sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

Câmera: Ex-assessora de Arthur Lira exercia controle em indicações de emendas desviadas, diz PGR


                                         

egundo Gonet, Mariângela Fialek atuava para beneficiar organização criminosa com recursos públicos. PGR citou depoimentos coletados pela PF. - FOTO: Pablo Valadares/Agência Câmara




O procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirmou, com base em depoimentos coletados pela Polícia Federal (PF), que a ex-assessora do deputado federal Arthur Lira (PP-AL), alvo de operação nesta sexta (12/12), atuava na função de controle de “indicações desviadas de emendas decorrentes do orçamento secreto” para beneficiar uma organização criminosa “voltada à prática de desvios funcionais e crimes contra a administração pública e o sistema financeiro nacional”.

A funcionária da Câmara que foi alvo de mandados de busca e apreensão em casa e no trabalho é Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, atualmente lotada na Liderança do Partido Progressista na Casa. O celular dela foi apreendido na operação deflagrada pela Polícia Federal (PF).

Gonet disse ainda que o pedido da PF está “encorporado com significativos elementos, materializados em diversos depoimentos e análises policiais, sugestivos da atuação ilícita da requerida Mariângela Fialek”.

Embora esteja lotada na Liderança do PP na Câmara, Mariângela ainda trabalha com a liberação de emendas, agora assessorando Hugo Motta (Republicanos-PB), atual presidente da Câmara. Ela segue exercendo o mesmo papel que tinha com Lira e é considerada uma especialista no tema.

“O histórico de cargos estratégicos e os achados dos dados telemáticos confirmam as hipóteses levantadas, especialmente em decorrência das fortes evidências ancoradas nas citadas planilhas/tabelas armazenadas em nuvem, igualmente comprobatórias do papel crucial da investigada na alocação de emendas e distribuição de recursos”, escreveu Gonet.

O procurador-geral da República foi consultado nos autos pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino, relator de processos relacionados a emendas parlamentares, antes de ser autorizada a deflagração da operação.

Operação


O ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL) não é alvo da operação, que cumpriu mandados na Câmara dos Deputados. A ação é um desdobramento de investigação que contou com depoimentos de outros deputados, como Glauber Braga (PSol-RJ), José Rocha (União-BA), Adriana Ventura (Novo-SP), Fernando Marangoni (União-SP) e Dr. Francisco (PT-PI), além do senador Cleitinho (Republicanos-MG).

Os parlamentares foram ouvidos por agentes federais que investigam a liberação e o desvio de emendas parlamentares no âmbito do Orçamento Secreto, em um montante total de R$ 4,2 bilhões.

Batizada de Transparência, a ação policial tem como objetivo apurar irregularidades na destinação de recursos públicos por meio de emendas parlamentares.

Fonte: mETROPOLES/REPRODUÇÃO - 12/12/2025

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