segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Brasil amplia desdolarização e desafia hegemonia financeira dos EUA


Imagem:reprodução


O movimento de redução da dependência global do dólar ganhou força com uma decisão recente do Brasil, que vai além do campo financeiro e alcança o comércio internacional. Após a Índia diminuir sua exposição a títulos do Tesouro americano, o Brasil adotou uma postura ainda mais contundente, sinalizando uma mudança estratégica de longo prazo.

Entre outubro de 2024 e outubro de 2025, o país vendeu US$ 61,1 bilhões em títulos do Tesouro dos Estados Unidos, o que representa cerca de 27% de suas posições nesses ativos. Trata-se da maior redução proporcional registrada no período, superando cortes realizados por economias como Índia e China, mesmo considerando que Pequim ainda detenha um volume absoluto muito maior de Treasuries.

O timing da decisão chama atenção. A venda ocorreu em um momento de juros elevados nos EUA, cenário que tradicionalmente atrai bancos centrais em busca de rendimento e segurança. Isso reforça a avaliação de que o movimento brasileiro teve motivação estratégica, e não apenas financeira.

Paralelamente, o Brasil passou a reforçar suas reservas em ouro. Em apenas três meses, foram incorporadas 43 toneladas, elevando o total para cerca de 172 toneladas. A estratégia segue o mesmo caminho adotado por outros grandes emergentes, como Índia e China, que vêm buscando diversificar suas reservas internacionais.

Soja sem dólar: impacto direto no comércio global

Se o ajuste nas reservas financeiras já é relevante, o maior impacto para os Estados Unidos ocorre no comércio exterior. Brasil e China deram início à liquidação do comércio de soja em moedas locais, eliminando o uso do dólar nessas operações.

O movimento é significativo porque envolve dois protagonistas centrais desse mercado: o Brasil, maior produtor e exportador mundial de soja, e a China, maior importadora global, responsável por algo entre 60% e 66% da demanda internacional do grão.

A mudança indica que mecanismos como linhas de swap cambial e sistemas alternativos de pagamento já estão operacionais, permitindo transações bilaterais fora do sistema tradicional dominado pelo dólar.

Desdolarização deixa o discurso e vira política

A combinação de venda de títulos americanos, aumento das reservas em ouro, comércio internacional em moedas locais e fortalecimento de instituições financeiras ligadas aos BRICS aponta para uma conclusão clara: a desdolarização passou a ser uma política ativa, e não apenas retórica diplomática.

Mesmo diante de alertas recorrentes do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, os países do bloco seguem acelerando iniciativas para reduzir a dependência da moeda americana. O movimento sugere uma reconfiguração gradual, porém consistente, da arquitetura financeira global — com efeitos que tendem a se aprofundar nos próximos anos.


Fonte: ICL NOTÍCIAS - 26/01/2026

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