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A filiação do senador Sérgio Moro ao Partido Liberal (PL) no Paraná não gerou apenas desconforto — explodiu como uma crise anunciada. A aposta em um nome de projeção nacional para disputar o governo do estado revelou-se, em pouco tempo, um erro político de grandes proporções.
A possível saída de cerca de 80% dos prefeitos do partido no estado não é detalhe, nem exagero retórico. É um recado político direto: a base rejeitou o projeto. E, na política real, quando prefeitos saem, o partido sangra onde mais importa — no território.
Nos bastidores, a avaliação é convergente: falta a Sérgio Moro o elemento mais básico da política — capacidade de articulação. Sem diálogo, sem construção coletiva e sem disposição para negociar, qualquer projeto majoritário nasce comprometido.
Da técnica ao isolamento
O problema não é apenas de estilo, mas de adaptação. O perfil técnico e rígido, que marcou sua trajetória fora da política, colide com a lógica do poder, que exige flexibilidade, escuta e capacidade de compor. Sem isso, o isolamento deixa de ser risco e vira destino.
Some-se a isso o histórico recente. As críticas feitas ao partido e à família do ex-presidente Jair Bolsonaro não foram absorvidas — foram acumuladas. Em política, divergências mal resolvidas não desaparecem, apenas aguardam o momento de cobrar seu preço.
Se a debandada se confirmar, o PL no Paraná entra na disputa já enfraquecido. Sem base municipal, perde capilaridade, musculatura eleitoral e capacidade de influência. Fica maior no discurso do que na prática.
O mais revelador é o timing: a implosão ocorre antes mesmo da campanha ganhar as ruas. Não é desgaste natural — é rejeição antecipada.
A lição é conhecida, mas frequentemente ignorada: na política, ninguém constrói poder sozinho. E quem insiste nisso costuma descobrir cedo — e da forma mais dura.
Brigas de Moro e família Bolsonaro
A relação entre Sérgio Moro e Jair Bolsonaro foi marcada por idas e vindas, passando de distanciamento inicial à aliança no governo, ruptura pública e, mais recentemente, reaproximação pragmática.
O vínculo começou de forma simbólica em 2017, com um encontro frio. Em 2018, Moro aceitou o convite para ser ministro da Justiça, tornando-se peça central do governo Bolsonaro. A relação, porém, se deteriorou rapidamente com conflitos sobre autonomia e interferência na Polícia Federal, culminando na saída de Moro em 2020, com acusações diretas ao então presidente.
A partir daí, os dois passaram a protagonizar uma guerra pública, com ataques mútuos e rompimento político. Em 2022, houve uma reaproximação pontual no segundo turno das eleições, quando Moro apoiou Bolsonaro.
Fonte: VAI NA FONTE/PORTAL IG/REPRODUÇÃO -26/03/2026
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