Saído das fileiras da Polícia Militar da Bahia direto para o gabinete de Mário Frias, ex-secretário de Cultura do ex-governo Jair Bolsonaro, André Porciúncula disse à coluna de Igor Gadelha, no portal Metrópoles, que é o dono e mora na mansão de US$ 753,5 mil, o equivalente a cerca de R$ 3,8 milhões pelo Mercury Legacy Trust, um fundo privado de gestão de patrimônio nos Estados Unidos, que seria abastecido com dinheiro de Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Conforme a Fórum antecipou em maio de 2025, Porciúncula foi sócio de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e Paulo Generoso da Braz Global Holding, empresa aberta em março de 2023 em Arlington, no Texas, Estados Unidos.
A Holding concedeu um empréstimo de US$ 140 mil dólares – R$ 802.088,00 na cotação do dólar – na única transação financeira feita em seu perfil jurídico.
Ao Metrópoles, o ex-capitão da PM baiana, que ascendeu com Mario Frias, atual deputado e produtor-executivo de Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro que teria sido bancado por Vorcaro, disse ser dono da casa e que mora há três anos no local.
Sobre a transação via Mercury Legacy Trust, ele alega que optou para pagar menos juros no financiamento e menos impostos de herança no futuro. “Para passar pros meus filhos no futuro, paga menos imposto”, afirmou.
O Mercury é diretamente vinculado às empresas de Paulo Calixto, advogado pessoal de imigração de Eduardo Bolsonaro em solo norte-americano.
Calixto também é o administrador do Havengate Development Fund, a entidade sediada no Texas que recebeu os R$ 61 milhões doados por Vorcaro em 2025, a pedido do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), sob o pretexto de financiar o filme “Dark Horse”.
A principal linha de investigação da Polícia Federal aponta para um provável desvio de finalidade cinematográfica para o sustento pessoal. Os investigadores suspeitam que os milhões repassados pela Entre Investimentos e Participações (empresa de Vorcaro usada para os depósitos entre fevereiro e maio de 2025) não foram integralmente para a produção do filme, mas sim triangulados para custear a vida de alto padrão de Eduardo Bolsonaro nos EUA.
Mudança para os EUA
O ex-capitão da PM, diz ter se mudado para os EUA em janeiro de 2023, quando deixou o gabinete de Mario Frias com o fim do governo Bolsonaro.
André Porciuncula saiu da caserna direto para o núcleo duro do bolsonarismo cultural, sem escalas. Formado em Direito e com passagem por áreas de inteligência e policiamento rodoviário da corporação baiana, ele desembarcou em Brasília em 2020 pelas mãos de Mário Frias, tornando-se secretário de Fomento e Incentivo à Cultura — justamente o setor que controlava a Lei Rouanet.
Na prática, Porciuncula virou uma espécie de policial ideológico da cultura bolsonarista. Atuou no desmonte de mecanismos tradicionais da Rouanet, atacou leis de incentivo ao setor cultural e ganhou notoriedade ao defender o uso de verba pública para financiar produções pró-armamentistas, alinhando cultura, armas e guerra cultural num mesmo discurso. Ligado ao universo dos CACs e à associação Pró-Armas, tentou surfar o bolsonarismo raiz numa candidatura a deputado federal pelo PL da Bahia em 2022, mas terminou como suplente.
Mesmo derrotado nas urnas, voltou ao governo e acabou alçado por Jair Bolsonaro ao comando da Secretaria Especial de Cultura nos estertores do mandato, numa nomeação que resumiu bem o espírito da gestão: um PM sem trajetória artística transformado em operador político da cruzada ideológica bolsonarista contra a classe cultural.
Sociedade com Eduardo
Conforme a Fórum revelou em 2025, Porciúncula foi sócio de Eduardo Bolsonaro na Braz Global Holding, empresa aberta em março de 2023 em Arlington, no Texas, Estados Unidos, que concedeu um empréstimo de US$ 140 mil dólares – R$ 802.088,00 na cotação do dólar.
As informações são de documentos públicos do Condado de Tarrant, no Texas, e foram obtidos com exclusividade pela Fórum. O empréstimo foi a única transação financeira registrada pela Braz Holding encontrada pela apuração da Fórum.
Além de Eduardo e Porciuncula, constava como sócio Paulo Generoso, um dos fundadores do Movimento República de Curitiba, criado em 2016 para apoiar a operação Lava Jato.
É Generoso quem assina o empréstimo concedido no dia 28 de julho de 2023 à empresa Venture Expannsion, representada por Roderick Venture, que assina como “managing member” – “membro administrador”, em tradução livre.
O empréstimo foi quitado no dia 6 de fevereiro de 2024, conforme consta em documento assinado pelo mesmo Paulo Generoso. Pouco mais de um mês depois, em 18 de março, a empresa foi encerrada.
Segundo os documentos obtidos pela Fórum, a Venture Expannsion é uma empresa localizada em Fort Worth, cidade que está a cerca de 24 quilômetros de Arlington, onde ficava localizada a sede da Braz Global Holding.
Eduardo Bolsonaro também estaria residindo na cidade de Arlington, no interior do Texas, após abandonar o mandato de deputado federal no Brasil.
Roderick Venture, que assinou o empréstimo feito pela empresa dos brasileiros, define-se em seu site como “um pioneiro na indústria de energia renovável e atua como diretor de Sustentabilidade (CSO) na Allied Energy Solutions”.
A cidade de Fort Worth também consta como endereço de Venture e da empresa, que diz investir em fontes renováveis de energia, entre elas solar, eólica e geotérmica.
Sócio de Eduardo, Paulo Generoso também tinha sociedade com Porciuncula na empresa Liber Group Brasil, que era localizada no mesmo endereço em Arlington, mas não tinha o filho de Bolsonaro como sócio. A Liber foi fechada no mesmo dia em que o empresário deu baixa na Braz Global Holding.
Paulo Generoso chegou a ser citado no inquérito da Polícia Federal sobre os atos golpistas como integrante de uma rede de influenciadores que teriam atuado “na disseminação de narrativas de interesse para objetivar a consumação do golpe de Estado”.
A investigação detalha conversas entre o empresário e o tenente-coronel Mauro Cid, em que Generoso comenta sobre publicações em sua conta no X para, na época, com 98 mil seguidores, “pressionar o Alto Comando do Exército a aderir à ruptura institucional”.
Generoso chegou a ser alvo de um requerimento para depor na CPMI das Fake News em 2020 como responsável, junto a outras duas administradoras, por uma página do Facebook denominada “Movimento República de Curitiba”, acusada de postar “publicações no sentido de lesar a ordem pública, incitando multidões contra o sistema democrático de direito”.
Ele também foi alvo de requerimento na CPMI do Golpe por suspeita de ter apoiado os atos de invasão das sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro.
Fonte: REVISTA FÓRUM - 20/05/2026
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