sexta-feira, 3 de julho de 2026

Opinião: Por favor, parem de mentir

 

                                                                                                             Jorge Luiz Santiago Rocha *

   

Nas Escrituras Sagradas, encontramos, no Antigo Testamento, os profetas escolhidos por Deus para guiar o povo de Israel. Em diversos momentos de seus ministérios, esses homens denunciaram, diante dos reis, os erros cometidos na condução da nação, arriscando, muitas vezes, a própria vida por dizerem a verdade.

No Novo Testamento, o próprio Cristo confrontou os líderes religiosos, denunciou o farisaísmo em que viviam e criticou a imposição ao povo de obrigações que eles mesmos não cumpriam: “Eles atam fardos pesados e os colocam sobre os ombros dos homens, mas eles mesmos não estão dispostos a levantar um só dedo para movê-los” (Mateus 23:4 – NVI).

No Brasil, país marcado pela pluralidade religiosa, vários líderes de denominações evangélicas, inclusive de igrejas históricas, desde a campanha presidencial de 2018, mergulharam de cabeça em um discurso que fere e ignora um princípio basilar da República: a separação entre Estado e religião. O Estado brasileiro é laico desde a Constituição de 1891, princípio reafirmado pela Constituição Federal de 1988, em seu art. 19, que veda à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios estabelecer cultos religiosos, subvencioná-los ou manter relações de dependência ou aliança com igrejas, ressalvada a colaboração de interesse público prevista em lei.

E, como gostam de citar o capítulo 8, versículo 32, do Evangelho de João, esses mesmos líderes evangélicos raramente mencionam o que o próprio Cristo afirma, no mesmo capítulo, versículo 44, a respeito daqueles que mentem deliberadamente, sobretudo quando o fazem para influenciar uma nação.


* Pedagogo, graduando em Jornalismo. Editor do Blog JorgeLuizfiqueiinformado


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