Ministros do STF, Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar MendesCrédito: Gustavo Moreno/STF
247 – A Polícia Federal informou ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que identificou indícios de que o perito criminal João Cláudio Nabas elaborou dois arquivos com referências aos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli a partir de dados extraídos do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Segundo a investigação, os documentos foram intitulados “Moraes.pdf” e “Toffoli e esposa.pdf” e teriam sido produzidos sem autorização da equipe responsável pela apuração, revelou o jornal O Estado de São Paulo.
As informações constam de inquérito instaurado pela PF por determinação de Mendonça para apurar o vazamento de dados sigilosos do aparelho de Vorcaro. A investigação levou ao cumprimento de mandado de busca e apreensão contra Nabas em maio, sob suspeita de violação de sigilo funcional. Após a operação, o perito foi afastado de suas funções.
A apuração da Polícia Federal afirma que Nabas, especialista em crimes financeiros, havia sido chamado para auxiliar a equipe da Operação Compliance Zero em novembro de 2025. Conforme os registros internos do sistema da corporação, ele acessou a extração do celular de Daniel Vorcaro em 1º de dezembro e, três dias depois, criou os dois arquivos relacionados aos ministros do STF.
Os documentos, segundo a investigação, reuniam diálogos, menções e informações extraídas do celular do banqueiro. Um deles incluía trechos de um contrato de R$ 129 milhões firmado entre o Banco Master e a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes. Ainda de acordo com dados da Receita Federal citados na apuração, o escritório de Viviane teria recebido R$ 80,2 milhões do Master entre 2024 e 2025.
A Polícia Federal sustenta que Nabas “de fato criou os documentos relacionados aos magistrados” e que a análise dos metadados e dos conteúdos reforçou a suspeita de que o perito organizou e repassou à imprensa informações sigilosas encontradas no celular de Daniel Vorcaro. A corporação afirma que a apuração não tem como alvo jornalistas nem o direito constitucional ao sigilo da fonte, mas sim eventual violação de sigilo funcional por servidores públicos.
No pedido de busca e apreensão contra o perito, a PF afirmou que, “tão logo acessou os dados extraídos do aparelho telefônico de Daniel Vorcaro”, Nabas teria atuado “sem ordem ou consentimento das autoridades policiais que conduzem a operação”. Segundo os investigadores, ele teria direcionado sua análise para localizar “supostos elementos desabonadores de Ministros desta Suprema Corte”, com o objetivo de tornar públicas as informações por meio da imprensa nacional.
Policiais federais que integravam a equipe da Operação Compliance Zero foram ouvidos no inquérito e relataram ter tomado conhecimento de uma sugestão de Nabas para que o material fosse divulgado. Um dos depoimentos apontou que o perito fez a análise dos dados de forma remota, a partir de Vilhena, em Rondônia, onde é lotado.
Segundo esse relato, em 5 de dezembro de 2025, Nabas enviou à equipe um arquivo em PDF sem identificação formal, contendo um compilado de mensagens extraídas do celular de Vorcaro. Em seguida, teria encaminhado um áudio sugerindo a divulgação do conteúdo à imprensa. A equipe teria respondido que não faria contato com jornalistas, mas o perito, segundo a PF, insistiu na proposta.
Ainda conforme a investigação, depois da recusa dos colegas, Nabas enviou no mesmo dia um segundo arquivo, também sem cabeçalho ou identificação, intitulado “Toffoli e esposa.pdf”. O material reunia informações associadas ao ministro Dias Toffoli e à sua ex-esposa, Roberta Rangel, incluindo dados ligados ao resort Tayayá. Parte dessas informações foi usada posteriormente pela própria Polícia Federal em um pedido de suspeição contra Toffoli apresentado ao Supremo.
Após o vazamento, João Nabas foi retirado da equipe de investigação da Operação Compliance Zero, e seus acessos a materiais e dados das apreensões foram encerrados. A defesa do perito foi procurada pelo O Estado de São Paulo, mas não se manifestou. Os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli também foram contatados e não comentaram o caso.
Fonte:BRASIL 247 - 03/07/2026
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