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domingo, 14 de junho de 2020

Mundo: Seul apela à Pyongyang após ameaças de irmã de Kim Jong-un

Kim Jong-un ao lado de sua irmã mais nova, Kim Yo-jong
© picture-alliance/dpa/Korea Summit Press Pool/Kyodo Kim Jong-un ao lado de sua irmã mais nova, Kim Yo-jong
O governo sul-coreano apelou, neste domingo (14/06), à Coreia do Norte para que respeite os acordos bilaterais alcançados até agora, depois de Pyongyang ter advertido romper os seus laços com Seul e de ter ameaçado com uma potencial ação militar.

"O governo [sul-coreano] está levando a sério a situação atual e o sul e o norte devem respeitar todos os acordos" que alcançaram anteriormente, afirmou o Ministério da Unificação da Coreia do Sul, em declaração divulgada pela agência de notícias Yonhap.
A declaração do Ministério vem horas depois de Kim Yo-jong, a influente irmã mais nova do líder norte-coreano, Kim Jong-un, e vice-diretora do Departamento da Frente Unida (um poderoso organismo do partido único que gere as relações com o sul) ter defendido a ruptura com o país vizinho e autorizado o Exército a tomar as medidas necessárias.

"Acho que é hora de romper com as autoridades sul-coreanas", disse Kim Yo-jong. Com a aprovação de seu irmão, do partido e do Estado, ela disse haver instruído as autoridades encarregadas de "assuntos com o inimigo a tomar a próxima ação."
O direito de realizar a "próxima ação" recai sobre o Estado-Maior do Exército da Coreia do Norte, disse Kim Yo-jong, citada pela agência de notícias estatal KCNA. A irmã do ditador afirmou que "seria melhor tomar uma série de medidas de retaliação do que fazer declarações."
Ativistas enviam panfletos por meio de balões através da fronteira intercoreana
© picture-alliance/Yonhap Ativistas enviam panfletos por meio de balões através da fronteira intercoreana

Como seria a "próxima ação" contra a Coreia do Sul não pôde ser lido do texto norte-coreano salpicado de insinuações. No entanto, Kim Yo-jong aparentemente aludiu à possível destruição do escritório de ligação intercoreano, na cidade fronteiriça de Kaesong. "Uma cena trágica do escritório de ligação norte-sul completamente inútil e em colapso será mostrada em breve", disse a irmã do governante.
Após a ameaça, o governo em Seul pediu à liderança comunista de Pyongyang que cumprisse todos os acordos bilaterais. A situação foi vista como "muito séria", afirmou o Ministério da Unificação.
Na sequência da mensagem, as autoridades sul-coreanas realizaram neste domingo uma reunião de emergência entre representantes do Ministério do Exterior, da Defesa, da Unificação e da Segurança Nacional para discutir a situação, e afirmaram que estão acompanhando de perto os movimentos militares no vizinho do norte e que estão preparados para qualquer situação.
Nos últimos dias, a liderança comunista em Pyongyang aumentou o tom das suas acusações contra a Coreia do Sul por não impedir ativistas de enviar numerosos panfletos por meio de balões, através da fronteira entre as duas Coreias. A ação dos folhetos é "um ato de ataque preventivo que precede uma guerra", afirmou a Coreia do Norte. Os panfletos em questão exigem, na maioria das vezes, a derrubada do regime autocrático norte-coreano.
fonte:DW - 14/06/2020 15h:36min.
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Em Salvador: "Eu sabia que podia passar por isso", diz jovem negro confundido com suspeito de roubo


"pensei que iriam me executar ali mesmo" foto:Adilton Venegeroles/reprodução
"É difícil estar em uma cela gelada, tendo que queimar plástico e papel, comer com a mão e passar frio. Sei que tem muita gente passando frio, mas você pagar por algo que não fez é um absurdo". Este é o relato do jovem estudante Gabriel Silva Santos que, na última sexta-feira, 12, foi preso nas proximidades do Centro Administrativo da Bahia (CAB), enquanto tentava sacar o auxílio emergencial em uma agência da Caixa Econômica. 
A prisão foi motivada pela suposta semelhança física de Gabriel, que é negro, com o suspeito de roubar um carro no local dois dias antes. O estudante foi abordado por policiais que, segundo ele, já se aproximaram atirando. Em seguida, foi levado para a Delegacia de Repressão a Furtos e Roubos de Veículos.
Sobre a abordagem policial, ele ressalta que foi pego de surpresa e ouviu de um dos agentes que a esposa da vítima do roubo havia reconhecido ele, 'apesar do cabelo estar diferente'. 
"Eles já desceram do carro atirando. Aí eu pensei que era um assalto, joguei meu celular para perto dele (policial) e coloquei minhas mãos atrás da cabeça. Ele disse que era polícia, me algemou, me colocou num canto e falou sobre o carro. Eu não sabia explicar porque não fazia ideia do que era. Eles chegaram a atirar perto do meu ouvido. Nesse momento, eu achei que já tinha recebido um tiro. Pensei que ele ia me executar ali mesmo", lembra o jovem. 
Na manhã deste domingo, 14, Gabriel foi solto após uma liminar da Justiça, e tomou conhecimento da repercussão do caso. Junto com familiares e amigos, o jovem participou de um protesto em frente ao Tribunal de Justiça da Bahia, no CAB.
"Achei incrível (a repercussão), porque já vi tantos casos acontecerem e eu acompanhava e compartilhava, porque sabia que podia passar por isso um dia", revela ele. 

Junto com familiares e amigos, Gabriel protestou na manhã deste domingo | Foto: Adilton Venegeroles | Ag. A TARDE
Junto com familiares e amigos, Gabriel protestou na manhã deste domingo | Foto: Adilton Venegeroles | Ag. A TARDE

Em busca de reparação
A advogada Natália Petersen alega que o fato de Gabriel ser negro foi fator preponderante para a atuação policial.  "Gabriel é um rapaz de 23 anos, que até outro dia estava trabalhando. Ele iniciou como menor aprendiz e foi efetivado na empresa mas, por conta dessa crise, foi demitido. Está em gozo de seguro-desemprego e tentando levar a vida da maneira honesta. Ele não merece esse tipo de tratamento por parte do Estado que, às vezes, se dá o direito de tomar uma pessoa como criminosa pela cor da pele", dispara. 
A advogada afirma ainda que a família entrará com uma ação, diante da ilegalidade da situação. Ela ressalta que buscará vias de reparação para que ele não sofra tantos danos com o ocorrido.
"Acho que tanto eu quanto os demais advogados que atuam nesse processo acreditamos que a prisão dele foi absolutamente ilegal. Não tem provas que respaldem a prisão dele. A gente vai adotar as medidas com cautela, dentro do que for possível e aos poucos. Até porque o habeas corpus dele ainda está sendo avaliado, e a gente precisa analisar com calma o que está acontecendo", disse a advogada.

Momento em que Gabriel deixou a delegacia e foi recebido por familiares | Foto: Cidadão Repórter A TARDE
Momento em que Gabriel deixou a delegacia e foi recebido por familiares | Foto: Cidadão Repórter A TARDE

Em nota, outros cinco advogados que acompanham o caso destacaram o fato de Gabriel ser asmático e, consequentemente, fazer parte do grupo de risco da Covid-19. Mesmo assim, após ser preso injustamente, ele foi colocado em uma cela com outras 13 pessoas, sendo seis com suspeita de contaminação pelo coronavírus. 
“Somatizei forças com a comissão da OAB, coletivos antirracistas, tem cinco profissionais aqui. A cela tem superlotação, são 14 pessoas em uma cela para 7, com 6 casos possíveis de Covid-19. Não foi feita a custódia, tem várias irregularidades”, afirma a advogada Maria Eugenia Damasceno PInto, que faz parte do grupo.
A reportagem do Portal A TARDE solicitou posicionamento da Polícia Civil sobre o caso. Por meio da assessoria de imprensa, foram enviadas informações sobre o registro da situação ocorrida na sexta-feira, 12, reproduzidas abaixo, na íntegra:
"CAB - Extorsão - O homem foi conduzido para DRFRV e autuado em flagrante por extorsão
 (Art 158). Uma guarnição da Polícia Militar, que o conduziu à especializada, recebeu denúncia
 de que ele estaria exigindo dinheiro do proprietário, para devolver um veículo roubado no 
dia 10 de Junho. Encaminhado para audiência de custódia, teve o flagrante convertido
 em prisão preventiva. As perícias pertinentes foram solicitadas, pessoas ouvidas
 e o inquérito será concluído e remetido à Justiça."

Brasil: "Invadir hospitais é crime, e estimular também ", diz ministro do Supremo


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Presidente Bolsonaro em live do dia 11/12/2020 ao lado do assessor internacional Felipe - foto:reprodução
Via UOL - O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes afirmou que estimular a invasão e invadir hospitais é crime. Na última semana, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) incentivou a população a "arranjar" uma maneira de entrar e filmar hospitais.
"É vergonhoso - para não dizer ridículo - que agentes públicos se prestem a alimentar teorias da conspiração, colocando em risco a saúde pública", escreveu Mendes em seu perfil do Twitter.
 (...)
Invadir hospitais é crime - estimular também. O Ministério Público (a PGR e os MPs Estaduais) devem atuar imediatamente. É vergonhoso - para não dizer ridículo - que agentes públicos se prestem a alimentar teorias da conspiração, colocando em risco a saúde pública.
Fonte:Conversa Afiada - 14/06/2020


General alinhado com Bolsonaro é uma vergonha, diz ex-presidente do Superior Tribunal Militar

"[Bolsonaro] seduziu alguns generais e os transformou em seus acólitos: uma vergonha para o Exército e um desrespeito com a Marinha e a Aeronáutica” afirmou o brigadeiro.
Em entrevista para o jornal italiano Il Fatto Quatidiano, o ex-presidente do Superior Tribunal Militar (STM), brigadeiro Sérgio Xavier Ferolla, afirmou que o alinhamento do Exército com Jair Bolsonaro é uma vergonha e desrespeito. "[Bolsonaro] seduziu alguns generais e os transformou em seus acólitos: uma vergonha para o Exército e um desrespeito com a Marinha e a Aeronáutica”, afirmou.
"As palavras de Sérgio Xavier Ferolla, tenente-general da Força Aérea e ex-presidente do Superior Tribunal Militar, têm peso no Brasil, onde parte dos oficiais começa a mostrar algum desconforto em relação ao presidente Bolsonaro e seu governo", inicia a reportagem.
Para o ex-presidente da corte militar, generais fazerem parte da equipe presidencial é danoso para a imagem das Forças Armadas. “Sobre alguns generais do Exército que fazem parte da equipe presidencial, já expressei minha opinião: eles provocam um dano à imagem das Forças Armadas, que não aceitam a participação deles em disputas partidárias e em atos radicais que ameaçam a democracia", afirmou.
O brigadeiro fez uma ligação entre as manifestações pró-Bolsonaro e as marchas de radicais dos Estados Unidos. "As manifestações promovidas pelo presidente são coordenadas por elementos de extrema direita, ligados por sua vez a extremistas americanos e a religiosos neopentecostais”, disse para o periódico italiano.
Essa insatisfação de membros do Exército tem elevado a pressão contra os militares que fazem parte do governo. Na última sexta (12), o ministro-chefe da Secretaria de Governo general Luiz Eduardo Ramos disse em entrevista para a Revista Veja, que tem recebido críticas dos "companheiros de farda" e que, por não desejar sair do governo, pretende ir para a reserva.
"Não me sinto bem. Não tenho direito de estar aqui como ministro e haver qualquer leitura equivocada de que estou aqui como Exército ou como general. Por isso, já conversei com o ministro da Defesa e com o comandante do Exército. Devo pedir para ir para a reserva. Estou tomando essa decisão porque acredito que o governo deu certo e vai dar certo. O meu coração e o sentimento querem que eu esteja aqui com o presidente", afirmou para a revista.
fonte: Erick Mota/Congresso em Foco - 14/06/2020

Rio: Quem é o bolsonarista que derrubou cruzes na praia de Copacabana

Hequel da Cunha Osório é o homem que tentou acabar com uma manifestação pacífica na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro. Ele é pai de Hequel Pampuri Osório, homem condenado pelo uso indevido de informações privilegiadas, o chamado insider trading, o que é crime no Brasil. Hequel da Cunha Osório é bolsonarista e foi presidente da Companhia Estadual de Gás do Rio de Janeiro (CEG), durante o governo de Marcello Alencar. As informações foram publicadas no Twitter pelo jornalista Eduardo Goulart de Andrade, colaborador do Intercept.
Sabe aquele "cidadão de bem" que derrubou cruzes que a ONG Rio de Paz instalou na praia de Copacabana (https://bit.ly/2MUlbSX )? Pois é, o homem que desrespeitou a morte de mais de 40 mil pessoas e a dor de seus familiares e amigos se chama Hequel da Cunha Osório. (1/14)
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Conforme mostrou o jornalista, o homem é dono da HCO Consultoria de Engenharia.

Hequel Pampuri atuou como advogado da Amil. Segundo a condenação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), ele utilizou de informações privilegiadas para lucrar com ações da empresa.
Assim como mostrou Eduardo Goulart de Andrade, Hequel comprou ações em nome de sua mãe, Maria Alice Pampuri Osório, "pouco antes da operadora de planos de saúde ser vendida para a gigante norte-americana UnitedHealth".
A compra de 8 mil ações foi feita pouco antes da empresa tornar público o negócio, no dia 8 de outubro de 2012. Com a venda das ações, o homem lucrou R$ 40.760.
O pai, Haquel da Cunha Osório, apagou todas as redes sociais após seu nome ficar conhecido por ter tentado destruir uma manifestação em homenagem aos mortos da covid-19.
O apoiador do presidente Jair Bolsonaro derrubou cada umas das 100 cruzes, que estavam colocadas nas areias para lembrar das vítimas fatais.
*Errata: Na primeira versão do texto, o Congresso em Foco trocou os nomes do filho, pelo do pai. O erro foi corrigido e por ele pedimos desculpas.

fonte:Congresso em Foco - 14/06/2020


Judiciário vê reação de Bolsonaro como temor de julgamento no TSE


Judiciário vê reação de Bolsonaro como temor de julgamento no TSE
foto:reprodução

Integrantes do STF (Supremo Tribunal Federal) e do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) veem no conteúdo da nota divulgada por Jair Bolsonaro na noite de sexta-feira (12) preocupação do governo com julgamento da chapa presidencial na corte eleitoral.

Na nota, Bolsonaro diz que Forças Armadas não cumprem ordens absurdas e não aceitam tomada de poder por julgamento político.

Magistrados ouvidos pela reportagem afirmam, reservadamente, tratar-se de mais uma tentativa de intimidação contra o Judiciário.

No entanto, não veem uma ameaça no documento, avalizado por militares e pelo vice-presidente Hamilton Mourão. Acreditam ser parte da retórica construída por Bolsonaro, mas que o governo segue cumprindo as decisões do Judiciário.

A corte eleitoral analisa um processo que pode levar à cassação da chapa eleita em 2018.

A ação foi aberta após a Folha de S.Paulo revelar, durante o segundo turno das eleições, que correligionários de Bolsonaro dispararam, em massa, centenas de milhões de mensagens, prática vedada pelo TSE.

O esquema foi financiado por empresários sem a devida prestação de contas à Justiça Eleitoral, o que pode configurar crime de caixa dois.

Na avaliação na cúpula do Judiciário, o comunicado desta sexta-feira não leva a crise para outro patamar. Segue a aposta do presidente numa estratégia de disparar ameaças para demonstrar força junto a seus simpatizantes.

Na própria noite de sexta, após o ministro Luiz Fux, do Supremo, ter publicado decisão ressaltando que as Forças Armadas não são poder moderador da República, Bolsonaro divulgou comunicado também assinado por Mourão e pelo ministro da Defesa, Fernando Azevedo - ambos generais da reserva.

"As FFAA [Forças Armadas do Brasil] não cumprem ordens absurdas, como por exemplo a tomada de poder. Também não aceitam tentativas de tomada de poder por outro Poder da República, ao arrepio das leis, ou por conta de julgamentos políticos", afirma o mandatário na nota.

A menção a "julgamentos políticos" é uma referência velada tanto ao STF quanto ao TSE. O fato de o vice-presidente ter assinado a nota, avaliam, também é um sinal de que há preocupação com a cassação na corte eleitoral.

Também na sexta, o ministro Og Fernandes, do TSE, pediu para o ministro Alexandre de Moraes informar se as provas colhidas no inquérito das fake news, que corre no Supremo, têm relação com as ações que pedem a cassação.

Apesar do tom de ameaça, ministros do STF lembram que Bolsonaro já adotou retórica semelhante contra a corte e o Congresso em outras ocasiões, numa estratégia de energizar seu núcleo mais fiel de apoiadores.

No entanto, o tom belicoso usado em outras ocasiões por Bolsonaro não levou ao Planalto a simplesmente descumprir alguma decisão judicial, o que levaria a crise entre os poderes a um nível inédito.

Quando o ministro Abraham Weintraub foi chamado a depor no inquérito das fake news, por exemplo, integrantes do governo chegaram a defender que ele não comparecesse à oitiva. No fim das contas, ele não faltou ao depoimento, embora tenha permanecido em silêncio.

Magistrados também avaliam que o fato de o ministro da Defesa ter assinado a nota serviu como recado aos quartéis da ativa. A nota diz que as Forças não cumprirão ordens para interferir em outros Poderes.

Os recados dúbios de Bolsonaro estavam levando preocupação a fardados da ativa.

A avaliação dos ministros da Suprema Corte é partilhada por líderes da oposição no Congresso Nacional e até por ex-aliados de Bolsonaro.

Eles argumentam que o comunicado do Planalto tem um forte componente de ameaça e de intimidação e afirmam que o mais preocupante é o ministro da Defesa ter endossado o documento.

"Uma nota sem sentido de ser divulgada, porque, no meu entendimento, ela se prestou mais à intimidação", disse o líder do PSL no Senado, Major Olimpio (SP), um ex-aliado de Bolsonaro que se converteu em desafeto.

O senador criticou o apoio de Azevedo ao texto e disse que ele em nada se assemelha à atitude do general Mark A. Milley, chefe do Estado-Maior Conjunto dos EUA, que pediu desculpas por ter participado da caminhada do presidente Donald Trump em meio a manifestações antirracistas no país. Ao se desculpar, o militar americano ressaltou o caráter neutro e distante da política partidária das Forças Armadas dos EUA.

"Os militares brasileiros deveriam se espelhar nos militares americanos que desautorizaram as loucuras do presidente Donald Trump", afirmou o deputado Paulo Teixeira (PT-SP).

"O art. 142 da Constituição é de redação minha e do sen. Richa. Qualquer dos 3 poderes pode requerer as FFAA na defesa da Constituição e da ordem. Nada a ver com tutela, moderação ou intervenção militar", disse o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) no Twitter.

Fonte: Por Julia Chaib, Renato Onofre e Ricardo Della Coletta | Folhapress - 14/06/2020

Bahia: Crescimento da curva de casos ativos de Covid-19 preocupa, diz secretário de Saúde

Crescimento da curva de casos ativos de Covid-19 na Bahia preocupa, diz Vilas-Boas
Foto: Divulgação / Sesab
Secretário da Saúde da Bahia (Sesab), Fábio Vilas-Boas classificou neste domingo (14) como preocupante o índice de crescimento doa casos ativos do novo coronavírus no estado. 

Segundo último boletim emitido pela pasta, no último sábado (13), a Bahia possui 19.440 casos ativos da Covid-19. 

"Preocupa sim [crescimento dos casos ativos]. Estamos paralisados numa taxa de crescimento de 4,5% já há quase duas semanas, sem cair abaixo disso”, respondeu Vilas Boas, através do Twitter.

O titular da Sesab divulgou um gráfico de crescimento dos casos ativos do novo coronavírus em território baiano (veja abaixo). Desde a última quarta-feira (10), o índice está acima do esperado. A última vez que isto havia acontecido foi no dia 7 de maio. Entre o dia 31 do último mês e 9 deste mês, a linha de crescimento estava no limite do projetado pelo estado.

Curva de crescimento dos casos de Covid-19 na Bahia | Foto: Divulgação / Sesab

Até o momento, a Bahia tem 35.788 casos confirmados do novo coronavírus, com  1.069 óbitos, e 15.279 recuperados. 

fonte:BN - 14/06/2020

Eleições 2020: Conheça os cenários possíveis para realização do pleito

Adiamento das eleições é debatido no Congresso
foto:reprodução/Arquivo da Gazeta do povo
Em um ano típico de eleições, esse seria o período em que as articulações políticas estariam se intensificando, com reuniões cada vez mais frequentes, notícias de negociações entre lideranças partidárias e rumores de quem sai ou não candidato em outubro. Mas 2020, definitivamente, está longe de ser um ano eleitoral típico.
A pandemia do novo coronavírus colocou o país – e o mundo – em suspenso, impondo o isolamento social e paralisando uma série de atividades. Ainda sem uma perspectiva clara de quando a epidemia irá perder força e quais seus desdobramentos futuros, a realização do pleito no dia 4 de outubro, para escolher novos prefeito e vereadores, é uma possibilidade cada vez mais distante.
Em entrevista coletiva no último dia 26 de maio, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Roberto Barroso, afirmou que o órgão está se preparando para realizar as eleições na data marcada. Porém, ressaltou que “a imprevisibilidade é a marca deste momento”. “As pessoas estão procurando estudar as curvas da doença para saber quando ela vai começar a decrescer, mas há risco de segunda onda. Não estamos lidando com uma doença conhecida e, portanto, estamos tratando com muita cautela, e uma das cautelas é não fazer previsões para um futuro muito distante”, disse.


Barroso não estipulou um prazo para definir se o pleito será mantido ou adiado, limitando-se a dizer que “o limite será as autoridades sanitárias relevantes dizerem ao TSE e ao Congresso Nacional que há um risco grande para a saúde pública na realização das eleições”. No Congresso Nacional, foi criada uma comissão mista, formada por deputados e senadores, para discutir em conjunto com o TSE qual a decisão a ser tomada. Já há propostas tramitando nesse sentido, prevendo apenas o adiamento ou estendendo o mandato de prefeitos e vereadores nos mais de 5,5 mil municípios brasileiros.

As propostas para adiar as eleições que estão na mesa

A realização das eleições municipais no primeiro domingo de outubro está regulamentada no artigo 29 da Constituição Federal. Portanto, para que essa data seja alterada, é necessária a aprovação de uma proposta de emenda à Constituição (PEC) em quatro votações, duas no Senado e duas na Câmara Federal. Quatro PECs nesse sentido já foram protocoladas no Senado, duas delas apenas adiando a votação e as outras duas propondo a prorrogação dos mandatos de prefeitos e vereadores.
De autoria do senador José Maranhão (MDB/PB), a PEC 22/2010 propõe que as eleições sejam adiadas pelo período de dois meses, com o primeiro turno se realizando no primeiro domingo de dezembro e o segundo turno, onde houver, no último domingo do mês. “O que dará condições a que, inclusive, sejam respeitados os mandatos dos atuais prefeitos, vice-prefeitos e vereadores”, justifica o autor do projeto.
Já a PEC 18/2020, do senador Randolfe Rodrigues (Rede/AP), é mais específica: transfere o pleito para 6 de dezembro e, onde houver segundo turno, para o dia 20 do mesmo mês. Isso também sem alteração dos mandatos e da posse dos eleitos, no dia 1º de janeiro de 2021. “Esses dois meses de adiamento serão tempo primordial para que seja possível a previsão e o estímulo para que, caso seja necessário, as reuniões, visitas e comícios e debates ocorram de forma não presencial”, diz Randolfe na justificativa da PEC.
As outras duas propostas são mais polêmicas, já que incluem, além do adiamento, a prorrogação de mandatos. A PEC 16/2020, protocolada pelo senador Marcelo Castro (MDB/PI), “autoriza o Tribunal Superior Eleitoral a adiar as eleições municipais de outubro de 2020, em caso de necessidade”, sem estabelecer uma data ou prazo de adiamento. Apesar de manter os mandatos atuais, estende os dos eleitos por mais dois anos, até 2026, a fim de unificar as eleições gerais. “Nesse novo modelo, os partidos se tornarão naturalmente mais orgânicos e programáticos, uma vez que serão forçados a ter propostas uniformes e coerentes para todos os entes da Federação”, sustenta Castro.
Por fim, a PEC 19/2020, do senador Wellington Fagundes (PL/MT), não versa sobre a mudança de data das próximas eleições, mas estende até 2022 o mandato dos prefeitos e vereadores em exercício. Um dos objetivos, de acordo com o parlamentar, é “dar segurança jurídica ao pleito eleitoral municipal previsto para este ano, mas que inevitavelmente deverá ser adiado em razão da calamidade pública desencadeada pela pandemia do Covid-19”.

Mais tempo de mandato?

Apesar de as mudanças estarem ainda em discussão no Congresso, a prorrogação de mandatos, atuais ou futuros, está praticamente descartada. Em entrevistas, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM/RJ), tem afirmado que é “quase unanimidade” entre os parlamentares o adiamento das eleições sem prorrogação de mandatos. Posicionamento defendido também pelo presidente do TSE, Luís Roberto Barroso, para quem “a periodicidade das eleições e a alternância no poder são dois ritos vitais para a democracia”.
“É preciso fazer uma separação bem clara entre adiar e unificar as eleições. Esse discurso que defende a unificação, usando um argumento de que reduziria os custos, beira à simplicidade e não tem nenhuma base teórica. Fazer uma mudança dessas nesse momento representaria um sério prejuízo à democracia”, afirma o presidente da Comissão de Direito Eleitoral da OAB-PR, Leandro Souza Rosa.
Para o advogado, é possível adiar a realização das eleições por um período curto, sem que isso traga prejuízos para os mandatos, tanto atuais como os futuros. “Com a regulamentação de uma PEC estabelecendo novas datas para a votação, todos os prazos do calendário eleitoral seriam automaticamente ajustados, preservando os princípios constitucionais. São ajustes possíveis e importantes para proporcionar a tranquilidade necessária”, avalia.

Como fica o calendário das eleições

Além das propostas para realizar as eleições no dia 6 de dezembro, há também uma sugestão do presidente da Câmara, Rodrigo Maia – não formalizada –, para que o primeiro turno ocorra no dia 15 de novembro. Independentemente da data a ser escolhida, o ideal é que uma definição ocorra até o início de julho, na opinião de David Fleischer, professor do Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB). “Em julho começam as convenções partidárias, em que são definidos os candidatos. Uma mudança com esse calendário já em andamento pode trazer prejuízos para as outras etapas, como a propaganda eleitoral”, ressalta.
Pelo calendário atual, as convenções estão marcadas para o período entre 20 de julho e 5 de agosto. A propaganda eleitoral, por sua vez, estaria liberada a partir do dia 16 de agosto, enquanto o horário eleitoral no rádio e na televisão teria início no dia 28. O Instituto Liberdade Digital, organização que coordena pesquisas ligadas a tecnologia e políticas públicas, fez simulações do calendário eleitoral considerando três cenários possíveis: 15/11 (1º turno) e 6/12 (2º turno); 6/12 e 27/12; e 6/12 e 20/12.
No primeiro cenário, do dia 15 de novembro, a pesquisa considera que diplomar os candidatos mantendo o atual intervalo temporal não é possível. Nesse caso, a solução seria diminuir o tempo para prestação de contas dos candidatos de 20 para 10 dias. A segunda simulação considera inviável a realização de segundo turno no dia 27 de dezembro, visto que estenderia os mandatos para além de 31 de dezembro. No último cenário, o segundo turno seria possível, porém, com apenas sete dias de propaganda e quatro dias para prestação de contas daqueles que o disputarem.
“Entendemos que é importante tentar respeitar o tempo de campanha, especialmente diante do fato de que podemos ter uma campanha mais digital em um país desigual em termos de acesso à internet. Um tempo de campanha menor deve favorecer aqueles que já ocupam cargo no Legislativo ou Executivo, além daqueles que já têm uma presença digital”, diz o estudo do Liberdade Digital, assinado pelos pesquisadores Diogo Rais, Camila Tsuzuki e Alinne Gomes.

Treinamentos a distância

O presidente do TSE, Luís Roberto Barroso, informou que, com ou sem adiamento, alguns processos relacionados ao pleito serão realizados a distância. É o caso do contato com os tribunais regionais e o treinamento de mesários, que serão feitos por videoconferência. Barroso disse ainda que o tribunal vai começar a estudar a adoção de ferramentas tecnológicas para baratear o processo eleitoral.
“Vamos investir tempo e energia em mecanismos de utilização de ferramentas que as pessoas já possuem, como celular, tablet ou computador pessoal. Alguns países do mundo já adotam esse modelo a distância. E nós vamos aprender o que tem sido feito pelo mundo afora e desenvolver nossas próprias tecnologias”, afirmou.
fonte:Gazeta do Povo 14/06/2020