O jornalista Thiago Contreira deixou o comando da direção de Jornalismo da Record, incluindo o programa Domingo Espetacular, após 23 anos na emissora. A saída, oficializada na tarde desta sexta-feira (20), foi tratada como um acordo entre as partes, embora nos bastidores a versão de demissão seja a mais comentada entre profissionais da casa.
Clima interno e críticas à gestão
De acordo com informações apuradas pela reportagem do iG, a passagem de Contreira pela chefia do jornalismo foi marcada por insatisfação entre equipes. Internamente, o executivo era descrito como uma figura rígida e de difícil convivência, com frequentes queixas sobre sua forma de conduzir o trabalho e lidar com subordinados. Alguns profissionais o classificavam como “carrasco”, citando episódios de broncas consideradas excessivas e desrespeitosas.
Ainda segundo esses relatos, o diretor acumulava histórico de denúncias de assédio moral registradas no setor de recursos humanos, tanto durante sua atuação no Rio de Janeiro quanto em São Paulo. O apelido “Com Treta”, uma referência ao sobrenome, circulava entre funcionários como reflexo da percepção sobre seu estilo de gestão.
Disputas de poder nos bastidores
A saída de Contreira também ocorre em meio a um cenário de disputas internas na emissora. Ele mantinha um histórico de atritos com Antonio Guerreiro, atual vice-presidente de Jornalismo da Record. Nos bastidores, Contreira era visto como aliado de Marcelo Silva, outro nome influente da empresa e considerado desafeto de Guerreiro.

Fontes apontam que o jornalista atuava como interlocutor de Silva dentro do departamento de jornalismo, em movimentos que, segundo relatos, buscavam enfraquecer a gestão de Guerreiro. A demissão seria interpretada internamente como um capítulo dessa disputa de poder, vista por alguns como uma resposta do vice-presidente.
Ambiente tenso: responsável por demissão de braço direito de rival
Entre os episódios mais graves atribuídos à gestão de Contreira, há relatos de discussões acaloradas com colegas de trabalho. Em um dos casos mencionados por profissionais da emissora, o jornalista teria chegado a agredir um diretor durante uma discussão, segurando-o pelo pescoço e o empurrando contra uma porta de vidro.
A fama de um chefe duro - muito além do aceitável - era conhecida também nas emissoras da Record em outros estados. Jornalistas que nunca trabalharam com ele comentavam nos corredores que ouviram histórias sobre Contreira de arrepiar os cabelos.
Thiago Contreira sempre foi visto como o maior articulador da demissão de Aline Sordili, em dezembro de 2024, considerada a braço direito de Antonio Guerreiro, vice-presidente de jornalismo da emissora.

Entre 2019 e 2024, Contreira rivalizava com Sordili para tentar dominar o jornalismo da emissora. Mas a corda arrebentou para ela quando Marcelo Silva, outro chefão da emissora e rival de Guerreiro, mirou fogo na jornalista e conseguiu sua demissão.
Internamente, Contreira foi visto como principal informante de Marcelo Silva sobre possíveis problemas no jornalismo da emissora. A intenção, de acordo com fontes no canal, era derrubar Guerreiro e aqueles vistos como próximos dele para sentar em seu lugar.
Sordili era monitorada por Contreira e suas eventuais deslizadas eram constantemente levadas pra Silva, que se encarregava de fazer tudo chegar aos acionistas da Record.
Nesse embate, um terceiro diretor de jornalismo da Record, Clovis Rabelo, foi envolvido no fogo cruzado ao ser monitorado como “faz tudo” pra Guerreiro, principalmente favores pessoais, como até conseguir ingressos para o eventos culturais.

Como é visto como o atual ''faz tudo'' do vice-presidente de jornalismo, Rabelo foi um dos que sentiu alívio ao saber da saída de Contreira, de quem sempre foi rival declarado.
Apesar das salas grudadas, no dia a dia, ambos não se falavam e nem mesmo se cumprimentavam.
Eles articulavam para que a equipe do jornalismo nunca “remasse no mesmo sentido”, como sempre pedia Guerreiro, e estimulavam disputas internas entre as atrações jornalísticas dirigidas por um ou por outro. Ao lado de Guerreiro, Rabelo; de Marcelo Silva, Contreira.
Enquanto Contreira apostava suas fichas em Marcelo Silva, Rabelo levou pra Record o jornalista Bruno Chiarioni, atual chefe do Domingo Espetacular e outro nome cotado pra sentar na cadeira que era de Contreira. Chiarioni é ligado ao jornalista Roberto Cabrini.
Reorganização no jornalismo
Uma das principais funções de Contreira era cuidar, com lupa, do “Jornal da Record” .
Com a retirada dele do cenário, Guerreiro cuidará do jornalístico diretamente com Patrícia Rodrigues, atual chefe de redação do programa e uma das consideradas protegidas de Contreira dentro da emissora.
Com a saída de Contreira, a expectativa é de mudanças na estrutura do jornalismo da Record. Um dos nomes cotados para ganhar mais espaço é o de Davi Maduro, atual diretor administrativo da área e considerado próximo da cúpula da emissora.
Em contato com o iG, Thiago Contreira fez um breve pronuncimanto sobre o assunto sem comentar o casos de briga, assédio e confronto com outros profissionais.
"Foi uma decisão discutida há bastante tempo. Comum acordo. Só gratidão pela Record. Foram 23 anos de muito trabalho e dedicação",Thiago Contreira
Fonte: Fábio Vilea/Portal IG- 21/03/2026
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