Jorge Luiz Santiago Rocha *
Nas Escrituras Sagradas,
encontramos, no Antigo Testamento, os profetas escolhidos por Deus para guiar o
povo de Israel. Em diversos momentos de seus ministérios, esses homens
denunciaram, diante dos reis, os erros cometidos na condução da nação, arriscando,
muitas vezes, a própria vida por dizerem a verdade.
No Novo Testamento, o próprio
Cristo confrontou os líderes religiosos, denunciou o farisaísmo em que viviam e
criticou a imposição ao povo de obrigações que eles mesmos não cumpriam: “Eles
atam fardos pesados e os colocam sobre os ombros dos homens, mas eles mesmos
não estão dispostos a levantar um só dedo para movê-los” (Mateus 23:4 – NVI).
No Brasil, país marcado pela
pluralidade religiosa, vários líderes de denominações evangélicas, inclusive de
igrejas históricas, desde a campanha presidencial de 2018, mergulharam de
cabeça em um discurso que fere e ignora um princípio basilar da República: a
separação entre Estado e religião. O Estado brasileiro é laico desde a
Constituição de 1891, princípio reafirmado pela Constituição Federal de 1988,
em seu art. 19, que veda à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos
Municípios estabelecer cultos religiosos, subvencioná-los ou manter relações de
dependência ou aliança com igrejas, ressalvada a colaboração de interesse
público prevista em lei.
E, como gostam de citar o
capítulo 8, versículo 32, do Evangelho de João, esses mesmos líderes
evangélicos raramente mencionam o que o próprio Cristo afirma, no mesmo
capítulo, versículo 44, a respeito daqueles que mentem deliberadamente,
sobretudo quando o fazem para influenciar uma nação.
* Pedagogo, graduando em Jornalismo. Editor do Blog JorgeLuizfiqueiinformado
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