foto:reprodução
A segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada na manhã nesta quarta-feira (14/1), investiga o esquema financeiro atribuído ao Banco Master e também colocou no radar da Polícia Federal (PF) o empresário João Carlos Mansur (foto em destaque), fundador da Reag Investimentos.
Mandados de busca e apreensão foram cumpridos em endereços ligados ao empresário, por determinação do Supremo Tribunal Federal.
Segundo a apuração da Polícia Federal, a Reag aparece nas investigações por administrar fundos que teriam sido usados para inflar artificialmente o patrimônio do Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro.
A suspeita é de que estruturas financeiras tenham sido utilizadas para simular operações de crédito, criar lastro fictício e dar aparência de solidez a ativos que não correspondiam à realidade contábil.
Fontes ligadas à investigação apontam que parte dos indícios contra o núcleo financeiro surgiu a partir da análise de movimentações consideradas atípicas em fundos sob gestão da Reag.
Entre os pontos que chamaram a atenção dos investigadores estão operações de curtíssimo prazo com rentabilidades extraordinárias, incompatíveis com padrões normais do mercado financeiro.
A ação desta quarta-feira incluiu a apreensão de documentos, equipamentos eletrônicos e materiais que devem ajudar a Polícia Federal a reconstruir o fluxo de recursos entre fundos, empresas e pessoas físicas.
O objetivo é identificar quem se beneficiou diretamente das operações suspeitas e qual foi o papel de cada agente no esquema investigado.
Operação Carbono Oculto
A Reag já havia sido alvo de outra investigação da Polícia Federal, no ano passado, no âmbito da Operação Carbono Oculto, que apura a infiltração do crime organizado no setor financeiro e de combustíveis.
Após aquele episódio, João Carlos Mansur deixou o comando do conselho de administração da gestora, que posteriormente anunciou a venda do controle acionário.
Nesta nova fase da Compliance Zero, a Polícia Federal afirma que o foco é aprofundar a apuração sobre a engrenagem financeira que sustentava o esquema investigado, avançando sobre gestores, operadores e estruturas que teriam viabilizado as supostas fraudes bilionárias.
Até o momento, a defesa de João Carlos Mansur não se manifestou publicamente sobre as buscas. O espaço segue aberto para posicionamento.
João Carlos Mansur
Com mais de 35 anos de carreira, Mansur é formado em Ciências Contábeis pela Faculdade de Ciências Econômicas de São Paulo (Facesp). No início de sua trajetória profissional, ele atuou nas áreas de auditoria e controladoria e, em seguida, fez a migração para o mercado financeiro. Antes de fundar a Reag, trabalhou na estruturação de mais de 200 fundos de investimento (Imobiliários FII, de Participações FIP e de Direitos Creditórios FIDC), de acordo com informações de sua conta no LinkedIn.
Além do mercado financeiro, o empresário está envolvido em negócios com clubes de futebol do Brasil e já teve passagens por empresas como Monsanto, PwC e WTorre. Ele também participou de projetos em uma companhia que leva o nome do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump – a Trump Realty Brazil.
Negócio com Trump
A Trump Realty Brazil foi uma joint venture fundada em 2003 com o objetivo de levar a marca Trump para o mercado imobiliário de luxo no país. “Joint venture” é um modelo de colaboração empresarial que consiste na união de duas ou mais empresas com o objetivo de executar um projeto.
A companhia foi formada a partir de uma parceria entre a Trump Organization, de Trump, e o empresário brasileiro Ricardo Bellino, que foi o CEO da operação no Brasil. A empresa foi montada com o intuito de desenvolver empreendimentos de alto luxo, como edifícios residenciais, comerciais e hoteleiros, com a marca Trump.
Vários projetos da Trump Realty Brazil não foram concluídos e outros nem sequer saíram do papel. O vínculo com Trump só durou três anos, até 2006. Mansur menciona a passagem pela empresa como parte de sua trajetória profissional.
Clubes de futebol
João Carlos Mansur também é ligado ao universo do futebol. Em 2023, ele foi o mais votado para o Conselho de Orientação e Fiscalização (COF) do Palmeiras, um dos maiores times do Brasil. Cabe ao órgão independente fiscalizar as contas do clube, hoje administrado por Leila Pereira, presidente da Crefisa – de quem Mansur é considerado um aliado próximo.
Antes disso, o fundador da Reag já havia participado ativamente do processo de estruturação do projeto do Allianz Parque, estádio do time, quando trabalhava na WTorre – empresa responsável pela construção e administração da arena.
Ainda no âmbito futebolístico, a Reag, de Mansur, participou da administração da Arena do Grêmio e é responsável pela Arena Fundo FII, que faz a contabilidade da Neo Química Arena, estádio do Corinthians.
A gestora também faz a gestão e investimentos na Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Juventus, tradicional time de futebol do bairro da Mooca, em São Paulo. A SAF foi aprovada pelo clube em julho deste ano. Instituído no Brasil em 2021, por meio da Lei nº 14.193, a SAF é um instrumento que permite aos clubes de futebol do Brasil se transformarem em empresas.
Outro clube tradicional do futebol paulista, a Portuguesa de Desportos, também tem ligação com a Reag de Mansur. Um dos braços da companhia, a Reeve, faz investimentos no projeto do Novo Canindé – que prevê a reforma e a ampliação do estádio da equipe a partir de 2026. Por contrato, a Reeve deve gerir o estádio por 50 anos.
Fonte: Mirelle Pinheiro/Metrópoles/reprodução - 14/01/2026






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