
O prefeito de Recife, em Pernambuco, João Campos (PSB), concedeu, na manhã desta sexta-feira (30), uma entrevista exclusiva ao ICL Notícias — 1ª edição. João falou sobre a acusação de espionagem da Polícia Civil, comandada pelo governo de Raquel Lyra (PSD), sobre um secretário da Prefeitura da capital do estado.
Conforme reportagem veiculada pela TV Record no domingo (25), Gustavo Queiroz Monteiro, secretário municipal de Articulação Política e Social, foi seguido por policiais civis de agosto a outubro de 2025. Os agentes acompanhavam o carro utilizado por ele e pelo irmão dele, Eduardo, e trocavam mensagens em um grupo. Em setembro, houve a instalação de um rastreador no veículo, sem ordem judicial.
A Polícia Civil confirmou o monitoramento e disse que a investigação ocorreu devido a uma denúncia sobre recebimento de propina, e que o veículo da frota da prefeitura, usado pelo secretário, era o foco da apuração.
Ao ICL Notícias – 1ª edição, João Campos explicou a situação de espionagem envolvendo o secretário municipal de Articulação Política e Social. O prefeito de Recife classificou a ação como “100% clandestina, criminosa e ilegal”
“Foi criado um grupo de WhatsApp com três delegados da alta cúpula da polícia, da inteligência e sete agentes, denominado ‘nova missão’, e eles tiveram a ordem de perseguir e rastrear 24 horas por dia por mais de dias o secretário da Prefeitura. Não foi feito um BO, não foi feita uma VPI, não foi aberto inquérito, não teve ordem judicial, nada. Foi comprado um rastreador na internet, instalado no carro oficial da Prefeitura, de forma criminosa, e passaram 90 dias rastreando e com 10 policiais perseguindo o secretário. Não há um ato forma da polícia”, disse.
“Isso é um crime flagrante, foi reconhecido pela própria Secretaria e quando a imprensa denunciou, eles disseram que a investigação foi encerrada, que o secretário é inocente e nada foi encontrado. Isso é criminoso e ilegal. Isso remete a tempos de chumbo, à ditadura. Quem teve práticas como essas foi o DOI-CODI, é a Gestapo, é a polícia política de ditaduras autoritárias”, completou.
Na entrevista, João Campos também mencionou denúncias de outras ações que teriam direcionamento eleitoral. O prefeito e a governadora Raquel Lyra (PSD) devem se enfrentar nas eleições deste ano para o Governo de Pernambuco.
“Investigações foram desarquivadas, com interesse eleitoral, durante a minha reeleição. O fato é que uma instituição séria, que é polícia de Pernambuco, está sendo manipulada por uma parte dessa instituição e tendo orientação política. É inaceitável porque hoje é contra mim e amanhã pode ser contra qualquer pessoa. Instituição de Estado não é para ter atuação política. Vou tomar todas as medidas necessárias para que isso não se repita”, salientou João Campos.
João Campos foi questionado pelo jornalista Leandro Demori, do ICL Notícias, sobre as mensagens vazadas do grupo de policiais civis que monitorou o secretário Gustavo Queiroz Monteiro. “Eles admitiram que tudo é verdade. Eles disseram que o alvo não eram as pessoas e seria o carro. Porém, a primeira imagem do grupo é o secretário dizendo o alvo”.
“Eles disseram, ainda, que era uma investigação prévia Eu desafio mostrar qualquer ato formal porque foi clandestino. Logo no início do grupo, quando eles colocam o rastreador no carro, o delegado, chefe da inteligência do estado, pergunta a um agente quando tempo dura a bateria e aí, ele diz que dura aproximadamente 1 ano. Isso em setembro de 2025. O 02 dele responde, então, que 1 ano é o período que deve durar a missão, até setembro deste ano, que é a eleição”.
“Está na cara que é uma arapongagem criminosa. Nós vamos tomar todas as medidas porque não podemos achar que isso é normal. A democracia vem sofrendo ataques. As pessoas estão achando que é normal, mas se a gente for normalizando isso, a democracia vai ficar troncha e não vamos voltar ao normal. Não podemos achar que é normal que isso acontece, não é normal uma Abin Paralela, não é normal uma ação como foi feita na Lava Jato, com fins políticos, e não é normal uma polícia de um estado fazer isso”, completou.
João Campos denuncia ‘motivação política’ em ação do governo Raquel Lyra
O prefeito de Recife, João Campos, afirmou que não tem dúvidas de que o interesse da ação é “político”. “Minha primeira suspeita é de que eles queriam construir um falso flagrante para tentar incriminar uma pessoa ligada a mim. A polícia aqui em Pernambuco comenta que João aparece à frente nas pesquisas, tem uma aliança consolidada com o presidente Lula, uma frente política ampla e há um desespero de tentar ganhar essa eleição no tapetão, de qualquer jeito. Você pode ganhar ou perder, mas não vale tudo em uma eleição”.
“Eu não vou usar de uma arma que tentaram me ferir para ferir outra pessoa. As ações serão na Justiça brasileira, seguindo o processo legal, dando o direito à ampla defesa porque a gente precisa seguir a regra das coisas. Não adianta eu ser vítima de um ato criminoso e responder tentando fazer outro ato errado. A gente vai procurar a Justiça, as instituições brasileiras e falar”, completou.
FONTE: ICL NOTÍCIAS - 30/01/2026
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