sexta-feira, 5 de setembro de 2025

PF cita “selfies” com maços de dinheiro de operador de esquema no Tocantins


     Foto:reprodução/PF



Durante as investigações da operação Fames-19, que mira desvios em contratos de compra de cestas básicas e frangos congelados no governo do Tocantins, e cuja segunda fase foi deflagrada na quarta-feira (3/9), a Polícia Federal (PF) encontrou duas “selfies” de um dos citados com maços de dinheiro.

A imagem identificada é de Marcus Vinicius Santana, filho de Taciano Darcles, ex-assessor especial do governador afastado Wanderlei Barbosa. Segundo a investigação, ele atuaria como uma espécie de “operador” do esquema.

ReproduçãoMarcus Vinicius Santana, citado na operação Fames-19
Marcus Vinicius Santana, citado na operação Fames-19

“Outrossim, cumpre recordar que desde o início das investigações, já constava dos autos a informação de que o pagamento das propinas ao governador do Estado e aos demais agentes envolvidos era realizado por meio de dinheiro em espécie, havendo fotos de operadores com grande quantidade de dinheiro”, diz trecho da decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Como mostrou a coluna, Wanderlei Barbosa foi um dos alvos da operação da PF, que resultou em seu afastamento do cargo por 6 meses. O governador nega qualquer irregularidade e disse que buscaria voltar ao cargo por meio da Justiça.

Mensagens incluídas em documentos da operação indicam o recebimento de propina pelo governador afastado, o que teria motivado seu afastamento do cargo.

De acordo com as apurações, Marcus Vinicius seria uma espécie de operador do esquema, e seu nome foi incluído no “núcleo de servidores públicos” do suposto esquema de desvios.

No caso, eram pessoas que se incumbiam de operacionalizar o esquema, por meio do direcionamento de licitações e, em momento posterior, atestando falsamente o recebimento de cestas básicas.

“Segundo relatado pela autoridade policial, Marcus Vinicius seria o responsável pelas transferências bancárias e saques de valores”. Os montantes seriam posteriormente entregues em espécie aos demais envolvidos no suposto esquema.

Um dos fatos investigados no caso, como mostrou a coluna, foi uma “foto fake” produzida com cestas básicas para fugir da fiscalização sobre um contrato sob suspeita de corrupção.

Conversas encontradas no celular de um dos investigados, segundo a PF, mostra que em 2022 integrantes do governo pegaram cestas básicas “emprestadas” com uma empresa para ludibriar a fiscalização.

Defesa

Em nota divulgada após a operação da Polícia Federal, o governador disse que recebeu decisão do STJ com “respeito às instituições”, mas ressaltou que se trata de “medida precipitada, adotada quando as apurações da Operação Fames-19 ainda estão em andamento, sem conclusão definitiva sobre qualquer responsabilidade da minha parte”.

“É importante ressaltar que o pagamento das cestas básicas, objeto da investigação, ocorreu entre 2020 e 2021, ainda na gestão anterior, quando eu exercia o cargo de vice-governador e não era ordenador de despesa”, afirmou.

Segundo o governador, por sua determinação, a Procuradoria-Geral do Estado (PGE) e a Controladoria-Geral do Estado (CGE) instauraram auditoria sobre os contratos mencionados e encaminharam integralmente as informações às autoridades competentes.

“Além dessa providência já em curso, acionarei os meios jurídicos necessários para reassumir o cargo de Governador do Tocantins, comprovar a legalidade dos meus atos e enfrentar essa injustiça, assegurando a estabilidade do Estado e a continuidade dos serviços à população”, conclui a nota.


Fonte: FÁBIO SERAPIÃO/METRÓPOLES - 05/09/2025

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