quinta-feira, 7 de maio de 2026

EUA: Reunião entre Lula e Trump termina após 1 hora e 20


                                       foto:reprodução


A reunião entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump que deveria durar apenas 45 minutos, nesta quinta-feira, acabou sendo ampliada para mais de uma hora e 20 minutos. A prorrogação da conversa elevou as expectativas entre os assessores do Palácio do Planalto sobre os resultados da viagem. Os dois líderes estão, neste momento, num almoço oferecido pelo americano, em seu próprio gabinete e em outro sinal considerado como positivo.

A viagem de Lula tem sido marcada por uma quebra de protocolos e da postura tradicional do republicano.

Ao sair do comboio, o brasileiro foi recebido pelo republicano em um tapete vermelho. Trump, ao contrário do que tem feito com dezenas de interlocutores para intimidá-los, não usou o aperto de mão para “puxar” o brasileiro. O gesto foi recebido com alívio por diplomatas, já que a marca registrada do republicano tem sido alvo de polêmicas em diferentes capitais pelo mundo. Já o brasileiro deu um tapinha no ombro do americano ao sauda-lo. “Como vai?”, disse Lula.

O brasileiro entrou na Casa Branca pela ala Sul, o mesmo local usado pelo rei Charles, na semana passada.

Lula pede e protocolo muda sobre imprensa

Outro sinal considerado como positivo foi a decisão da Casa Branca de aceitar não abrir o Salão Oval para a imprensa antes do início das reuniões e como é de costume. A expectativa é de que isso poderia significar que as delegações preferem dar maior atenção ao conteúdo do encontro para que, só depois, façam anúncios concretos sobre o que foi debatido.

O gesto teria sido adotado depois de um pedido do governo brasileiro, o que foi atendido por Trump. No ano passado, na Malásia, Lula teria ficado irritado com a presença da imprensa americana antes do encontro, o que acabou reduzindo o tempo de discussão entre os dois líderes.

Os temas, porém, não são dos mais fáceis. Quando a reunião entre os dois presidentes foi confirmada, a ala bolsonarista passou a fazer pressão e subsidiar pessoas próximas ao presidente dos EUA com informações para prejudicar o encontro ou, pelo menos, minar os resultados da reunião.

Trump, porém, recebe Lula num momento complicado de seu governo. Sua popularidade está em seu nível mais baixo e sua campanha militar no Irã está sendo questionada até entre sua base mais radical.

No encontro, o lado americano está sendo representado pelo vice presidente JD Vance, pelo secretário de Tesouro, Scott Bessent, o secretário de comércio, Howard Lutnick, além da chefe de gabinete do Trump, Susie Wiles e o Representante Comercial Jamieson Greer.

Marco Rubio, secretário de Estado e um aliado dos bolsonaristas, não estará presente. O chefe da diplomacia dos EUA está em Roma.

Além de Lula, a delegação conta com os ministros Mauro Vieira e Dário Durigan, além de Márcio Rosa, Alexandre Silveira e Wellington Silva.

Pauta na mesa

Lula pretende propor ao americano uma cooperação para lutar contra o crime organizado, mas se recusa a falar na possibilidade de declarar o PCC e o Comando Vermelho como grupos terroristas. O Brasil ainda vai tentar explicar aos chefes da Casa Branca que não se justifica a adoção de novas tarifas contra produtos brasileiros.

Do lado americano, Trump deve fazer propostas para uma aproximação ao país na exploração de terras raras. O Brasil, porém, rejeita a ideia de ser simplesmente um fornecedor de minérios e quer o processamento também no país.

De uma forma geral, porém, a missão de Lula é a de desenhar um pacto de não ingerência por parte de Donald Trump. Num ano eleitoral, a prioridade declarada da diplomacia brasileira é a de defender a democracia do país contra ataques externos.

A meta é a de manter aberto o canal entre os dois principais líderes no Hemisfério Ocidental e desmontar eventuais espaços para ataques contra a soberania brasileira.

Uma das linhas de atuação do Palácio do Planalto é a de fazer uma diferenciação entre o que são temas legítimos da relação entre Brasil e EUA e o que seria considerado como uma ingerência.

Lula irá levar a mensagem, por exemplo, de que classificar grupos criminosos brasileiros como “terroristas” não se justifica e rebater as investigações comerciais contra o país.

O governo dirá com todas as letras: “não existem terroristas no Brasil”.

Durante o encontro, a delegação brasileira levará dados do combate ao crime organizado e vai mostrar a diferença entre o narcotráfico e o terrorismo. Os membros do governo vão insistir que o Brasil “não tem grupos terroristas”.

Tudo, porém, terá como pano de fundo a tentativa de construção de uma relação que dê garantias ao Brasil de sua capacidade de autonomia na região e a preservação do processo eleitoral sem a interferência do governo dos EUA.

A esperança é de que, com a visita, Lula consiga evitar que Trump se envolva diretamente numa tentativa deliberada de desestabilização do Brasil. O risco continua sendo alto mesmo com o republicano neutralizado. Para a diplomacia brasileira, essa ingerência pode ocorrer por meio das big techs, de grupos ultraconservadores da sociedade civil americana e por ações encobertas por parte de alas mais radicais do trumpismo.


Fonte: JAMIL CHADE/ICL NOTÍCIAS - 07/05/2026

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