sábado, 14 de fevereiro de 2026

Calote ecumênico: Fictor tem dívidas milionárias com igrejas e entidades religiosas


                                               foto:reprodução



 Igrejas, institutos e associações religiosas investiram dinheiro arrecadado de fiéis no Grupo Fictor, investigado pela Polícia Federal (PF) por crimes financeiros e gestão fraudulenta. Ao menos seis entidades de caráter religioso – entre católicos, evangélicos e budistas – constam na lista de credores da empresa, que entrou em recuperação judicial no início deste mês em razão de dívidas que ultrapassam R$ 4,2 bilhões.

Cinco dessas associações religiosas aportaram R$ 1,8 milhão nas Sociedades em Conta de Participação, as chamadas SCPs, da Fictor. Trata-se de um modelo pouco transparente, que não tem seguro financeiro e que escapa das fiscalizações de órgãos de controle, como a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e o Banco Central (BC). A atuação suspeita da Fictor por meio das SCPs foi revelada pela coluna em maio de 2025. A empresa prometia aos investidores retorno superior a 26% ao ano, taxa considerada fora do comum. O negócio desandou de vez após a tentativa do grupo de comprar o Banco Master.

A lista de credores religiosos inclui duas igrejas evangélicas, uma comunidade católica ligada ao Frei Gilson, uma associação budista, uma ONG que trabalha com programas de “recuperação” de pessoas com vícios e uma entidade focada em crianças e adolescentes. Confira:

Cinco dessas associações religiosas aportaram R$ 1,8 milhão nas Sociedades em Conta de Participação, as chamadas SCPs, da Fictor. Trata-se de um modelo pouco transparente, que não tem seguro financeiro e que escapa das fiscalizações de órgãos de controle, como a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e o Banco Central (BC). A atuação suspeita da Fictor por meio das SCPs foi revelada pela coluna em maio de 2025. A empresa prometia aos investidores retorno superior a 26% ao ano, taxa considerada fora do comum. O negócio desandou de vez após a tentativa do grupo de comprar o Banco Master.

A lista de credores religiosos inclui duas igrejas evangélicas, uma comunidade católica ligada ao Frei Gilson, uma associação budista, uma ONG que trabalha com programas de “recuperação” de pessoas com vícios e uma entidade focada em crianças e adolescentes. Confira:






                                        fotos: Arte Metrópoles

Fundada há 41 anos em São Paulo, a Associação Budista Agon Shu investiu R$ 1 milhão nas SCPs da Fictor. A entidade apresenta os ensinamentos de Buda registrados na coletânea de Sutras Agama. A coluna procurou o monge Seiken, cujo e-mail é atribuído ao investimento na empresa, mas ele não quis comentar. “Não gostaria de me meter nessa situação, não. Não tenho nada a declarar”, afirmou o líder religioso.

Associação Beneficente Freis Carmelitas Mensageiros aportou R$ 630 mil na Fictor. A comunidade católica foi fundada em novembro de 2003 no Brooklin, São Paulo. A entidade diz estar presente em 13 paróquias do país e tem mais de 600 mil seguidores no Instagram. Um dos frades mais famosos do carmelo é o Frei Gilson.

O investimento na Fictor foi feito por meio do CNPJ de uma loja ligada à comunidade. A associação não quis falar com a reportagem. Os Carmelistas Mensageiros do Espírito Santo, contudo, têm construído um grande convento no estado. Em uma publicação feita no Instagram em outubro do ano passado, a entidade informou que o dinheiro das vendas feitas pela loja estava sendo usado no empreendimento. “A nossa casa religiosa está na fase dos acabamentos, e tudo isso só é possível graças às orações, doações e às compras feitas na Loja Mensageiros”, explicou.


Terceira do ranking dos credores religiosos, a Igreja Cristo Salva – Ministério Deus É Fiel investiu R$ 100 mil nas SCPs do grupo. A igreja evangélica fica em um prédio na Vila Santa Catarina, São Paulo. Já a Igreja Evangélica do Povo de Deus, de Jundiaí (SP), aplicou R$ 50 mil em contratos SCPs da Fictor.

Por sua vez, a ONG Celebrando a Recuperação Br investiu R$ 95 mil nas SCPs da Fictor. Com sede em Osasco (SP), a entidade trabalha com programas de recuperação para “maus hábitos, traumas emocionais e compulsões”. A metodologia é baseada em ensinamentos de Jesus Cristo.

Por fim, o Instituto Presbiteriano Piravivo consta na lista de credores da Fictor devido a um contrato de patrocínio no valor de R$ 33 mil. A entidade é vinculada à Igreja Presbiteriana Independente do Jardim Piratininga, na cidade de Osasco. O instituto trabalha com o objetivo de integrar socialmente crianças e adolescentes por meio da música, arte, cultura, educação e esporte.

Entenda a recuperação judicial da Fictor

No início deste mês, duas empresas do grupo, a Fictor Invest e Fictor Holding, entraram com o pedido de recuperação com dívidas de cerca de R$ 4,2 bilhões. No total, a lista de credores tem cerca de 13 mil pessoas físicas e jurídicas.

Algumas empresas negam que sejam credores do grupo. Esse é o caso da American Express, que encabeçou a lista apresentada pela holding financeira à Justiça, com crédito de R$ 891,3 milhões. O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) determinou que a empresa apresente nova lista de credores.

Há indícios de que a Fictor atuava junto a empresas de fachada. No âmbito da recuperação judicial, auditores visitaram mais de 15 endereços da empresa, em São Paulo, Goiás, Amazonas, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Bahia. Encontraram portas fechadas, salas comerciais vazias e até um depósito e uma pousada funcionando onde deveria existir uma usina de energia elétrica, conforme mostrou a coluna Dinheiro & Negócios, do Metrópoles.

Além disso, pelo menos sete subsidiárias indicadas pela Fictor em cinco estados sequer foram encontradas.

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fonte:Tácio Lorran/Metrópoles - 14/02/2026 - 09h:02

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