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O marido da deputada estadual Fabiana Bolsonaro (PL), que pintou o rosto de marrom — prática conhecida como blackface — para provocar a deputada federal Erika Hilton (PSol), durante uma sessão da Assembleia Legislativa de São Paulo, na última quarta-feira (18/3), ganhou contratos milionários com a cidade de Barrinha, onde a parlamentar era vice-prefeita até ser eleita para a Alesp.
Nos documentos da Junta Comercial, Marcos Aurélio aparece como sócio da empresa a partir de outubro de 2022, mesmo ano em que a esposa deixou a vice-prefeitura para disputar o cargo na Alesp. Um ano depois, o prefeito de Barrinha abriu o edital que terminaria com a Green Ecology escolhida para coletar o lixo da cidade.
Segundo o contrato, a empresa deveria recolher os resíduos sólidos das casas e comércios da cidade e destiná-los para um aterro. Para executar o serviço, a Green Ecology receberia R$ 322 por tonelada coletada, em um total de R$ 2,7 milhões por 12 meses.
O serviço de coleta de lixo, no entanto, não aparece entre as atividades principais exercidas pela empresa na Junta Comercial. Lá, a Green Ecology é descrita como um negócio relacionado a “Construção de edifícios”, “Atividades paisagísticas”, “Fabricação de esquadrias de metal”, “Geração de energia elétrica”, e “Preparação de canteiro e limpeza de terreno”, entre outras atividades.
O Metrópoles procurou a deputada Fabiana Bolsonaro (PL) para comentar o caso, considerando a proximidade do contrato com sua gestão em Barrinha. O advogado Alberto Rollo, que faz a defesa da parlamentar, afirmou, no entanto, que Fabiana não tinha mais relacionamento político com o prefeito de Barrinha quando seu marido virou sócio da Green Ecology, em 2022.
Segundo Rollo, houve um rompimento entre os dois companheiros de chapa. “Ela não poderia ter nenhum tipo de influência em qualquer decisão do prefeito porque o prefeito não gostava mais dela e não iria querer que ela desse qualquer tipo de palpite”, afirmou ele ao Metrópoles.
Em 2023, Marco Aurélio abriu ainda outra empresa que fecharia contratos com a cidade de Barrinha: a Oficina Premium 777, que realiza serviços de manutenção e reparação de veículos, máquinas e tratores. No ano seguinte, ainda na gestão Zé Marcos, a Oficina Premium 777 foi escolhida junto com outras duas empresas para prestar serviços para a cidade.
A reportagem não conseguiu contato com Marcos Aurélio e Zé Marcos. O espaço segue aberto para manifestação de ambos.
A relação de Marcos Aurélio com a prefeitura de Barrinha continua até hoje. O Diário Oficial do Estado mostra que a gestão que assumiu em 2025 homologou um contrato com a Oficina Premium 777 para a fornecimento de peças e prestação dos serviços de mecânica e autoelétrica nos veículos da frota do município.
Casal
Fabiana Bolsonaro e Marcos Aurélio se casaram em maio de 2022. Depois da união, ela mudou-se para a cidade de Matão, onde o empresário mora, e ganhou da Câmara Municipal da cidade o título de Cidadã Matonense.
Em 2024, o Marcos Aurélio usou a influência da esposa na região para se lançar ao cargo de vice-prefeito de Matão, pelo Republicanos, em uma chapa com a candidata Sônia Moura (PL). Seu nome de urna saiu como “Marcos da Fabiana Bolsonaro”. A chapa saiu derrotada na eleição.
Blackface
Nesta quarta, a deputada estadual de São Paulo Fabiana Bolsonaro (PL) pintou o rosto e parte do corpo de marrom durante uma sessão da Alesp, para criticar a eleição da deputada federal Erika Hilton (PSol) para a presidência da Comissão dos Direitos da Mulher, da Câmara dos Deputados, em Brasília. Veja:
Blackface é o nome dado à prática de pintar o rosto com tinta de cor escura para ridicularizar negros. Fabiana Bolsonaro negou que estivesse cometendo blackface.
A parlamentar bolsonarista iniciou seu discurso dizendo que faria um “experimento social” e começou a passar a tinta enquanto afirmava que, como mulher branca, “mesmo me pintando de negra eu não posso cuidar das pessoas que sofrem o racismo”.
“A gente viu agora essa semana, na comissão federal, lá em Brasília, que uma mulher trans, Erika Hilton, foi colocada como presidente da Comissão da Mulher. E isso me entristece muito. Não porque ela, uma trans, está como presidente, mas porque está tirando o espaço de fala de uma mulher”, disse.
A bolsonarista foi interrompida pela deputada Mônica Seixas (PSol) que solicitou a suspensão da sessão. “A gente está assistindo um caso de blackface no plenário da Assembleia Legislativa. É um caso de polícia. É racismo e transfobia”, disse a parlamentar.
Depois do episódio, vários deputados assinaram uma representação contra a Fabiana Bolsonaro no Conselho de Ética da Alesp.
“Esperamos que o Conselho de Ética seja ágil o suficiente para estabelecer as punições necessárias contra essa deputada”, afirmou deputada estadual Beth Sahão (PT), líder da minoria na Casa. “Naturalizar o racismo e a transfobia é um absurdo, é inaceitável”, acrescentou.
O que diz Fabiana Bolsonaro
Em nota ao Metrópoles, a defesa da deputada Fabiana Bolsonaro negou que ela tenha feito blackface na Alesp. “É uma mentira deliberada para tentar calar um debate legítimo”, diz a nota.
“Não sou negra, e por isso não tenho lugar de fala em favor dos negros, mas aproveitei para deixar claro o meu respeito e afirmar que não sofro com esse odiável preconceito, porque não sou negra. Em nenhum momento debochei, fiz piada ou desrespeitei a luta histórica do povo negro. Pelo contrário: reconheci e respeitei essas dores reais”, continua o texto.
“Respeito quem é negro, quem é trans, quem é o que quiser ser. Que cada um assuma, com dignidade, seu lugar na sociedade, com liberdade e respeito, cada qual defendendo os seus próprios direitos”, finaliza a nota.
Fonte:Jéssica Bernardo/Metrópoles - 21/03/2026
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