terça-feira, 30 de junho de 2026

Coordenador da pré-campanha de Flávio Bolsonaro compra mansão por R$ 14,5 milhões



                                    Patrimônio de José Vicente Santini chega a R$ 23 mi e foi construído depois de seus cargos no governo de Jair Bolsonaro - FOTO:REPRODUÇÃO/ICL



 Por Alice Maciel e Juliana Dal Piva 

O advogado José Vicente Santini, um dos coordenadores da pré-campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL/RJ), comprou, em setembro de 2025, uma mansão no Lago Sul, bairro nobre de Brasília, por R$ 14,5 milhões. Ao todo, o patrimônio de Santini é de ao menos R$ 23 milhões, em nove imóveis adquiridos desde de 2022, conforme levantamento do ICL Notícias.

A aquisição mais recente, a mansão no Lago Sul, tem uma área total de 1.312,50 metros quadrados e 635,8 metros quadrados de área construída. De acordo com as certidões de matrícula e escritura do imóvel, obtidas pelo ICL Notícias, ele pagou R$ 4 milhões de entrada e financiou R$ 10,5 milhões no Banco Regional de Brasília (BRB). No documento, não há  informação de como o pagamento da entrada foi realizado, se em dinheiro ou transferência bancária, por exemplo, como determina a Corregedoria Nacional de Justiça (CNJ).

O imóvel foi comprado por Santini em conjunto com sua companheira, a jornalista Mariana Flores Pinto. O empréstimo junto ao BRB prevê parcelas iniciais de R$ 128 mil mensais, com prazo de pagamento de 30 anos pela tabela SAC (Sistema de Amortização Constante).

O valor do empréstimo, de R$ 10,5 milhões, chama a atenção porque as regras do financiamento exigem que a prestação não comprometa mais de 30% da renda mensal de quem o contrata. O ICL Notícias fez uma simulação baseada nas regras do BRB descritas no contrato e verificou que, para pagar R$ 128 mil por mês de prestação, Santini e a companheira tiveram que comprovar uma renda de cerca de R$ 429 mil, ou seja, uma renda mensal de quase meio milhão de reais.

Em primeiro plano, mansão comprada por Santini no Lago Sul, bairro nobre do DF, por R$ 14,5 milhões (Foto: Marlus Naves)
Em primeiro plano, mansão comprada por Santini no Lago Sul, bairro nobre do DF, por R$ 14,5 milhões (Foto: Marlus Naves)

A reportagem esteve no local nesta segunda-feira (29), por volta das 11h50. A pessoa que atendeu a reportagem informou que o imóvel está vazio, uma vez que passa por obras desde abril. Questionado pelo ICL Notícias, Santini disse que ainda não sabe se pretende morar no imóvel. “Fiz um negócio que eu achei que o preço..  que era um local que podia valorizar. Então, eu não sei ainda se eu vou tentar me organizar e botar à venda. Eu não sei se vou futuramente colocar meu escritório de advocacia. Não sei ainda”, afirmou Santini.

Ele também disse que a renda necessária para comprovar quase R$ 500 mil é oriunda, em grande parte, de seu escritório de advocacia e de uma empresa de segurança que possui com o irmão. “O dinheiro está tudo declarado, imposto está pago. Não tenho nenhum problema com nenhum desses assuntos aí que eu te falei. Tenho 20 anos de advocacia, tenho uma história familiar, tenho uma empresa”, completou, mas disse que não podia revelar quem são seus clientes e também afirmou não saber quantos advogados trabalham em seu escritório. Leia a entrevista completa aqui.

BRB no caso Master

A escritura pública feita para oficializar a compra do imóvel foi lavrada em 2 de setembro de 2025, no 2º Ofício de Notas de Sobradinho, no Distrito Federal.  Com isso, a operação de compra da mansão de Santini se deu dois meses antes da Operação da Polícia Federal contra o Banco Master, deflagrada em novembro, quando o banqueiro Daniel Vorcaro foi preso pela primeira vez.

O imóvel foi adquirido quando Santini ocupava o cargo de assessor especial no governo de Tarcísio de Freitas, com salários que variavam entre R$ 21 mil e R$ 23 mil. Desde o início de 2026, ele passou a integrar a equipe de pré-campanha de Flávio Bolsonaro. Nos bastidores do PL, ele é apresentado como o responsável por organizar os principais compromissos e agendas do primogênito do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Ele também tem atuado como advogado da legenda. “É uma coordenação informal, né? Assim é uma pré-campanha, né?”, explicou Santini, ao dizer que atuou na formulação de palanques. “Assim, precisava de alguém que conhecesse as pessoas para falar em nome dele (Flávio), né? Não dava pra ser qualquer pessoa, né? Pra ficar tratando assim com os candidatos, organizando os palanques, fazendo as estruturas ali das agendas dos estados”, observou sobre seu trabalho.

Trecho da escritura do imóvel

Início do patrimônio de Santini

O primeiro imóvel comprado por Santini foi adquirido em 2020. Era uma cobertura de 324 metros quadrados no bairro Noroeste, em Brasília, pela qual ele pagou R$ 3 milhões em um contrato direto com a construtora.

Já em 2022, ele fez um novo negócio e comprou sua primeira mansão no Lago Sul por R$ 6,7 milhões — no mesmo período em que recebia salário de R$ 16,9 mil mensais como secretário nacional de Justiça do governo Bolsonaro. O negócio foi revelado pelo portal Metrópoles. Na ocasião, ele colocou a cobertura como permuta para a compra já pelo valor de R$ 4,2 milhões. Essa é a casa onde ele mora atualmente, conforme apurou o ICL Notícias após ir até o local.

A casa comprada em 2022 é próxima do condomínio do Lago Sul onde Flávio Bolsonaro havia adquirido recentemente uma mansão por R$ 5,9 milhões. O presidenciável também obteve financiamento junto ao BRB para comprar sua mansão. O novo imóvel de Santini, comprado em 2025, também fica no mesmo setor residencial.

Três anos depois, a nova mansão adquirida pelo coordenador da pré-campanha de Flávio é mais do que o dobro daquele valor.

Em 2025, ele comprou também sete terrenos em São Paulo junto com seu irmão, o tenente Nelson Santini Neto. Ao todo, o investimento foi de cerca de R$ 1,8 milhão.

O imóvel

Somente o imposto de transmissão do imóvel (ITBI) da nova mansão de R$ 14,5 milhões custou R$ 290 mil. Na escritura, Santini aparece como titular de 86,21% do imóvel. Os 13,79% restantes foram adquiridos em nome de sua companheira, a jornalista Mariana Caetano Flores Pinto. Os dois declararam conviver em união estável sob regime de separação de bens desde 2015.

Desde 2019, Santini ocupa cargos públicos. Ele também é sócio de um escritório de advocacia registrado em Brasília, em sociedade com sua ex-assessora na Secretaria Nacional de Justiça, Belize Obes de Melo de Andrade. Além disso, em abril do ano passado, ele abriu, com outros dois sócios, uma empresa de “pesquisa e desenvolvimento experimental em ciências físicas e naturais”, a Crie-Deeptech Inova Simples.

Proximidade com o clã Bolsonaro

Santini ocupou diversos cargos no governo federal quando Jair Bolsonaro era presidente da República. Ele integrou o governo federal desde o início da gestão em 2019. Obteve salários que variavam entre R$ 13 e 17 mil ao longo dos anos até 2022.  Ele ficou nacionalmente conhecido em janeiro de 2020, quando foi demitido do cargo de número dois da Casa Civil após vir a público que solicitou um jatinho da Força Aérea Brasileira para voar da Suíça à Índia durante a agenda oficial do presidente no Fórum Econômico Mundial de Davos.

Apesar da demissão, ele foi rapidamente reacomodado. Em razão de sua proximidade com os irmãos Bolsonaro, ele voltou ao governo oito meses depois como assessor especial do então ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. Na sequência, passou a secretário-executivo da Secretaria-Geral da Presidência e, posteriormente, assumiu a Secretaria Nacional de Justiça — um dos principais cargos do Ministério da Justiça, responsável, entre outras atribuições, pela coordenação das políticas de combate à corrupção e à lavagem de dinheiro.

Fonte: ICL NOTÍCIAS/REPRODUÇÃO - 30/06/2026 07H:53

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