Além da destruição do plantio das oliveiras, Israel está destruindo o banco de sementes dos palestinos | Crédito: Zain Jaafar/AFP
Destruir campos de oliveiras centenárias, proibir a colheita do zatar — erva símbolo da culinária local —, transformar o hummus e o falafel em “pratos típicos israelenses”. O projeto sionista de colonização da Palestina não se limita à terra e às casas: ele passa também pela mesa. Para a cozinheira e escritora Sandra Guimarães, que viveu seis anos na Cisjordânia, a alimentação é uma das frentes mais estratégicas — e menos conhecidas — da ocupação israelense.
“A gente imagina que uma limpeza étnica é expulsar todo mundo daquela terra. Existem outras maneiras de fazer isso e Israel usa todas”, afirma no BDFEntrevista da @radiobrasildefato. “Uma delas é destruir a conexão do povo palestino com a terra através das oliveiras, mas também destruir a cultura alimentar. Um povo que não come mais a sua comida tradicional fica mais vulnerável.”
Guimarães começa sua explicação pelo símbolo mais sagrado da resistência palestina: a oliveira. Árvores centenárias, algumas com mais de mil anos, são parte indissociável do território e da identidade do povo palestino.
“Oliveiras são árvores de crescimento lento e que precisam de muito cuidado. Além de ser um atestado da presença do povo palestino naquela terra, que estava cuidando daquelas oliveiras há muito, muito tempo, ela acabou se tornando um símbolo de resistência, do enraizamento na terra.”
A importância vai além do simbólico. O azeite e as azeitonas são centrais na economia palestina e na sua cultura alimentar. Desde o início da ocupação, no entanto, o território palestino vem sendo sistematicamente confiscado, e com ele, as oliveiras.
“Quando o exército israelense destrói uma oliveira, não está só destruindo um ser que tem centenas de anos, que foi passando de geração em geração. Uma oliveira é sua conexão com seus pais, seus avós, suas tataravós. Quando Israel arranca aquilo, além de destruir essa conexão, destrói também uma fonte de renda muito importante para o povo palestino”, declara.
Fonte: Brasil de Fato/Instagram - 28/03/2026
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