Desde 2023, quando se tornou oficialmente ex-presidente da República, Jair Bolsonaro (PL) já custou R$ 7,67 milhões aos cofres da União. O levantamento realizado pela coluna leva em conta quatro despesas neste período:
- Gasto da Presidência da República com equipe de 8 assessores mais 2 veículos oficiais: R$ 4,71 milhões
- Aposentadoria como capitão reformado do Exército: R$ 424 mil
- Aposentadoria como deputado federal: R$ 1,28 milhão
- Salário como presidente de honra do Partido Liberal (PL), custeado pelo Fundo Partidário: R$ 1,24 milhão
O montante de R$ 4,71 milhões referente a gastos com equipe de apoio do ex-presidente da República consta na base de dados disponibilizados pela Casa Civil. A última atualização é da segunda-feira da semana passada (17/11). Por lei, os ex-chefes do Executivo federal têm direito a até oito pessoas em sua equipe pessoal, sendo quatro para atividades de segurança e apoio pessoal, dois de assessoramento e dois motoristas. Eles podem usufruir também de dois veículos oficiais.
Atualmente, informou a Casa Civil à coluna, Jair Bolsonaro usufrui de todo este aparato, ou seja, oito assessores mais dois veículos oficiais. Os cargos em comissão são de livre escolha do ex-presidente. O início do cumprimento de pena definitiva de Bolsonaro nesta terça-feira (25/11) como líder da organização criminosa da trama golpista não cessa o direito dele ao benefício.
Até novembro de 2025, essas despesas relacionadas a Bolsonaro já custaram R$ 994,5 mil aos cofres da União. O valor representa o menor gasto comparado aos anos anteriores. Em 2024, foram R$ 1,79 milhão; já em 2023, primeiro ano do ex-capitão da reserva após deixar o cargo de presidente da República, as despesas totalizaram R$ 1,95 milhão.
Essa redução registrada ao longo deste ano pode ser explicada em razão do agravamento da situação de Bolsonaro no decurso do julgamento da trama golpista. Neste período, o ex-presidente passou a cumprir medidas restritivas, como impedimento de deixar o país. Além disso, mais recentemente, passou a cumprir prisão domiciliar.
De forma geral, as despesas para manter o aparato da equipe pessoal, além de salários e gratificações, envolvem: diárias fora e dentro do país; passagens aéreas; locação de meio transporte; telefonia.
A manutenção do veículo oficial e gasto com combustível e lubrificantes também são bancados pelos cofres públicos.
Os ex-titulares do Palácio do Planalto, a exemplo de Bolsonaro, têm uma série de despesas custeadas com dinheiro público. Elas estão classificadas em um grande guarda-chuva, cujo centro de custo recebe o nome técnico de “medidas de segurança”.
São elas: manutenção e conservação do veículo; combustíveis e lubrificantes; passagens para dentro e fora do Brasil; diárias nacionais e internacionais; serviços telefônicos. Em relação aos assistentes, eles recebem gratificação por ocupar o cargo em comissão e recebem diárias “em missão” dentro e fora do Brasil.
Quando precisam deixar o país para acompanhar o ex-presidente em alguma viagem internacional, os assessores, assistentes e seguranças precisam comunicar a Secretaria de Administração da Secretaria-Executiva da Casa Civil da Presidência da República. As designação e despachos são publicadas no Diário Oficial da União (DOU).
As remunerações de Jair Bolsonaro
Não existe salário de ex-presidente da República. Desde que deixou oficialmente o Palácio do Planalto, Jair Bolsonaro acumula três remunerações, que juntas, atualmente, totalizam mensalmente R$ 88,29 mil por mês.
Como militar reformado do Exército, Jair Bolsonaro ganha atualmente R$ 12.861,61. Já na Câmara dos Deputados, 0 ex-deputado federal aparece na folha de pagamento dos parlamentares aposentados com remuneração bruta de R$ 41.563,98.
Filiado ao Partido Liberado (PL) comandado por Valdemar da Costa Neto, a legenda não deixou Bolsonaro desamparado desde que ele deixou o Planalto. Com cargo de presidente de honra do PL, ele tem salário de R$ 33.873,67.
Documentos obtidos pela coluna mostram que, em agosto deste ano, Valdemar Costa Neto consultou o advogado do PL para saber se a legenda deveria continuar pagando o salário de Jair Bolsonaro, uma vez que o ex-presidente da República estava em prisão domiciliar. O advogado autorizou a continuidade dos pagamentos.
Fonte: TÁCIO LORRAN/METRÓPOLES - 26/11/2025
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