Apesar de ter mantido a taxa básica de juros da economia brasileira no patamar de 15% ao ano, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) projetou, no comunicado que acompanhou a decisão, a redução da Selic a partir da próxima reunião do colegiado, em março deste ano.
O que diz o Copom no comunicado
No comunicado divulgado pelo Copom ao anunciar a decisão de manter a Selic em 15% ao ano, o colegiado praticamente antecipa que deve iniciar o ciclo de corte de juros a partir de março, o que confirmaria a expectativa da maioria dos analistas do mercado financeiro.
“O cenário atual, marcado por elevada incerteza, exige cautela na condução da política monetária. O Comitê avalia que a estratégia em curso tem se mostrado adequada para assegurar a convergência da inflação à meta. Em ambiente de inflação menor e transmissão da política monetária mais evidentes, a estratégia envolve calibração do nível de juros”, diz o Copom.
“O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta. O compromisso com a meta impõe serenidade quanto ao ritmo e à magnitude do ciclo, que dependerão da evolução de fatores que permitam maior confiança no atingimento da meta para a inflação no horizonte relevante para a condução da política monetária”, afirma o documento do BC.
Ambiente externo, política fiscal e inflação
No documento em que confirmou a manutenção dos juros básicos do país no patamar atual, o órgão do BC ponderou que “o ambiente externo ainda se mantém incerto em função da conjuntura e da política econômica nos Estados Unidos, com reflexos nas condições financeiras globais” e que “tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por tensão geopolítica”.
Em relação ao cenário doméstico, o Copom afirma que “o conjunto dos indicadores segue apresentando, conforme esperado, trajetória de moderação no crescimento da atividade econômica, enquanto o mercado de trabalho ainda mostra sinais de resiliência”.
“Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e as medidas subjacentes seguiram apresentando arrefecimento, mas mantiveram-se acima da meta para a inflação”, diz o texto.
Neste ponto, a projeção de inflação do Copom para o chamado “horizonte relevante” de política monetária (quando os juros altos devem surtir efeito expressivo na economia) se manteve igual à do último comunicado, divulgado em dezembro do ano passado: 3,2%.
“As expectativas de inflação para 2026 e 2027 apuradas pela pesquisa Focus permanecem em valores acima da meta, situando-se em 4,0% e 3,8%, respectivamente. A projeção de inflação do Copom para o terceiro trimestre de 2027, atual horizonte relevante de política monetária, situa-se em 3,2 % no cenário de referência”, diz o documento.
De acordo com o Copom, no entanto, “os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, seguem mais elevados do que o usual”. “Entre os riscos de alta para o cenário inflacionário e as expectativas de inflação, destacam-se uma desancoragem das expectativas de inflação por período mais prolongado; uma maior resiliência na inflação de serviços do que a projetada em função de um hiato do produto mais positivo; e (uma conjunção de políticas econômicas externa e interna que tenham impacto inflacionário maior que o esperado, por exemplo, por meio de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada”, afirma o Copom.
“Entre os riscos de baixa, ressaltam-se uma eventual desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada do que a projetada, tendo impactos sobre o cenário de inflação; uma desaceleração global mais pronunciada decorrente do choque de comércio e de um cenário de maior incerteza; e uma redução nos preços das commodities com efeitos desinflacionários”, prossegue o comunicado.
No documento, o órgão do BC afirma que “segue acompanhando os impactos do contexto geopolítico na inflação brasileira, e como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza”. “O cenário segue sendo marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, resiliência na atividade econômica e pressões no mercado de trabalho”, diz o texto.
A decisão do Copom
Essa foi a quinta reunião consecutiva do Copom em que a taxa permaneceu no mesmo patamar. Os juros estão no maior nível desde 2006.
A manutenção da taxa era esperada pelo mercado financeiro, embora alguns especialistas acreditassem em uma redução. O mercado aposta que o BC só iniciará um ciclo de cortes em março.
A política monetária restritiva teve início em setembro do ano passado, quando o comitê decidiu interromper o ciclo de cortes e elevar a Selic, que passou de 10,5% ao ano para 10,75% ao ano.
A taxa básica de juros é o principal instrumento do Banco Central (BC) para controlar a inflação. A Selic é utilizada nas negociações de títulos públicos emitidos pelo Tesouro Nacional no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve de referência para as demais taxas da economia.
Quando o Copom aumenta os juros, o objetivo é conter a demanda aquecida, o que se reflete nos preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Assim, taxas mais altas também podem conter a atividade econômica.
Ao reduzir a Selic, por outro lado, a tendência é de que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle da inflação e estimulando a atividade econômica.
A próxima reunião do Copom para a definição da taxa básica de juros acontecerá nos dias 17 e 18 de março.
Fonte:Metrópoles - 28/01/2026

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