A informação foi mencionada pela PF em depoimento prestado por Costa em 30 de dezembro. No relato da reunião da diretoria, anotado pela então funcionária do banco, o ex-presidente do BRB teria afirmado que era necessário efetuar compras de carteiras do Master, senão o banco de Daniel Vorcaro iria quebrar.
Costa respondeu à PF que a operação estava ocorrendo no momento da substituição de ativos do Master e que precisava ganhar tempo para isso, em seu papel de "zelar pelo BRB". O BRB comprou R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito que, segundo os investigadores, eram fraudadas. No ano passado, o banco estatal de Brasília informou que havia retomado parcialmente a perda.
O ex-presidente do BRB (Banco de Brasília), Paulo Henrique Costa, na sede da instituição, em Brasília Divulgação-30.mar.25 Um homem em traje formal, com um paletó escuro e camisa clara, está posicionado à frente de uma parede de madeira clara. "Se a gente olhar essa data, a gente está no meio do processo de substituição de carteiras. Então, todas as cessões que nós fizemos ao longo desse período, eu vou chamar final, elas tinham dois objetivos, cumprir o nosso objetivo de mudar a carteira do banco, de aumentar a rentabilidade, que está previsto no planejamento, e dois, permitir que a gente fizesse as substituições", disse Costa em depoimento à PF.
A informação sobre a suposta tentativa do ex-presidente do BRB em salvar o Master foi publicada pelo portal Metrópoles e confirmada pela Folha de S.Paulo.
No depoimento, a que a reportagem teve acesso, Costa também afirmou que o BRB começou a comprar carteiras de crédito do Banco Master em julho de 2024, que os papéis tinham "um desempenho adequado", e não existia nenhuma suspeita sobre os seus padrões documentais.
Ele disse ainda que as compras seguiram em 2025 e que, somente no final de abril daquele ano, começaram a ver, em função do tamanho dessas carteiras, um padrão documental diferente.
"Durante todo o processo de aquisição de carteiras do Banco Master, nós seguimos o mesmo padrão que seguíamos para todas as outras instituições financeiras e para todas as outras carteiras", disse ele.
Costa negou ter conhecimento de que as carteiras tinham origem na Tirreno, empresa que as investigações apontam ser de fachada e que seria a origem dos créditos falsos repassados pelo Master ao BRB.
De acordo com o ex-presidente, essas carteiras seguiam um padrão de desempenho esperado, com uma inadimplência de 0,08%, rentabilidade também dentro do que estava previsto, e um fluxo sem nenhum apontamento do Banco Central.
"Em abril [de 2025], pelo volume das carteiras, resolvemos ampliar os processos de verificação sem nenhum indício de que essa carteira era diferente, inclusive porque o próprio contrato do BRB com o Banco Master diz que as carteiras que eram compradas pelo BRB eram originadas pelo Banco Master", disse.
Nessa ampliação dos testes, segundo Costa, é que o banco percebeu que havia um padrão documental diferente e que essas carteiras não tinham sido originadas pelo Banco Master.
"Nesse momento, a gente aciona o Banco Master, pede uma auditoria independente e o fornecimento não mais de uma amostra, mas sim da totalidade dos contratos envolvidos. Com a demora no fornecimento desses documentos, a partir daí, a gente resolve adotar outras medidas prudenciais e de cautela, que foi agregar garantias e iniciar um processo de substituição de carteiras", acrescentou.
No dia 25 de maio, ele afirmou que o banco comunicou ao Banco Central que foi verificada uma estrutura de originação de crédito diferente, pois começou a ter um problema de repasse a partir da dificuldade de liquidez do próprio Banco Master.
Sobre a tentativa de aquisição do Master, ele disse que esta foi a terceira opção do BRB e que o tinha objetivo de tornar o banco competitivo, com presença de mercado e escala compatível com a sobrevivência.
Em nota, a defesa de Daniel Vorcaro disse que as carteiras de crédito objeto das tratativas com o BRB "foram efetivamente substituídas por outros ativos, todos regularmente registrados no balanço da instituição, auditados e precificados de acordo com metodologias formais de classificação de risco, sob supervisão do Banco Central".
" O BRB aprovou a aquisição dos ativos dentro dos parâmetros técnicos e contábeis vigentes à época. A defesa de Daniel Vorcaro lamenta que trechos de depoimentos estejam sendo divulgados fora de contexto, segue colaborando integralmente com as autoridades competentes e confia que a apuração técnica completa dos fatos afastará interpretações que não correspondem à realidade", disse.
Fonte:Por Constança Rezende e José Marques | Folhapress - 29/01/2026
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