento com o financista.
O email de 2016, porém, era para Dubin, um bilionário colecionador de artes e que já havia sido identificado como um interlocutor de Epstein, anos antes da atual publicação de documentos.
A data, porém, coincide com o depoimento de uma das vítimas de Epstein, Virginia Giuffre. Ela afirmou que a então esposa do financista, Ghislaine Maxwell, disse a ela para manter relacões sexuais com Dubin. O bilionário sempre negou as acusações.
Em 2018, novas denúncias contra Epstein por abuso de menores vieram à tona e, no ano seguinte, ele seria preso. Enquanto aguardava por seu julgamento, ele foi encontrado morto em sua cela, em 10 de agosto de 2019.
Anos antes, Reinaldo também foi citado em outras trocas de emails.
Peter Mandelson, marido do brasileiro e político que está causando um terremoto no Reino Unido por sua relação com Jeffrey Epstein, pediu conselhos do financista sobre a compra de um apartamento de luxo no Rio de Janeiro.
O britânico já ocupou alguns dos cargos mais importantes no governo em Londres, foi o comissário de Comércio da União Europeia e, mais recentemente, foi nomeado como embaixador do Reino Unido em Washington.
Os documentos, porém, sugerem que o britânico pode ter passado informações confidenciais do governo de Londres ao empresário. Mandelson já foi afastado, mas a crise ameaça o próprio governo trabalhista. Dois dos principais assessores do primeiro-ministro também tiveram de renunciar a seus cargos e uma pressão intensa é feita para que Keir Starmer entregue o governo.
Em 7 de novembro de 2010, Peter Mandelson escreveu para Epstein pedindo seu conselho sobre uma compra que estava pensando em realizar.
“Enviei ao meu banqueiro”, explicou o britânico ao financista. “Agradeço pelas valiosas reflexões do meu principal conselheiro de vida”, completou.
No corpo do email, Mandelson explicava que estava interessado em um apartamento em Ipanema avaliado, há mais de dez anos, em R$ 5,3 milhões. O britânico ainda informava ao seu banqueiro que a propriedade, caso se concretizasse, ficaria no nome de seu marido, o brasileiro Reinaldo Avila da Silva.
O local tinha 225 metros quadrados na rua Joana Angelica.
Epstein se preocupou com o destino do apartamento, caso Reinaldo viesse a falecer. “O que acontece se algo acontece com Renaldo (sic)…você fica com ele (apartamento) ou sua família”, questionou o financista.
Naquele momento, Epstein já havia cumprido sua primeira sentença, de 13 meses de prisão, por conta de uma denúncia de um abuso de uma menor. Mas, por um acordo com a Justiça, ele era autorizado a permanecer seis dias da semana em seu escritório na Flórida.
Não era a primeira vez que Epstein lidava com compras no Brasil, em 2011, ele recebeu uma oferta de um apartamento ao lado do Hotel Copacabana Palace, na avenida Atlântica.
Fonte: ICL NOTÍCIAS -11/02/2026 08h:25
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