quarta-feira, 4 de março de 2026

Banco Master: “Sicário” ligado a Vorcaro tenta tirar a própria vida em cela da PF em MG

 

                                            foto:reprodução




247- Um dos presos da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quarta-feira (4), tentou tirar a própria vida enquanto estava sob custódia da Polícia Federal na Superintendência Regional da corporação em Minas Gerais. O detido foi identificado como Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão.

Segundo a Polícia Federal, agentes que estavam no local perceberam a situação e iniciaram imediatamente os procedimentos de socorro. A instituição informou que policiais federais realizaram manobras de reanimação e acionaram o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) para prestar atendimento médico.

A equipe do SAMU deu continuidade ao atendimento ainda nas dependências da superintendência. De acordo com a Polícia Federal, o custodiado será encaminhado à rede hospitalar para avaliação e tratamento médico.

Ainda conforme a corporação, o episódio foi comunicado ao gabinete do ministro relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF). A Polícia Federal também informou que disponibilizará todos os registros em vídeo que mostram a dinâmica do ocorrido.

A instituição acrescentou que será instaurado um procedimento interno para apurar as circunstâncias do episódio. O objetivo, segundo a PF, é esclarecer detalhadamente como ocorreu o fato dentro das instalações sob responsabilidade da corporação.

Investigação sobre rede de vigilância

Mourão foi preso nesta quarta-feira (4)  no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura a atuação de um grupo associado ao Banco Master. Segundo o jornal O Globo, as investigações, ele liderava uma estrutura informal conhecida como “A Turma”, utilizada para realizar vigilância, coleta de informações e monitoramento de pessoas consideradas adversárias ou críticas ao grupo investigado.

A Polícia Federal aponta que Mourão receberia cerca de R$ 1 milhão por mês para executar esses serviços classificados pelos investigadores como ilícitos.

O inquérito também indica que ele teria acessado bases restritas de órgãos públicos utilizando credenciais de terceiros. Entre os sistemas consultados estariam bancos de dados da própria Polícia Federal, do Ministério Público Federal e até plataformas internacionais de segurança.

Suspeita de plano contra jornalista

Na decisão que autorizou a prisão de Mourão, do banqueiro Daniel Vorcaro e de outros alvos da operação, o ministro André Mendonça afirmou que há indícios de que o empresário teria discutido com Mourão a possibilidade de simular um assalto ou criar uma situação semelhante para atingir o colunista Lauro Jardim.

Segundo o magistrado, a intenção seria “prejudicar violentamente” o jornalista e, assim, “calar a voz da imprensa que ousasse emitir opinião contrária aos seus interesses privados”. Em nota, Vorcaro negou que tenha intimidado ou ameaçado jornalistas. 

Defesa e audiência de custódia

A defesa de Mourão afirmou ter sido surpreendida pela informação sobre a tentativa de suicídio. Um advogado foi enviado à sede da Polícia Federal em Belo Horizonte para acompanhar a situação. Mais cedo, durante depoimento à corporação, o investigado exerceu o direito constitucional de permanecer em silêncio. Ele ainda deveria passar por audiência de custódia nesta quarta-feira.

Histórico de investigações

Ainda segundo o Globo, Mourão já responde desde 2021 a uma ação do Ministério Público de Minas Gerais que apura suspeitas de lavagem de dinheiro, organização criminosa e crime contra a economia popular. De acordo com a investigação, ele e outros envolvidos teriam estruturado um esquema de pirâmide financeira para captar investidores em diversas regiões do país.

Entre junho de 2018 e julho de 2021, o investigado teria movimentado cerca de R$ 28 milhões em contas bancárias vinculadas a empresas sob seu controle.

As autoridades também apontam que, antes de integrar o suposto esquema de pirâmide, Mourão atuava como agiota. Uma análise feita pelo setor de inteligência da Polícia Militar de Minas Gerais em um celular apreendido do acusado indicou que ele exercia papel de liderança dentro da organização investigada.

Contestação da defesa

Nos autos do processo relacionado às suspeitas financeiras, os advogados de Mourão contestam a validade de parte das provas utilizadas na investigação. A defesa argumenta que determinados elementos teriam sido obtidos sem autorização judicial.

Segundo o pedido apresentado ao Judiciário, há indícios de que o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) teria solicitado informações a instituições financeiras sem que houvesse decisão judicial para quebra de sigilo bancário.

“Os autos ainda revelam indícios de que o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) tenha diligenciado perante as instituições financeiras para ter acesso a informações dos réus meio das quais foram obtidos novos elementos para a evolução das investigações, malgrado inexistente decisão para a quebra de sigilo bancário. Essas movimentações investigativas não eram do conhecimento da Autoridade Policial, tampouco houve requerimento dirigido ao juízo nesse sentido”, afirma a defesa no processo.

FONTE: BRASIL 247 - 04/03/2026

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